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14 de nov de 2012

ediouro/ abdr/ ebooksbrasil

I.
quanto ao entrevero ediouro/ abdr/ ebooksbrasil, apresentado aqui, acho que a questão é simples. o ônus da prova cabe à denunciante. a ediouro ou quem por ela é que precisa demonstrar que detém os direitos sobre a obra a cidade antiga de fustel de coulanges na tradução de frederico ozanam de barros.

a cidade antiga traduzida por ozanam de barros está disponível aqui, no site ebooksbrasil, com autorização do autor da tradução.


II.
quanto ao histórico da coisa, é o seguinte: frederico ozanam de barros traduziu a obra de fustel de coulanges, que foi publicada há mais de cinquenta anos na extinta edameris (em 1961, para ser mais exata):


desde os anos 80, a então tecnoprint e atual ediouro passou a publicar a cidade antiga em suposta tradução de eduardo nunes fonseca e jonas camargo leite, licenciada pela hemus. aliás, essa tradução da hemus é um acinte, um plágio mal feito da antiga tradução portuguesa de fernando de aguiar (clássica editora, 1945), como demonstrei aqui. 


mas que seja, continuemos. a ediouro utilizou essa pretensa tradução da hemus seja em sua coleção "universidade de bolso", seja em sua coleção "clássicos de bolso", com várias reedições até 1999:



em  2004 a ediouro substitui essa pretensa tradução licenciada da hemus e passa a publicar a obra de fustel de coulanges numa nova tradução, feita por aurélio barroso rebello e laura alves, que se encontra plenamente ativa em seu catálogo:


então, até onde consigo entender, a ediouro detém os direitos de reprodução sobre a tradução de aurélio barroso e laura alves, mas não sobre a tradução de frederico ozanam de barros, a qual, aliás, nunca foi publicada pela ediouro. após o encerramento de atividades da edameris, a cidade antiga de ozanam não voltou ao prelo e o tradutor autorizou a digitalização e disponibilização da obra no site da ebooksbrasil, onde se encontra desde 2004.

aí fica a pergunta: de onde a abdr tirou as afirmações de que "os direitos autorais relativos a este livro pertencem à Editora [Ediouro]" e que a ebooksbrasil estaria incorrendo "em violação aos artigos 102 e seguintes desta lei, e ao artigo 184 do Código Penal"? (a notificação enviada pela abdr à ebooksbrasil está aqui.) pois o mais irônico nessa história toda é que, se alguém ou vários alguéns têm alguma "culpa no cartório", certamente não é a ebooksbrasil!

espero que a ediouro, com a idoneidade que a caracteriza, esclareça a questão e, se for o caso - como parece ser -, desautorize a abdr a falar em seu nome, nessa iniciativa prepotente e arbitrária contra uma disponibilização gratuita que, ao que tudo indica, está plenamente amparada pela legislação vigente.

inacreditável

teotônio simões, do ebooksbrasil, avisa em seu site, aqui:
14.11.2012 - O retorno dos cupins - Recebi, ontem, um ameaçador e-mail em nome da abdr (ela mesma) dando-me o prazo de 24 horas para retirar do site o livro A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, tradução de Frederico Ozanam Pessoa de Barros. Parece implicância, não parece? Não, não respondi com uma imprecação (deveria?). O livro continua cá, e quem quiser ver o e-mail que recebi e a resposta que dei, basta clicar aqui
teotônio sempre teve o maior cuidado em não ferir direitos autorais nos fantásticos materiais que ele disponibiliza no ebooksbrasil. já em 2009 recebera uma notificação ridícula, sem a menor sustentação, que divulguei aqui. este caso agora - ao que parece, segundo afirma a abdr, por solicitação da ediouro (ALÔ, ALÔ, DONA EDIOURO) - é grotesco.

reproduzo abaixo a notificação e a resposta de theotônio simões, disponíveis aqui:
Teotonio Simoes
De: "Teotonio Simoes"
Para: "Combate à Pirataria Digital"
Enviada em: quarta-feira, 14 de novembro de 2012 16:10
Anexar: empublico.pdf
Assunto: Re: Reinvidicação dos direitos autorais

Saudações:)
LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998:
Art. 14. É titular de direitos de autor quem adapta, traduz, arranja ou orquestra obra caída no domínio público, não podendo opor-se a outra adaptação, arranjo, orquestração ou tradução, salvo se for cópia da sua.
Código Penal:
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
1. O título A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges (1830-1889) está no eBooksBrasil.org desde Agosto de 2006, em pdf e outros formatos. Recomendo o eBooksLibris (xhtml) para uma leitura mais agradável e versátil, principalmente em smartphones e tablets.
[ http://ebooksbrasil.org/historico/jul2006mai2009.html#cidadeantiga ]
2. A tradução que está no eBooksBrasil.org FOI AUTORIZADA (desculpe-me as maiúsculas) pelo tradutor, Frederico Ozanam Pessoa de Barros, que respeitou os direitos morais do autor, mantendo a integridade da obra. Numa-Denys Fustel de Coulanges, o autor, faleceu há mais de 70 anos e a obra encontra-se em domínio público. Disponível, também em diversos formatos, no original, no Project Gutenberg: La Cité Antique - Étude sur Le Culte, Le Droit, Les Institutions de la Grèce et de Rome - http://www.gutenberg.org/ebooks/8074
3. Não se trata, pois, de "disponibilização (sic) não autorizada". A tradução da Editora Ediouro (ISBN 8500013605) é atribuída a Aurélio Barroso Rebello e Laura Alvez. E, como é de seu conhecimento (deveria ser) há outras edições, com tradutores diversos: Hemus (Jonas Camargo Leite e Eduardo Fonseca), Martins Fontes (Fernando Aguiar), Martin Claret (Roberto Leal Ferreira), entre outras. A propósito, todas as mencionadas, creio, posteriores à de Frederico Ozanam Pessoa de Barros.
4. Não é a primeira vez que a ABDR reclama desse título do eBooksBrasil.org. Não vou tomar seu tempo, nem desperdiçar o meu, recapitulando. Se lhe interessar, aqui está o link: http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2009/12/comunicado_18.html
5. Last, but not least: relevei uma vez, vou relevar de novo. E repito-me: para insetos, inseticida.
Passar bem.
teotonio simões
livros@ebooksbrasil.org
PS: Anexo, em pdf, documentação bastante para alicerçar o sobredito.
A seu e-mail, a esta resposta e à documentação anexa será dada a devida publicidade. 
----- Original Message -----
From: Combate à Pirataria Digital
To: livros@ebooksbrasil.org
Sent: Tuesday, November 13, 2012 5:51 PM
Subject: Reinvidicação dos direitos autorais
Prezados senhores,
A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), entidade civil criada por autores e editores para tutelar os direitos autorais de suas obras literárias, por seu de advogado abaixo subscrito, informa e  notifica Vossa Senhoria acerca da disponibilização – não autorizada – para download do conteúdo de determinado livro editado por nosso associado (Editora Ediouro) por meio do  website www.ebooksbrasil.org  O título deste livro é A Cidade Antiga, Fustel de Coulanges. Nos termos da Lei Federal 9.610/98, os direitos autorais relativos a este livro pertence à Editora, e a sua disponibilização – não autorizada – implica em violação aos artigos 102 e seguintes desta lei, e ao artigo 184 do Código Penal.
Desta feita, a ABDR notifica o titular do website, para retirar o conteúdo do livro apontado acima no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, sob pena de serem tomadas as medidas legais cabíveis.
Atenciosamente,
Dalton Morato
OAB/SP nº. 158.766
voltarei ao tema. por ora, toda a minha solidariedade a teotônio.




25 de jul de 2012

de "tradução revista por" a "tradução de"

vou retomar alguns posts anteriores, para situar o tema de hoje.

em 09/11/2011 publiquei:
gosto muito do trabalho de teotônio simões no ebooksbrasil. lá encontrei nietzsche, assim falava zaratustra  (link aqui),  numa antiga tradução que tinha saído pela edições e publicações do brasil em 1950, em nome de josé mendes de souza, e depois foi para o catálogo da ediouro, pelo menos desde 1967, lá ficando em sucessivas reedições pelo menos até 1995. 
Clique para ampliar a capa
capa da sexta edição, 1965 
na verdade, encontrei referências mencionando "tradução atualizada e revista por josé mendes de souza", o que me parece muito plausível: pois o texto é de lavra visivelmente lusitana, a começar pela adaptação do nome "friedrich nietzsche" para "frederico nietzsche", e de dicção bastante antiga. aliás, a tradução portuguesa de araújo pereira, que saíra em 1913 com o nome de como falava zaratustra, em algum momento passou a portar o exato título de assim falava zaratustra (livro para toda a gente e para ninguém), que foi adotado na edição brasileira. 
que seja: já comentei algumas vezes esse costume editorial brasileiro de utilizar traduções portuguesas sem referir os créditos de origem. então não sei com certeza quem é o autor da tradução inicial - o que sei é que assim falava zaratustra (livro para toda a gente e para ninguém), em tradução feita ou revista por josé mendes de souza, circula faz mais de 60 anos entre nós, amplamente disponível em sebos e em vários sites para download.
em 25 de novembro de 2011, comentei:
a tradução portuguesa de araújo pereira - de 1913 até a data presente, pela guimarães - afinal foi publicada no brasil, circa 1936, pela cultura moderna:


é esta tradução portuguesa que julgo ser a "tradução revista e atualizada por josé mendes de souza", que saiu pela brasil em 1950, com reedições até 1965, e depois, em 1967, passou para a ediouro como "tradução de josé mendes de souza", assim permanecendo pelo menos até 1995.
abaixo, página de rosto da quarta edição da brasil, na "tradução revista e atualizada por josé mendes de souza" em 1960:



e quando passa a aparecer como tradução de josé mendes de souza pela tecnoprint (ediouro):



pois hoje everton grison comenta que essa tradução de não esclarecida autoria, e que merece uma boa checada com a secular tradução de araújo pereira (1913), voltou a circular em nova edição, agora pela saraiva, em sua coleção de bolso:



dando como tradutor - o que, a essas alturas, mal chega a ser uma surpresa - justamente josé mendes de souza.

27 de out de 2011

ahn?

aquelas coisas bizarras e divertidas que pipocam de vez em quando - esta, quem comentou foi rodolpho pajuaba, no twitter:


convenhamos que um tradutor chamado "longarina" só se compara ao "arcanjo miguel" da alta books! (veja aqui

como se não bastasse, @rpajuaba comenta que a tradução mais parece aquelas façanhas de google translator. e não que a gigantesca thomas nelson - também conhecida como a "golias" do mercado editorial americano e que no brasil tem uma joint venture com a ediouro - seja coisa pouca...

21 de set de 2011

o secular darwin plagiado sai da ediouro

A origem das espécies, de Darwin, grassou entre nós a partir dos anos 70, por obra e graça da editora Hemus - até onde sei -, numa pavorosa cópia de uma pavorosa tradução portuguesa feita a partir do francês no começo do século 20. Essa coisa horrorosa foi parar na Ediouro em 1987, que desde então saiu publicando essa pretensa tradução. É uma longa história, amplamente documentada aqui no blog, que não vou repetir. Os posts correspondentes, em todo caso, estão arquivados em "Darwin", aqui, e aqui uma súmula.

Ontem recebi correspondência do Ministério Público do Rio Janeiro, aparentemente com o problema sanado. Apresento aqui a documentação (clique nas imagens para ampliar):







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27 de dez de 2010

coleção poeira

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Acho que a Coleção Folha "Livros que Mudaram o Mundo" devia mudar de nome e passar a se chamar Coleção Poeira.

Vendo o Cândido, ou o otimista, de Voltaire, que sai nesses dias, fiquei mais uma vez decepcionada.


A tradução de Voltaire feita por Jorge Silva foi publicada de início pela editora Atena em 1938, lá se vão mais de setenta anos.


Quem visita o nãogostodeplágio sabe que sou enérgica defensora da preservação de nosso patrimônio tradutório, o qual entre 1995 e 2009 andou sofrendo saques desenfreados. Mas daí até achar que o tempo parou e que desde os anos 1930-1940 não surgiram novas traduções quiçá mais meritórias vai uma grande distância.

Recapitulemos. Nos volumes lançados pela Coleção Poeira, temos:
  • um descarado plágio de uma antiquésima tradução lusitana de 1908: Darwin, A origem das espécies, ainda por cima feita por interposição do francês e crivada de erros grotescos;
  • um lançamento francamente enganoso: o livro de Gabriel Deville, O capital de Karl Marx, resumido e acompanhado de um estudo sobre o socialismo científico, apresentado como se fosse o próprio O capital de Marx em edição condensada, e como se o Estudo sobre o socialismo científico fosse de sua autoria, também em vetusta tradução; 
  • uma edição de Descartes que dá vontade de chorar de tão ruinzinha que é; 
e nada menos que cinco títulos - a rigor seis, pois o volume de Maquiavel agrupa duas obras - com encanecidas traduções da antiga Atena (que fechou nos anos 1960), desde então exaustivamente republicadas por várias editoras - Ediouro, Abril Cultural, Nova Cultural, Agir, Nova Fronteira, Escala, Cultura Brasileira, Livraria Exposição do Livro, Hemus, Edipro - e que até acho que talvez já estejam em domínio público:

  • Maquiavel, O príncipe, tradução de Lívio Xavier, 1933
  • Maquiavel, Escritos políticos, tradução de Lívio Xavier, 1940 
  • Platão, A república, tradução de Albertino Pinheiro, s/d (em 1950 já era a 4a. ed.)
  • Thomas Morus, Utopia, tradução de Luís de Andrade, 1937
  • Aristóteles, A política, tradução de Nestor Silveira Chaves, 1944
  • Voltaire, Cândido ou o otimista, tradução de Jorge Silva, 1938

A Coleção Poeira tinha anunciado que a obra de Pascal, Pensamentos, sairia na tradução de Paulo M. Oliveira, também do baú de nossas avós. Mas aparentemente mudou de ideia, pois substituiu em seu site o nome de Paulo Oliveira pelo de outro tradutor. Apenas notei a troca de nomes, mas não cheguei a comprar o exemplar nessa outra tradução.


De mais a mais, A república de Platão e A política de Aristóteles são traduções do francês um tanto, digamos, superadas, e que em minha opinião têm valor basicamente histórico.


Não entendi muito bem a razão para reeditar esses títulos, em tradução seja espúria, medíocre ou ultrapassada, em tiragens tão grandes e com tanto aparato de marketing.
  • sobre darwin, a origem das espécies, veja aqui
  • sobre gabriel deville, o capital de karl marx, veja aqui
  • sobre descartes, discurso sobre o método e princípios de filosofia, veja aqui
Retificação em 02/01/11: a tradução de Platão feita por Albertino Pinheiro relançada nesta coleção é O banquete, 1943, também pela Atena.


aqui na edição de 1950, em volume duplo
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6 de dez de 2010

coleção folha, o capital de gabriel deville II

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recapitulando: em 1883, o socialista francês gabriel deville publica um resumo das ideias centrais de marx, num volume chamado le capital de karl marx, résumé et accompagné d'un aperçu sur le socialisme scientifique, para fins de divulgação entre o operariado e a militância socialista na frança.

essa introdução ao pensamento marxiano é traduzida para o português por albano de moraes e é publicada pela typographia de francisco luiz gonçalves em 1912, como: carl [sic] marx, o capital: resumido e acompanhado de um estudo sobre o socialismo scientifico, estudo de gabriel deville. outra tradução portuguesa dessa época, porém menos conhecida, é a de maria emilia de araújo pereira, publicada pela guimarães editora também em 1912, que utiliza a grafia "karl".

no post anterior, citei algumas fontes para acompanhar a divulgação da obra de deville no brasil a partir dos anos 1930. é um percurso interessante, que talvez alguma hora eu explore melhor. mas, com referência a nossos objetivos, tenho em mãos o exemplar publicado pela editora melso em 1961, e é dessa edição que eu gostaria de tratar, para chegarmos ao volume publicado na coleção folha "livros que mudaram o mundo".


na edição da melso sumiu qualquer referência a gabriel deville. dá-se a obra como da autoria pura e simples de marx, com o título o capital. na página de rosto consta "edição condensada" e "tradução revista por gesner de wilton morgado". o livro começa diretamente com socialismo científico: o leitor desavisado pensará que é um texto de marx que integra o começo do suposto capital condensado.


por outro lado, quanto à tradução: sabemos que, por convenção editorial, costumava-se utilizar a expressão "tradução revista por" para indicar que se tratava de uma tradução portuguesa adaptada para o português do brasil. cabe mencionar também que a orelha da capa da melso traz em destaque: CARL MARX, embora todas as demais referências venham grafadas Karl Marx.


assim, embora eu não tenha em mãos a tradução de albano de moraes, sou tentada a crer que foi ela a utilizada na edição da melso, e depois várias vezes reeditada pela ediouro, em suas coleções "clássicos de bolso" e "universidade de bolso".


pois muito que bem. agora chegamos à edição da folha, em tradução atribuída a alguém de nome "murilo coelho", licenciada da edipro, a qual consta na página de créditos como detentora do copyright da referida tradução. não consegui encontrar referências a qualquer tradução de murilo coelho, nem mesmo do próprio suposto capital condensado de marx, a não ser as divulgadas pela folha de s. paulo anunciando a publicação e do nãogostodeplágio dando a lista dos títulos da coleção folha.

o que se encontra às centenas é, por exemplo: "MARX, Karl. O capital. [Titulo original: Das kapital]. Gabriel Deville (Trad.). 1 ed. Bauru: Edipro, 1998. 286 p. ISBN 8572830987", ou "A EDIPRO tem satisfação em oferecer ao leitor a tradução condensada d`O Capital por Gabriel Deville", ou "A Edipro apresenta a Edição Condensada de O Capital, com tradução de Gabriel Deville" - com esse tipo de dado, qualquer um poderia achar que gabriel deville traduziu o capital para o português. mas, mais amiúde, o que se tem é apenas algo na linha "O Capital - Edição Condensada - 3ª Edição 2008. Marx, Karl / EDIPRO".


ademais, na fundação biblioteca nacional, agência brasileira do isbn, tem-se:

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN

ISBN: 978-85-7283-597-8
TÍTULO: O CAPITAL
COLEÇÃO: CLÁSSICOS EDIPRO
AUTOR: KARL MARX
TRADUTOR: GABRIEL DEVILLE
EDIÇÃO: 3
ANO DE EDIÇÃO: 2008
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 224
EDITORA: EDIPRO

puxa vida, que história. espero que o leitor tenha entendido que, digam o que disserem as editoras, esse capital de karl marx pouco tem a ver com o capital de karl marx. é um apanhado, uma "apostila", digamos assim, montada por deville a partir da tradução francesa de joseph roy (cuja revisão, aliás, teria comentado marx que lhe deu "um trabalho dos diabos").

num próximo post, pretendo comparar a tradução revista por gesner morgado (melso; ediouro), a tradução em nome de murilo coelho (coleção folha; edipro) e o original de gabriel deville.
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24 de nov de 2010

o maquiavel de lívio xavier

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o segundo volume lançado pela coleção folha "livros que mudaram o mundo" é maquiavel, o príncipe e escritos políticos, em tradução de lívio xavier (1900-1988).

quanto a o príncipe, a tradução de lívio saiu originalmente em 1933 pela editora unitas e a partir de c.1938 passou a ser publicada pela athena editora, onde teve várias reedições. também foi publicada por outras editoras inúmeras vezes e atualmente está nos catálogos da ediouro, nova fronteira (agir), escala, edipro e fundação braille. é a tradução d'o príncipe de maquiavel mais conhecida no brasil: em pesquisa maquiavel, você encontra vários dados a respeito.

já dei minha opinião geral sobre a coleção "livros que mudaram o mundo". se agora comento a de maquiavel, é porque um detalhe me deixou um pouco desorientada: na página de créditos e no site da coleção consta que o copyright da tradução de lívio xavier pertence à editora edipro.

até onde sei, a ediouro tem publicado essa tradução pelo menos desde 1966, declarando ser a detentora dos direitos sobre ela.*

 * ver, por exemplo, a recente edição pocket dessa obra pela nova fronteira  mencionando "copyright da tradução: Ediouro Publicações Ltda".

a questão me parece relevante, não pelo aspecto empresarial, que não me diz respeito, e sim pelo aspecto do acesso à obra.
  • a atena, detentora original dos direitos dessa tradução, fechou as portas nos anos 1960;
  • desconheço que lívio xavier tenha recuperado seus direitos com o fechamento da atena ou que algum sucessor tenha constituído espólio após sua morte;
  • se a ediouro adquiriu formalmente os direitos sobre o catálogo da atena por ocasião de seu fechamento, é evidente que eles pertencem a ela;
  • no entanto, o volume da coleção folha informa que o copyright da tradução pertence não à ediouro, e sim à edipro.
por outro lado, se a editora atena, ao encerrar suas atividades, não chegou a transferir seu catálogo a uma outra empresa, essa tradução de lívio xavier, até onde consigo entender, estaria na situação jurídica de obra abandonada.

em nossa atual lei de direito autoral, obras abandonadas de autores falecidos que não tenham deixado sucessores pertencem ao domínio público (artigo 45, lei 9610/98).

daí minha dúvida: a quem de fato pertencem os direitos desta tradução, à ediouro ou à edipro? porventura não estaria ela em domínio público?

conversei no departamento de contratos da ediouro, ficaram de verificar em seus arquivos. transcorrido quase um mês, entrei em contato de novo: continuavam a verificar...

a mesma dúvida me surgiu em relação à obra de thomas morus, utopia, na tradução de luís de andrade, publicada pela atena em 1937 e várias reedições até 1959, depois pela ediouro desde os anos 60 até a data de hoje e também pela edipro a partir de 1994, a qual por sua vez teria licenciado agora em 2010 os direitos para a coleção folha.
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16 de set de 2010

que tédio

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A Folha de S.Paulo hoje divulgou novamente o lançamento de sua coleção “Livros que mudaram o mundo”. A obra que inaugura a coleção é A origem das espécies, de Darwin. Várias pessoas têm estranhado a total ausência de qualquer informação sobre a tradução dessas obras. Nessa matéria de hoje, a Folha apresenta a frase final com que Darwin conclui sua introdução:
Estou plenamente convencido de que as espécies não são imutáveis; convenci-me de que as espécies pertinentes ao que denominamos de o mesmo gênero derivam diretamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam diretamente desta, convicto estou, enfim, de que a seleção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, embora outros agentes tenham-na igualmente partilhado.
Como a Hemus e a Ediouro trazem idêntico trecho em suas edições, com créditos de tradução em nome de Eduardo Fonseca:
Estou plenamente convencido que as espécies não são imutáveis; convenci-me de que as espécies pertinentes ao que denominamos de o mesmo gênero derivam diretamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam diretamente desta, convicto estou, enfim, de que a seleção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, embora outros agentes tenham-na partilhado igualmente.
imagino que a Folha tenha adquirido licença de uso para publicá-la em sua coleção.

Bom, já dediquei inúmeros posts ao problema d'A origem das espécies no Brasil. Resumindo a história, essa pretensa tradução publicada pela Hemus e pela Ediouro não passa de uma franca e risível apropriação da provectíssima tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul (1913, Lello & Irmãos, reeditada até hoje), aliás bastante capenga, feita a partir do francês, com pérolas como "canários selvagens" e "canários domésticos" em vez de "patos selvagens" e "patos domésticos", "espécie distinta" em vez de "espécie extinta" e inúmeras outras preciosidades.

Aliás, desde 2008 alertei a Ediouro várias vezes sobre essa fraude que ela vinha publicando desde 1985, e o Ministério Público do Rio de Janeiro determinou apuração dos fatos. O sr. Paulo Roberto Pires, editor da Ediouro, indagado pelo jornal Correio Braziliense sobre a irregularidade, apenas reiterou que a editora havia licenciado a tradução junto à Hemus.

Se a edição da Folha for essa, que péssima escolha! E os distintos canários continuarão a nos tolher o acesso a uma boa tradução de Darwin!

veja o darwin da ediouro com a posição da editora e consulte os posts arquivados sob a rubrica darwin, onde trato detalhadamente do assunto.


tradução portuguesa:
Estou plenamente convencido que as espécies não são imutáveis; estou convencido que as espécies que pertencem ao que chamamos o mesmo género derivam directamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam directamente desta espécie; estou convencido, enfim, que a selecção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, posto que outros agentes tenham nela partilhado igualmente.

tradução francesa:
Je suis pleinement convaincu que les espèces ne sont pas immuables ; je suis convaincu que les espèces qui appartiennent à ce que nous appelons le même genre descendent directement de quelque autre espèce ordinairement éteinte, de même que les variétés reconnues d'une espèce quelle qu'elle soit descendent directement de cette espèce ; je suis convaincu, enfin, que la sélection naturelle a joué le rôle principal dans la modification des espèces, bien que d'autres agents y aient aussi participé.

original:
I am fully convinced that species are not immutable; but that those belonging to what are called the same genera are lineal descendants of some other and generally extinct species, in the same manner as the acknowledged varieties of any one species are the descendants of that species. Furthermore, I am convinced that natural selection has been the most important, but not the exclusive, means of modification.

imagens: istockphoto; gifmania



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




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17 de mai de 2010

os bons exemplos


eis o que a ediouro queria fazer com seus livros em consignação:
"A primeira mensagem explicava aos livreiros como fazer para separar o miolo do livro das partes a serem devolvidas, com orientações como 'com um estilete ou outro cortador afiado, alinhe uma superfície lisa e reta como uma régua, por exemplo, na lombada do livro' e 'passe o estilete desde a parte de cima da capa até o final da lombada, de forma que a capa se desprenda do corpo do livro'. Quanto ao destino do miolo, o e-mail especificava: 'Descarte o miolo do livro. Sugerimos que aproveite para reciclagem, de forma que sua utilização seja totalmente inviabilizada'.
[...] a lista incluía exemplares das obras completas de Murilo Mendes, Mario Quintana e Tolstói, entre outros, além de livros de Shakespeare, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues etc."

10 de mar de 2010

o darwin da ediouro

a extensa matéria do correio braziliense, num excepcional trabalho de levantamento e entrevistas feito por nahima maciel de souza, traz uma declaração da ediouro que não entendi muito bem.
A Ediouro também está citada [no blog nãogostodeplágio] com uma tradução suspeita de A origem das espécies, de Charles Darwin. Paulo Roberto Pires, editor da empresa, explica que a obra foi licenciada pela Hemus, outra editora citada frequentemente nos cotejos de Denise. "Agimos como todas as editoras: contratamos profissionais para traduzir cada um dos lançamentos. São profissionais de tradução, não editores. Comprar traduções já prontas pode ser um recurso, ao qual se lança mão em se tratando de textos clássicos em domínio público — é disso, principalmente, que trata a Denise. Quando contratamos traduções já prontas, obviamente pagamos aos tradutores", diz Pires.
desde dezembro de 2008 avisei várias vezes a ediouro sobre os vícios dessa pretensa tradução d'a origem das espécies. explicaram-me que o título fazia parte de um contrato de licenciamento celebrado com a editora hemus em 1985, e tem sido publicado pela ediouro em inúmeras reedições até o presente. está disponível no googlebooks, para visualização parcial, onde, aliás, consta copyright (e não licenciamento) da tradução desde 1987 em nome de ediouro publicações s/a.

o que não entendi muito bem é por que a ediouro, sabendo já há algum tempo que se trata de uma tradução fraudada, prefere mantê-la em catálogo.

itens relacionados:
diga-se de passagem que, em setembro de 2009, dei entrada a um pedido de representação no ministério público do rio de janeiro sobre a edição d'a origem das espécies pela ediouro, conforme noticiei no balanço de 2009. ele foi protocolado para distribuição em outubro. o promotor deferiu minha petição e em novembro foi enviada uma notificação à editora, a qual pediu um prazo de 120 dias para se manifestar, contado a partir de dezembro. a segunda promotoria do estado do rio de janeiro informa que o prazo finda agora em março, quando o caso retornará às vistas do promotor dele encarregado.

9 de dez de 2009

(anti)referências bibliográficas

as obras estão classificadas por editoras, e entre parênteses constam os nomes a que vem indevidamente atribuída a autoria das traduções, em verdade da autoria de terceiros esbulhados.

ABRIL CULTURAL 
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)

BEST SELLER (selo do Grupo Record)
jane austen, orgulho e preconceito (enrico corvisieri)

BOITEMPO EDITORIAL
fedor dostoiewski, a árvore de natal de cristo (isa tavares)
istván mészáros, a teoria da alienação em marx (isa tavares)
máximo gorki, sonho de uma noite de natal (isa tavares)
perry anderson, as antinomias de gramsci (paulo césar castanheira)
perry anderson, nas trilhas do materialismo histórico (isa tavares)
slavoj zizek, lacrimae rerum (isa tavares)

BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)

CEDIC
dante alighieri, a divina comédia (anônimo)
edgar allan poe, contos e histórias (anônimo)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

CENTAURO
hitler, minha luta (klaus von puschen)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo ferreira frias/ hellen roballo)
marx, a questão judaica (silvio donizete chagas)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de farias/ peter klaus ivanov)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo ferreira frias)

CÍRCULO DO LIVRO
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoiévski, os irmãos karamázovi (enrico corvisieri)

CLUBE DO LIVRO
qualquer obra que traga nos créditos "tradução especial de xxx" ou "tradução feita por xxx especialmente para o clube do livro", em particular as que constam em nome de josé maria machado. vide aqui.

COLEÇÃO FOLHA "LIVROS QUE MUDARAM O MUNDO"
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
karl marx, o capital (ed. condensada) (além de problemas na atribuição de tradução, há falsa atribuição de autoria do próprio original - o autor é gabriel deville, e a obra se chama o capital de karl marx)
rené descartes, discurso sobre o método e princípios da filosofia (volume duplo - desrecomendada por problemas de atribuição de tradução especificamente a segunda obra, princípios de filosofia)

CULTRIX
edgar allan poe, "o escaravelho de ouro" in histórias extraordinárias (josé paulo paes)

DERIVA
albert camus, os justos (robson dos santos)
bertold [sic] brecht, o casamento do pequeno burguês (césar santos)
jean genet, as criadas (roberto medeiros porto)
jean-paul sartre, entre quatro paredes (roberto de almeida)
[ver a retratação da editora aqui]

EDIBOLSO (extinta)
edgar allan poe, histórias extraordinárias (sandro pivatto; luiza lobo)

EDIOURO
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (eduardo nunes fonseca e jonas camargo leite)

ESCALA
nietzsche, assim falava zaratustra (ciro mioranza)

GERMAPE (extinta)
edgar allan poe, contos e histórias (henry dualib - cf. fbn/isbn)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

GERMINAL
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
g. k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
goncharov, oblomov (juliana borges)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)
isaac b. singer, o escravo (juliana borges)

outros títulos lançados pela germinal, que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança são:
arthur koestler, ladrões na noite (juliana borges)
arthur koestler, o iogue e o comissário (não descobri)
arthur koestler, chegada e partida (juliana borges)
saul bellow, a vítima (juliana borges)
james agee, morte na família (juliana borges)
gustave glotz, história econômica da grécia (vera lúcia rodrigues)
sinclair lewis, o nobre senhor kingsblood (juliana borges)
fenimore cooper, o último dos moicanos (vera lúcia rodrigues)
gustave flaubert, salambô (não descobri)
luigi pirandello, a excluída (wilson hilário borges)
ver aqui

H. GARNIER
charles dickens, as aventuras do sr. pickwick (k. d'avellar)
edgar allan poe, novellas extraordinarias ("traducção brasileira")

outros títulos que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança, são todos os que trazem créditos de tradução em nome de "k. d'avellar", "r. d'avellar" e suas variantes com um "l" só.

HEMUS (atualmente, selo da Editora Leopardo)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
descartes, princípios de filosofia (torrieri guimarães)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
nietzsche, assim falava zaratustra (eduardo nunes fonseca)
omar khayamm, rubaiyat (torrieri guimarães)

ÍCONE
hegel, princípios da filosofia do direito (norberto de paula lima)

ITATIAIA
charlotte brontë, jane eyre (waldemar rodrigues de oliveira)
voltaire, zadig (galeão coutinho, em espantosa difamação de um intelectual sério e respeitável)

JARDIM DOS LIVROS (atualmente, selo do Grupo Geração)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)

LANDMARK
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)
jane austen, persuasão (fábio cyrino)

MADRAS
charles darwin, a origem das espécies *
flavius josephus, seleções *
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás *
marco aurélio, meditações *
nietzsche, a origem da tragédia**

* atualizado em 10/12/2009: ver informe ; atualizado em 14/12/2009: ver solicitação ; atualizado em 15/12/2009: ver comunicado
** atualizado em 21/08/2010: ver comunicado

MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)
bocage, sonetos (pietro massetti)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)

obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.

MARTIN CLARET - "tradutores" sortidos
[há vários casos de discrepância entre o registro no isbn/fbn e o exemplar impresso]
aristófanes, lisístrata e as vespas (john green)
ch. dickens, cântico de natal (john green)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
d.h. lawrence, o amante de lady chatterley (jean melville, isbn/ jorge luís penha, edição impressa)
darwin, a origem das espécies (john green)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)

MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivo [idem; em alguns casos, inclusive, constam apenas na FBN/ISBN]
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
anônimo, tristão e isolda (alex marins)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
cícero, dos deveres (alex marins)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
durkheim, o suicídio (alex marins)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
freud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
gide, acuso (jean melville)
gitanjali (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
jack london, martin eden (jean melville)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
kierkegaard, diário de um sedutor (jean melville)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
o livro de jó (alex marins)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
petrônio, satíricon (alex marins)
platão, a república (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
platão, fedro (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
santo agostinho, confissões (alex marins)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
shakespeare, macbeth (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)

obs.: por ocasião das providências citadas na obs. anterior, a editora martin claret procedeu a retificações adicionais que não haviam sido solicitadas na petição ao ministério público federal. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.

MORAES (extinta)
hitler, minha luta (não consta)
marx, a questão judaica (não consta)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de faria)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)

NOVA CULTURAL - Coleção Imortais da Literatura Universal
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (maria cristina f. da silva)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)

NOVA CULTURAL - Coleção Obras-Primas
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (gisele donat soares)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
émile zola, naná (roberto valeriano)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
goethe, werther (alberto maximiliano)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
louisa may alcott, mulherzinhas (vera maria marques martins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)

NOVA CULTURAL - Coleção Os Pensadores
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)

PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)

RECORD *
charles webb, a primeira noite de um homem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico e amante (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, um médico diferente (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, dilema de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médicos em conflito (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, mulheres de médicos (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, o fim da viagem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, impasse de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, heroísmo de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, consciência de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico astronauta (nelson rodrigues)
frederic raphael, darling (nelson rodrigues)
harold robbins, o garanhão (nelson rodrigues)
harold robbins, os libertinos (nelson rodrigues)
harold robbins, escândalo na sociedade (nelson rodrigues)
harold robbins, os implacáveis (nelson rodrigues)
harold robbins, o indomável (nelson rodrigues)
harold robbins, os insaciáveis (2 vols.) (nelson rodrigues)
harold robbins, 79 park avenue (nelson rodrigues)
harold robbins, uma prece para danny fischer (nelson rodrigues)
harold robbins, stiletto (nelson rodrigues)
harold robbins, o machão (nelson rodrigues)
harold robbins, a mulher só (nelson rodrigues)
harold robbins, os sonhos morrem primeiro (nelson rodrigues)
harold robbins, os herdeiros (nelson rodrigues)
harold robbins, ninguém é de ninguém (nelson rodrigues)
henry sutton, a exibicionista (nelson rodrigues)
hugh atkinson, os jogos proibidos (nelson rodrigues)
morton cooper, o rei devasso (nelson rodrigues)
polly adler, uma certa casa suspeita (nelson rodrigues)

* vários destes títulos saíram também pela abril cultural, círculo do livro e nova cultural. alguns foram lançados inicialmente pelo selo livraria eldorado, da própria record. 

RIDEEL
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Clássica* (coleção extinta)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Sherlock Holmes* (coleção extinta)


RIDEEL - Coleção Biblioteca O Melhor de Shakespeare* (coleção extinta)

* excepcionalmente, sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualizado em 25/4/10: ver também rideel, retratação.

RUSSELL
francesco carnelutti, arte do direito (ricardo rodrigues gama)
ferdinand lassalle, o que é uma constituição? (ricardo rodrigues gama)
von ihering, a luta pelo direito (ricardo rodrigues gama)

SAPIENZA (extinta)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)

atualizado em 23/10/2011; 27/11/2011; 12/04/2012; 13/05/2012; 27/05/2012; 09/08/2012; 24/08/2015; 17/09/2015; 19/04/2017
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30 de out de 2009

miséria pouca é bobagem

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num primeiro levantamento que fiz, a origem das espécies de darwin aparece no brasil nas seguintes edições:

I.
- Hemus, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, desde 1979 até hoje, em inúmeras reedições;
- Ediouro, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, desde 1987 até hoje, em inúmeras reedições;
- Hemus/Novo Século, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, 2000 e 2002;
- Madras, em pretensa nova tradução, várias reedições desde 2004;*
* atualização em 10/12/2009: sobre a atribuição da tradução, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação. 04/10/2011: ver atualização abaixo, neste mesmo post.
- Leopardo/Hemus, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, 2009.

As pretensas traduções acima citadas foram cotejadas com a tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul, publicada pela editora Lello & Irmão, Porto, desde 1913 até hoje, em inúmeras reedições. Em ambos os casos, é incontestável o recurso ao plágio, com a agravante de adulterações na tentativa de disfarçar a cópia.

II.
- Martin Claret, em suposta tradução de John Green, desde 2001 até hoje, em várias reedições, e com chapa fria na FBN/ISBN, onde consta o nome de "Jean Melville" em lugar de "John Green".

John Green assina o plágio de um Sherlock Holmes (vide aqui), e devido à quantidade de plágios presentes no catálogo da editora sinto uma certa cautela em relação a essa edição. Retornarei a ela em breve.

atualizado em julho de 2010: com efeito trata-se de uma colcha de retalhes copiando trechos da tradução de Joaquim dá Mesquita e grande parte da tradução de Eugênio Amado. Veja aqui. (04/10/2011: com isso entendo que essa tradução se enquadra no bloco I, entre as outras espúrias.)

III.
- Itatiaia/Villa Rica, em tradução de Eugênio Amado, desde 1985 até hoje, em várias reedições;
- Larousse/Escala, em tradução de André Campos Mesquita, desde 2004 até hoje, em várias reedições (ver comentário do tradutor na caixa de comentários).

Não conheço essas duas edições, mas, como sempre parto do princípio da boa fé e não sei de nada que possa desaboná-las, tomo-as por legítimas e honestas. (Ver ainda atualização de 04/10/2011, no final deste post.)

Atualizado em julho de 2010: tive ocasião de consultar a edição da Itatiaia/Villa Rica. a tradução de eugênio amado me pareceu bastante fidedigna.

Obs.: Há ainda um pequeno volume, A origem das espécies - esboço de 1842, pela Newton Compton, em tradução de Mario Fondelli, publicado algumas vezes entre 1992 e 1997.
Existe também uma versão condensada da obra, em tradução de Fábio de Melo Sene, em edição conjunta Melhoramentos/ UnB, 1982. Atualizado em 07/03/2011: Agradeço a Lucas Petry Bender e faço duas retificações: a tradução é de Aulyde Soares, e a primeira edição é de 1979.

Voltando ao início, nem sei bem como colocar a quantidade de problemas revelados por esse levantamento.

Vou começar pelo básico: concorde-se com Darwin ou não, A origem das espécies é uma obra absolutamente fundamental, tida por muitos como a obra mais influente de toda a história da humanidade, desde a Bíblia, não só por seu radical impacto científico e cultural, mas por ter determinado uma profunda transformação nos rumos do pensamento e da prática humana.

Então acho uma miséria  que o Brasil disponha, até onde sei, apenas de duas - DUAS - traduções integrais legítimas d'A origem das espécies após 150 anos de sua primeira edição.

Acho uma vergonha que o Brasil disponha, até onde sei, de cinco - CINCO - falsificações numa incessante sequência de reedições infindáveis, além de uma edição ainda em análise. (Atualização: foi feita a análise dessa edição da Martin Claret: veja aqui. São, portanto, SEIS falsificações.)

Acho uma lástima que o Brasil disponha de cinco [atualização: seis] falsificações de uma provecta tradução portuguesa que não é direta do inglês, e sim por interposição do francês.

Acho um tremendo azar que o Brasil disponha de cinco [atualização: seis] falsificações de uma tradução que, além de interposta, parece demonstrar talvez não suficiente conhecimento da língua de interposição.

Além de achar uma miséria, uma vergonha, uma lástima e um tremendo azar, acho o fim da picada que estudantes, pesquisadores e leitores em geral passem décadas lendo um texto com não pequenos deslizes e ademais plagiado, justamente nas edições de maior circulação no país.

Os tostões que os ishpertos ganham com isso não lhes queimam as mãos?


da esquerda para a direita: hemus; ediouro; hemus/novo século; madras; hemus/leopardo; martin claret; itatiaia/villa rica; larousse/escala; newton compton.

Atualização: uma tristeza absurda foi que a Coleção Folha, Livros que Mudaram o Mundo, licenciou justamente essa coisa infame da Hemus para o volume Darwin. Veja aqui e aqui.

atualização em 04/10/2011: a ediouro assinou um termo de ajuste de conduta com o ministério público, retirando sua edição espúria de circulação. veja aqui.

a madras, por sua vez, desde 2009 havia retirado espontaneamente sua edição espúria de circulação, e agora em 2011 lançou uma nova edição de a origem das espécies, com tradução de soraya freitas. com isso, e especificando melhor, entendo que ela passa a integrar o terceiro bloco de traduções que arrolei acima e que, até onde sei, são legítimas e honestas.


imagens: google, livraria cultura, estante virtual. não encontrei ilustração da capa da edição condensada de melhoramentos/unb.
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