tradução de zoran ninitch, livraria editora marisa, 1933
edição comemorativa do centenário da viagem do beagle à américa do sul e às costas do brasil
... Huber found it was with a caterpillar, which makes a very complicated hammock; for if he took a caterpillar which had completed its hammock up to, say, the sixth stage of construction, and put it into a hammock completed up only to the third stage, the caterpillar simply re-performed the fourth, fifth, and sixth stages of construction. If, however, a caterpillar were taken out of a hammock made up, for instance, to the third stage, and were put into one finished up to the sixth stage, so that much of its work was already done for it, far from deriving any benefit from this, it was much embarrassed, and, in order to complete its hammock, seemed forced to start from the third stage, where it had left off, and thus tried to complete the already finished work.
... Huber observou que assim ocorria numa lagarta que faz uma coberta, a modo de rede complicadíssima; pois diz que, quando pegava uma lagarta que tinha terminado sua coberta, suponhamos, até o sexto período da construção, e a punha numa coberta feita até o terceiro, a lagarta voltava simplesmente a repetir os períodos quarto, quinto e sexto; mas se pegava uma lagarta de uma coberta feita, por exemplo, até o período terceiro, e se punha numa feita até o sexto, de maneira que muito da obra estivesse já executado, longe de tirar disso algum benefício, via-se muito grávida e, para completar sua coberta, parecia obrigada a começar desde o período terceiro, onde tinha deixado seu trabalho, e deste modo tentava completar a obra já finda. (A origem das espécies, pág. 222)A fonte da prenhez da lagarta só podia ser o espanhol (embarazada) - não foi difícil localizar: trata-se de uma tradução de 1921, feita pelo biólogo Antonio de Zulueta, disponível aqui:
Huber observó que así ocurría en una oruga que hace una cubierta, a modo de hamaca complicadísima; pues dice que, cuando cogía una oruga que había terminado su cubierta, supongamos, hasta el sexto período de la construcción, y la ponía en una cubierta hecha sólo hasta el tercero, la oruga volvía simplemente a repetir los períodos cuarto, quinto y sexto; pero si se cogía una oruga de una cubierta hecha, por ejemplo, hasta el período tercero, y se la ponía una hecha hasta el sexto, de modo que mucho de la obra estuviese ya ejecutado, lejos de sacar de esto algún beneficio, se veía muy embarazada, y, para completar su cubierta, parecía obligada a comenzar desde el período tercero, donde había dejado su trabajo, y de este modo intentaba completar la obra ya terminada.
No caso de "Livros Que Mudaram O Mundo" compramos o conceito da coleção e os direitos da empresa luso-espanhola Levoir ... A Levoir, por sua vez, é quem previamente negociou com cada editora a compra dos diversos direitos envolvidos numa produção como esta.bom, talvez nas oropa seja diferente, mas no brasil, muito infelizmente, não dá para sair por aí confiando na primeira edição que aparece pela frente.
Cara Denise,
sou diretor de circulação e marketing da Folha e o responsável pelo lançamento desta coleção. Vi seus comentários no blog "não gosto de plágio" e gostaria de apresentar nosso lado da história.
As coleções da Folha têm por princípio disponibilizar obras de conteúdo relevante, com boa qualidade de produção, a preços muito menores do que os usualmente praticados no mercado. Foi assim com "Grandes Escritores Brasileiros", "Mestres da Pintura", "Raízes da MPB", "Clássicos do Jazz" e muitas outras....
Para nos ajudar neste processo, a cada projeto novo costumamos contratar empresas especializadas em organização de coleções, uma vez que nossa especialidade é a produção e distribuição de jornais/notícias. No caso de "Livros Que Mudaram O Mundo" compramos o conceito da coleção e os direitos da empresa luso-espanhola Levoir (que trabalha para diversos jornais da Península Ibérica e da França). A Levoir, por sua vez, é quem previamente negociou com cada editora a compra dos diversos direitos envolvidos numa produção como esta.
Pelo histórico da Levoir, e pelo que temos em acordo, acreditamos estar comprando traduções legais e de primeira linha. Por isso mesmo, muito me preocupou quando vi seu "post" no blog. A tradução que estamos usando para "Origem das Espécies" é realmente a da Hemus. Eu não tinha ideia das citadas falhas desta edição, mas, baseado em seus comentários, garanto que a Folha irá rever apuradamente a situação dos próximos volumes (embora alguns deles já estejam produzidos).
Seguindo outra sugestão colhida no "não gosto de plágio", a partir da semana que vem colocaremos no site da coleção www.folha.com.br/livrosmundo informações técnicas sobre cada obra (editora, tradutor, datas,...). Assim, esperamos tornar mais claro para os leitores que produto está sendo oferecido.
Atenciosamente,
Murilo Bussab
Estou plenamente convencido de que as espécies não são imutáveis; convenci-me de que as espécies pertinentes ao que denominamos de o mesmo gênero derivam diretamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam diretamente desta, convicto estou, enfim, de que a seleção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, embora outros agentes tenham-na igualmente partilhado.Como a Hemus e a Ediouro trazem idêntico trecho em suas edições, com créditos de tradução em nome de Eduardo Fonseca:
Estou plenamente convencido que as espécies não são imutáveis; convenci-me de que as espécies pertinentes ao que denominamos de o mesmo gênero derivam diretamente de qualquer outra espécie ordinariamente distinta, do mesmo modo que as variedades reconhecidas de uma espécie, seja qual for, derivam diretamente desta, convicto estou, enfim, de que a seleção natural tem desempenhado o principal papel na modificação das espécies, embora outros agentes tenham-na partilhado igualmente.
A Ediouro também está citada [no blog nãogostodeplágio] com uma tradução suspeita de A origem das espécies, de Charles Darwin. Paulo Roberto Pires, editor da empresa, explica que a obra foi licenciada pela Hemus, outra editora citada frequentemente nos cotejos de Denise. "Agimos como todas as editoras: contratamos profissionais para traduzir cada um dos lançamentos. São profissionais de tradução, não editores. Comprar traduções já prontas pode ser um recurso, ao qual se lança mão em se tratando de textos clássicos em domínio público — é disso, principalmente, que trata a Denise. Quando contratamos traduções já prontas, obviamente pagamos aos tradutores", diz Pires.desde dezembro de 2008 avisei várias vezes a ediouro sobre os vícios dessa pretensa tradução d'a origem das espécies. explicaram-me que o título fazia parte de um contrato de licenciamento celebrado com a editora hemus em 1985, e tem sido publicado pela ediouro em inúmeras reedições até o presente. está disponível no googlebooks, para visualização parcial, onde, aliás, consta copyright (e não licenciamento) da tradução desde 1987 em nome de ediouro publicações s/a.
Atualização: uma tristeza absurda foi que a Coleção Folha, Livros que Mudaram o Mundo, licenciou justamente essa coisa infame da Hemus para o volume Darwin. Veja aqui e aqui.
aqui seguem alguns exemplos da difusão institucional d'a origem das espécies publicada pela madras, com tradução também espúria.*
Algumas coisas chamam a atenção. Por que, ó céus, não se poderia traduzir duck por pato? Ou como duas traduções, com quase um século de distância entre elas, conseguem se afastar do texto original exatamente da mesma maneira? Como ambas conseguem pegar uma frase tão simples e direta como: “thus I find in the domestic duck that the bones of the wing weigh less and the bones of the leg more, in proportion to the whole skeleton, than do the same bones in the wild duck”, e lhe dar tal idêntica torção a ponto de transformá-la em “Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem”?