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23 de out de 2011

o aventuroso cântico de natal

comentei em post anterior, aqui, como me pareceu curiosa a extrema semelhança nas traduções de a christmas carol, de charles dickens, publicadas pela editora legatus (2011) e pela editora martin claret (2004) como cântico de natal. a primeira não menciona o nome do tradutor; a segunda atribui os créditos de tradução a "john green".

resolvi pesquisar um pouco e localizei a provável fonte da tradução anônima e da pretensa tradução de "john green". refiro-me a uma publicação do clube do livro, de 1956, uma aventura de natal, seguida de os sete viandantes pobres, com tradução a cargo de tito marcondes e josé maria machado.*


* entendo que tito marcondes seja o responsável por uma aventura de natal e josé maria machado  por os sete viandantes pobrescomo josé maria machado costumava apenas assinar as chamadas "traduções especiais" (isto é, traduções de terceiros, já publicadas anteriormente em outras editoras) do clube do livro, e como desde 1942 tínhamos o conto "os sete viandantes pobres" na coletânea contos ingleses, organizada por jacob penteado, eu não me surpreenderia muito se aquela fosse cópia desta. quanto à tradução de uma aventura de natal, considero até prova em contrário que seja efetivamente de autoria de tito marcondes.


uma breve olhada nas primeiras linhas do original basta para mostrar como seria impossível "john green" ou qualquer outro tê-las traduzido de maneira idêntica a tito marcondes:
Marley was dead: to begin with. There is no doubt whatever about that. The register of his burial was signed by the clergyman, the clerk, the undertaker, and the chief mourner. Scrooge signed it: and Scrooge’s name was good upon ’Change, for anything he chose to put his hand to. Old Marley was as dead as a door-nail.
Para começar, digamos que Marley tinha morrido. Neste particular, não pode haver absolutamente a menor dúvida; a ata dos seus funerais havia sido assinada pelo vigário, pelo sacristão, pelo homem da empresa funerária e pelas pessoas que haviam conduzido o féretro. Scrooge também a tinha assinado. Ora, Scrooge era um nome bastante conhecido na Bolsa, e sua assinatura era um documento valioso, onde quer que ele a colocasse. O velho Marley estava tão morto como um prego de porta. (Tito Marcondes)
Para começar, digamos que Marley tinha morrido. Neste particular, não pode haver absolutamente a menor dúvida; a ata dos seus funerais havia sido assinada pelo vigário, pelo sacristão, pelo homem da empresa funerária e pelas pessoas que haviam conduzido o féretro. Scrooge também a tinha assinado. Ora, Scrooge era um nome bastante conhecido na Bolsa, e sua assinatura era um documento valioso, onde quer que ele a colocasse. O velho Marley estava tão morto como um prego de porta. ("John Green") 
como se vê claramente por este pequeno exemplo - onde a única diferença na tradução em nome de "john green", pela martin claret, em comparação à de tito marcondes é a palavra "enterro" em vez de "féretro" -, uma aventura de natal de 1956 foi literalmente reproduzida (à exceção de outros três ou quatro termos mais rebuscados) em cântico de natal, em nome de "john green", pela editora martin claret em 2004,* e sem qualquer mudança na tradução anônima pela editora legatus em 2011.

* aliás, a propósito de outras traduções implausivelmente atribuídas a "john green", ver aqui e aqui.


Um Cântico de Natal - A Christmas Carol (Clássicos da Literatura Internacional) (Portuguese Edition)


a íntegra de uma aventura de natal se encontra disponível para download gratuito na virtualbooks, aqui neste link, e no scribd, com o nome de canção de natal, aqui neste link.

atualização: interessantemente e talvez não por mera coincidência, o cadastro desse cântico de natal pela editora martin claret  na agência do isbn foi feito previamente, em 1998, com o título - ulalá! - de uma aventura de natal.


PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
RESULTADO
Palavra Pesquisada:UMA AVENTURA DE NATAL (COL. A OBRA PRIMA DE CADA AUTOR)
ISBN: 85-7232-292-2
TÍTULO: UMA AVENTURA DE NATAL (COL. A OBRA PRIMA DE CADA AUTOR)
VOLUME DA COLEÇÃO: 000
AUTOR: DICKENS, CHARLES
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 1998
LOCAL DE EDIÇÃO: SAO PAULO/SP
TIPO DE SUPORTE: OUTRO
PÁGINAS: NÃO INFORMADO
EDITORA: MARTIN CLARET
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atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

2 de out de 2011

dickens na legatus e na martin claret


amazon, aqui, com mais algumas páginas para visualização


A edição da Legatus, disponível na Amazon,  não traz o nome de quem fez essa tradução de A Christmas Carol de Dickens para o português. 

Por outro lado, a editora Martin Claret publicou uma tradução desse conto em nome de um misterioso "John Green". O fato me chamou a atenção, pois o nome de John Green consta em algumas bizarras edições claretianas que eu havia cotejado e documentado aqui e aqui


Cotejei as páginas iniciais da tradução anônima da Legatus, disponíveis para visualização no site da Amazon, e as páginas correspondentes na tradução atribuída a John Green na Martin Claret. O engraçado é que, tirando um "féretro" e um "ataúde" da primeira que aparecem como "enterro" e "caixão" na segunda e algumas frases faltando nesta última, elas são idênticas...

17 de fev de 2011

a responsabilidade das livrarias

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em legatus X, reproduzi uma pergunta muito pertinente da jornalista raquel cozer sobre o caso da editora legatus, que vende ebooks com irregularidades editoriais no site da amazon. a questão é: "a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?"

hoje, dra. maria adélia deixou um comentário esclarecedor sob o post citado, que reproduzo aqui:
Cara Denise

Reproduzo meu primeiro comentário n´a Biblioteca de Raquel:

"Prezada Senhora Raquel

Parabéns pelo seu blog e pelo excelente trabalho.

Temos uma futura grande editora. Estamos surpresos com a balbúrdia da Legatus na Amazon, (acompanhamos o nãogostodeplágio e as inúmeras picaretices do mundo editorial). Entendemos que a responsabilidade por quaisquer eventuais, digamos, malfeitos, é eminentemente da Legatus.

A Amazon é, nesse tipo de evento, intermediária – diferentemente da análise, por exemplo, do comércio do Kindle, em que sua responsabilidade seria indubitavelmente direta. Não pode ser obrigada, smj, a assegurar os conteúdos em responsabilidade solidária com as editoras. Deve haver um “disclaimer” em algum lugar.

Apesar disso, como lucra na venda de cada exemplar baixado – “subido” para os computadores pessoais dos pagantes – terá, sim, responsabilidade subsidiária caso a Legatus não honre o ressarcimento (ou até indenização) do consumidor que se sentir prejudicado.

A Cultura, mesmo se tratarmos de formato papel, está na mesma posição da Amazon, caso chegue a vender livros com cadernos faltosos, trocados, ou com conteúdo forjado etc.

Deixo-lhe meu abraço e reitero as congratulações iniciais, desejando muito sucesso, prosperidade e ótimas leituras.

MAVB"

Manifestei-me como advogada, em crua leitura da pergunta feita. Os adjetivos desairosos que tais editoras, data venia, merecem ficam dentre quatro paredes.

Abraço cordial,

Maria Adélia
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12 de fev de 2011

editora legatus X

a coluna babel do caderno sabático, do jornal o estado de são paulo, a cargo da jornalista raquel cozer, traz uma atualização em sua nota sobre a editora legatus. reproduzo:
Update: De um comprador de livros da Legatus para Denise: “Eu baixei o Maquiavel. Tinha 36 paginas, era um resumo mutilado, digamos assim. O livro honesto tem 200 pgs. Eu paguei 6,99 dolares. Não eh um conto do vigario?"
Além de tudo, está faltando um contato para reclamações, não? Fiquei sabendo de toda essa história da Legatus por um conhecido que comprou a tradução do “Paulo Besera” e recebeu a do José Geraldo Vieira. Ele escreveu há umas três semanas para a Amazon pedindo o dinheiro de volta e não teve resposta até agora. Diz Vieira que a Amazon avisa quando recebe reclamações (houve algumas, segundo ele, sobre a Bíblia em inglês, na qual faltavam versículos), mas eu mesma já tentei entrar em contato com o site várias vezes sem nenhuma resposta. A Legatus deveria ter algum contato na internet para reclamações. E, indo ainda mais longe: a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?
a denise ali citada sou eu. a obra de maquiavel citada é a arte da guerra, que a legatus retirou anteontem de seu catálogo na amazon e que constava como tradução de eugênio vinci de moraes. veja aqui e aqui. na verdade, o e-book comercializado pela legatus era um pífio arremedo mutilado, idêntico ao que a editora martin claret publica faz uns dez anos, dando como tradutor o fantasmático "jean melville", portador de alguns louros no panteão do plagiato nacional.

algum tempo atrás, eu já tinha até comentado que essa arte da guerra da martin claret mais parecia "um quilo de 150 gramas". veja aqui. pois bem, é essa piada de mau gosto que, até anteontem, a editora legatus vendia (por US$ 6,99) no site da amazon. curiosamente, seu ebook não traz o número das páginas. meu amigo contou uma por uma e concluiu que eram 36 (no corpo que escolheu; podia chegar a 40 páginas em corpo maior).

não entendo muito bem a nonchalance que o sr. alexandre vieira pires demonstra em suas declarações à jornalista raquel cozer, na nota supracitada. começa que já acho surpreendente que um editor desconheça os mais simples requisitos para a edição de qualquer livro, seja impresso, seja digital. que, além disso:
  • monte um catálogo composto apenas de obras disponíveis gratuitamente na rede, sem avaliar procedência e legitimidade, sem verificar dados e conteúdo,
  • publique resumos e obras incompletas, sem avisar o leitor e omitindo o número de páginas na edição,
  • utilize indevidamente nomes de tradutores seriíssimos (como eugênio vinci de moraes nos dois casos de maquiavel), 
  • flagrado nas irregularidades, credite as falhas aos sites       de onde extraiu as obras e declare com singela candura: “Confiei neles”,
confesso, é demais para meu entendimento.

outra questão que me parece muito importante é, como bem pergunta a jornalista raquel cozer: "a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?"

atualização em 14/02: a l&pm, editora que publica a tradução d'a arte da guerra feita por eugênio vinci de moraes, alerta em seu site, "Cuidado ao baixar e-books: procure uma editora confiável":

14/02/2011

Cuidado ao baixar e-books: procure uma editora confiável

Por L&PM Editores
Comprar um e-book, ou simplesmente baixar um livro virtual, pode ser uma manobra arriscada. Afinal, você paga antes e recebe o downloaddo livro depois que seu precioso dinheirinho é transferido pelo cartão de crédito para a empresa. Veja no blog "Não gosto de plágio", da tradutora Denise Bottmann, a transcrição de uma matéria do Estado de S. Paulo que denuncia a desconhecida editora Legatus por várias irregularidades na internet (ele oferece seus e-books via Amazon), inclusive ela vende um livro que, no original, tem 206 páginas e só entrega 36. Leia e pense sobre isso.

 veja aqui.
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editora legatus IX

no sábado passado, a jornalista raquel cozer tinha dado uma nota em sua coluna semanal sobre um caso editorial bizarro.

dando continuidade ao tema, hoje ela publica outra nota, que reproduzo abaixo:
INTERNET

Negócio arriscado

Alexandre Pires Vieira descobriu nesta semana que vida de editor não é simples. Responsável pela Legatus, citada na última Babel por vender na Amazon e-books em português com dados incorretos, ele informou à coluna que não sabia da necessidade de fichas catalográficas e que vai tirar os títulos do ar até corrigir tudo. Nesta semana, a tradutora Denise Bottmann constatou diversos outros problemas, como versões cujos direitos não estão em domínio público.
           Sócio de empresa de seguros, Vieira disse que formatava livros para Kindle para consumo próprio até decidir testar a venda, há cerca de um ano, incluindo na loja para autores independentes da Amazon obras gratuitas localizadas em sites de download – aos quais credita os erros. “Confiei neles.” Hoje tem cerca de 100 títulos à venda. Os negócios, diz, têm crescido 20% ao mês. O best-seller é a Bíblia em inglês, com 600 cópias só em janeiro, enquanto a Bíblia em português (“A da Legatus é a única em português na Amazon”, orgulha-se) teve 60 exemplares vendidos no mesmo período.
bom, dizer o quê? talvez sugerir que os aspirantes a editor se informem previamente sobre os elementos básicos que compõem uma edição... acompanhe o caso legatus aqui.
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editora legatus VIII

um cliente insatisfeito deixou um comentário na amazon sobre o oliver twist que tinha comprado na edição kindle da editora legatus:
traducao incompleta!!, May 12, 2010 By Eduardo Fagundes Jr. - Oliver Twist (Portuguese Edition) (Kindle Edition) - A traducao desta obra e primorosa, porem esta incompleta!!! Alias, este detalhe nao consta nas especificacoes da obra. Cuidado!
no post legatus V, eu tinha comentado que a tradução de oliver twist feita por machado de assis era um caso engraçado. como bem notou o leitor em seu comentário acima reproduzido, ela é incompleta.

oliver twist tem 53 capítulos no original e, evidentemente, foi escrito em inglês. machado de assis estava traduzindo a obra de dickens a partir de uma versão em francês, para publicação em fascículos ("em folhetim", como se dizia) no jornal da tarde. a certa altura, ficou meio farto, deu uma desculpa qualquer ao jornal e largou a tradução sem nem concluir o capítulo 28. além disso, nos capítulos que traduziu, machado (ou algum editor do folhetim) resumiu e cortou uns bons trechos da obra.

 
esse oliver amputado sem dúvida guarda um certo interesse para os estudiosos de machado assis. tirando isso, não entendo por que, para que e para quem publicar essa semitradução, ainda mais sem avisar o leitor.
 
a editora hedra, em 2002, até tentou dar andamento à tradução machadiana com ricardo lísias. para os interessados, eis aqui a tradução de machado de assis e eis aqui o oliver original.

imagem: book, interrupted. ver aqui.
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11 de fev de 2011

editora legatus VII

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impressionante a volatilidade do catálogo da legatus!


entre ontem e hoje, o total de títulos da editora legatus na kindle store da amazon diminuiu de 139 para 93. parte dessa redução se deu nas três coleções que apresentamos nos posts anteriores.

a coleção "clássicos da literatura internacional", que apresentava 32 títulos, fez uma dieta radical e em menos de 24 horas manteve apenas 6 dos títulos anteriores. em compensação, acrescentou 5 shakespeares e o indefectível bram stoker, perfazendo um total de 12 títulos.
atualização às 14,30: 13 títulos. reincluído o idiota de josé geraldo vieira.

a coleção "clássicos da filosofia" de 8 passou para 5 títulos. a página é meio bagunçada porque aparecem 7 títulos, sendo 2 deles da coleção "clássicos da política". continua a constar um estrambótico thoreau traduzido por machado de assis.
atualização às 14,20h: em ininterrupta volatilidade, agora aparecem apenas 5 títulos, kant como "clássico da política" sumiu, e thoreau por machado idem.

a coleção "clássicos da política" caiu de 9 para 4 títulos. na página linkada aparecem só 2, porque os outros 2 estão na página de clássicos da filosofia...
atualização às 14,20h: só 2 títulos mesmo, pois os outros 2 sumiram da página de clássicos da filosofia.

acréscimo às 14,30: como se pode ver pelas atualizações, a editora legatus parece não ter muita certeza de seu catálogo.

imagem: ffffound
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10 de fev de 2011

editora legatus VI

quanto à coleção "clássicos da filosofia" da editora legatus, os títulos são os seguintes:
allan kardec, a gênese: os milagres e as predições segundo o espiritismo (guilon [sic] ribeiro)
allan kardec, o céu e o inferno (a justiça divina segundo o espiritismo) (manuel justiniano quintão)
allan kardec, viagem espírita em 1862 (guilon [sic] ribeiro)
francis bacon, novum organum: verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza (josé aluysio reis de andrade)
friedrich nietzsche, assim falava zaratustra (josé mendes de souza)
friedrich nietzsche, o anticristo: ensaio de uma crítica do cristianismo
heródoto de halicarnasso, história (pierre henri larcher; j.brito broca)
rené descartes, discurso sobre o método (enrico corvisieri)
na coleção "clássicos da política", os títulos são:
emanuel kant, crítica da razão prática
emanuel kant, crítica da razão pura
henry d. thoreau, andar a pé
henry d. thoreau, desobediência civil (machado de assis)
jean-jacques rousseau, do contrato social (rolando roque da silva)
karl marx, friedrich engels e leon trotsky (prefácio), manifesto comunista (do partido)
nicolau maquiavel, a arte da guerra (eugênio vinci de moraes)
nicolau maquiavel, escritos políticos (eugênio vinci de moraes)
nicolau maquiavel, o príncipe
algumas coisas chamam a atenção:
  • a distribuição um tanto inusitada (as duas críticas de kant como clássicos da política ou livros espíritas como clássicos da filosofia).
  • a extravagante suposição de que machado de assis algum dia traduziu a desobediência civil de thoreau.
  • a presença de "enrico corvisieri", a fraude ambulante mais prolífica da editora nova cultural desde 1995, como suposto tradutor de descartes. veja aqui.
  • a menção a eugênio vinci de moraes em a arte da guerra e escritos políticos, o qual, surpreso com o fato, declara que nunca ouviu falar da editora legatus, jamais traduziu os escritos políticos de maquiavel para ela e traduziu a arte da guerra apenas para a l&pm (2008).
e agora, josé?
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editora legatus V

o catálogo da editora legatus, em kindle, na amazon, apresenta em sua coleção "clássicos da literatura internacional" 32 títulos, também disponíveis gratuitamente na rede. entre eles,

dezesseis deles não trazem a autoria da tradução:
alexandre dumas, as aventuras de robin hood
alexandre dumas, os três mosqueteiros
charles dickens, david copperfield
charles dickens, um cântico de natal
franz kafka, a metamorfose
franz kafka, o processo
jane austen, orgulho e preconceito
júlio verne, a volta ao mundo em oitenta dias
júlio verne, miguel strogoff
júlio verne, viagem ao centro da terra
júlio verne, vinte mil léguas submarinas
lewis carroll, alice no país das maravilhas
marquês de sade, augustine de villebranche [sic] ou o estratagema do amor
marquês de sade, contos libertinos
robert l. stevenson, a ilha do tesouro
voltaire and françois-marie arouet [sic], cândido de voltaire [sic]
quatro apresentam atribuição falsa ou equivocada da autoria da tradução:
dostoievski, crime e castigo (josé geraldo vieira)
dostoievski, noites brancas (josé geraldo vieira)
dostoievski, os irmãos karamazov (josé geraldo vieira)
dostoievski, uma criatura dócil (josé geraldo vieira)
três dependem de licenciamento dos autores da tradução:
charlotte brontë, jane eyre (marcos santarrita)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (vera pedroso)
leon tolstoi, o reino de deus está em vós (ceuna [sic] portocarrero)
nove estão em domínio público, por decurso do prazo de proteção ou por ser obras abandonadas:
charles dickens, oliver twist (machado de assis)
fiodor dostoievski, o idiota (josé geraldo vieira)
j.w. goethe, fausto (antónio feliciano de castilho)
john milton, paraíso perdido (antónio josé de lima leitão)
jonathan swift, as viagens de gulliver (cruz teixeira)
júlio verne, a esfinge do gelo, vol. 1 (napolião [sic] toscano)
júlio verne, a esfinge do gelo, vol. 2 (napolião [sic] toscano)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (joão do rio)
victor hugo, os trabalhadores do mar (machado de assis)
entre as traduções em domínio público, a de oliver twist, feita por machado de assis, é um caso bizarro. farei um post específico sobre ela.
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9 de fev de 2011

a propósito da legatus

nos últimos dias, tenho me detido sobre o catálogo da editora legatus. quero explicar uma coisa, para que não se tenha a impressão de que é mera implicância minha ou que tenho algum gosto especial em apontar falhas editoriais.

quem acompanha o nãogostodeplágio e @dbottmann no twitter sabe que defendo ferozmente a preservação de nosso patrimônio bibliográfico, que inclui obras de tradução, e defendo também um maior acesso social aos bens da cultura.

isso não significa que eu seja contrária à defesa dos direitos autorais patrimoniais, quando legítima. significa apenas que, em meu entender, a lei 9610/98, que rege os direitos autorais no brasil, é demasiado restritiva, dificultando enormemente o acesso da sociedade às obras culturais.

quero que se desenvolva mais rapidamente a aplicação de um dispositivo legal JÁ existente, a saber: que as obras órfãs e abandonadas - as quais, portanto, passam a integrar o domínio público - sejam mais amplamente divulgadas em caráter gratuito (por exemplo, passando a ser incorporadas com presteza e agilidade ao site de obras em DP do MEC e outras instâncias) e, quando comercializadas, que tenham preços compatíveis com seus custos mais baixos, tornando-se mais acessíveis ao público leitor.

quero que a abdr e outras associações de classe não persigam injustamente pessoas e entidades que disponibilizam sem fins comerciais obras há muito esgotadas, órfãs e abandonadas.

quero que essas entidades patronais não forcem demais os termos da lei e respeitem os já tão escassos mecanismos em que ela reconhece o direito da sociedade a um maior acesso cultural. quero que esses mecanismos se ampliem e que se corrijam francas distorções atualmente existentes.

posto isso, acho ótimo que as empresas disponibilizem em kindle o maior número possível de obras órfãs e abandonadas. é interessante a proposta da legatus, por exemplo. mas a execução é falha. entre obras em domínio público, ela inclui obras ainda protegidas, em alguns casos apresentando identificações errôneas de autoria e correndo o risco de resvalar para o temível pântano do plágio e da contrafação.

assim, continuarei a apontar aqui os casos da editora legatus que me parecem irregulares, sem que isso signifique que eu seja contrária à mais ampla divulgação e circulação de bens culturais. muito pelo contrário, meu intuito é que eles possam circular cada vez mais e melhor. e que o setor empresarial entenda que não há nada a temer de uma flexibilização dos direitos autorais: restritivos como são atualmente, eles é que geram essas irregularidades prejudiciais à própria iniciativa privada.
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mais legatices

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minha querida amiga celina portocarrero virou ceuna portocarrero, nos créditos de tradução de o reino de deus está em vós, de tolstói, na versão kindle da editora legatus.

essa tradução, feita a partir do italiano, tinha sido publicada pela rosa dos tempos em 1994. agora está no grupo record (que incorporou a rosa dos tempos) pelo selo best-bolso, que, imagino eu, deve ter licenciado a tradução para a legatus.

nessa brincadeira, achei muito pop a mudança de nome da celina. vai para a listinha inaugurada pelo paulo besera.
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editora legatus IV

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de repente, não mais que de repente, as traduções de dostoievski oferecidas no catálogo da editora legatus deixaram de ser de "paulo besera" e passaram a ser - todas elas - de josé geraldo vieira. consulte aqui.

pelo visto, a legatus parece não se importar com o fato de que josé geraldo jamais traduziu obra alguma de dostoievski, salvo
o idiota, que saiu em 1949 pela josé olympio.

como a vida não é composta só de burlas e mediocridades, vale lembrar que a edição da josé olympio ficou famosa também pelas ilustrações de oswaldo goeldi feitas a bico de pena. elas foram retomadas na edição d'o idiota pela 34, em tradução, esta sim, realmente feita por paulo bezerra (com "z" e dois "r").

veja aqui a galeria das ilustrações de goeldi para o idiota. 

a tradução de josé geraldo vieira está disponível para download gratuito aqui.

acompanhe o caso legatus:

8 de fev de 2011

editora legatus III

Arrolei em legatus II as obras de Dostoievski que a Editora Legatus oferece em seu catálogo de e-books, e comentei o caso d'O idiota. Recapitulando, as outras são:
  • Dostoievski, Crime e castigo, em tradução de Paulo Besera (sic)
  • Dostoievski, Os irmãos Karamazov, em tradução de Paulo Besera
  • Dostoievski, Noites brancas, em tradução de Paulo Besera
  • Dostoievski, Uma criatura dócil, em tradução de Paulo Besera
De duas uma: ou o nome do tradutor Paulo Besera é inventado, ou é um grosseiro atamancamento do nome de Paulo Bezerra. As duas hipóteses são igualmente pavorosas: a primeira, porque oculta o nome do verdadeiro tradutor; a segunda, porque Paulo Bezerra nunca publicou nenhuma tradução sua de Uma criatura dócil, nem de Noites brancas, e, pelo se depreende da nota dada pela jornalista Raquel Cozer, não parece ter autorizado à Legatus a edição em e-book d' O idiota, nem de Crime e Castigo, nem d'Os irmãos Karamazov, publicados pela Editora 34.

Noites brancas existe em várias traduções em português: Nivaldo dos Santos, pela editora 34; Natália Nunes, pela L± Ruth Guimarães, pela Ediouro; Carlos Loures, disponível no EbooksBrasil - além de uma pataquada fenomenal, para a qual não descobri nenhuma explicação plausível, uma edição da Martin Claret atribuindo a tradução de Ruth Guimarães a ninguém menos que Isa Silveira Leal. A tradução de Ruth Guimarães está disponível em vários sites para download. Quanto a Uma criatura dócil, há as traduções de Fátima Bianchi, pela Cosac Naify, e de Vadim Nikitin, pela 34, com o nome de A dócil. A tradução de Bianchi também se encontra disponível para download na rede.

Não tenho Kindle e não me animo muito a comprar um só para conhecer os trabalhos do tradutor Paulo Besera: por isso não posso dar informações mais concretas sobre o conteúdo dos ebooks. Mas fica registrada a estranheza quanto às fichas técnicas que a Legatus apresenta no site da Amazon, com o alerta sobre a duvidosa atribuição dos créditos de tradução.
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atualização: teotônio simões do ebooksbrasil me avisa - no site da amazon tem um programa de kindle para pc, download gratuito. clique aqui
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7 de fev de 2011

editora legatus II

Em sua Coleção Clássicos da Literatura Internacional, a Editora Legatus oferece na Amazon:
  • Dostoievski, O idiota, em tradução de Paulo Besera (sic)
  • Dostoievski, Crime e castigo, em tradução de Paulo Besera
  • Dostoievski, Os irmãos Karamazov, em tradução de Paulo Besera
  • Dostoievski, Noites brancas, em tradução de Paulo Besera
  • Dostoievski, Uma criatura dócil, em tradução de Paulo Besera
A jornalista Raquel Cozer constatou que uma das traduções que a Editora Legatus vende, atribuindo-a a um mal-grafado Paulo Bezerra ou a um fantasmagórico Paulo Besera, na verdade corresponde à tradução feita por José Geraldo Vieira - imagino que se trate de O idiota, única obra de Dostoievski, até onde sei, que José Geraldo traduziu, por interposição do francês, e que saiu pela José Olympio em 1949 (3a. ed. 1952).

O engraçado é que essa tradução de José Geraldo Vieira - que parece se enquadrar na definição de "obra abandonada" e, portanto, estaria em domínio público - se encontra disponível gratuitamente em vários sites. O primeiro site de download que aparece em consulta no Google - o superdownloads.us - traz uma imagem meio borrada da edição da 34, com o nome de Paulo Bezerra na capa. Mas, se você pede o download (demora uma eternidade), a obra que baixa é justamente a tradução citada por Raquel Cozer, a de José Geraldo Vieira.Talvez tenha sido este o gancho para o "Paulo Besera" da Legatus:

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5 de fev de 2011

editora legatus

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Hoje a jornalista Raquel Cozer publica a seguinte notícia em sua coluna do Sabático e na Biblioteca de Raquel:
INTERNET-1
Surpresa eletrônica

O minguado catálogo de e-books em português na Amazon guarda surpresas entre as traduções de clássicos. Obras de Dostoiévski aparecem com "Paulo Besera" como tradutor, a US$ 6,99 cada uma. Quem arrisca a sorte, na esperança de que seja erro de digitação do site americano, recebe no Kindle a versão de José Geraldo Vieira (1897-1977), feita em 1952 do francês, e não do russo. Os livros são "editados" por uma tal Legatus, que vende várias outras traduções na Amazon e não tem endereço para contato na rede. "Vou me informar e vou processá-los", diz Paulo Bezerra, que verte pela 34 as obras completas de Dostoiévski.
Quem achar a coisa curiosa e for ao site da Amazon, em sua Kindle Store, constatará que a Legatus Editora oferece 139 títulos em seu catálogo. Esses títulos se distribuem em várias coleções:
- Coleção de Leis (CLT, Código da OAB, súmulas do STJ etc.)
- Coleção Classics (clássicos da literatura em inglês, p.ex. David Copperfield)
- Coleção Clássicos da Língua Portuguesa (Camões, Machado de Assis etc.)
- Coleção Clássicos da Literatura Internacional (em tradução; Kafka, Voltaire, Jane Austen etc.)
- Coleção Clássicos da Política (em tradução; Marx, Maquiavel etc.)
- Coleção Clássicos da Filosofia (em tradução: Descartes, Bacon, Allan Kardec[!])
- Coleções Erótica, Gay Erótica e Erótica com Fotos
- variados (Bíblia, Constituição Americana etc.)

Veja-se, por exemplo: Discurso sobre o Método (Clássicos da Filosofia) (Portuguese Edition) by René Descartes and Enrico Corvisieri (Kindle Edition - Aug. 24, 2010) - Kindle eBook Buy: $6.99 Auto-delivered wirelessly


Ora, essa suposta tradução de Descartes sob o nome inventado de "Enrico Corvisieri" é uma coisa tão descabelada que a própria Editora Nova Cultural, que a publicava desde 1999, retirou-a de circulação e catálogo. É uma apropriação indevida, cheia de alterações alopradas, da consagrada tradução do Discurso do método feita por Jacó Guinsburg e Bento Prado Jr. no final dos anos 1950, para a Difel.

A tradução espúria assinada pelo fantasmático Enrico Corvisieri se encontra disponível para download gratuitamente, por obra e (des)graça de um tal Grupo Acrópolis, que infestou a rede com ela. Já a boa notícia é que a tradução legítima de Jacó Guinsburg e Bento Prado Jr. também se encontra disponível para download gratuito, por cortesia dos detentores de seus direitos.

E agora vem a Editora Legatus, reproduzindo a fraude da Nova Cultural ou, pelo menos, reproduzindo o nome do pretenso tradutor da fraude da Nova Cultural na ficha técnica do ebook?!

O nãogostodeplágio deu ampla cobertura aos problemas que envolviam O discurso do método na coleção Os Pensadores, da Nova Cultural, e a atribuição espúria da tradução a "Enrico Corvisieri'. Consulte aqui.
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