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6 de jun de 2013

zoran ninitch, VII, bagrinho de medeiros e albuquerque

nosso caro iugoslavo residente no brasil, de quem vimos falando ao longo de vários posts (ver aqui), tem em sua bibliografia de traduções algumas obras de stefan zweig, entre as primeiras no brasil. saíram basicamente pela editora guanabara, do rio de janeiro, em 1934.

porém, ao mais descarado estilo ictiológico que às vezes grassava entre nós, parece ter sido mero "bagrinho" em favor de medeiros e albuquerque, nome mais conhecido e autor da casa, provavelmente mais vantajoso em termos comerciais para a editora:





(aqui na capa da edição de 1942)

sobre outros tradutores usados como bagrinhos, por exemplo millôr fernandes e olavo bilac, veja aqui.

17 de mar de 2013

quando millôr fernandes era bagrinho

conta millôr:
Passei boa parte da minha vida traduzindo furiosamente, sobretudo do inglês. Para ser mais preciso, até os vinte anos, quando traduzi um livro de Pearl Buck para a José Olympio. O livro se chamava Dragon Seed, foi publicado com o nome de A Estirpe do Dragão e, como eu não tinha contato com o editor, foi assinado pelo intermediário, o escritor Antonio Pinto Nogueira de Accioly Netto, diretor da revista O Cruzeiro, mediante 60% dos direitos. 
o livro saiu em 1944, na coleção "fogos cruzados" da josé olympio, sendo reeditado pela melhoramentos a partir de 1963:


millôr fernandes ficou tão decepcionado com seu papel de "bagrinho" que, conta ele:
Depois disso abandonei a profissão para nunca mais, por ser trabalho exaustivo, anônimo, mal remunerado. Só voltei à tradução em 1960.
e que bom que voltou, pois millôr se tornou grande tradutor. essa história está aqui.

13 de jun de 2012

"bagrinhos"


existia (não sei se ainda existe) uma prática meio sórdida no meio tradutório que consistia em aceitar uma encomenda para fazer uma tradução e repassar o serviço adiante, reservando para si um certo percentual e mantendo os créditos de tradução em seu nome. esses tradutores "subempreitados" eram chamados de "bagrinhos".






eis uma história divertida dos anais dos "bagrinhos", aqui numa quarta (!) subempreita, com ninguém menos que olavo bilac:
José do Patrocínio, diretor e proprietário do jornal A Cidade do Rio, para ajudar ao pintor e escritor francês Emílio Rouède, que morava no Brasil, encomendou-lhe a tradução de um romance-folhetim. Ofereceu um tostão (cem réis) por linha. Rouède fez a tradução durante alguns dias, mas se cansou e passou a encomenda a Guimarães Passos, dando-lhe 80 réis e ficando com 20. Este também ficou com preguiça e repassou a tradução a Coelho Neto, a 60 réis por linha, embolsando 20. O romancista, naquele tempo pouco dado ao trabalho, acertou a tradução com Olavo Bilac – pagava 40 réis por linha e guardava seu vintém.
Quando Bilac soube desses acertos, decidiu vingar-se. Não dos três que se aproveitavam de seu trabalho, mas do velho barão de Paranapiacaba, poeta bissexto, antigo conselheiro do Império, sua bête noire e alvo de suas brincadeiras, a quem chamava “o barão de Nunca-mais-se-acaba” e que era amigo de Patrocínio, o dono do jornal. Numa cena do romance-folhetim que estava traduzindo, um homem entra pela janela do quarto de uma mocinha “para fazer-lhe mal”. De repente, um raio de luz mostra o rosto do sedutor – e Bilac acrescentou no texto: “Era o barão de Paranapiacaba!” 
o artigo completo está aqui.
imagem: scribbler