Tilt
Escurecer a mente Sob o peso de uma flor Sem nome e sem atributo. Uma substância espessa Acolhe-nos e protege-nos. Defende-nos da canção Que é a nossa morte. Anúncios
Escurecer a mente Sob o peso de uma flor Sem nome e sem atributo. Uma substância espessa Acolhe-nos e protege-nos. Defende-nos da canção Que é a nossa morte. Anúncios
Os melhores poetas serão porventura os mais discretos. Passam pelo mundo, vivem, escrevem sem alarido, saem do mundo como nele entraram, numa espécie de apagamento que é matéria de reconhecimento e gratidão por parte dos seus inúmeros e, também eles, pouco ruidosos leitores. Eunice de Souza morreu em 2017. A discreta (e periférica) presença que […]Read Post ›
No comfort, but no tears, assim era o obituário de Larkin na Time. Lembro-me do título e da fotografia de a one-piece suit man sentado num banco alto, atrás de si uma coluna de pedra, e atrás da coluna uma bicicleta parcialmente encoberta. Um inglês insuportável que escrevia poemas rentes à lucidez, sem ilusões ou […]Read Post ›
A fertilidade e a origem da noite são formas sem cálculo, incontempláveis. A Via Láctea apaga-se. Será manhã em breve, outra vez.
Uma só palavra será, talvez, a porta de entrada para se contemplar a paisagem intrincada e densa que nos legou. Uma única palavra. Que porta de entrada? Refiro-me à palavra «revelação». Ela aparece logo nas primeiras páginas de Photomaton & Vox. A sermos precisos na página 10 da minha edição de 1987, isto é, logo […]Read Post ›
Amamos uma mulher, depois um continente perdido. Afinal, fomos nós que perdemos o norte. Alguém abre a porta, o vento do deserto sopra dentro da sala, somos levados para longe do Paraíso, improvável ficção consentida. Marcamos o tempo, o compasso. A música depois do silêncio sabe a notação desabrida, incontida fúria tomando de assalto as […]Read Post ›
… Tomar a noção de «espaço livre» como um espaço de escolhas que articulam o passado com o futuro da arquitectura e que vão ao encontro das aspirações dos «estrangeiros», isto é, de todos aqueles que, a jusante do processo construtivo, lhe atribuem uso e sentido. Ou seja, todos aqueles que, pelo seu processo de […]Read Post ›
Para a minha mãe, 11.01.18 Alguma coisa de eternidade deve subsistir no teu rosto que se volta para mim, agora, lenço verde-azeitona, vestido de cornucópias, e a forma das mãos amparando a Vanda, tão pequenina, parece debruçar-se sobre abismos que eram dali, do muro onde a sentaste, onde a sentas, até à ausência adivinhada do […]Read Post ›
Lévi-Strauss no Japão. O antropólogo visitou o país do sol nascente cinco vezes, entre 1977 e 1988. Dessas viagens, e das conferências por si proferidas, resultaram alguns ensaios reunidos postumamente, respectivamente, em Anthropologie face aux problèmes du monde moderne e L’ autre face de la lune: écrits sur le Japon (publicados ambos em 2011). Apesar […]Read Post ›
Comentário a Jean Giono Estarei sempre do lado dos troianos, reafirmando a pergunta essencial: que procuram os gregos ainda? Que querem eles sob o pretexto da devolução de Helena? Os que combatem na Ilíada não fazem outra coisa senão retomar o jogo profundo que a guerra é. Haverá sempre guerra para divertir os homens. A […]Read Post ›