31 anos, hoje. e o meu coração continua a bater. tive momentos que desejei abrir o meu peito, retirar o coração, e, toda a força que tivesse, seria para esmagá-lo com o punho. morto não sangraria. depois liguei o meu coração doente a uma câmera. e percebi que ouvi-lo a bater enquanto fotografava não me magoava. foi o quanto bastou para me candidatar a um curso de fotografia e à bolsa de estudo. às vezes, na quietude da noite, ainda zangado, e, entre batidas, ouço-o a dizer morrerás seca, sim, porque eu não te permito que me faças passar pelo mesmo, mas se pudesses ser mãe, terias sido uma mãe maravilhosa. este meu coração poderá, mais tarde, sentir de outra forma. não sei. não penso, não me preocupo com isso. por agora a fotografia liga-me à vida e sou feliz.