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14 de nov de 2012

ediouro/ abdr/ ebooksbrasil

I.
quanto ao entrevero ediouro/ abdr/ ebooksbrasil, apresentado aqui, acho que a questão é simples. o ônus da prova cabe à denunciante. a ediouro ou quem por ela é que precisa demonstrar que detém os direitos sobre a obra a cidade antiga de fustel de coulanges na tradução de frederico ozanam de barros.

a cidade antiga traduzida por ozanam de barros está disponível aqui, no site ebooksbrasil, com autorização do autor da tradução.


II.
quanto ao histórico da coisa, é o seguinte: frederico ozanam de barros traduziu a obra de fustel de coulanges, que foi publicada há mais de cinquenta anos na extinta edameris (em 1961, para ser mais exata):


desde os anos 80, a então tecnoprint e atual ediouro passou a publicar a cidade antiga em suposta tradução de eduardo nunes fonseca e jonas camargo leite, licenciada pela hemus. aliás, essa tradução da hemus é um acinte, um plágio mal feito da antiga tradução portuguesa de fernando de aguiar (clássica editora, 1945), como demonstrei aqui. 


mas que seja, continuemos. a ediouro utilizou essa pretensa tradução da hemus seja em sua coleção "universidade de bolso", seja em sua coleção "clássicos de bolso", com várias reedições até 1999:



em  2004 a ediouro substitui essa pretensa tradução licenciada da hemus e passa a publicar a obra de fustel de coulanges numa nova tradução, feita por aurélio barroso rebello e laura alves, que se encontra plenamente ativa em seu catálogo:


então, até onde consigo entender, a ediouro detém os direitos de reprodução sobre a tradução de aurélio barroso e laura alves, mas não sobre a tradução de frederico ozanam de barros, a qual, aliás, nunca foi publicada pela ediouro. após o encerramento de atividades da edameris, a cidade antiga de ozanam não voltou ao prelo e o tradutor autorizou a digitalização e disponibilização da obra no site da ebooksbrasil, onde se encontra desde 2004.

aí fica a pergunta: de onde a abdr tirou as afirmações de que "os direitos autorais relativos a este livro pertencem à Editora [Ediouro]" e que a ebooksbrasil estaria incorrendo "em violação aos artigos 102 e seguintes desta lei, e ao artigo 184 do Código Penal"? (a notificação enviada pela abdr à ebooksbrasil está aqui.) pois o mais irônico nessa história toda é que, se alguém ou vários alguéns têm alguma "culpa no cartório", certamente não é a ebooksbrasil!

espero que a ediouro, com a idoneidade que a caracteriza, esclareça a questão e, se for o caso - como parece ser -, desautorize a abdr a falar em seu nome, nessa iniciativa prepotente e arbitrária contra uma disponibilização gratuita que, ao que tudo indica, está plenamente amparada pela legislação vigente.

12 de abr de 2012

boccaccio, decameron II



dando continuidade à comparação entre as traduções de raul de polillo e de torrieri guimarães para o decameron (veja aqui), detenho-me agora num exemplo pitoresco. estamos na primeira história da quarta jornada, a tragédia amorosa de ghismonda e guiscardo:
Guiscardo non per accidente tolsi, come molte fanno, ma con diliberato consiglio elessi innanzi ad ogn’altro, e con avveduto pensiero a me lo’ntrodussi, e con savia perseveranza di me e di lui lungamente goduta sono del mio disio. Di che egli pare, oltre allo amorosamente aver peccato, che tu, più la volgare oppinione che la verità seguitando, con più amaritudine mi riprenda, dicendo (quasi turbato esser non ti dovessi, se io nobile uomo avessi a questo eletto) che io con uom di bassa condizione mi son posta.
polillo verte:
Não foi por acaso, como fazem muitas mulheres, que fiquei com Guiscardo; ao contrário, escolhi-o, com espírito deliberado, antes e acima de qualquer outro homem; por via de manobra claramente premeditada, introduzi-o nos meus aposentos; e, com prudente perseverança, tanto da parte dele, como da minha, longamente gozei o prazer da satisfação do meu desejo. Afigura-se-me que você me esteja repreendendo, por eu haver amorosamente pecado; quer-me parecer, entretanto, que, acompanhando a opinião do vulgo, o senhor me repreenda com mais dureza por eu me haver entregue, como o senhor diz, a homem de baixa condição social; e isto, como se o senhor não se perturbaria, se eu houvesse escolhido, para o mesmo fim, um homem que fosse nobre.
além do descomunal encompridamento da prosa boccacciana na tradução de polillo, de sua prolixidade pretensamente explicativa e seu distanciamento do original, note-se a curiosa oscilação no tratamento que guismunda dá a seu pai tancredi, ora "você", ora "o senhor", todavia tratado no original sempre como tu.

no texto de torrieri, como se pode aferir abaixo, discerne-se claramente o decalque do texto de polillo, submetido a um singelo copidesque, trocando aqui e ali alguns termos - e a impostura ganha um cômico requinte adicional com a preservação do oscilante tratamento que recebe tancredi na tradução de polillo:
Não foi casualmente, como fazem inúmeras mulheres, que fiquei com Guiscardo; pelo contrário, eu escolhi-o, com deliberação, antes e acima de outro homem qualquer; por manobra inteiramente premeditada, introduzi-o em meus aposentos; e, com prudente perseverança, tanto da parte dele, quanto da minha, longamente desfrutei o prazer da satisfação do meu desejo. Parece-me que você me repreende, porque eu amorosamente pequei; parece-me, contudo, que, seguindo a opinião popular, o senhor me censura, mais duramente, o fato de eu ter-me entregado, segundo diz o senhor, a homem de ínfima posição social; e isto, como se o senhor não ficasse perturbado, se eu escolhera, para idêntico fim, um homem da nobreza.
se é uma vergonha que tal embuste tenha infestado o cenário entre 1970 e 2003 com alguns milhões de exemplares distribuídos pelo brasil afora, devido aos incautos licenciamentos da abril cultural, círculo do livro e nova cultural, trabalhando com tiragens altíssimas em suas sucessivas reedições, mais uma razão para comemorarmos vivamente a iniciativa de l&pm em recorrer à notória competência de ivone benedetti para uma nova tradução do decameron.

aliás, a jornalista raquel cozer, da folha de s.paulo, também comentou recentemente que a tradução de torrieri é "parecida até demais com a de polillo", aqui

imagem: ghismonda recebe o coração de guiscardo, aqui

boccaccio, decameron I

fiquei realmente entusiasmada quando ivone benedetti me comentou que estava traduzindo o decameron de boccaccio para a l&pm. meu contentamento se deve a duas razões principais:
  • a primeira delas é que ivone benedetti é uma das grandes tradutoras que temos em atividade no brasil, em particular na delicadíssima área de humanidades e clássicos da cultura ocidental. por exemplo, se agora dispomos da edição das vidas completas de vasari, a quem podemos agradecer a indizível oportunidade de ler esse monumento do quinhentos em português?
  • a segunda razão diz respeito à trajetória da obra mor de boccaccio no brasil. é sobre ela que vou me deter mais longamente neste post. para o original, pode-se consultar aqui.

recapitulemos.

I.
em 1956, sai a primeira tradução integral do decameron no brasil, em tradução de raul de polillo, na coleção "edições de arte", pela livraria martins, em 3 volumes em formato grande (25 x 45), com ilustrações de gino boccasile (cuja trajetória no fascismo italiano e cujo papel no desenvolvimento do desenho de propaganda e erotismo na itália mereceriam um post à parte) e introdução de edoardo bizzarri, diretor do instituto de cultura italiana no brasil (aliás tradutor de, entre outros, guimarães rosa):







diga-se de passagem que essa tradução de polillo trafegará mais tarde para a tecnoprint/ ediouro, saindo em 1967 numa lamentável edição de bolso em dois volumes, quase ilegível de tão compacto e miúdo foi o tipo utilizado para a impressão, e se mantém em seu catálogo até hoje. a tradução de polillo sai também em 2000 e 2002 pela itatiaia, de belo horizonte:



II.
em 1970, a editora hemus lança uma dita tradução pretensamente feita por torrieri guimarães, também integral, numa edição em brochura um tanto tosca:




por  aqueles mistérios editoriais que seguem por meandros que apenas as próprias editoras conhecem, essa tradução dita de torrieri guimarães tem uma fortuna inaudita. recebe inúmeras e inúmeras reedições, licenciada para a abril cultural desde o mesmo ano de seu lançamento pela hemus, em 1970, até 1989.


a seguir, essa pretensa tradução passa para o círculo do livro entre 1989 e 1993, e finalmente é licenciada para a editora nova cultural, onde continua a ser reeditada até 2003.
   


III.
em 2005, a editora crisálida de belo horizonte licencia e publica a admirável tradução portuguesa de urbano tavares rodrigues, intitulada decameron: ou príncipe galeotto, originalmente publicada em 1976 pela bertrand de portugal, e da qual se pode ter uma ideia lendo um trecho aqui.




quero me concentrar na tradução de raul de polillo, de 1956, e na alegada tradução de torrieri guimarães, de 1970.

já gabriel perissé, anos atrás (em 2006, para ser mais exata), havia comentado as singulares semelhanças entre elas no artigo "boccaccio e uma centena de histórias", um de seus luminosos textos sobre traduções na revista língua portuguesa. retomo uma parte do exemplo que ele deu naquela ocasião - é o início do parágrafo final do proêmio, e comento alguns aspectos:
Adunque, acciò che in parte per me s’ammendi il peccato della fortuna, la quale dove meno era di forza, sì come noi nelle dilicate donne veggiamo, quivi più avara fu di sostegno, in soccorso e rifugio di quelle che amano, per ciò che all'altre è assai l’ago e ’1 fuso e l’arcolaio, intendo di raccontare cento novelle, o favole o parabole o istorie che dire le vogliamo, raccontate in diece giorni da una onesta brigata di sette donne e di tre giovani nel pistelenzioso tempo della passata mortalità fatta, e alcune canzonette dalle predette donne cantate al lor diletto. 
em sua tradução, polillo opera mudanças sintáticas expressivas. assim é que a longa e complexa frase de seis linhas e meia se converte em cinco frases mais curtas em ordem direta, sofre algumas eliminações e apresenta poucas e simples intercalações (e não garanto que tenha captado o conteúdo original de maneira totalmente adequada):
Portanto, a fim de que para mim se corrija o pecado da Sorte, pretendo contar cem novelas, ou fábulas, ou parábolas, ou histórias, ou o que quer que sejam. A Sorte foi menos favorável, como vemos, para as delicadas mulheres, e mais avara se lhes mostrou de amparo. Em socorro e refúgio daquelas que amam, é que escrevo (porquanto, para as outras, bastam a agulha, o fuso e a roca). O que escrevo são coisas contadas, em dez dias, por um grupo honrado de sete mulheres e de três moços, na época pestilenta da passada mortandade levada a cabo. Acrescentam-se algumas cantigas das mulheres antes referidas, cantadas a seu gosto. 
goste-se ou não, aprecie-se a simplificação ou não, a intervenção de polillo é clara e inconfundível.

assim, quando se vê o trecho correspondente na tradução dita de torrieri guimarães, evidencia-se sua absoluta identidade sintática com o texto de polillo e suas intervenções na construção das frases, além de reproduzir as mesmas supressões e algumas falhas no nível semântico:
Assim sendo, para que se corrija, para mim, o pecado da Sorte, pretendo narrar cem novelas, ou fábulas, ou parábolas, ou estórias, sejam lá o que forem. A Sorte mostrou-se menos propícia, como vemos, para as frágeis mulheres, e mais avara lhes foi de amparo. Em socorro e refúgio das que amam, é que escrevo (pois, para as demais, são suficientes a agulha, o fuso e a roca). O que escrevo são as coisas contadas, durante dez dias, por um honrado grupo de sete mulheres e três moços, na época em que a peste causava mortandade. Ajuntam-se algumas cantigas das mulheres já mencionadas, cantadas à sua vontade. 
no nível lexical, vários vocábulos na tradução dita de torrieri são sinônimos aproximados dos vocábulos empregados por polillo (contar/narrar; favorável/propícia; delicadas/frágeis; referidas/mencionadas etc.), mas as alterações em relação à frase original e o corte das orações são absolutamente idênticos - está para nascer quem possa me convencer de que dois tradutores diferentes consigam picotar um original exatamente da mesma maneira e redigir dois textos estruturalmente tão similares entre si quão distantes do original.

da mesma forma, a experientíssima tradutora ivone benedetti havia constatado soluções unânimes de ambos,    igualmente "a léguas do original" e igualmente privadas de sentido.

por essa razão, eu teria muitas ressalvas a fazer antes de considerar a dita tradução de torrieri guimarães como uma tradução de direito próprio. parece pertencer mais ao campo de um simples copidesque efetuado sobre o texto de raul de polillo, dispensando o recurso ao original.

apresentarei adiante outros exemplos de comparação entre o texto de raul de polillo e o texto de torrieri guimarães, para ilustrar melhor o problema. antes disso, porém, quero apenas concluir o trecho acima apresentado:
Nelle quali novelle piacevoli e aspri casi d’amore e altri fortunati avvenimenti si vederanno così né moderni tempi avvenuti come negli antichi [...] (no original, a frase prossegue em várias orações)
raul de polillo converteu esse trecho em três frases simples e pôs um fim abrupto ao parágrafo:
Nas mencionadas novelas, aparecerão casos de amor. Uns serão agradáveis; outros escabrosos. Registrar-se-ão outros acontecimentos felizes, ocorridos tanto nos tempos modernos, como nos antigos.
torrieri guimarães seguiu fielmente o mesmo recorte:
Nas ditas novelas surgirão casos de amor. Uns agradáveis, outros escabrosos. Serão registrados outros eventos felizes, passados tanto nos tempos atuais, como nos antigos.
acompanhe a parte II aqui.

23 de nov de 2011

nietzsche traduzido no brasil II

continuo a apresentar o levantamento cronológico das traduções de nietzsche publicadas no brasil, que iniciei aqui, agora de 1960 a 1979. traduções das décadas anteriores continuam a ser variadamente reeditadas.

I. a década de 1960

  • em 1961, saem novas reedições de assim falava zaratustra (brasil) e o pensamento vivo de nietzsche (martins).
  • em 1962, a tradução de mário ferreira santos de zaratustra, com várias edições pela logos, sai pela católica formar.
  • em 1965, idem, mais uma reedição de zaratustra pela brasil, o qual, a partir de 1966, transita para a ediouro, onde permanece em incontáveis edições até a data de hoje, passando de "tradução revista e atualizada por josé mendes de souza" para "tradução de josé mendes de souza".
  • também em 1966, vontade de potência na tradução de mário ferreira santos (1945) passa a ser publicada pela ediouro.
  • em 1967, a ediouro publica a genealogia da moral, em tradução de a. a. rocha (?), aqui em capa dos anos 80:.


II. a década de 1970

em 1972, a globo lança uma antologia humanística alemã, com um excerto da primeira das considerações anacrônicas. embora a edição traga os nomes de todos os tradutores, não se especifica quem fez o quê.


em 1973, em coedição com a presença, a martins fontes lança a tradução portuguesa de humano, demasiado humano, de carlos grifo babo:


em 1974, surge a coletânea de excertos de nietzsche, selecionados por gérard lebrun, traduzidos e anotados por rubens rodrigues torres filho, na coleção "os pensadores" da abril cultural, com o título de obras incompletas. a antologia traz trechos de O nascimento da tragédia no espírito da música / A filosofia na época trágica dos gregos / Sobre verdade e mentira no sentido extra moral / Considerações extemporâneas / Humano. Demasiado humano (1º) / Humano. Demasiado humano (2º) / Aurora / A Gaia Ciência / Assim falou Zaratustra / Para além o bem e do mal / Para a genealogia da moral / Crepúsculo dos ídolos / O Anticristo / Ecce Homo / Sobre o nilismo e o eterno retorno / Quatro poemas / Apêndice - O portador:


em 1976, aparece pela editora hemus a gaia ciência, em tradução de márcio pugliesi, edson bini e norberto de paula lima:


no mesmo ano, a hemus lança também crepúsculo dos ídolos, ou a filosofia a golpes de martelo, em tradução de edson bini e márcio pugliesi:


em 1977, ainda pela hemus, sai além do bem e do mal, ou prelúdio de uma filosofia do futuro, em tradução de márcio pugliesi:


também em 1977, a mesma hemus lança assim falava zaratustra, com tradução em nome de eduardo nunes fonseca:


em 1977, a civilização brasileira publica assim falou zaratustra na tradução de mário da silva,* reeditada até a data hoje, com licenciamento também para o círculo do livro em 1987. aqui na capa de 2005:


em 1978, a martins fontes lança uma seleção variada, fontes de serenidade, incluindo um texto de nietzsche, difícil saber qual, e difícil também saber a autoria da tradução:



nesses vinte anos, nota-se que praticamente desaparece o lançamento brasileiro de traduções portuguesas: há apenas o caso de humano, demasiado humano em 1973. afora este elemento em comum, as duas décadas me parecem bem distintas entre si, e comentarei separadamente.

nos anos 1960, não há nenhuma nova tradução de nietzsche, seja de títulos já publicados ou de obras ainda inéditas entre nós, com a única exceção de uma retradução d'a genealogia da moral. há como que uma consolidação de alguns títulos, em particular de assim falava zaratustra, numa acirrada rivalidade entre as duas traduções, e uma espécie de assentamento de instabilidades no setor, com o fechamento de uma ou outra editora e a absorção de alguns títulos pela ediouro, onde permanecem até hoje.

já os anos 1970 constituem um marco: de um lado e principalmente, o grande salto qualitativo com as ditas obras incompletas e seu amplo painel das ideias de nietzsche, em seleção e tradução regidas por critérios de um bom scholarship; de outro lado, de escopo modesto e mais popularizador na hemus, uma oferta de vários títulos em simultâneo e trazendo uma obra até então inédita entre nós, a saber, a gaia ciência. embora tais lançamentos pudessem alcançar um público mais amplo, por outro lado deve-se levar em conta que a editora hemus tem um lamentável histórico de fraudes editoriais, envolvendo precisamente eduardo nunes fonseca, desta feita apresentado como autor da tradução de assim falava zaratustra.

de minha parte, considero o ano de 1974, pela consistência acadêmico-filosófica moldando a antologia de lebrun e rubens rodrigues, como a data em que nietzsche pensador finalmente ganhou seu visto de permanência no brasil.

ressalvo uma vez mais que se trata de uma cronologia tal como consegui reconstituir a partir de acervos de bibliotecas, livrarias e sebos. estando a pesquisa em andamento, os posts estão sujeitos a alterações para complementar ou eventualmente corrigir dados.


* agradeço a everton marcos grison pela indicação.

12 de nov de 2011

quem, quais, quantos

quem, quais, quantos são os zaratustras nietzschianos entre nós, entre legítimos e espúrios?

assim falava zaratustra:
mário ferreira santos (vozes)
alfredo margarido (planeta de agostini)
josé mendes de souza (brasil, ediouro)
eduardo nunes fonseca (hemus, leopardo)
ciro mioranza (escala)
silvio ferreira leite (centauro)

assim falou zaratustra:
mário da silva (civilização brasileira, bertrand brasil, círculo do livro)
rubens rodrigues torres filhos (excertos) (abril cultural)
inês lohbauer (cadastrado no isbn pela ciranda cultural)
heloísa da graça burati (rideel)
alex marins (martin claret)
paulo césar souza (companhia das letras)

os discursos de zaratustra:
josé mendes de souza (pocketouro)

além de uma indefectível quadrinização na devir: assim falava zaratustra: dos céus aos quadrinhos, adaptação de thaís dos anjos, ignoro a partir de qual tradução.

atualização 12/06/12: agradeço as contribuições de thiago augusto, cassionei petry e e everton marcos grison. 

11 de nov de 2011

boa companhia

enquanto aguardo chegar meu exemplar de assim falava zaratustra em tradução dita de ciro mioranza, publicada pela editora escala educacional, citada aqui e aqui, vou dar uma espiada nas traduções existentes com esse título (o outro título, e mais usado, é assim falou zaratustra).


Assim Falava Zaratustra

encontro um assim falava zaratustra com tradução atribuída a eduardo nunes fonseca, pela hemus; reeditado pela leopardo, que incorporou a hemus como selo editorial







ASSIM FALAVA ZARATUSTRA - CENTAURO

outro em nome de sílvio ferreira leite pela editora centauro.









eduardo nunes fonseca já apareceu algumas vezes aqui no nãogostodeplágio, em coisas bem duvidosas e horrorosas, como mostrei aqui, aqui, aqui. a centauro tem umas coisas que são absolutamente calamitosas, como demonstrei à exaustão nos vários posts agrupados aqui.

quanto ao caso de eduardo nunes fonseca, veja-se a comparação de breves trechinhos de assim falava zaratustra:

tradução feita ou revista por josé mendes de souza (brasil e ediouro) - sobre a dúvida expressa no uso do "ou", ver aqui
Meus irmãos, permanecei fiéis à terra com todo o poder da vossa virtude. Sirvam ao sentido da terra o vosso amor dadivoso e o vosso conhecimento. Eu vo-lo rogo, e a isso vos conjuro. Não deixeis a vossa virtude fugir das coisas terrestres e adejar contra paredes eternas. Ai! Tem havido sempre tanta virtude extraviada! Restituí, como eu, à terra a virtude extraviada. Sim; restituí-a ao corpo e à vida, para que dê à terra o seu sentido, um sentido humano. 
tradução atribuída a eduardo nunes fonseca (hemus e leopardo)
Meus irmãos, permaneceis fiéis à terra com todo o poder da vossa retidão. Sirvam à terra o vosso amor dadivoso e o vosso conhecimento. Eu vo-lo rogo, e a isso vos suplico. Não deixeis a vossa virtude fugir das coisas terrenas e esvoaçar contra paredes eternas. Ai! Tem havido sempre tanta virtude extraviada! Restituí, como eu, a virtude extraviada à terra. Sim; restituí-a ao corpo e à vida, para que dê à terra o seu sentido, um sentido humano. 
josé mendes de souza (brasil e ediouro)
Solitários de hoje, vós, os afastados, sereis um povo algum dia. Vós que vos haveis entrescolhido a vós mesmos, formareis um dia um povo eleito do qual nascerá o Super-homem.
eduardo nunes fonseca (hemus e leopardo)
Solitários de hoje, vós, os afastados, formareis um povo algum dia. Vós que vos haveis escolhido a vós mesmos, formareis um dia um povo eleito do qual nascerá o super-homem.
josé mendes de souza (brasil e ediouro)
"Todos os deuses morreram; agora viva o Super-homem!" Seja esta, chegado o grande meio-dia, a vossa última vontade!
eduardo nunes fonseca (hemus e leopardo)
Todos os deuses morreram; agora viva o super-homem! Seja esta, chegando o grande meio-dia, a vossa última vontade!

27 de dez de 2010

coleção poeira

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Acho que a Coleção Folha "Livros que Mudaram o Mundo" devia mudar de nome e passar a se chamar Coleção Poeira.

Vendo o Cândido, ou o otimista, de Voltaire, que sai nesses dias, fiquei mais uma vez decepcionada.


A tradução de Voltaire feita por Jorge Silva foi publicada de início pela editora Atena em 1938, lá se vão mais de setenta anos.


Quem visita o nãogostodeplágio sabe que sou enérgica defensora da preservação de nosso patrimônio tradutório, o qual entre 1995 e 2009 andou sofrendo saques desenfreados. Mas daí até achar que o tempo parou e que desde os anos 1930-1940 não surgiram novas traduções quiçá mais meritórias vai uma grande distância.

Recapitulemos. Nos volumes lançados pela Coleção Poeira, temos:
  • um descarado plágio de uma antiquésima tradução lusitana de 1908: Darwin, A origem das espécies, ainda por cima feita por interposição do francês e crivada de erros grotescos;
  • um lançamento francamente enganoso: o livro de Gabriel Deville, O capital de Karl Marx, resumido e acompanhado de um estudo sobre o socialismo científico, apresentado como se fosse o próprio O capital de Marx em edição condensada, e como se o Estudo sobre o socialismo científico fosse de sua autoria, também em vetusta tradução; 
  • uma edição de Descartes que dá vontade de chorar de tão ruinzinha que é; 
e nada menos que cinco títulos - a rigor seis, pois o volume de Maquiavel agrupa duas obras - com encanecidas traduções da antiga Atena (que fechou nos anos 1960), desde então exaustivamente republicadas por várias editoras - Ediouro, Abril Cultural, Nova Cultural, Agir, Nova Fronteira, Escala, Cultura Brasileira, Livraria Exposição do Livro, Hemus, Edipro - e que até acho que talvez já estejam em domínio público:

  • Maquiavel, O príncipe, tradução de Lívio Xavier, 1933
  • Maquiavel, Escritos políticos, tradução de Lívio Xavier, 1940 
  • Platão, A república, tradução de Albertino Pinheiro, s/d (em 1950 já era a 4a. ed.)
  • Thomas Morus, Utopia, tradução de Luís de Andrade, 1937
  • Aristóteles, A política, tradução de Nestor Silveira Chaves, 1944
  • Voltaire, Cândido ou o otimista, tradução de Jorge Silva, 1938

A Coleção Poeira tinha anunciado que a obra de Pascal, Pensamentos, sairia na tradução de Paulo M. Oliveira, também do baú de nossas avós. Mas aparentemente mudou de ideia, pois substituiu em seu site o nome de Paulo Oliveira pelo de outro tradutor. Apenas notei a troca de nomes, mas não cheguei a comprar o exemplar nessa outra tradução.


De mais a mais, A república de Platão e A política de Aristóteles são traduções do francês um tanto, digamos, superadas, e que em minha opinião têm valor basicamente histórico.


Não entendi muito bem a razão para reeditar esses títulos, em tradução seja espúria, medíocre ou ultrapassada, em tiragens tão grandes e com tanto aparato de marketing.
  • sobre darwin, a origem das espécies, veja aqui
  • sobre gabriel deville, o capital de karl marx, veja aqui
  • sobre descartes, discurso sobre o método e princípios de filosofia, veja aqui
Retificação em 02/01/11: a tradução de Platão feita por Albertino Pinheiro relançada nesta coleção é O banquete, 1943, também pela Atena.


aqui na edição de 1950, em volume duplo
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6 de dez de 2010

coleção folha, ainda descartes

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dediquei dois posts à edição de descartes na coleção folha: aqui e aqui.

para ninguém achar que é implicância minha: "a edição capenga de descartes", no jornal opção 
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29 de nov de 2010

coleção folha, descartes II

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em coleção folha, descartes I, comentei minha surpresa quanto à [falta de] qualidade da tradução do discurso sobre o método, de norberto de paula lima, licenciada pela editora hemus para a coleção folha "livros que mudaram o mundo".

além do discurso sobre o método, o volume de descartes nesta coleção traz princípios de filosofia, em tradução de torrieri guimarães, também licenciada pela hemus para a coleção folha.


a tradução de princípios de filosofia não é tão trôpega, mal revista e truncada como a do discurso sobre o método de norberto de paula lima. é verdade que não se destaca pela clareza nem é propriamente bonita ou contextualizada - traz um "estapafúrdias" para um simples "extravagantes", p.ex. [II, art. 7] -, mas à primeira vista não seria letal.

no entanto, não me pareceu muito justificável encontrar, no primeiro artigo do texto (I, 1), plusieurs jugements ... nous préviennent de telle sorte como "diversos juízos ... de tal modo nos fazem confiantes", numa solução não muito evidente, e não sei até que ponto correta. aliás, este deslize eu também conhecia na tradução de alberto ferreira, pela portuguesa guimarães editores, dos anos 60: "vários juízos ... de tal maneira nos tornam confiantes".

outra passagem de tradução que me pareceu injustificável foi I, 3. aqui transcrevo o trecho original para mostrar melhor a questão (destacada em negrito):

en ce qui regarde la conduite de notre vie nous sommes obligés de suivre bien souvent des opinions qui ne sont que vraisemblables, à cause que les occasions d’agir en nos affaires se passeraient presque toujours avant que nous pussions nous délivrer de tous nos doutes; et lorsqu’il s’en rencontre plusieurs de telles sur un même sujet, ... la raison veut que nous en choisissions une, et qu’après l’avoir choisie nous la suivions constamment, de même que si nous l’avions jugée très certaine. 
... em tudo quanto diz respeito à orientação de nossa existência, encontramo-nos, muitas vezes, obrigados a seguir opiniões somente verossímeis, visto que as oportunidades de agir nos negócios passariam em geral antes que pudéssemos nos livrar de todas as dúvidas. E quando se acham diversas dessas oportunidades de agir a propósito de um mesmo tema, ... a razão requer que façamos a escolha de uma delas e que, depois de feita a escolha, a sigamos com firmeza como se a tivéssemos considerado muito certa. 
 sem dúvida isso indica uma certa insuficiência de torrieri guimarães no entendimento da língua e do próprio argumento de descartes.* por outro lado, o próprio alberto ferreira caíra no mesmo engano cerca de cinquenta anos atrás:
... em tudo aquilo que respeita à orientação da nossa vida, nos achamos, muitas vezes, forçados a seguiropiniões apenas verosímeis, dado que as ocasiões de agir nos negócios se escoariam quase sempre antes de nos libertarmos de todas as dúvidas. E quando se encontram várias dessas ocasiões de agiracerca de um mesmo assunto ... a razão exige que escolhamos uma delas e que, após tê-la escolhido, a sigamos firmemente como se a tivéssemos julgado certíssima.
[secundariamente, note-se uma inflexão interessante, em que se passa de constamment para "firmemente" e "com firmeza".]

descartes continua (I, 4): Mais, d’autant que nous n’avons point maintenant d’autre dessein que de vaquer à la recherche de la vérité, nous douterons en premier lieu... ele tinha dito logo antes: na condução de nossos afazeres, a gente não tem tempo de ficar avaliando todas as opiniões, a gente escolhe uma delas e manda bala. mas aqui (quer dizer, filosofando) nosso único objetivo é buscar a verdade, sem precisar sair correndo para atender à pressão do momento e se baseando numa opinião meio duvidosa; então não faz mal levar o maior tempo para ficar pensando, avaliando, duvidando etc. - ou seja: "mas, dado que [visto que] agora não temos nenhum outro desígnio a não ser nos dedicar à busca da verdade etc." - simples, claro, evidente, não?


torrieri guimarães nos dá: "contudo, a fim de que outro propósito agora não nos ocupe, senão aquele de nos entregarmos à pesquisa da verdade, etc." - tsc, tsc... aliás, alberto ferreira também já tinha nos dado: "mas, para queoutro desígnio agora nos não ocupe a não ser o de nos aplicarmos à investigação da verdade, etc."


pois, retomando a cadeia argumentativa, descartes tinha dito que não ia se pôr a duvidar sem mais de tudo e de todos, e sim apenas quando começasse a contemplar a verdade pra valer: "je n’entends point que nous nous servions d’une façon de douter si générale, sinon lorsque nous commençons à nous appliquer à la contemplation de la vérité" (ainda em I, 3). entendre - e mesmo "entender" em português - também significa "intentar", "tencionar", "ter a intenção de".

alberto ferreira: "de modo nenhum entendo eu que nos sirvamos de forma tão geral de duvidar, etc."; torrieri: "de nenhum modo compreendo que nos sirvamos desse modo tão generalizado de duvidar, etc." 

ou: recevoir en notre croyance (I, 6); "receber, em nossa convicção" (a. ferreira); "receber, em nossa convicção" (torrieri)


ou: nous ne saurions nous empêcher de croire que cette conclusion: Je pense, donc je suis, ne soit vraie (I, 7); "não poderíamos impedir-nos de acreditar que esta inferência EU PENSO, LOGO EXISTO, não seja verdadeira" (a. ferreira); "não poderíamos obstar-nos de crer que esta inferência EU PENSO, LOGO EXISTO, não seja exata" (torrieri).

um exemplo final (III, 12): Ceux qui n’ont pas philosophé par ordre ont eu d’autres opinions sur ce sujet, parce qu’ils n’ont jamais distingué assez soigneusement leur âme... foi inexplicavelmente [in]vertido como "Os que filosofaram por ordem, colocaram outras opiniões a respeito deste assunto, razão pela qual jamais distinguiram, com suficiente cuidado, a sua alma", ademais invertendo também a relação causal expressa em parce que. diga-se de passagem que alberto ferreira também incide nesse surpreendente equívoco: "Aqueles que filosofaram por ordem, formularam outras opiniões sobre este assunto pelo que nunca distinguiram, com bastante cuidado, a sua alma".



resumindo: o vocabulário usado nas duas traduções apresenta várias diferenças; alberto ferreira tenta manter um registro próximo ao do original; torrieri parece se afastar com maior frequência, mesmo em termos simples (nous empêcher = obstar-nos, p.ex.), preferindo se mover num registro mais, digamos, empolado. o que chama a atenção são os erros ou desvios do original que aparecem nas duas traduções. não digo que torrieri guimarães tenha copiado literalmente alberto ferreira, mas não me parece muito provável que o mesmo tipo de estruturação sintática, os mesmos erros e inflexões similares se repitam em duas traduções diferentes. 

ao mostrar alguns dentre vários exemplos de equívocos presentes na tradução de torrieri, meu intuito é sustentar que, mesmo que fosse legítimo e normal recorrer a traduções anteriores (no caso, a de alberto ferreira), supostamente procurando amparo em sua autoridade, nem por isso tais erros deixariam de ser erros capazes de comprometer gravemente a leitura e o bom entendimento do texto de descartes.


fica, de novo, uma chamada para o grupo folha: os leitores merecem mais.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

26 de nov de 2010

coleção folha, descartes I

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por desencargo de consciência, fui ver o descartes da coleção folha: discurso sobre o método, tradução de norberto de paula lima, e princípios da filosofia, tradução de torrieri guimarães, ambas licenciadas da editora hemus.


quanto ao discurso sobre o método, fiquei surpresa com a quantidade de erros de revisão, de construções trôpegas e frases sem sentido: "criei um método que, parece-me, proporcionou-me os meios para o gradativo aumento de meu conhecimento, e a levá-lo, gradualmente, ao máximo de grau que a mediocridade de meu espírito e a breve duração de minha vida lhe permitiu atingir"; "os que caminham muito vagarosamente podem adiantar muito mais ... do que os que correm"; "a memória tão dilatada e tão presente quanto a muitos outros"; "os exercícios com que nos entrelinhamos na escola", "o que apelidam com tão lindo nome não e senão insensibilidade"; "sempre houveram funcionários"; "ficar-se-á conhecendo que trabalhando"; "não se deveu o fato a excelência de suas leis cada qual por si mesma, muitas de cujas leis eram bem estranhas"; "as ciências dos livros, ao menos as cujas razões são apenas prováveis"; "essas longas cadeias ... deu-me motivo" etc.

não entendi como uma frase tão simples em francês como "les peuples qui, ... ne s’étant civilisés que peu à peu" foi traduzida como "os povos que, ... apenas se tendo civilizado há pouco" [seria "aos poucos"].

ou "Que si mon ouvrage m'ayant assez plu, je vous en fais voir ici le modèle, ce n'est pas, pour cela, que je veuille conseiller à personne de l'imiter" como "Por estar contente de meu trabalho, pretendo ter aqui o modelo, não quero dizer que vá aconselhar alguém a imitá-lo" ["pois se, tendo minha obra me agradado bastante, mostro-vos aqui seu modelo, nem por isso pretendo aconselhar ninguém a imitá-lo"].

ou "la pluralité des voix" como "a pluralidade dos votos" [em vez de "pluralidade das vozes", isto é, das opiniões].

ou "En quoi je ne vous paroîtrai peut-être pas être fort vain, si vous considérez que..." como "E isso não parecerá, talvez, em excesso inútil, se for considerado que..." ["Nisso não vos parecerei talvez demasiado vaidoso, se considerardes que..."]

ou "fazer estoque de arquitetos" em vez de "providenciar arquitetos"; "trocar com cuidado a planta" em vez de "desenhar cuidadosamente a planta"; "nós mesmos fazermos exercícios de arquitetura" para "nós mesmos sermos os construtores"...

estranhei um pouco que, numa obra que faz rigorosa distinção entre opinião e conhecimento, croyance fosse a certa altura traduzido por "entendimento", além de algumas outras diluições conceituais, um "parlapatice" que parece um tanto deslocado no contexto, um certo atropelo nos tempos verbais e o uso um tanto repetitivo do verbo "achar" para um amplo leque: penser, juger, considérer, trouver, être, rencontrer...

quem estiver lendo o discurso do método pela primeira vez terá de fazer, penso eu, um certo esforço para acompanhar o texto de descartes, e não só pelas dificuldades intrínsecas da obra.

quanto aos princípios de filosofia, cuja tradução em nome de torrieri guimarães me surpreendeu por outra ordem de razões, talvez eu comente em outro post.

de qualquer forma, fiquei com pena, pois a folha (ou a empresa que organizou a coleção para a folha) dispunha de outras opções para licenciar uma tradução mais confiável do discurso do método, por exemplo de jacó guinsburg e bento prado jr., de maria ermantina galvão, de paulo neves. provavelmente a folha estaria zelando melhor por seu histórico de boas coleções, e demonstraria maior apreço por seus leitores.
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18 de set de 2010

coleção folha: variedades

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murilo bussab, diretor da folha e responsável pela coleção "livros que mudaram o mundo", explicou que foi contratada uma empresa luso-espanhola especializada em coleções, chamada levoir, para esse projeto. o site http://www.levoir.pt/ está em construção, mas na net encontra-se a notícia de que a levoir (ou ad astra et ultra marketing e conceitos multimédia s/a), de oeiras, portugal, havia desenvolvido o projeto dessa coleção para o jornal o público de lisboa, que a lançou em fevereiro, em comemoração a seus 20 anos de existência. o projeto para a coleção folha segue o mesmo perfil e conceito, com algumas diferenças de títulos (p.ex., a versão portuguesa traz hamlet, mas não a metafísica dos costumes). ver também aqui.

hoje comprei o volume inaugural, a origem das espécies, de darwin, acompanhado pelo segundo volume: maquiavel, o príncipe e outros escritos.


sobre o volume de darwin, o que eu tinha a dizer já disse: veja aqui. é uma pena. admira-me e lamento que a ad astra ou levoir tenha escolhido para o público uma tradução de portugal (pois suponho que a tenha licenciado junto à lello, que continua a publicá-la até hoje) e outra no brasil para a folha, licenciando-a da hemus, sem se dar conta da fraude. imagino que esse lançamento da folha seja de alta tiragem, o que é meio assustador, em se tratando de uma edição tão ruim e ilegítima.

a título de curiosidade, fui verificar num volume aqui em casa os créditos da "biblioteca folha", ótima coleção lançada em 2003: foi idealizada pela espanhola m.e.d.i.a.s.a.t. e pela brasileira mifano comunicações. por ora, as duas estão dando de mil a zero na levoir/ ad astra.

ao volume de maquiavel dedicarei outro post.
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17 de set de 2010

coleção folha: oropa e brasil

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nunca me canso de repetir que, além das denúncias de saulo von randow jr., foram as matérias da folha de são paulo em 2007 que me levaram a pesquisar esse terrível problema dos plágios e contrafações de traduções no brasil. além disso, o caderno ilustrada tem dado ampla cobertura ao problema nesses últimos anos. assim, é tanto maior e mais triste a ironia de que a coleção folha "os livros que mudaram o mundo" inclua uma franca e ridícula cópia atamancada de uma antiquésima, quase secular tradução portuguesa que, em si mesma, já era muito ruim. falo d'a origem das espécies, de darwin, que inaugura a referida coleção.

as coleções da folha, até onde me lembro e pelo que tenho em casa, sempre foram muito boas, bonitas, bem selecionadas, bem editadas, com belas capas e, sobretudo, boas traduções. desta vez, como gentilmente explicou murilo bussab, diretor de circulação e marketing da folha e responsável pelo lançamento da coleção:
No caso de "Livros Que Mudaram O Mundo" compramos o conceito da coleção e os direitos da empresa luso-espanhola Levoir ... A Levoir, por sua vez, é quem previamente negociou com cada editora a compra dos diversos direitos envolvidos numa produção como esta.
bom, talvez nas oropa seja diferente, mas no brasil, muito infelizmente, não dá para sair por aí confiando na primeira edição que aparece pela frente.

eu sugeriria humildemente que, para a próxima coleção, a folha escolhesse uma empresa com um pouco mais de familiaridade com a história editorial brasileira e a qualidade de catálogo das várias editoras, ou que a própria levoir, antes de fechar qualquer contrato de licenciamento, avaliasse com mais cuidado e atenção os produtos que está negociando.

acompanhe o caso:
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coleção da folha, comunicado

Cara Denise,
sou diretor de circulação e marketing da Folha e o responsável pelo lançamento desta coleção. Vi seus comentários no blog "não gosto de plágio" e gostaria de apresentar nosso lado da história.

As coleções da Folha têm por princípio disponibilizar obras de conteúdo relevante, com boa qualidade de produção, a preços muito menores do que os usualmente praticados no mercado. Foi assim com "Grandes Escritores Brasileiros", "Mestres da Pintura", "Raízes da MPB", "Clássicos do Jazz" e muitas outras....

Para nos ajudar neste processo, a cada projeto novo costumamos contratar empresas especializadas em organização de coleções, uma vez que nossa especialidade é a produção e distribuição de jornais/notícias. No caso de "Livros Que Mudaram O Mundo" compramos o conceito da coleção e os direitos da empresa luso-espanhola Levoir (que trabalha para diversos jornais da Península Ibérica e da França). A Levoir, por sua vez, é quem previamente negociou com cada editora a compra dos diversos direitos envolvidos numa produção como esta.

Pelo histórico da Levoir, e pelo que temos em acordo, acreditamos estar comprando traduções legais e de primeira linha. Por isso mesmo, muito me preocupou quando vi seu "post" no blog. A tradução que estamos usando para "Origem das Espécies" é realmente a da Hemus. Eu não tinha ideia das citadas falhas desta edição, mas, baseado em seus comentários, garanto que a Folha irá rever apuradamente a situação dos próximos volumes (embora alguns deles já estejam produzidos).

Seguindo outra sugestão colhida no "não gosto de plágio", a partir da semana que vem colocaremos no site da coleção www.folha.com.br/livrosmundo informações técnicas sobre cada obra (editora, tradutor, datas,...). Assim, esperamos tornar mais claro para os leitores que produto está sendo oferecido.

Atenciosamente,

Murilo Bussab

16 de set de 2010

que tédio

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A Folha de S.Paulo hoje divulgou novamente o lançamento de sua coleção “Livros que mudaram o mundo”. A obra que inaugura a coleção é A origem das espécies, de Darwin. Várias pessoas têm estranhado a total ausência de qualquer informação sobre a tradução dessas obras. Nessa matéria de hoje, a Folha apresenta a frase final com que Darwin conclui sua introdução:
Estou plenamente convencido de que as espécies não são imutáveis; convenci-me de que as espécies pertinentes ao que denominamos de o mesmo gênero derivam diretamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam diretamente desta, convicto estou, enfim, de que a seleção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, embora outros agentes tenham-na igualmente partilhado.
Como a Hemus e a Ediouro trazem idêntico trecho em suas edições, com créditos de tradução em nome de Eduardo Fonseca:
Estou plenamente convencido que as espécies não são imutáveis; convenci-me de que as espécies pertinentes ao que denominamos de o mesmo gênero derivam diretamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam diretamente desta, convicto estou, enfim, de que a seleção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, embora outros agentes tenham-na partilhado igualmente.
imagino que a Folha tenha adquirido licença de uso para publicá-la em sua coleção.

Bom, já dediquei inúmeros posts ao problema d'A origem das espécies no Brasil. Resumindo a história, essa pretensa tradução publicada pela Hemus e pela Ediouro não passa de uma franca e risível apropriação da provectíssima tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul (1913, Lello & Irmãos, reeditada até hoje), aliás bastante capenga, feita a partir do francês, com pérolas como "canários selvagens" e "canários domésticos" em vez de "patos selvagens" e "patos domésticos", "espécie distinta" em vez de "espécie extinta" e inúmeras outras preciosidades.

Aliás, desde 2008 alertei a Ediouro várias vezes sobre essa fraude que ela vinha publicando desde 1985, e o Ministério Público do Rio de Janeiro determinou apuração dos fatos. O sr. Paulo Roberto Pires, editor da Ediouro, indagado pelo jornal Correio Braziliense sobre a irregularidade, apenas reiterou que a editora havia licenciado a tradução junto à Hemus.

Se a edição da Folha for essa, que péssima escolha! E os distintos canários continuarão a nos tolher o acesso a uma boa tradução de Darwin!

veja o darwin da ediouro com a posição da editora e consulte os posts arquivados sob a rubrica darwin, onde trato detalhadamente do assunto.


tradução portuguesa:
Estou plenamente convencido que as espécies não são imutáveis; estou convencido que as espécies que pertencem ao que chamamos o mesmo género derivam directamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam directamente desta espécie; estou convencido, enfim, que a selecção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, posto que outros agentes tenham nela partilhado igualmente.

tradução francesa:
Je suis pleinement convaincu que les espèces ne sont pas immuables ; je suis convaincu que les espèces qui appartiennent à ce que nous appelons le même genre descendent directement de quelque autre espèce ordinairement éteinte, de même que les variétés reconnues d'une espèce quelle qu'elle soit descendent directement de cette espèce ; je suis convaincu, enfin, que la sélection naturelle a joué le rôle principal dans la modification des espèces, bien que d'autres agents y aient aussi participé.

original:
I am fully convinced that species are not immutable; but that those belonging to what are called the same genera are lineal descendants of some other and generally extinct species, in the same manner as the acknowledged varieties of any one species are the descendants of that species. Furthermore, I am convinced that natural selection has been the most important, but not the exclusive, means of modification.

imagens: istockphoto; gifmania



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




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12 de mar de 2010

leopardo/hemus

a editora hemus, depois de mais de quatro décadas de existência (inicialmente com o nome de "livraria exposição do livro"), foi recentemente incorporada como selo editorial à editora leopardo.

o selo hemus conta com nove coleções, entre elas ficção & literatura e filosofia. os 26 títulos que compõem a coleção de ficção e literatura já eram publicados desde os anos 1970 pela antiga hemus. o mesmo se aplica aos 21 títulos constantes na coleção de filosofia apresentada no site.

fico um pouco ressabiada pois a antiga hemus andou praticando coisas que não são bonitas e até andou licenciando suas pseudotraduções para outras editoras, entre elas a ediouro e o círculo do livro.

aqui no nãogosto apresentei quatro edições complicadas da hemus, a saber: charles darwin, a origem das espécies; fustel de coulanges, a cidade antiga; émile zola, germinal, e émile zola, a besta humana. havia outras esquisitices em seu catálogo dos anos 70 e 80, mas, como a hemus tinha praticamente desaparecido de circulação, considerei que havia outras fraudes mais recentes e mais urgentes a combater.

no entanto, agora constato que pelo menos as obras de darwin e fustel permanecem no atual catálogo da leopardo, aliás com destaque na seção "hemus recomenda" do catálogo de 2010, disponível em pdf  (pp. 31-32). aí a coisa complica e obriga os leitores a redobrarem a atenção em relação às demais obras atualmente publicadas pelo selo hemus.


imagem: logo leopardo

14 de dez de 2009

passa passa três vezes

conversei com o sr. paulo matos peixoto, da antiga matos peixoto, da extinta paumape e da germape. muito atencioso, informou-me gentilmente que vendeu a germape em 2005 para a empresa gráfica prol. afirmou conhecer a empresa cedic, a qual, esclareceu ele, opera pelo sistema creditista (isto é, venda domiciliar). declarou jamais ter cedido ou negociado com a cedic os direitos autorais para a publicação de sua obra atentado a napoleão e tampouco os direitos sobre suas notas e introduções a várias obras de tradução. ressaltou ainda que não transferiu para a prol e muito menos para a cedic nenhum dos direitos sobre as traduções adquiridas por suas antigas editoras, e declarou ignorar se há alguma relação entre a prol e a cedic.

quanto a vieira neto, responsável por várias traduções de jules verne publicadas pela matos peixoto, reeditadas pela hemus, pela germape e agora pela cedic e pela leopardo, tratar-se-ia de um antigo amigo seu, já falecido. quanto a gilson césar de souza, tratar-se-ia de um conhecido tradutor do grego e outras línguas, ainda em atividade. finalmente, quanto a dois outros tradutores que assinam traduções no catálogo da germape, a saber, henry dualib e hillary dias, não foi possível obter nenhuma informação.

imagem: passa-passa

9 de dez de 2009

(anti)referências bibliográficas

as obras estão classificadas por editoras, e entre parênteses constam os nomes a que vem indevidamente atribuída a autoria das traduções, em verdade da autoria de terceiros esbulhados.

ABRIL CULTURAL 
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)

BEST SELLER (selo do Grupo Record)
jane austen, orgulho e preconceito (enrico corvisieri)

BOITEMPO EDITORIAL
fedor dostoiewski, a árvore de natal de cristo (isa tavares)
istván mészáros, a teoria da alienação em marx (isa tavares)
máximo gorki, sonho de uma noite de natal (isa tavares)
perry anderson, as antinomias de gramsci (paulo césar castanheira)
perry anderson, nas trilhas do materialismo histórico (isa tavares)
slavoj zizek, lacrimae rerum (isa tavares)

BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)

CEDIC
dante alighieri, a divina comédia (anônimo)
edgar allan poe, contos e histórias (anônimo)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

CENTAURO
hitler, minha luta (klaus von puschen)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo ferreira frias/ hellen roballo)
marx, a questão judaica (silvio donizete chagas)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de farias/ peter klaus ivanov)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo ferreira frias)

CÍRCULO DO LIVRO
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoiévski, os irmãos karamázovi (enrico corvisieri)

CLUBE DO LIVRO
qualquer obra que traga nos créditos "tradução especial de xxx" ou "tradução feita por xxx especialmente para o clube do livro", em particular as que constam em nome de josé maria machado. vide aqui.

COLEÇÃO FOLHA "LIVROS QUE MUDARAM O MUNDO"
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
karl marx, o capital (ed. condensada) (além de problemas na atribuição de tradução, há falsa atribuição de autoria do próprio original - o autor é gabriel deville, e a obra se chama o capital de karl marx)
rené descartes, discurso sobre o método e princípios da filosofia (volume duplo - desrecomendada por problemas de atribuição de tradução especificamente a segunda obra, princípios de filosofia)

CULTRIX
edgar allan poe, "o escaravelho de ouro" in histórias extraordinárias (josé paulo paes)

DERIVA
albert camus, os justos (robson dos santos)
bertold [sic] brecht, o casamento do pequeno burguês (césar santos)
jean genet, as criadas (roberto medeiros porto)
jean-paul sartre, entre quatro paredes (roberto de almeida)
[ver a retratação da editora aqui]

EDIBOLSO (extinta)
edgar allan poe, histórias extraordinárias (sandro pivatto; luiza lobo)

EDIOURO
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (eduardo nunes fonseca e jonas camargo leite)

ESCALA
nietzsche, assim falava zaratustra (ciro mioranza)

GERMAPE (extinta)
edgar allan poe, contos e histórias (henry dualib - cf. fbn/isbn)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

GERMINAL
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
g. k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
goncharov, oblomov (juliana borges)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)
isaac b. singer, o escravo (juliana borges)

outros títulos lançados pela germinal, que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança são:
arthur koestler, ladrões na noite (juliana borges)
arthur koestler, o iogue e o comissário (não descobri)
arthur koestler, chegada e partida (juliana borges)
saul bellow, a vítima (juliana borges)
james agee, morte na família (juliana borges)
gustave glotz, história econômica da grécia (vera lúcia rodrigues)
sinclair lewis, o nobre senhor kingsblood (juliana borges)
fenimore cooper, o último dos moicanos (vera lúcia rodrigues)
gustave flaubert, salambô (não descobri)
luigi pirandello, a excluída (wilson hilário borges)
ver aqui

H. GARNIER
charles dickens, as aventuras do sr. pickwick (k. d'avellar)
edgar allan poe, novellas extraordinarias ("traducção brasileira")

outros títulos que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança, são todos os que trazem créditos de tradução em nome de "k. d'avellar", "r. d'avellar" e suas variantes com um "l" só.

HEMUS (atualmente, selo da Editora Leopardo)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
descartes, princípios de filosofia (torrieri guimarães)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
nietzsche, assim falava zaratustra (eduardo nunes fonseca)
omar khayamm, rubaiyat (torrieri guimarães)

ÍCONE
hegel, princípios da filosofia do direito (norberto de paula lima)

ITATIAIA
charlotte brontë, jane eyre (waldemar rodrigues de oliveira)
voltaire, zadig (galeão coutinho, em espantosa difamação de um intelectual sério e respeitável)

JARDIM DOS LIVROS (atualmente, selo do Grupo Geração)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)

LANDMARK
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)
jane austen, persuasão (fábio cyrino)

MADRAS
charles darwin, a origem das espécies *
flavius josephus, seleções *
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás *
marco aurélio, meditações *
nietzsche, a origem da tragédia**

* atualizado em 10/12/2009: ver informe ; atualizado em 14/12/2009: ver solicitação ; atualizado em 15/12/2009: ver comunicado
** atualizado em 21/08/2010: ver comunicado

MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)
bocage, sonetos (pietro massetti)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)

obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.

MARTIN CLARET - "tradutores" sortidos
[há vários casos de discrepância entre o registro no isbn/fbn e o exemplar impresso]
aristófanes, lisístrata e as vespas (john green)
ch. dickens, cântico de natal (john green)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
d.h. lawrence, o amante de lady chatterley (jean melville, isbn/ jorge luís penha, edição impressa)
darwin, a origem das espécies (john green)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)

MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivo [idem; em alguns casos, inclusive, constam apenas na FBN/ISBN]
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
anônimo, tristão e isolda (alex marins)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
cícero, dos deveres (alex marins)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
durkheim, o suicídio (alex marins)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
freud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
gide, acuso (jean melville)
gitanjali (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
jack london, martin eden (jean melville)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
kierkegaard, diário de um sedutor (jean melville)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
o livro de jó (alex marins)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
petrônio, satíricon (alex marins)
platão, a república (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
platão, fedro (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
santo agostinho, confissões (alex marins)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
shakespeare, macbeth (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)

obs.: por ocasião das providências citadas na obs. anterior, a editora martin claret procedeu a retificações adicionais que não haviam sido solicitadas na petição ao ministério público federal. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.

MORAES (extinta)
hitler, minha luta (não consta)
marx, a questão judaica (não consta)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de faria)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)

NOVA CULTURAL - Coleção Imortais da Literatura Universal
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (maria cristina f. da silva)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)

NOVA CULTURAL - Coleção Obras-Primas
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (gisele donat soares)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
émile zola, naná (roberto valeriano)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
goethe, werther (alberto maximiliano)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
louisa may alcott, mulherzinhas (vera maria marques martins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)

NOVA CULTURAL - Coleção Os Pensadores
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)

PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)

RECORD *
charles webb, a primeira noite de um homem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico e amante (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, um médico diferente (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, dilema de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médicos em conflito (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, mulheres de médicos (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, o fim da viagem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, impasse de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, heroísmo de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, consciência de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico astronauta (nelson rodrigues)
frederic raphael, darling (nelson rodrigues)
harold robbins, o garanhão (nelson rodrigues)
harold robbins, os libertinos (nelson rodrigues)
harold robbins, escândalo na sociedade (nelson rodrigues)
harold robbins, os implacáveis (nelson rodrigues)
harold robbins, o indomável (nelson rodrigues)
harold robbins, os insaciáveis (2 vols.) (nelson rodrigues)
harold robbins, 79 park avenue (nelson rodrigues)
harold robbins, uma prece para danny fischer (nelson rodrigues)
harold robbins, stiletto (nelson rodrigues)
harold robbins, o machão (nelson rodrigues)
harold robbins, a mulher só (nelson rodrigues)
harold robbins, os sonhos morrem primeiro (nelson rodrigues)
harold robbins, os herdeiros (nelson rodrigues)
harold robbins, ninguém é de ninguém (nelson rodrigues)
henry sutton, a exibicionista (nelson rodrigues)
hugh atkinson, os jogos proibidos (nelson rodrigues)
morton cooper, o rei devasso (nelson rodrigues)
polly adler, uma certa casa suspeita (nelson rodrigues)

* vários destes títulos saíram também pela abril cultural, círculo do livro e nova cultural. alguns foram lançados inicialmente pelo selo livraria eldorado, da própria record. 

RIDEEL
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Clássica* (coleção extinta)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Sherlock Holmes* (coleção extinta)


RIDEEL - Coleção Biblioteca O Melhor de Shakespeare* (coleção extinta)

* excepcionalmente, sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualizado em 25/4/10: ver também rideel, retratação.

RUSSELL
francesco carnelutti, arte do direito (ricardo rodrigues gama)
ferdinand lassalle, o que é uma constituição? (ricardo rodrigues gama)
von ihering, a luta pelo direito (ricardo rodrigues gama)

SAPIENZA (extinta)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)

atualizado em 23/10/2011; 27/11/2011; 12/04/2012; 13/05/2012; 27/05/2012; 09/08/2012; 24/08/2015; 17/09/2015; 19/04/2017
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