
BD sobre mártires ignorantes (redundância pura) e povos indígenas no The NIB.
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A Porto Editora depois d’O Diário de Anne Frank (adaptação muito bem conseguida) lançou o ano passado O Velho e o Mar de Ernest Hemingway (1899-1961) pelo francês Thierry Murat. É uma velha táctica: uma editora generalista aposta em BD pela parte literária da coisa porque não sabe distinguir o que é uma boa BD com ou sem textos canonizados. E claro, uma adaptação promete sempre lucro fácil mesmo que a BD em si seja preguiçosa artisticamente – aliás, o termo correcto não será “barata”? Barata na produção embora bastante cara para os leitores (cerca de 19 euros! Escândalo!).
Aliás se lermos a sinopse, nada implicará que não se leia o conto escrito mas não esta adaptação em BD, porque esta última está feita tal e qual como está aqui descrita, sem poesia ou humanidade: Cuba, início dos anos 1950. Santiago, um velho pescador, sai para o mar após 84 dias sem pescar um único peixe. Todos os habitantes da ilha afirmam que Santiago está velho de mais e em maré de azar, mas Manolin, o pequeno rapaz, continua a acreditar nele apesar dos comentários depreciativos dos pais. Ao 85.º dia, Santiago decide partir para o mais longe possível, ao largo do Golfo, em busca do peixe que lhe devolverá o respeito dos habitantes da ilha. É então que encontra um magnífico espadarte, enorme e forte. A luta homérica entre o velho e o peixe predador durará três dias e três noites: no regresso a terra firme, o velho, derrotado, recuperou a dignidade entre os seus pares após uma batalha corajosa.
Um perfeito exemplo de como uma má BD não tem volta a dar mesmo com o aval da Literatura. As imagens estáticas (Murat, repete connosco: “o Photoshop não é Deus!”) com “incongruências estilísticas” (como sinais cinéticos ridículos nas tais imagens paradas) resultam numa plasticidade nula ao longo de um álbum “luxuoso”. A narrativa é fria e despida de sentimentos, um crime grave quando estamos perante daqueles contos bem “calientes” do Hemingway. Se é para matar árvores à pala da “literatura em BD para enganar a malta” tentem para a próxima o Othello pelo Denis Deprez, sff.
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Os olhos lisboetas não terão descanso durante 11 dias enquanto a Monstra, festival de cinema de animação, exibir centenas de filmes para todos os públicos possíveis…
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Disseram: Bloco comemora 20 anos com comício e lançamento de revista Esquerda. O comício, a 9 de Março, no Mercado de Culturas, em Lisboa, e com início às 15h30, contará com intervenções de Fernando Rosas, Francisco Louçã, Luís Fazenda, Marisa Matias e Catarina Martins e com um momento musical com Fado Bicha e OMIRI. Durante a iniciativa será lançada a revista anual Esquerda, que irá para as bancas na semana seguinte. Mas a máquina capitalista é mais rápida e a revista já se encontrava nas bancas dias antes. Entretanto chegou um exemplar à Bedeteca de Lisboa e confirmamos que graficamente parece a Nova Gente em formato A3, um verdadeiro peixe morto quando se pega na dita cuja.
Confirma-se que apesar da “esquerda” (seja anarca ou académica) estar a apostar na BD nos últimos anos para converter as massas incultas (é para isso que a BD serve como bem se sabe!), ainda tem muito para recuperar em matéria de imagem e grafismo – o que é até triste se formos a pensar que tinham um património gráfico duramente ignorado nas últimas décadas.
Quanto à BD, se as “Batalhas e Mondes” chafurdam no “indie ‘tuga” trazendo à baila a Chili Com Carne, a Estrela Decadente, a Sapata Press ou ainda outras produções artísticas escatológicas e marginais através de resenhas críticas, ilustrações e BDs, já a Esquerda é um bocado mais confusa. Por um lado publicam uma BD inédita do saudoso Fernando Relvas e da sua esposa Nina Govedarica* mas por outro escrevem sobre Destemidas – Mulheres que só fazem o que querem de Pénélope Bagieu, daqueles produtos neutros e fofinhos produzidos pelo natural Nemesis da Esquerda (vulgo, o “Grande Capital”) via Gallimard, Levoir e jornal Público. É sabido que o pós-modernismo fez mal à Esquerda mas tanto…
*Detalhe curioso: a BD não é creditada com uma autoria explícita daquela divisão clássica de tarefas, ou seja, o argumentista e o desenhador. Terá sido a BD escrita por Relvas e desenhada por Govedarica? Ou terá sido feita a “quatro mãos” como as duplas Dupuy-Berberian, Max Andersson e Lars Sjunnesson (em Cão Capacho Bósnio), Gigi i Gigi ou Ruppert & Mulot? Seria muito interessante saber isso…
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Para os mais distraídos, primeiro: a Revista Decadente nunca parou desde o fim das noites de programação da Estrela Decadente; segundo: tanto que agora até voltam com o dito fanzine com novo formato editorial.
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Dez anos (?) depois de ido para catalogação finalmente (re)apareceu o número sete da antologia alemã Orang. Equipada com legendas em inglês, neste número especial “fim do Mundo” encontramos autores alemães (Marijpol, Arne Bellstorf) finlandeses (Tommi Musturi, Benjamin Bergman) mas também Hok Tak Yeung (de Hong Kong) e o norte-americano Ron Regé Jr.
E já que estamos numa de arqueologia, eis um texto crítico de Pedro Moura sobre a antologia mas sobretudo sobre a finlandesa Amanda Vähämäki.
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