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20 de jul de 2012

ilusões perdidas II

continuando o post anterior: pois é, perdeu-se nas brumas do tempo e da desmemória, entre os mofos dos baús abandonados, a primeira tradução brasileira de ilusões perdidas. chegamos a ela, everton grison e eu, numa gostosa e informal conversa facebuquiana hoje à tarde.

havia uma edição das ilusões de 1960, pela extinta livraria martins, em tradução de silvia (também sylvia) mendes cajado. afinal descobrimos que a primeira edição tinha saído em 1945:



o que me deixou curiosa foi o parentesco que ela teria com octavio (também otávio) mendes cajado, um seriíssimo tradutor dos anos 50 a 80, mais ou menos, que certamente todos nós já lemos em alguma de suas traduções, desde melville e dickens a rex stout e imre lákatos! alguma hora vou montar uma listagenzinha das traduções de mendes cajado.

voltando ao tema, pesquisa vai, pesquisa vem, afinal silvia era mãe de otávio, ela também tradutora entre os anos 30 e 50 - há alguns dados simpáticos aqui na wiki. dada a pista, deve ter bastante material sobre suas atividades culturais de esquerda (mas cunhada de adhemar de barros?).

em suma, é de si(y)lvia mendes cajado a primeira tradução de ilusões perdidas no brasil. a martins publicou uma segunda edição em 1960 e depois a obra caiu no esquecimento. uma pena. quem sabe não valeria um resgate?


atualização em 18/7/2018 - ver aqui::

"Dr. Octávio Mendes (1869-1931) foi eminente professor catedrático de Direito Comercial na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Era pai de Dª Leonor Mendes de Barros, nascida em 21 de julho de 1905. Em 1927, DªLeonor se casou com Dr. Adhemar Pereira de Barros, que foi Interventor (1938), Prefeito e Governador do Estado de São Paulo em duas ocasiões (1947-1951 e 1963-1966).

A biblioteca do CEDOM cópias do “Centenário de Octavio Mendes”, de Cajado,Sylvia Mendes ,Cajado Octavio Mendes, de 1969 (980 C139c 1969) com uma boa biografia. A conversão e a disponibilização deste documento em formato eletrônico pode ser de interesse."


ilusões perdidas I

interessante: (as) ilusões perdidas, pelo visto, é um dos favoritos balzaquianos no brasil, com nada menos de seis traduções diferentes, além de uma adaptação infantojuvenil e uma provável contrafação. até a distribuição temporal delas é interessante, com destaque para o surto de retraduções entre 2007 e 2011.

I.
a tradução mais conhecida e divulgada é a de ernesto pelanda e mário quintana, que saiu pela editora globo como sétimo volume da monumental comédia humana, coordenada por paulo rónai. o volume foi lançado em 1951, e a distribuição da tradução é a seguinte: pelanda fez "os dois poetas" e "um grande homem da província de paris"; quintana fez "os sofrimentos do inventor".



ao longo das décadas, ela teve várias reedições na globo (1955, 1956, 1958, 1959, 1969), além de diversos licenciamentos - para a abril cultural (1978, 1981), círculo do livro (1982, 1983, 1986), nova cultural (1993, 2000):

Livro Ilusões Perdidas=honoré De Balzac=700 Pag Circulo D Li

II.
passados mais de quarenta anos, em 1994 sai uma nova tradução, agora de maria lúcia autran dourado, pela ediouro:



III.
em 2002, a companhia das letras lança uma edição voltada para o segmento de didáticos, com tradução condensada e adaptada para o público infanto-juvenil por silvana salerno:



IV.
em 2007, sai pela l&pm a tradução de ivone benedetti:

A Comédia Humana – Ilusões Perdidas – Col. L&pm Pocket

V.
no mesmo ano de 2007, a estação liberdade publica a tradução de leila de aguiar costa:



que é licenciada em 2010 para a coleção clássicos abril, em dois volumes:



VI.
em 2011, pela penguin-companhia, temos a tradução de rosa freire d'aguiar:



VII.
sobre a provável fraude, trata-se do misteriosíssimo e certamente fantasmagórico k. d'avellar, que assombrou várias edições da h. garnier no começo do século XX. há uma exposição detalhada do caso aqui. no caso dessas illusões perdidas, o caso é tanto mais ridículo, pois continua a ser reeditado na livraria garnier, após o falecimento de hyppolite garnier. 



aqui c. 1908:

Autor:Balzac, Honoré de, 1799-1850.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Ilusões perdidas.
Imprenta:Rio de Janeiro, H. Garnier. 
Descrição física:2 v.
Notas:Registro Pré-MARC
Entradas secundárias:Avellar, K. d'.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:843/B198il7 


VIII. sem dúvida, a tradução mais conhecida é a de pelanda e quintana, e muitos pensam que foi a primeira tradução de illusions perdues no brasil. pois é, não foi. para completar a apresentação das seis traduções mencionadas no começo do post, falta justamente a primeira delas - é uma história bonitinha, que segue no próximo post, aqui.