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quarta-feira, outubro 10, 2007

OLÉ! Até...



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Não resisti a trazer este post da Sinistra Ministra para O Pafúncio. Ainda mais porque ainda há pouco me indignei com uma oferta de emprego que pedia um Psicolinguísta (é preciso tirar antes um curso superior nessa área para poder responder, não é?). Entretanto as condições de trabalho oferecidas resumiam-se a duas palavras: "Recibos-verdes"



"O FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes congratula os/as trabalhadores/as de Espanha pela vitória alcançada!
Hoje, segunda-feira, dia 8 de Outubro,os/as trabalhadores/as independentes/as de Espanha assistiram a um momento de viragem na sua luta de anos! Mais de três milhões de pessoas poderão usufruir de subsídio de desemprego, seguro face a acidentes laborais ou subsídio de maternidade e paternidade.

Enviamos o link para a notícia do El Pais: http://www.elpais.com/articulo/economia/autonomos/tendran/derecho/paro/2009/cotizan/euros/elpepueco/20071008elpepieco_2/Tes

(Pelo FERVE; Cristina Andrade)


Como sempre enquanto aqui ao lado uns chegam à conclusão de que afinal não estavam a ir no bom caminho e que é preciso mudar de políticas, é quando os nossos governantes andam no auge do entusiasmo por aplicar medidas caducas que noutros países já vão assumindo a falência (do sistema!).

Por que será que os nossos governantes refinam tudo o que é mau, tornando-o ainda pior?




sexta-feira, setembro 28, 2007

Estudos Europeus...

(Ilustração: Rockwell Kent [1882-1971], “Workers of the World Unite”, 1937)

UE
85% dos portugueses satisfeitos com condições de trabalho

Entre os trabalhadores da União Europeia os portugueses são dos que estão mais descontentes com o ordenado que recebem. Um inquérito europeu sobre condições de trabalho, mostra que 72 por cento dos portugueses acham que ganham mal. No entanto, 85 por cento diz estar contente com as condições de trabalho.

TSF Online 19:08 / 27 de Setembro 07 )

«Esta aparente contradição é justificada pelos portugueses com a ideia de que o trabalho serve de válvula de escape. Ou seja, os portugueses estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho porque é no ambiente laboral que encontram amigos. «Estas pessoas dizem que se sentem em casa no trabalho e isso dá uma avaliação geral do trabalho muito satisfatória», explica Jorma Karppinnen, director da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Trabalho. O director dá um conselho ao Governo português: aumentem os ordenados. «Para que as pessoas se sintam felizes e aumentem a produtividade, os ordenados tem de ser aumentados», diz Jorma Karppinnen. A fundação avisa ainda que os horários de trabalho não devem ser aumentados. O estudo revela que Portugal é dos países onde os trabalhadores mais se queixam (85 por cento) da falta de flexibilidade a nível de horários laborais.

Portugueses com medo de perder emprego


Os trabalhadores portugueses são também, na Europa, os que mais receio têm de perder o emprego, segundo um estudo hoje divulgado. Dois em cada dez trabalhadores portugueses têm medo de perder o emprego nos próximos seis meses, um número significativamente mais alto do que no resto da Europa: em França, por exemplo, este receio afecta apenas 7,7 por cento dos trabalhadores. O relatório da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, hoje divulgado, fez a avaliação da estrutura laboral em 31 países.»

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Quem leu a notícia toda deve estar tão banzado como eu estou. Este Jorma está a chuchar connosco! As pessoas que têm um emprego, não estão contentes com as condições de trabalho (nem salariais nem em termos de horários laborais!), elas estão é contentes de ainda terem emprego. Os 85% que se queixam dos horários laborais, são os 85% que estão contentes com as condições de trabalho, ou seja, estão explorados e mal pagos mas ainda assim contentes, por não serem desempregados. A Flexigurança que aí vem é para eles.

sábado, julho 14, 2007

Solidariedade com Teresa Silva, filha da professora Manuela Estanqueiro



Teresa Silva diz que os últimos dias da mãe, Manuela Estanqueiro, professora de Educação Tecnológica em Aveiro, foram marcados pelo sofrimento
Uma professora da Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro, a quem há pouco mais de um ano tinha sido diagnosticada uma leucemia, morreu no passado sábado, sem que a aposentação, pela qual batalhara, tivesse sido oficialmente decretada. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha sido notícia no CM em Fevereiro, quando a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a obrigou a regressar ao trabalho, sob pena de perder o vencimento.
Nessa altura, e tal como a própria testemunhou, “os 31 dias de serviço foram um verdadeiro inferno”, com desmaios e vómitos diários e o agravamento do seu estado de saúde. De tal forma a professora se ressentiu da ordem que lhe foi dada pela CGA que, menos de 15 dias depois, deu entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra e não voltou a ter alta médica.A filha da professora, Teresa Silva, está revoltada com “a cruz que a fizeram carregar” e não poupa críticas à CGA: “A minha mãe tinha mais de 30 anos de serviço, uma doença incurável e debilitante, e nada ficaria a dever ao Estado se lhe tivessem dado a aposentação.”“Acho que alguém tem de ser responsabilizado pelo que se passou e apenas desejo que o caso da minha mãe sirva de exemplo para que outras situações, que sei que existem, não tenham o mesmo desfecho triste”, salienta Teresa Silva.Apesar da batalha que Manuela Estanqueiro travou, sempre com o apoio da comunidade escolar e da Direcção Regional de Educação do Centro, a aposentação só lhe foi concedida uma semana antes da sua morte, apesar de ainda não ter sido publicada em Diário da República. “Mesmo assim, só lha deram porque receberam um relatório médico, que referia uma esperança de vida de um a dois anos”, conta a filha.Teresa Silva está também convencida de que “foi apenas depois da intervenção do Sindicato de Professores da Zona Centro que o processo ganhou novo fôlego”.“A minha mãe viveu os últimos dias constantentemente preocupada com esta situação, que achava de uma injustiça extrema. De tal forma estava atormentada que, quando lhe marcaram nova junta médica em Lisboa, estava ela já internada em Coimbra, queria ir a qualquer custo, nem que fosse de ambulância”, lembra.

APOSENTAÇÃO CHEGOU HÁ QUINZE DIAS

A leucemia de Manuela Estanqueiro foi diagnosticada em Março de 2006, após vários meses de procura dos médicos por uma razão para o seu estado de cansaço crónico. A professora pediu então a aposentação e submeteu-se à primeira junta médica em Novembro de 2006. Enquanto aguardava o desenrolar do pedido feito à Caixa Geral de Aposentações (CGA), Manuela Estanqueiro esteve afastada das aulas por atestado médico, que poderia ser renovado até à data limite de Outubro de 2008. No entanto, um despacho da CGA, de 24 de Novembro de 2006, não só lhe negou a aposentação – por “não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções” – como a obrigou a regressar ao serviço. Manuela Estanqueiro cumpriu as ordens, mas apresentou recurso da decisão. Já internada, a professora recebeu há 15 dias a notícia de que a aposentação fora aceite. Para ela, esta foi uma batalha ganha tarde de mais.

CRÍTICAS AOS CUIDADOS PALIATIVOS

Teresa Silva, que no último ano e meio acompanhou a doença da mãe, é muito crítica quanto aos cuidados paliativos prestados aos doentes do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, onde a mãe esteve internada nos últimos quatro dias de vida. “Fiquei arrepiada com a forma como a minha mãe foi tratada em Aveiro. Uma médica chegou a dizer-me, com grande frieza, que não valia a pena investir nela, dando-lhe soro de alimento ou transfusões de plaquetas, que já haviam dado provas, porque isso só lhe iria prolongar o tempo de vida e o sofrimento.” Teresa não se conforma que as últimas horas de vida da sua mãe tenham sido de “intenso sofrimento”, quando esta pedia para que a colocassem a dormir e o pessoal médico recusava, “para que as visitas pudessem estar mais tempo com ela”.

Carla Pacheco

terça-feira, maio 08, 2007

Desempregados e precários, uni-vos!

Hoje li no Diário de Notícias que a CGTP diz que, em Portugal, 41,8% do total dos activos são precários e desempregados. Vamos supor que os números não andam muito longe da realidade. Há muito tempo que defendo que o desemprego e a precaridade são um calcanhar de Aquiles para o capitalismo global. A meu ver há-de ser por aí que este sistema económico deplorável há-de estoirar. Como pode uma economia estar de boa saúde se desperdiça tanta força de trabalho? Tantos meios humanos, tanta capacidade de produção. Os desempregados e os precários já não são hoje os que não querem trabalhar, nem um bando de delinquentes e diletantes que não se querem integrar no mundo do trabalho, embora ainda se possam vir a tornar em coisas piores. Não. Hoje em dia passar a ser desempregado ou a precário é um risco que todos os que se julgam seguros no seu emprego correm. E a juventude actual já nasceu, na sua maioria, precária e desempregada. Não tarda muito, eles vão estar em maioria.
Eu, por exemplo faço parte do número de licenciados desempregados. Sou representante da primeira leva de jovens que, na sua sede de liberdade do pós-25 de Abril, desde muito cedo sonhou poder alcançar a independência financeira dos familiares, sem sucesso. Comecei a trabalhar aos 17 anos numa gelataria amiga para conseguir algum dinheiro para os meus gastos (concertos, etc, etc.); já antes me tinha fartado de ir vender coisas de que não precisava para a Feira da Ladra, com o mesmo objectivo. Depois, aos 18, trabalhei pela primeira vez com contrato de trabalho, numa empresa de roupas da moda. Lá desempenhei tarefas de todo o tipo, desde trabalho de fiel de armazém, à contabilidade; aprendi a usar o computador, arquivava os documentos, fazia contactos telefónicos, trabalho de escritório, e no armazém despachava as encomendas para as lojas. Recebia mercadoria, conferia-a. Isto sempre à medida que estudava - e nunca chumbei nenhum ano, só andei descontente a saltitar de área vocacional em área vocacional. Trabalhei num centro comercial -- e nem me quero lembrar pois foi a minha pior experiência profissional: exploração e mau viver, fardas e chefes de loja ordinários, um nojo. Desisti. Mais tarde trabalhei numa editora de livros durante vários anos, sempre precariamente, fazendo um pouco de tudo, desde a correspondência, os contactos com os autores, as revisões dos textos, a contabilidade no computador... mas recebendo mediante uma categoria profissional inferior, mais mal paga. Todo esse tempo em que trabalhei nunca consegui tornar-me independente, daí se pode imaginar o ordenado. Felizmente sempre tive a família a apoiar-me. Entrei então para a faculdade e resolvi dedicar-me por inteiro aos estudos. Claro que isso só durou um ano; no segundo ano já não tinha ilusões daquela instituição, voltei a trabalhar numa livraria de centro comercial enquanto ia estudando. Nunca passei nenhum ano sem fazer algumas cadeiras e uns quantos cadeirões. Era uma trabalho compatível pois tinha a possibilidade de ler e estar a par das novidades. Num belo dia seguinte ao jantar de confraternização do dono da loja com as empregadas, onde se brindou ao futuro do negócio, nesse belo dia seguinte, a loja de manhã já estava trespassada; no jantar, ninguém teve a coragem de dizer nada, brindou-se. Na altura morava num quarto alugado, tinha finalmente saído de casa dos familiares e só tive uma solução: voltar a depender de toda a gente para poder continuar a viver. Quanto mais independente procurava ser mais dependente me tornava. Voltei mais tarde à tal editora, desta vez com recibos verdes, sempre a ganhar mal, sempre a levar o curso para a frente. Fui morar para os Açores. Lá, dei aulas dois anos, a ganhar mal, por não ter o curso acabado tinha apenas habilitação suficiente. Quando fiquei grávida descobri que se continuasse a trabalhar entregaria o meu ordenado para alguém tomar conta dos meus filhos. Desisti de trabalhar e decidi ser então eu a cuidar deles. Só o pude fazer porque sempre tive muita sorte de ter pessoas a ajudar-me mas ainda durante alguns anos não me sentia bem sempre que alguém com emprego me fazia sentir que não me esforçava o bastante para arranjar um emprego. Voltei com uma idade que me exclui automaticamente de todos os trabalhos para menores de 35 anos, a considerada "idade jovem limite". Não me encontro dentro do prazo de validade para os estágios para os jovens; agora oferecem-me as novas oportunidades -- para continuar quantos mais anos a estudar? Com que certeza de me darem depois um emprego digno?
Nunca parei realmente de trabalhar, não estou de férias prolongadas, passo todo o dia a correr de um lado para o outro para segurar as pontas. O que é certo é que não me poupo ao trabalho, pelo contrário, estou sempre a meter-me em trabalhos. Não me considero por isso uma pessoa preguiçosa, nem dondoca, nem parasita, nem burra. Antes pelo contrário, aprendi a lidar perfeitamente com esse estigma que a sociedade sempre procura lançar nas mulheres que não se envolveram no mundo do trabalho, que não decidiram pôr o emprego no primeiro plano das suas vidas, que não escolheram a felicidade suprema de se promover profissionalmente. Sou uma feminista que acha que as mulheres só perderam em ir trabalhar fora de casa; julgam que se emanciparam mas são apenas mais carne para canhão com que o sistema capitalista se alimenta e só vieram desvalorizar o mercado de trabalho pois, pelas leis da oferta e da procura, quanto maior a oferta de trabalho mais o seu preço se desvaloriza. O mesmo papel têm os precários hoje em dia. Dantes vivia-se remediadamente com o ordenado de um; agora não se vive com o ordenado dos dois, tem que se ir buscar mais fora dos ordenados. A propaganda bancária acena com molhos de notas, aliciando enquanto a publicidade incita ao consumo. Ser verdadeiramente livre é poder ir consumir também aos Domingos à tarde, nos hipermercados. Esse é o programa familiar que os grupos económicos promovem para si e para a sua família. Esse é o emprego que eles criam para oferecer aos teus filhos.
Em casa não há ninguém que se dedique aos filhos, à casa, à confecção de uma refeição digna e saudável, à gestão da economia doméstica. Daí a decadência da estrutura familiar e da educação das crianças, completamente desprezada e relegada para a exclusiva responsabilidade da Escola. As pessoas, as famílias, estão destruturadas e dizem que não têm tempo para nada. As pessoas estão precárias, infelizes e desesperadas. Talvez a Humanidade esteja a ficar bipolar (maníaco-depressiva) e ora se encontra endividada e desesperada, ora consome desenfredamente nos breves momentos do auge da euforia própria da depressão.
Acredito que vem aí uma geração de jovens precários e desempregados, uma "waste generation" que vai ter que exigir à sociedade o seu direito ao trabalho. Essa massa já começa a organizar-se. O Mayday parece-me uma boa ideia; se ganhar adeptos e se a nova geração entender que não pode aceitar qualquer biscate mal pago por que isso não só não irá resolver o seu futuro como irá prejudicar a luta dos que acreditam que os direitos do trabalho são para manter; se entenderem a tempo que a sua condição de precários não pode durar eternamente; se não aceitarem como um fado a sua condição de desempregados; se ousarem unir-se e se organizar. Em breve os desperdiçados do sistema vão ser muitos, vão dar muito nas vistas. Se não quiserem permanecer desempregados; se não quiserem permanecer precários. Não sei como é que o capitalismo global pretende gerir esta massa de gente descontente que se está a gerar. Nem ele.
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