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12 de jun de 2013

o primeiro darwin no brasil


tradução de zoran ninitch, livraria editora marisa, 1933
edição comemorativa do centenário da viagem do beagle à américa do sul e às costas do brasil

13 de fev de 2012

a lagarta muito grávida



Diz Darwin, a certa altura da Origin of Species (cap. VIII, sobre o instinto), que, se a gente pega uma lagarta que já fez seu casulo até, digamos, a sexta etapa e põe o bichinho num casulo feito até a terceira etapa, ele vai e retoma o trabalho desde a quarta etapa. Mas que, se você pega uma lagarta que ainda está construindo a terceira fase de seu casulinho e põe num envoltório que esteja construído até a sexta fase, ela se atrapalha toda, fica meio desorientada - much embarrassed, diz Darwin - e se põe a refazer o trabalho que já está pronto.
... Huber found it was with a caterpillar, which makes a very complicated hammock; for if he took a caterpillar which had completed its hammock up to, say, the sixth stage of construction, and put it into a hammock completed up only to the third stage, the caterpillar simply re-performed the fourth, fifth, and sixth stages of construction. If, however, a caterpillar were taken out of a hammock made up, for instance, to the third stage, and were put into one finished up to the sixth stage, so that much of its work was already done for it, far from deriving any benefit from this, it was much embarrassed, and, in order to complete its hammock, seemed forced to start from the third stage, where it had left off, and thus tried to complete the already finished work.
... Huber observou que assim ocorria numa lagarta que faz uma coberta, a modo de rede complicadíssima; pois diz que, quando pegava uma lagarta que tinha terminado sua coberta, suponhamos, até o sexto período da construção, e a punha numa coberta feita até o terceiro, a lagarta voltava simplesmente a repetir os períodos quarto, quinto e sexto; mas se pegava uma lagarta de uma coberta feita, por exemplo, até o período terceiro, e se punha numa feita até o sexto, de maneira que muito da obra estivesse já executado, longe de tirar disso algum benefício, via-se muito grávida e, para completar sua coberta, parecia obrigada a começar desde o período terceiro, onde tinha deixado seu trabalho, e deste modo tentava completar a obra já finda. (A origem das espécies, pág. 222)
A fonte da prenhez da lagarta só podia ser o espanhol (embarazada) - não foi difícil localizar: trata-se de uma tradução de 1921, feita pelo biólogo Antonio de Zulueta, disponível aqui:
Huber observó que así ocurría en una oruga que hace una cubierta, a modo de hamaca complicadísima; pues dice que, cuando cogía una oruga que había terminado su cubierta, supongamos, hasta el sexto período de la construcción, y la ponía en una cubierta hecha sólo hasta el tercero, la oruga volvía simplemente a repetir los períodos cuarto, quinto y sexto; pero si se cogía una oruga de una cubierta hecha, por ejemplo, hasta el período tercero, y se la ponía una hecha hasta el sexto, de modo que mucho de la obra estuviese ya ejecutado, lejos de sacar de esto algún beneficio, se veía muy embarazada, y, para completar su cubierta, parecía obligada a comenzar desde el período tercero, donde había dejado su trabajo, y de este modo intentaba completar la obra ya terminada.

E é essa "lagarta muito grávida" que a Editora Escala está se oferecendo para vender às 2.700 bibliotecas públicas inscritas no Cadastro Nacional do Livro de Baixo Preço?

Agradeço a Marcos Gomes por essa história do mais autêntico rir-para-não-chorar.

imagem: lagartas e casulos

21 de set de 2011

o secular darwin plagiado sai da ediouro

A origem das espécies, de Darwin, grassou entre nós a partir dos anos 70, por obra e graça da editora Hemus - até onde sei -, numa pavorosa cópia de uma pavorosa tradução portuguesa feita a partir do francês no começo do século 20. Essa coisa horrorosa foi parar na Ediouro em 1987, que desde então saiu publicando essa pretensa tradução. É uma longa história, amplamente documentada aqui no blog, que não vou repetir. Os posts correspondentes, em todo caso, estão arquivados em "Darwin", aqui, e aqui uma súmula.

Ontem recebi correspondência do Ministério Público do Rio Janeiro, aparentemente com o problema sanado. Apresento aqui a documentação (clique nas imagens para ampliar):







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18 de set de 2010

coleção folha: variedades

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murilo bussab, diretor da folha e responsável pela coleção "livros que mudaram o mundo", explicou que foi contratada uma empresa luso-espanhola especializada em coleções, chamada levoir, para esse projeto. o site http://www.levoir.pt/ está em construção, mas na net encontra-se a notícia de que a levoir (ou ad astra et ultra marketing e conceitos multimédia s/a), de oeiras, portugal, havia desenvolvido o projeto dessa coleção para o jornal o público de lisboa, que a lançou em fevereiro, em comemoração a seus 20 anos de existência. o projeto para a coleção folha segue o mesmo perfil e conceito, com algumas diferenças de títulos (p.ex., a versão portuguesa traz hamlet, mas não a metafísica dos costumes). ver também aqui.

hoje comprei o volume inaugural, a origem das espécies, de darwin, acompanhado pelo segundo volume: maquiavel, o príncipe e outros escritos.


sobre o volume de darwin, o que eu tinha a dizer já disse: veja aqui. é uma pena. admira-me e lamento que a ad astra ou levoir tenha escolhido para o público uma tradução de portugal (pois suponho que a tenha licenciado junto à lello, que continua a publicá-la até hoje) e outra no brasil para a folha, licenciando-a da hemus, sem se dar conta da fraude. imagino que esse lançamento da folha seja de alta tiragem, o que é meio assustador, em se tratando de uma edição tão ruim e ilegítima.

a título de curiosidade, fui verificar num volume aqui em casa os créditos da "biblioteca folha", ótima coleção lançada em 2003: foi idealizada pela espanhola m.e.d.i.a.s.a.t. e pela brasileira mifano comunicações. por ora, as duas estão dando de mil a zero na levoir/ ad astra.

ao volume de maquiavel dedicarei outro post.
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17 de set de 2010

coleção folha: oropa e brasil

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nunca me canso de repetir que, além das denúncias de saulo von randow jr., foram as matérias da folha de são paulo em 2007 que me levaram a pesquisar esse terrível problema dos plágios e contrafações de traduções no brasil. além disso, o caderno ilustrada tem dado ampla cobertura ao problema nesses últimos anos. assim, é tanto maior e mais triste a ironia de que a coleção folha "os livros que mudaram o mundo" inclua uma franca e ridícula cópia atamancada de uma antiquésima, quase secular tradução portuguesa que, em si mesma, já era muito ruim. falo d'a origem das espécies, de darwin, que inaugura a referida coleção.

as coleções da folha, até onde me lembro e pelo que tenho em casa, sempre foram muito boas, bonitas, bem selecionadas, bem editadas, com belas capas e, sobretudo, boas traduções. desta vez, como gentilmente explicou murilo bussab, diretor de circulação e marketing da folha e responsável pelo lançamento da coleção:
No caso de "Livros Que Mudaram O Mundo" compramos o conceito da coleção e os direitos da empresa luso-espanhola Levoir ... A Levoir, por sua vez, é quem previamente negociou com cada editora a compra dos diversos direitos envolvidos numa produção como esta.
bom, talvez nas oropa seja diferente, mas no brasil, muito infelizmente, não dá para sair por aí confiando na primeira edição que aparece pela frente.

eu sugeriria humildemente que, para a próxima coleção, a folha escolhesse uma empresa com um pouco mais de familiaridade com a história editorial brasileira e a qualidade de catálogo das várias editoras, ou que a própria levoir, antes de fechar qualquer contrato de licenciamento, avaliasse com mais cuidado e atenção os produtos que está negociando.

acompanhe o caso:
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coleção da folha, comunicado

Cara Denise,
sou diretor de circulação e marketing da Folha e o responsável pelo lançamento desta coleção. Vi seus comentários no blog "não gosto de plágio" e gostaria de apresentar nosso lado da história.

As coleções da Folha têm por princípio disponibilizar obras de conteúdo relevante, com boa qualidade de produção, a preços muito menores do que os usualmente praticados no mercado. Foi assim com "Grandes Escritores Brasileiros", "Mestres da Pintura", "Raízes da MPB", "Clássicos do Jazz" e muitas outras....

Para nos ajudar neste processo, a cada projeto novo costumamos contratar empresas especializadas em organização de coleções, uma vez que nossa especialidade é a produção e distribuição de jornais/notícias. No caso de "Livros Que Mudaram O Mundo" compramos o conceito da coleção e os direitos da empresa luso-espanhola Levoir (que trabalha para diversos jornais da Península Ibérica e da França). A Levoir, por sua vez, é quem previamente negociou com cada editora a compra dos diversos direitos envolvidos numa produção como esta.

Pelo histórico da Levoir, e pelo que temos em acordo, acreditamos estar comprando traduções legais e de primeira linha. Por isso mesmo, muito me preocupou quando vi seu "post" no blog. A tradução que estamos usando para "Origem das Espécies" é realmente a da Hemus. Eu não tinha ideia das citadas falhas desta edição, mas, baseado em seus comentários, garanto que a Folha irá rever apuradamente a situação dos próximos volumes (embora alguns deles já estejam produzidos).

Seguindo outra sugestão colhida no "não gosto de plágio", a partir da semana que vem colocaremos no site da coleção www.folha.com.br/livrosmundo informações técnicas sobre cada obra (editora, tradutor, datas,...). Assim, esperamos tornar mais claro para os leitores que produto está sendo oferecido.

Atenciosamente,

Murilo Bussab

16 de set de 2010

que tédio

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A Folha de S.Paulo hoje divulgou novamente o lançamento de sua coleção “Livros que mudaram o mundo”. A obra que inaugura a coleção é A origem das espécies, de Darwin. Várias pessoas têm estranhado a total ausência de qualquer informação sobre a tradução dessas obras. Nessa matéria de hoje, a Folha apresenta a frase final com que Darwin conclui sua introdução:
Estou plenamente convencido de que as espécies não são imutáveis; convenci-me de que as espécies pertinentes ao que denominamos de o mesmo gênero derivam diretamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam diretamente desta, convicto estou, enfim, de que a seleção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, embora outros agentes tenham-na igualmente partilhado.
Como a Hemus e a Ediouro trazem idêntico trecho em suas edições, com créditos de tradução em nome de Eduardo Fonseca:
Estou plenamente convencido que as espécies não são imutáveis; convenci-me de que as espécies pertinentes ao que denominamos de o mesmo gênero derivam diretamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam diretamente desta, convicto estou, enfim, de que a seleção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, embora outros agentes tenham-na partilhado igualmente.
imagino que a Folha tenha adquirido licença de uso para publicá-la em sua coleção.

Bom, já dediquei inúmeros posts ao problema d'A origem das espécies no Brasil. Resumindo a história, essa pretensa tradução publicada pela Hemus e pela Ediouro não passa de uma franca e risível apropriação da provectíssima tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul (1913, Lello & Irmãos, reeditada até hoje), aliás bastante capenga, feita a partir do francês, com pérolas como "canários selvagens" e "canários domésticos" em vez de "patos selvagens" e "patos domésticos", "espécie distinta" em vez de "espécie extinta" e inúmeras outras preciosidades.

Aliás, desde 2008 alertei a Ediouro várias vezes sobre essa fraude que ela vinha publicando desde 1985, e o Ministério Público do Rio de Janeiro determinou apuração dos fatos. O sr. Paulo Roberto Pires, editor da Ediouro, indagado pelo jornal Correio Braziliense sobre a irregularidade, apenas reiterou que a editora havia licenciado a tradução junto à Hemus.

Se a edição da Folha for essa, que péssima escolha! E os distintos canários continuarão a nos tolher o acesso a uma boa tradução de Darwin!

veja o darwin da ediouro com a posição da editora e consulte os posts arquivados sob a rubrica darwin, onde trato detalhadamente do assunto.


tradução portuguesa:
Estou plenamente convencido que as espécies não são imutáveis; estou convencido que as espécies que pertencem ao que chamamos o mesmo género derivam directamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam directamente desta espécie; estou convencido, enfim, que a selecção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, posto que outros agentes tenham nela partilhado igualmente.

tradução francesa:
Je suis pleinement convaincu que les espèces ne sont pas immuables ; je suis convaincu que les espèces qui appartiennent à ce que nous appelons le même genre descendent directement de quelque autre espèce ordinairement éteinte, de même que les variétés reconnues d'une espèce quelle qu'elle soit descendent directement de cette espèce ; je suis convaincu, enfin, que la sélection naturelle a joué le rôle principal dans la modification des espèces, bien que d'autres agents y aient aussi participé.

original:
I am fully convinced that species are not immutable; but that those belonging to what are called the same genera are lineal descendants of some other and generally extinct species, in the same manner as the acknowledged varieties of any one species are the descendants of that species. Furthermore, I am convinced that natural selection has been the most important, but not the exclusive, means of modification.

imagens: istockphoto; gifmania



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




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9 de jul de 2010

joão verde

apenas para constar no arquivo de cotejos disponíveis aqui no nãogostodeplágio, acrescento mais alguns exemplos sobre a origem das espécies, de darwin, na pretensa tradução de "john green", pela editora martin claret.

trata-se de uma montagem de duas traduções diferentes: nos capítulos iniciais, "john green" recorreu ao português joaquim dá mesquita paul;  a seguir e até o final do livro preferiu eugênio amado.

Abaixo transcrevo pequenos trechos iniciais no original em inglês, na antiga tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul e na pretensa tradução em nome de “John Green”.

A comparação com o texto em inglês permite ver como a tradução se distancia do original. E, comparando-se as duas traduções em português, vê-se como são quase idênticas, o que indica claramente que a pretensa tradução em nome de “John Green” é apenas uma cópia semidisfarçada da tradução de Dá Mesquita Paul.

1. Original:

The former seems to be much the more important; for nearly similar variations sometimes arise under, as far as we can judge, dissimilar conditions; and, on the other hand, dissimilar variations arise under conditions which appear to be nearly uniform. The effects on the offspring are either definite or in definite. They may be considered as definite when all or nearly all the offspring of individuals exposed to certain conditions during several generations are modified in the same manner. It is extremely difficult to come to any conclusion in regard to the extent of the changes which have been thus definitely induced. There can, however, be little doubt about many slight changes, such as size from the amount of food, colour from the nature of the food, thickness of the skin and hair from climate, etc. Each of the endless variations which we see in the plumage of our fowls must have had some efficient cause; and if the same cause were to act uniformly during a long series of generations on many individuals, all probably would be modified in the same manner. Such facts as the complex and extraordinary out growths which variably follow from the insertion of a minute drop of poison by a gall-producing insect, shows us what singular modifications might result in the case of plants from a chemical change in the nature of the sap.

2. Joaquim Dá Mesquita Paul
O primeiro destes fatores parece ser muito mais importante, porque, tanto quanto o podemos julgar, variações quase semelhantes se produzem algumas vezes em condições diferentes, e, por outro lado, variações diferentes se produzem em condições que parecem quase uniformes. Os efeitos sobre a descendência são definidos ou indefinidos. Podem considerar-se como definidos quando todos, ou quase todos os descendentes de indivíduos submetidos a certas condições de existência durante muitas gerações, se modificam da mesma maneira. É extremamente difícil especificar a extensão das alterações que têm sido definitivamente produzidas deste modo. Todavia, não se pode ter dúvida relativamente às numerosas modificações muito ligeiras, tais como: modificações no talhe provenientes da quantidade de nutrição; modificações na cor provenientes da natureza da alimentação, modificações na espessura da pele e suas produções provenientes da natureza do clima, etc.

Cada uma das variações indefinidas que encontramos na plumagem das aves das nossas capoeiras deve ser o resultado de uma causa eficaz; portanto, se a mesma causa atuasse uniformemente, durante uma longa série de gerações, sobre um grande número de indivíduos, todos se modificavam provavelmente da mesma maneira. Fatos tais como as excrescências extraordinárias e complicadas, conseqüência invariável do depósito de uma gota microscópica de veneno fornecida pelo cínipe, provam-nos que modificações singulares podem, entre as plantas, resultar de uma alteração química na natureza da seiva.

3. “John Green”:

O primeiro fator (natureza do organismo) parece ser muito mais importante. Tanto quanto podemos julgar, transformações quase idênticas se produzem algumas vezes em condições diferentes, e, por outro lado, variações desiguais se produzem em condições que parecem quase uniformes. Os efeitos sobre a descendência são definidos ou indefinidos. Consideram-se como definidos quando todos ou quase todos os descendentes de indivíduos submetidos a determinadas condições de existência durante muitas gerações modificam-se da mesma maneira. [Aqui falta uma frase inteira.] No entanto, não se pode duvidar das numerosas modificações superficiais, tais como modificações no porte provenientes da quantidade de nutrição, modificações na cor provenientes da natureza da alimentação, modificações na espessura da pele e suas produções provenientes da natureza do clima, etc. Cada uma das variações indefinidas que encontramos na plumagem das aves de nossos prados e matas deve ser o resultado de um efeito convincente. Portanto, se a mesma causa atuasse uniformemente durante uma longa série de gerações, sobre um grande número de indivíduos, provavelmente todos se modificariam da mesma maneira. Fatos como as excrescências complicadas, conseqüência invariável do depósito de uma gota microscópica de veneno fornecida pelo cínipe, provam-nos que modificações isoladas podem, entre as plantas, resultar de uma alteração química na natureza da selva. [sic]

Note-se em particular a última frase, em que “conseqüência invariável do depósito de uma gota microscópica de veneno fornecida pelo cínipe” em ambos os casos traduz “which variably follow from the insertion of a minute drop of poison by a gall-producing insect”, o que chega a ser risível.

1. Original:

All such changes of structure, whether extremely slight or strongly marked, which appear among many individuals living together, may be considered as the indefinite effects of the conditions of life on each individual organism, in nearly the same manner as the chill effects different men in an indefinite manner, according to their state of body or constitution, causing coughs or colds, rheumatism, or inflammation of various organs.

2. Joaquim Dá Mesquita Paul:

Poderiam comparar-se estes efeitos indefinidos aos efeitos de um resfriamento, que afeta diferentes pessoas de modos indefinidos, segundo o seu estado de saúde ou a sua constituição, traduzindo-se nuns por bronquite, noutros por coriza, neste pelo reumatismo, naquele pela inflamação de diversos órgãos. (p. 21)

3. "John Green":

Podemos comparar esses resultados indefinidos aos efeitos de um resfriado, que afeta diferentes pessoas de modo indeterminado, segundo seu estado de saúde ou sua constituição física, traduzindo-se em uns por bronquite, em outros por coriza, neste pelo reumatismo, naquele pela inflamação de um órgão qualquer e assim por diante. (p. 35)

Não menos risível é como "causando tosses ou resfriados" [causing coughs or colds] se transforma em ambos os casos em "traduzindo-se em[n]uns por bronquite, em[n]outros por coriza".

A tradução de Dá Mesquita Paul foi publicada em 1913 pela Lello & Irmãos, e tem sido reeditada constantemente, até hoje. Ela se encontra disponível em vários sites para download, entre outros: http://www.scribd.com/doc/25513543/A-Origem-Das-Especies-Charles-Darwin.

Em relação à tradução de Eugênio Amado, publicada pela EDUSP/Itatiaia (1985), eis alguns exemplos.

1. Original:

But just in proportion as this process of extermination has acted on an enormous scale, so must the number of intermediate varieties, which have formerly existed, be truly enormous. Why then is not every geological formation and every stratum full of such intermediate links? Geology assuredly does not reveal any such finely graduated organic chain; and this, perhaps, is the most obvious and serious objection which can be urged against my theory.

2. Eugênio Amado:

Todavia, na mesma proporção em que este processo de extermínio atuou em escala gigantesca, também deveria ter sido enorme o número de variedades intermediárias outrora existentes no mundo. Por que razão toda a formação geológica e toda a camada sedimentar não se encontram repletas destes elos? Com efeito, a Geologia não nos revela nenhuma cadeia orgânica interligada por elos contínuos, sendo esta, talvez, a objeção mais evidente e ponderável que se possa contrapor à minha teoria.

3. “John Green”:

Mas, na mesma proporção em que esse processo de extermínio atuou em grande escala, também deve ter sido muito grande o número de variedades intermediárias que existiram no mundo. Por que razão toda formação geológica e toda camada sedimentar não se encontram repletas desses elos? A Geologia não revela nenhuma cadeia orgânica interligada por elos contínuos, e nisso, talvez, é que consiste a objeção mais evidente e séria que se possa contrapor à minha teoria.

1. Original:

In the future I see open fields for far more important researches. Psychology will be securely based on the foundation already well laid by Mr. Herbert Spencer, that of the necessary acquirement of each mental power and capacity by gradation. Much light will be thrown on the origin of man and his history.

2. Eugênio Amado:

No futuro distante, visualizo novos campos que se estendem para pesquisas ainda mais importantes. A psicologia irá basear-se num fundamento novo, definido por Mr. Herbert Spencer, o da necessária aquisição gradual de cada faculdade mental. Nova luz será lançada sobre o problema da origem do homem e de sua história.

3. “John Green”:

Entrevejo, em um futuro distante, novos campos que se estendem para pesquisas ainda mais importantes. A Psicologia se baseará num fundamento novo, bem definido pelo Sr. Herbert Spencer, ou seja, o da necessária aquisição gradual de cada faculdade mental. Nova luz será lançada sobre o problema da origem do homem e de sua história.

Adendos:

- “John Green”. É flagrante a quase inexistência de referências a tal pessoa no mundo editorial brasileiro ou em consulta à Internet. Elas se resumem à pretensa autoria de tradução de duas obras, a já citada A origem das espécies e Memórias de Sherlock Holmes de Conan Doyle, pela mesma editora Martin Claret.

Diga-se de passagem que a tradução da obra de Conan Doyle em nome de “John Green” já foi apontada como apropriação ilícita de uma antiga tradução dos anos 1950, publicada pela Editora Melhoramentos, feita por Joaquim Machado. Veja aqui.


- "Chapa Fria": Ademais, como detalhe adicional, essa referida edição d'A origem das espécies pela Editora Martin Claret apresenta irregularidades até mesmo em seu cadastro na Agência Brasileira do ISBN, onde a autoria da tradução é atribuída a outro nome fictício, a saber, “Jean Melville”.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



12 de mar de 2010

leopardo/hemus

a editora hemus, depois de mais de quatro décadas de existência (inicialmente com o nome de "livraria exposição do livro"), foi recentemente incorporada como selo editorial à editora leopardo.

o selo hemus conta com nove coleções, entre elas ficção & literatura e filosofia. os 26 títulos que compõem a coleção de ficção e literatura já eram publicados desde os anos 1970 pela antiga hemus. o mesmo se aplica aos 21 títulos constantes na coleção de filosofia apresentada no site.

fico um pouco ressabiada pois a antiga hemus andou praticando coisas que não são bonitas e até andou licenciando suas pseudotraduções para outras editoras, entre elas a ediouro e o círculo do livro.

aqui no nãogosto apresentei quatro edições complicadas da hemus, a saber: charles darwin, a origem das espécies; fustel de coulanges, a cidade antiga; émile zola, germinal, e émile zola, a besta humana. havia outras esquisitices em seu catálogo dos anos 70 e 80, mas, como a hemus tinha praticamente desaparecido de circulação, considerei que havia outras fraudes mais recentes e mais urgentes a combater.

no entanto, agora constato que pelo menos as obras de darwin e fustel permanecem no atual catálogo da leopardo, aliás com destaque na seção "hemus recomenda" do catálogo de 2010, disponível em pdf  (pp. 31-32). aí a coisa complica e obriga os leitores a redobrarem a atenção em relação às demais obras atualmente publicadas pelo selo hemus.


imagem: logo leopardo

10 de mar de 2010

o darwin da ediouro

a extensa matéria do correio braziliense, num excepcional trabalho de levantamento e entrevistas feito por nahima maciel de souza, traz uma declaração da ediouro que não entendi muito bem.
A Ediouro também está citada [no blog nãogostodeplágio] com uma tradução suspeita de A origem das espécies, de Charles Darwin. Paulo Roberto Pires, editor da empresa, explica que a obra foi licenciada pela Hemus, outra editora citada frequentemente nos cotejos de Denise. "Agimos como todas as editoras: contratamos profissionais para traduzir cada um dos lançamentos. São profissionais de tradução, não editores. Comprar traduções já prontas pode ser um recurso, ao qual se lança mão em se tratando de textos clássicos em domínio público — é disso, principalmente, que trata a Denise. Quando contratamos traduções já prontas, obviamente pagamos aos tradutores", diz Pires.
desde dezembro de 2008 avisei várias vezes a ediouro sobre os vícios dessa pretensa tradução d'a origem das espécies. explicaram-me que o título fazia parte de um contrato de licenciamento celebrado com a editora hemus em 1985, e tem sido publicado pela ediouro em inúmeras reedições até o presente. está disponível no googlebooks, para visualização parcial, onde, aliás, consta copyright (e não licenciamento) da tradução desde 1987 em nome de ediouro publicações s/a.

o que não entendi muito bem é por que a ediouro, sabendo já há algum tempo que se trata de uma tradução fraudada, prefere mantê-la em catálogo.

itens relacionados:
diga-se de passagem que, em setembro de 2009, dei entrada a um pedido de representação no ministério público do rio de janeiro sobre a edição d'a origem das espécies pela ediouro, conforme noticiei no balanço de 2009. ele foi protocolado para distribuição em outubro. o promotor deferiu minha petição e em novembro foi enviada uma notificação à editora, a qual pediu um prazo de 120 dias para se manifestar, contado a partir de dezembro. a segunda promotoria do estado do rio de janeiro informa que o prazo finda agora em março, quando o caso retornará às vistas do promotor dele encarregado.

14 de dez de 2009

solicitação

dra. ana maria dolce braga enviou uma solicitação em comentário a não gosto de plágio, que reproduzo abaixo:

"Na qualidade de advogada de Caroline Kazue Ramos Furukawa, vimos silicitar o seguinte:

Na indicação das obras: A origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus acusadas de plágio,que seja retirado o nome de Caroline Kazue Ramos Furukawa, como sendo a tradutora, para evitar prejuízos que a ela estão sendo causados, em face da divulgação do referido fato nesse blog."

em 10/12, no post informe, este blog divulgou um comunicado de dra. ana maria dolce braga, esclarecendo que a atribuição dos créditos de tradução de tais obras à sua cliente é indevida e que estaria tomando providências judiciais junto ao responsável pelo uso indevido de seu nome. o nãogostodeplágio se prontifica a colaborar da melhor maneira que estiver a seu alcance para o respeito na forma da lei aos direitos morais dos praticantes do ofício de tradução, aos direitos dos leitores e cidadãos às informações corretas sobre as obras de tradução, e aos interesses difusos da sociedade no acesso e preservação dos bens intelectuais, sem qualquer intenção de causar prejuízos imotivados a quem quer que seja. dentro deste espírito e em atendimento à solicitação da sra. caroline ramos furukawa por meio de sua representante legal, as menções a seu nome serão excluídas e substituídas por links direcionando para seus esclarecimentos públicos.

cabe ressalvar que em momento algum este blog acusa ou acusou a pessoa de caroline kazue ramos furukawa de qualquer conduta ilícita ou de plágio. aqui encontra-se publicada a apresentação de materiais apontando a existência de obras espúrias publicadas pela editora madras, as quais trazem a menção a seu nome como autora das traduções, conforme os dados editoriais constantes nos volumes impressos à disposição dos leitores, nos catálogos e acervos da fundação biblioteca nacional e, no caso de a origem das espécies e a seleção natural, na própria ficha catalográfica da cbl. estes são fatos objetivos que demandam urgente correção. o nãogostodeplágio torce vivamente para que a editora responsável retire de circulação os exemplares das obras falsificadas, divulgue uma errata pública para esclarecimento dos leitores e da sociedade em geral e proceda ao ressarcimento dos lesados por tais práticas.

10 de dez de 2009

informe

reproduzo neste post o comentário feito à postagem não gosto de plágio:

"Ana Maria Dolce Braga de Oliveira, advogada:

A propósito das supostas acusações de plágio das traduções das obras: A Origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A Cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus, apontadas por este blog, a signatária, representante dos interesses de Caroline Kazue Ramos Furakawa, esclarece que não realizou quaisquer trabalhos de tradução das referidas obras e que está tomando as providencias judiciais contra a Editora Madras pelo uso indevido de seu nome."

30 de out de 2009

miséria pouca é bobagem

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num primeiro levantamento que fiz, a origem das espécies de darwin aparece no brasil nas seguintes edições:

I.
- Hemus, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, desde 1979 até hoje, em inúmeras reedições;
- Ediouro, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, desde 1987 até hoje, em inúmeras reedições;
- Hemus/Novo Século, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, 2000 e 2002;
- Madras, em pretensa nova tradução, várias reedições desde 2004;*
* atualização em 10/12/2009: sobre a atribuição da tradução, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação. 04/10/2011: ver atualização abaixo, neste mesmo post.
- Leopardo/Hemus, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, 2009.

As pretensas traduções acima citadas foram cotejadas com a tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul, publicada pela editora Lello & Irmão, Porto, desde 1913 até hoje, em inúmeras reedições. Em ambos os casos, é incontestável o recurso ao plágio, com a agravante de adulterações na tentativa de disfarçar a cópia.

II.
- Martin Claret, em suposta tradução de John Green, desde 2001 até hoje, em várias reedições, e com chapa fria na FBN/ISBN, onde consta o nome de "Jean Melville" em lugar de "John Green".

John Green assina o plágio de um Sherlock Holmes (vide aqui), e devido à quantidade de plágios presentes no catálogo da editora sinto uma certa cautela em relação a essa edição. Retornarei a ela em breve.

atualizado em julho de 2010: com efeito trata-se de uma colcha de retalhes copiando trechos da tradução de Joaquim dá Mesquita e grande parte da tradução de Eugênio Amado. Veja aqui. (04/10/2011: com isso entendo que essa tradução se enquadra no bloco I, entre as outras espúrias.)

III.
- Itatiaia/Villa Rica, em tradução de Eugênio Amado, desde 1985 até hoje, em várias reedições;
- Larousse/Escala, em tradução de André Campos Mesquita, desde 2004 até hoje, em várias reedições (ver comentário do tradutor na caixa de comentários).

Não conheço essas duas edições, mas, como sempre parto do princípio da boa fé e não sei de nada que possa desaboná-las, tomo-as por legítimas e honestas. (Ver ainda atualização de 04/10/2011, no final deste post.)

Atualizado em julho de 2010: tive ocasião de consultar a edição da Itatiaia/Villa Rica. a tradução de eugênio amado me pareceu bastante fidedigna.

Obs.: Há ainda um pequeno volume, A origem das espécies - esboço de 1842, pela Newton Compton, em tradução de Mario Fondelli, publicado algumas vezes entre 1992 e 1997.
Existe também uma versão condensada da obra, em tradução de Fábio de Melo Sene, em edição conjunta Melhoramentos/ UnB, 1982. Atualizado em 07/03/2011: Agradeço a Lucas Petry Bender e faço duas retificações: a tradução é de Aulyde Soares, e a primeira edição é de 1979.

Voltando ao início, nem sei bem como colocar a quantidade de problemas revelados por esse levantamento.

Vou começar pelo básico: concorde-se com Darwin ou não, A origem das espécies é uma obra absolutamente fundamental, tida por muitos como a obra mais influente de toda a história da humanidade, desde a Bíblia, não só por seu radical impacto científico e cultural, mas por ter determinado uma profunda transformação nos rumos do pensamento e da prática humana.

Então acho uma miséria  que o Brasil disponha, até onde sei, apenas de duas - DUAS - traduções integrais legítimas d'A origem das espécies após 150 anos de sua primeira edição.

Acho uma vergonha que o Brasil disponha, até onde sei, de cinco - CINCO - falsificações numa incessante sequência de reedições infindáveis, além de uma edição ainda em análise. (Atualização: foi feita a análise dessa edição da Martin Claret: veja aqui. São, portanto, SEIS falsificações.)

Acho uma lástima que o Brasil disponha de cinco [atualização: seis] falsificações de uma provecta tradução portuguesa que não é direta do inglês, e sim por interposição do francês.

Acho um tremendo azar que o Brasil disponha de cinco [atualização: seis] falsificações de uma tradução que, além de interposta, parece demonstrar talvez não suficiente conhecimento da língua de interposição.

Além de achar uma miséria, uma vergonha, uma lástima e um tremendo azar, acho o fim da picada que estudantes, pesquisadores e leitores em geral passem décadas lendo um texto com não pequenos deslizes e ademais plagiado, justamente nas edições de maior circulação no país.

Os tostões que os ishpertos ganham com isso não lhes queimam as mãos?


da esquerda para a direita: hemus; ediouro; hemus/novo século; madras; hemus/leopardo; martin claret; itatiaia/villa rica; larousse/escala; newton compton.

Atualização: uma tristeza absurda foi que a Coleção Folha, Livros que Mudaram o Mundo, licenciou justamente essa coisa infame da Hemus para o volume Darwin. Veja aqui e aqui.

atualização em 04/10/2011: a ediouro assinou um termo de ajuste de conduta com o ministério público, retirando sua edição espúria de circulação. veja aqui.

a madras, por sua vez, desde 2009 havia retirado espontaneamente sua edição espúria de circulação, e agora em 2011 lançou uma nova edição de a origem das espécies, com tradução de soraya freitas. com isso, e especificando melhor, entendo que ela passa a integrar o terceiro bloco de traduções que arrolei acima e que, até onde sei, são legítimas e honestas.


imagens: google, livraria cultura, estante virtual. não encontrei ilustração da capa da edição condensada de melhoramentos/unb.
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24 de out de 2009

pateau à l'orange

o pato selvagem e o pato doméstico, outrora pertencentes à ordem dos anseriformes e à família dos anatidae, a partir do começo do século XX sofreram uma mutação em portugal, passaram a pertencer à ordem dos passeriformes e à família dos fringillidae, e assim migraram para a terra brasilis.

esta violenta mutação, ivone benedetti demonstrou que se deu por um fator muito bem analisado por darwin, a saber, o uso ou hábito. veja aqui: o pato afinal quem somos?

danilo nogueira aborda o fenômeno mostrando como a evolução do pato fringillizado apresenta pequenas modificações decorrentes das variações de seu habitat, como forma de adaptação ambiental. veja aqui: edição extra, quanto mais mexe mais fede.

e alessandro martins dá uma nota considerando que tal mutação caminha em sentido contrário. veja aqui: evolução às avessas.

outra hipótese é que foi o tempero que estragou o prato: tradução ruim transforma pato em canário.

finalmente, federico carotti sugere como almoço de domingo:

des pateaux et des canariaux


seguindo a pista duck - canard - canário, que danilo nogueira levantou no caso da tradução e prolíficos plágios de joaquim dá mesquita paul (1913), em a origem das espécies, de darwin, fui dar uma espiada nas traduções francesas da obra.

bingo, não deu outra! a tradução de mesquita paul foi feita por interposição do francês, na tradução de edmond barbier, de 1876. veja aqui a edição de schleicher frères, de 1906.

reproduzo abaixo um exemplo da interposição, retomando um dos trechos apresentados no cotejo do plágio da madras e intercalando a tradução inicial de barbier.

Changed habits produce an inherited effect as in the period of the flowering of plants when transported from one climate to another. With animals the increased use or disuse of parts has had a more marked influence; thus I find in the domestic duck that the bones of the wing weigh less and the bones of the leg more, in proportion to the whole skeleton, than do the same bones in the wild duck; and this change may be safely attributed to the domestic duck flying much less, and walking more, than its wild parents. The great and inherited development of the udders in cows and goats in countries where they are habitually milked, in comparison with these organs in other countries, is probably another instance of the effects of use. Not one of our domestic animals can be named which has not in some country drooping ears; and the view which has been suggested that the drooping is due to disuse of the muscles of the ear, from the animals being seldom much alarmed, seems probable.

edmond barbier (1876):
Le changement des habitudes produit des effets héréditaires ; on pourrait citer, par exemple, l’époque de la floraison des plantes transportées d’un climat dans un autre. Chez les animaux, l’usage ou le non-usage des parties a une influence plus considérable encore. Ainsi, proportionnellement au reste du squelette, les os de l’aile pèsent moins et les os de la cuisse pèsent plus chez le canard domestique que chez le canard sauvage. Or, on peut incontestablement attribuer ce changement à ce que le canard domestique vole moins et marche plus que le canard sauvage. Nous pouvons encore citer, comme un des effets de l’usage des parties, le développement considérable, transmissible par hérédité, des mamelles chez les vaches et chez les chèvres dans les pays où l’on a l’habitude de traire ces animaux, comparativement à l’état de ces organes dans d’autres pays. Tous les animaux domestiques ont, dans quelques pays, les oreilles pendantes ; on a attribué cette particularité au fait que ces animaux, ayant moins de causes d’alarmes, cessent de se servir des muscles de l’oreille, et cette opinion semble très fondée.

joaquim dá mesquita paul (1913):
A mudança dos hábitos produz efeitos hereditários; poderia citar-se, por exemplo, a época da floração das plantas transportadas de um clima para outro. Nos animais, o uso ou não uso das partes tem uma influência mais considerável ainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem. Ora, pode incontestavelmente atribuir-se esta alteração a que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos ainda citar, como um dos efeitos do uso das partes, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que há o hábito de ordenhar estes animais, comparativamente ao estado desses órgãos nos outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, tendo menos causas de alarme, acabarem por se não servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada.

edição da madras (2009):*
A mudança dos hábitos produz efeitos hereditários; poderíamos citar, por exemplo, a época da floração das plantas transportadas de um clima para outro. Nos animais, o uso ou não-uso das partes tem uma influência mais considerável ainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem. Ora, incontestavelmente, pode-se atribuir esta alteração ao fato de que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos citar, ainda, como um dos efeitos do uso dos membros, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que se tem por hábito ordenhar estes animais, comparativamente ao estado destes órgãos em outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, por terem menos motivos para alarmar, acabarem por não se servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada.

* atualização em 10/12/2009: sobre a atribuição dessa tradução, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação.

e eu tinha perguntado espantada: "Algumas coisas chamam a atenção. Por que, ó céus, não se poderia traduzir duck por pato? Ou como duas traduções, com quase um século de distância entre elas, conseguem se afastar do texto original exatamente da mesma maneira? Como ambas conseguem pegar uma frase tão simples e direta como: 'thus I find in the domestic duck that the bones of the wing weigh less and the bones of the leg more, in proportion to the whole skeleton, than do the same bones in the wild duck', e lhe dar tal idêntica torção a ponto de transformá-la em 'Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem'?"

a resposta é dupla, e a primeira parte dela está aqui: "Ainsi, proportionnellement au reste du squelette, les os de l’aile pèsent moins et les os de la cuisse pèsent plus chez le canard domestique que chez le canard sauvage". a tradução de mesquita paul é por interposição do francês, o que não é crime nenhum, mas explica as torções da linguagem e mostra que o francês de nosso amigo era bem fraquinho. a segunda parte da resposta é que a pretensa tradução publicada pela madras nem do inglês seria, a despeito do que está estampado na imprenta do livro: "Traduzido originalmente do inglês sob o título On the origen [sic] of Species by means of Natural Selection".

agradeço o ótimo toque de danilo.

imagem: ooops

23 de out de 2009


imagem: pato ao alvo

em comentário ao post anterior, danilo nogueira, editor do blog tradutor profissional, matou a charada de uma monumental jequice que nos assola há décadas.

recapitulando: eu tinha achado muito engraçado que nossos plagiadores de plantão, não se avexando em copiar a vetusta tradução portuguesa (1913) da origem das espécies, mimoseassem-nos com os ducks selvagens e domésticos de darwin travestidos de "canários".

e aí bem lembra danilo: pato em francês é canard, e não inexistem pessoas capazes de achar que canard quereria dizer canário (e que pato seria, talvez, pat ou pateau, por que não...)

isso lá é comemoração?

tenho aqui em mãos a origem das espécies e a seleção natural, de darwin, com pretensa nova tradução* pela editora madras. o livro foi reeditado agora em 2009, quando se comemoram os 200 anos de nascimento de darwin e 150 anos da primeira edição de on the origin of species.

* atualização em 10/12/2009: sobre a atribuição dessa tradução, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação. atualização em 04/10/2011: em 2011, a madras lançou nova tradução, de soraya freitas - veja aqui

trata-se de uma cópia levemente modificada da provecta tradução de joaquim dá mesquita paul (1913, lello & irmão, portugal), já indevidamente utilizada pela editora hemus e várias vezes reeditada pela ediouro em nome de eduardo nunes fonseca.

[Ch. I] Changed habits produce an inherited effect as in the period of the flowering of plants when transported from one climate to another. With animals the increased use or disuse of parts has had a more marked influence; thus I find in the domestic duck that the bones of the wing weigh less and the bones of the leg more, in proportion to the whole skeleton, than do the same bones in the wild duck; and this change may be safely attributed to the domestic duck flying much less, and walking more, than its wild parents. The great and inherited development of the udders in cows and goats in countries where they are habitually milked, in comparison with these organs in other countries, is probably another instance of the effects of use. Not one of our domestic animals can be named which has not in some country drooping ears; and the view which has been suggested that the drooping is due to disuse of the muscles of the ear, from the animals being seldom much alarmed, seems probable.

Joaquim Dá Mesquita Paul (1913):
A mudança dos hábitos produz efeitos hereditários; poderia citar-se, por exemplo, a época da floração das plantas transportadas de um clima para outro. Nos animais, o uso ou não uso das partes tem uma influência mais considerável ainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem. Ora, pode incontestavelmente atribuir-se esta alteração a que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos ainda citar, como um dos efeitos do uso das partes, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que há o hábito de ordenhar estes animais, comparativamente ao estado desses órgãos nos outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, tendo menos causas de alarme, acabarem por se não servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada.

Edição da Madras (2009):
A mudança dos hábitos produz efeitos hereditários; poderíamos citar, por exemplo, a época da floração das plantas transportadas de um clima para outro. Nos animais, o uso ou não-uso das partes tem uma influência mais considerável ainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem. Ora, incontestavelmente, pode-se atribuir esta alteração ao fato de que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos citar, ainda, como um dos efeitos do uso dos membros, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que se tem por hábito ordenhar estes animais, comparativamente ao estado destes órgãos em outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, por terem menos motivos para alarmar, acabarem por não se servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada.

Algumas coisas chamam a atenção. Por que, ó céus, não se poderia traduzir duck por pato? Ou como duas traduções, com quase um século de distância entre elas, conseguem se afastar do texto original exatamente da mesma maneira? Como ambas conseguem pegar uma frase tão simples e direta como: “thus I find in the domestic duck that the bones of the wing weigh less and the bones of the leg more, in proportion to the whole skeleton, than do the same bones in the wild duck”, e lhe dar tal idêntica torção a ponto de transformá-la em “Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem”?

[Ch. IV] It may metaphorically be said that natural selection is daily and hourly scrutinising, throughout the world, the slightest variations; rejecting those that are bad, preserving and adding up all that are good; silently and insensibly working, WHENEVER AND WHEREVER OPPORTUNITY OFFERS, at the improvement of each organic being in relation to its organic and inorganic conditions of life. We see nothing of these slow changes in progress, until the hand of time has marked the long lapse of ages, and then so imperfect is our view into long-past geological ages that we see only that the forms of life are now different from what they formerly were.

Joaquim Dá Mesquita Paul (1913):
Pode dizer-se, metaforicamente, que a seleção natural procura, a cada instante e em todo o mundo, as variações mais ligeiras; repele as que são nocivas, conserva e acumula as que são úteis; trabalha em silêncio, insensivelmente, por toda a parte e sempre, desde que a ocasião se apresente para melhorar todos os seres organizados relativamente às suas condições de existência orgânicas e inorgânicas. Estas transformações lentas e progressivas escapam-nos até que, no decorrer das idades, a mão do tempo as tenha marcado com o seu sinete e então damos tão pouca conta dos longos períodos geológicos decorridos, que nos contentamos em dizer que as formas viventes são hoje diferentes do que foram outrora.

Edição da Madras (2009):
Pode-se dizer, metaforicamente, que a seleção natural procura, a cada instante e em todo o mundo, as variações mais sutis; repele as [] nocivas, conserva e acumula as que são úteis; trabalha em silêncio, insensivelmente, por toda a parte e sempre, desde que se apresente a ocasião para melhorar [] os seres organizados relativamente às suas condições de existência orgânicas e inorgânicas. Essas transformações lentas e progressivas fogem à nossa percepção até que, com o tempo, as mãos dos mesmos [sic] as tenham marcado com [] seu sinete e, então, damos tão pouca conta dos longos períodos geológicos decorridos que simplesmente nos contentamos em dizer que as formas viventes são hoje diferentes do que foram outrora.

traduções também trazem seus sinetes próprios.

so imperfect is our view into long-past geological ages that we see only that the forms of life are now different from what they formerly were.
damos tão pouca conta dos longos períodos geológicos decorridos, que nos contentamos em dizer que as formas viventes são hoje diferentes do que foram outrora.
damos tão pouca conta dos longos períodos geológicos decorridos que simplesmente nos contentamos em dizer que as formas viventes são hoje diferentes do que foram outrora.

[Ch. V] The eyes of moles and of some burrowing rodents are rudimentary in size, and in some cases are quite covered by skin and fur. This state of the eyes is probably due to gradual reduction from disuse, but aided perhaps by natural selection. In South America, a burrowing rodent, the tuco-tuco, or Ctenomys, is even more subterranean in its habits than the mole; and I was assured by a Spaniard, who had often caught them, that they were frequently blind. One which I kept alive was certainly in this condition, the cause, as appeared on dissection, having been inflammation of the nictitating membrane. As frequent inflammation of the eyes must be injurious to any animal, and as eyes are certainly not necessary to animals having subterranean habits, a reduction in their size, with the adhesion of the eyelids and growth of fur over them, might in such case be an advantage; and if so, natural selection would aid the effects of disuse.

aqui segue-se um exemplo de "tradução por sinonímia", como diz meu amigo saulo von randow jr.

Joaquim Dá Mesquista Paul (1913):
As toupeiras e alguns outros roedores cavadores têm os olhos rudimentares, algumas vezes mesmo completamente cobertos de uma película e de pêlos. Este estado dos olhos é provavelmente devido a uma diminuição gradual, proveniente do não uso, aumentando sem dúvida pela seleção natural. Na América Meridional, um roedor chamado Tucu-Tuco ou Ctenomys tem costumes ainda mais subterrâneos que a toupeira; asseveravam-me que estes animais são freqüentemente cegos. Observei um vivo e realmente este era cego; dissequei-o depois da morte, e descobri então que a cegueira provinha de uma inflamação da membrana pestanejante. A inflamação dos olhos é necessariamente nociva ao animal; ora, como os olhos não são necessários aos animais que têm hábitos subterrâneos, uma diminuição deste órgão, seguida da aderência das pálpebras e da proteção pelos pêlos, poderia neste caso tornar-se vantajosa; se é assim, a seleção natural vem completar a obra começada pelo não uso do órgão.

Edição da Madras (2009):
As toupeiras e alguns outros roedores cavadores têm os olhos rudimentares, algumas vezes [] totalmente cobertos por uma película e pelos. Esta situação dos olhos é devida, talvez, a uma diminuição gradual, ocasionada pelo não-uso, aumentado sem dúvida pela seleção natural. Na América meridional, um roedor chamado tuco-tuco ou Ctenomys tem hábitos ainda mais subterrâneos que a toupeira; asseveraram-me que, em geral, estes animais são [] cegos. Observei um exemplar vivo e na realidade este era cego; dissequei-o depois de morto e descobri [] que a cegueira provinha de [] inflamação da membrana pestanejante. A inflamação dos olhos é absolutamente nociva ao animal; ora, como os olhos não são essenciais aos animais que têm costumes subterrâneos, uma diminuição deste órgão, acompanhada da aderência das pálpebras e da proteção pelos pelos, poderia tornar-se vantajosa neste caso; se assim for, a seleção natural vem completar o trabalho iniciado pelo não-uso do órgão.

[Ch. VIII] The possibility, or even probability, of inherited variations of instinct in a state of nature will be strengthened by briefly considering a few cases under domestication. We shall thus be enabled to see the part which habit and the selection of so-called spontaneous variations have played in modifying the mental qualities of our domestic animals. It is notorious how much domestic animals vary in their mental qualities. With cats, for instance, one naturally takes to catching rats, and another mice, and these tendencies are known to be inherited.

Joaquim Dá Mesquista Paul (1913):
O exame rápido de alguns casos observados nos animais domésticos permitir-nos-á estabelecer a possibilidade ou mesmo a probabilidade de transmissão por hereditariedade das variações do instinto no estado de natureza. Poderemos apreciar, ao mesmo tempo, o papel que o hábito e a seleção das variações chamadas espontâneas têm gozado nas modificações que sofreram as aptidões mentais dos nossos animais domésticos. Sabe-se o quanto variam a este respeito. Certos gatos, por exemplo, atacam naturalmente as ratazanas, outros lançam-se sobre os ratos, e estes caracteres são hereditários.

Edição da Madras (2009):
O exame rápido de alguns casos constatados nos animais domésticos nos permitirá estabelecer a possibilidade, ou mesmo a probabilidade, de transmissão por hereditariedade das variações do instinto no estado natural. Poderemos apreciar, ao mesmo tempo, o papel que o hábito e a seleção das variações chamadas espontâneas têm desfrutado nas modificações que sofreram as capacidades mentais dos nossos animais domésticos. Sabe-se o quanto variam a este respeito. Alguns gatos, por exemplo, atacam naturalmente as ratazanas, outros lançam-se sobre os ratos, e estes caracteres são hereditários.

[Ch. VIII] One cat, according to Mr. St. John, always brought home game birds, another hares or rabbits, and another hunted on marshy ground and almost nightly caught woodcocks or snipes. A number of curious and authentic instances could be given of various shades of disposition and taste, and likewise of the oddest tricks, associated with certain frames of mind or periods of time.

Joaquim Dá Mesquista Paul (1913):
Um gato, segundo M. Saint-John, espreitava sempre a capoeira, outro a repartição das lebres e dos coelhos; um terceiro caçava nos terrenos pantanosos e apanhava quase todas as noites alguma narceja. Poderia citar-se um grande número de casos curiosos e autênticos indicando diversas modalidades de caráter e de gosto, assim como hábitos exóticos, em relação com certas disposições de tempo ou de lugar, e tornados hereditários.

Edição da Madras (2009):
Um gato, segundo M. Saint-John, espreitava sempre a capoeira, outro, a região das lebres e dos coelhos; um terceiro caçava nos terrenos pantanosos e caçava quase todas as noites alguma narceja. Poder-se-ia citar um sem-número de casos curiosos e autênticos apresentando diversas modalidades de caráter e de gosto assim como hábitos bizarros em relação a certas disposições de tempo ou de lugar, e tornados hereditários.

copidesque é uma função importantíssima no trabalho editorial, mas não se confunde com tradução. quando o copidesque se apresenta como se fosse uma nova tradução, deixa de ser copidesque e passa a ser plágio, contrafação, roubo intelectual ou como se queira chamar. é importante que as editoras tenham essa clareza e que revisores e copidesquistas não se prestem ao papel de pseudotradutores. é ruim para todo mundo, sobretudo para os leitores e a cultura geral da sociedade.

para o original, usei a 6a. edição, considerada a definitiva, disponível em gutenberg.org


imagens: livraria culturacanário-preto; sinete; catbird