Mostrar mensagens com a etiqueta 2016. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2016. Mostrar todas as mensagens

21 de Dezembro de 2018

Esta Floppy Friday tem o patrocínio da Sétima Dimensão - basicamente porque foi lá que comprei os fascículos. Se estiverem alguma vez pela Madeira passem por lá!

Uma explicação breve: em 2016 a Marvel lançou uma linha chamada Timely Comics que recompilava, a um preço mais acessível, os três primeiros números dos títulos do reboot Marvel Now! - mais uma tentativa fútil de introduzir as personagens a novos leitores.

HULK #1
Mariko Tamaki & Nico Leon
Marvel Comics, 2016
22 págs., tetracromia, floppy

Uma Jennifer Walters traumatizada - não sei e, sinceramente, tenho pouco interesse no que se passou entre o Hulk e o Hawkeye.  - luta para regressar à sua vida normal enquanto advogada.
Optar por uma transformação difícil é algo interessante para a personagem, que sempre foi mais leve e bem-humorada, e que justifica bem a mudança do título para "Hulk".


TIMELY COMICS: DOCTOR STRANGE #1
Jason Aaron & Chris Bachalo
Marvel Comics, 2016
58 págs., tetracromia, floppy

O doutor Stephen Strange é o feiticeiro supremo do Universo Marvel, protegendo a sua dimensão de ataques sobrenaturais externos.
Uma visão mais terra-a-terra do papel do Doctor Strange na vida dos nova-iorquinos. Um bar para pessoas da magia. Um Sanctum Sanctorum "TARDIS-ficado".
O Bachalo nasceu para desenhar este título.


TIMELY COMICS: THE TOTALLY AWESOME HULK #1
Greg Pak & Frank Cho
Marvel Comics, 2016
58 págs., tetracromia, floppy

Quando não se morre pelas mãos de colegas, é-se transformado numa bomba. Mais uma vez, a ausência de Bruce Banner motiva outro herói a ocupar o vazio deixado. Amadeus Cho é a oitava pessoa mais inteligente do Universo Marvel e é também o novo Hulk.
Um começo lento com um Hulk adolescente caçador de monstros. A arte de Frank Cho é linda, apesar de igual ao de sempre.


No meio a virtude. Doctor Strange é o título mais forte dos três em termos de enredo e arte, podem até dizer que o Frank Cho desenha melhor mas está a servir um público mais interessado nos atributos físicos das personagens do que uma história em particular.

15 de Dezembro de 2018

"Qué coño sabrás tú de la libertad."
MATERIA
Antonio Hitos
Astiberri Ediciones, 2016
110 págs., tetracromia, capa dura


Antonio Hitos surgiu completamente formado enquanto artista com "Inércia", o seu romance gráfico vencedor do Premio Internacional de Novela Gráfica Fnac-Salamandra Graphic de 2013.

O seu estilo gráfico estilizado geométrico é inicialmente chocante - o afastamento emocional causado pelo aspecto frio e calculado contrasta com os temas humanistas abordados.

"Materia" manifesta-se dentro do mesmo esquema que "Inércia" (lido e algo esquecido na altura que saiu há 4 anos). 
Numa sociedade em que as abduções por alienígenas são lugar comum e até investidas com importância religiosa, somos apresentados a 3 casos de estudo, cada um com consequências e resoluções diferentes.

Hitos é um contador de histórias desenvolto, produz um mundo coerente e verosímil, mesmo habitado por répteis e anfíbios antropomorfizados, cada detalhe de fundo (ou mesmo em primeiro plano como os reclames) acrescenta solidez ao mundo que retrata. Destaca-se ainda pela sua capacidade de intervalar a narrativa com momentos de pausa, permitindo ao leitor digerir ao que foi exposto antes calmamente e a seu ritmo.

Não sei se alguma vez chegarei a atingir o significado completo do que Hitos quer explorar com os seus trabalhos, só sei que são algo que merece ser lido.

1 de Dezembro de 2018

LIGHT
Rob Cham
Magnetic Press, 2016
108 págs., tetracromia, capa dura


"Light" do autor filipino Rob Cham é uma leitura...leve (peço perdão...).
Sem o uso da palavra escrita, exploramos um mundo sem cor e as criaturas que o habitam.

O protagonista não tem nenhuma característica extraordinária que o defina, excepto ser particularmente adorável e andar à procura de uma pedras preciosas que um ancião o incumbiu de encontrar.

A leitura não traz nada de novo, é rápida e descomplicada, com cada página a funcionar como uma vinheta. O traço de Cham resume-se ao essencial, brincando necessariamente com os contrastes entre luz e sombras e, inevitavelmente, cor.

Recomenda-se a alguém que se esteja a iniciar nestas coisas da banda desenhada e não queira nada que seja intelectualmente muito "puxado". Provavelmente, uma boa opção para crianças por volta dos 7-8 anos.
Em termos culinários, é fofo mas sem grande recheio.

8 de Janeiro de 2018

"Just looking for my head."
HEAD LOPPER, VOL. 1: THE ISLAND OR A PLAGUE OF BEASTS
Andrew MacLean & Mike Spicer
Image Comics, 2016
280 págs., tetracromia, capa mole


"Head Lopper é o Conan do século XXI." - disse alguém, algures, posso ter sido eu. Pronto, fui eu.
Andrew MacLean conseguiu, fruto do seu trabalho, trazer o seu éxito independente, financiado no Kickstarter, ao mainstream (há quem alegue que a Image Comics é independente, mas confundem o conteúdo com o continente) do comic americano.

"Head Lopper" é protagonizado por Norgal, um guerreiro  viking hipertrofiado (haverá outro tipo de bárbaro?) que traz na mão mais uma espada desproporcional e às suas costas a cabeça da bruxa azul Agatha, que, miraculosamente e infelizmente para Norgal, está viva e nunca se cala. Norgal explora neste volume a ilha Barra e numa série de pequenas missões faz jus ao seu epíteto: há, efectivamente, inúmeras decapitações e nem é preciso que o oponente esteja vivo ou seja humano.

Não há muito mais a dizer em termo de enredo, são explorados temas muito batidos da fantasia, o passado de Norgal é ignorado de forma exemplar, tocado de forma extremamente superficial. Na verdade, nada é dito sobre como chegou ao lugar da narrativa ou até o significado de andar com a cabeça de uma bruxa atracada a si. 
Julgo ser esse mesmo o propósito de MacLean, divertir-se e aos outros (a Agatha é a pérola deste livro, carismática, de onde deriva a maioria do humor e, incrivelmente, com muito poucos insucessos nessa área) e mostrar que tudo o resto é acessório (não é algo que me seja particularmente atraente, espero que venha desenvolver a personagem no futuro).

Se em termos de escrita o gosto pela a fantasia heróica é clara - é homenagem e algum pastiche -, mais ainda reconhecíveis são as suas influências artísticas.

"MacLean tem um estilo que é uma mistura de Mike Mignola com Michael Avon Oeming" - disse alguém, algures. Desta feita não fui eu. Acho que li no Goodreads, vão à procura, não posso fazer tudo por vós.
Quando vi pela primeira vez a arte de MacLean, o Mignola nele saltou-me logo à vista (evitei habilmente a cegueira), nem pensei no Oeming (não é alguém que admire ou em quem sequer pense. Já o Mignola é tão dreamy...). Há o traço e a colocação dos negros que denunciam a importância do criador de Hellboy na formação artística de MacLean.
O que mais gostei de ver neste volume foi a evolução no desenho que se tornou mais seguro e sólido com o passar dos capítulos, claramente a partir do terceiro, também colorido por MacLean, e ver o autor crescer e criar um estilo seu mas ainda familiar. Suspeito que será um artista bem diferente no fim do próximo volume.

"Head Lopper" é uma leitura irmã de "Rumble". Com os seus protagonistas de parcas palavras, as suas espadas gigantes e  as suas monstruosidades decapitáveis, ocupam o mesmo nicho de formas ligeiramente diferentes. Se houver interesse por um, haverá pelo outro.

5 de Dezembro de 2016

"Dear God, dear God, tinkle tinkle hoy!"
Goodnight Punpun Omnibus, Vol. 1
Inio Asano
Viz Media, 2016
448 págs., P&B, capa mole

A memória da nossa infância é irreal. É uma manta de retalhos de nostalgia e fantasia. É impossível reviver o passado e mesmo saber o que sentimos na altura em que as coisas aconteceram.
O mundo de Punpun é assim, tem uma base nostálgica e inocente, uma infância vivida de brincadeiras com os nossos amigos e da descoberta do amor pueril.
Infelizmente para Punpun (felizmente? para o leitor), a sua infância não representa um ideal romântico. A normalidade é constantemente agredida, por vezes literalmente, pelos desejos adultos, pelos desejos dos adultos, por essa bizarria que é a realidade irreal.
Punpun é um menino-pássaro que se apaixona por Aiko, recém-chegada à sua turma, e a quem declara amor eterno até não conseguir cumprir o prometido - como um adulto. A sua vida familiar disfuncional, caracterizada pelas discussões dos pais culmina violentamente numa ruptura com o status quo domiciliário. Mesmo os seus primeiros encontros com uma sexualidade precoce e natural são pervertidos pelo irracional e homicida.
É este constante romper com o que devia ser o caminho natural da infância que fazem de "Goodnight Punpun" uma obra excepcionalmente adulta. Se até há subjacente à narrativa uma melancolia, é precisamente isso, um sentimento de tristeza e pesar agridoce.
Num mundo onde Deus responde mas não dá respostas, uma criança só consegue dar sentido às coisas se houver algum sentido nelas. Mas não há.

11 de Agosto de 2016

"Even at its best, life is just really annoying."
CRICKETS #5
Sammy Harkham
Auto-edição, 2016
32 págs., dicromia, floppy

Prosseguindo com a "trilogia de 5", falaremos agora do quinto número de Crickets, de Sammy Harkham.
Continuação directa dos dois números anteriores (sobre os quais ia escrever mas peguem lá isto, que é bem melhor), Crickets #5 acompanha Seymour, um guionista convertido em cineasta, envolvido num projecto de segunda ou terceira categoria chamado "Blood of the Virgin" (também o título da história).
Ao contrário - não é bem verdade - de "Ganges", "Crickets" têm uma função menos didáctica, explora mais o universo relacional e interior do protagonista - novamente, não é bem verdade que Ganges não o faça - e é mais visceral ao fazê-lo.
Neste volume, desvia-se o foco dos problemas de produção para a vida intima de Seymour e somos assaltados com momentos de contundência emocional que parecem não acabar (Seymor pensa/descreve o momento do nascimento do seu filho, a cena de sexo adormecido; a despedida no aeroporto; etc., etc., etc.). Chega mesmo a ser doloroso.
Acho que Sammy Harkham pode ser um dos autores (e editores) que mais gosto actualmente, é o tipo de cartunista que é subestimado de forma pecaminosa, até ao momento em que lemos algo dele e o queixo cai. Tem um traço simples (quase diria uma linha clara) mas expressivo, mas é essencialmente a força das suas histórias, a capacidade que tem para explorar o que mais de miserável há no ser humano e nas suas relações  que o distingue da maralha.

10 de Agosto de 2016

"There's always time to do what's right!"
GANGES #5
Kevin Huizenga
Auto-edição, 2016
32 págs., dicromia, floppy

O sítio what  things do é um dos meus locais favoritos para encontrar bd. Primeiro, porque reúne num só local autores que eu aprecio (Jordan Crane, Sammy Harkham, Kevin Huizenga, Steven Weissman, etc.); segundo, porque para além de antecipar a publicação oficial das obras destes autores, é também um local onde eles vendem outro tipo de arte, nomeadamente, ilustrações; terceiro, porque o que apresenta consegue conciliar as visões (não tão) antagonistas da bd como entretenimento e da bd como arte.
O quinto número de "Ganges" faz parte do que eu chamo a "trilogia dos 5". Passo a explicar, encomendei três bds no sítio que, por coincidência, ou talvez não, são todos o quinto número da sua respectiva publicação (para além de "Ganges"  de Huizenga, temos "Crickets" de Sammy Harkham e "Uptight" de Jordan Crane). Qualquer uma destas revistas pode inserir-se na categoria de antologia de autor de bd independente.
Então o que é que Kevin Huizenga traz de novo? Talvez nada.
Mas pelo que retirei de "Ganges" (nome de rio e da personagem principal), há mais do que isso. Para já, o desenho de Huizenga por vezes faz lembrar o lendário George Herriman - mais no traço que no virtuosismo - e revela uma mestria do meio da bd que vejo raramente. Há especificamente uma cena onde a representação da sonolência e confusão mental do protagonista é excepcionalmente retratada.
Depois, temos a capacidade de explorar o pensamento humano, extremamente realista, exemplificada pela cena inaugural da revista.
Por último, a temática. Huizenga acredita na bd como meio de transmissão de conhecimento e dos seus interesses. A maioria deste volume explora o pensamento de James Hutton, geólogo e naturalista, e a sua teoria do uniformitarismo que pressupõe uma uniformidade dos processos geológicos ao longo do tempo (observado, por exemplo, nos diferentes estratos da crosta terrestre). Sim, são temas "pesados", mas Huizenga ilustra-os de uma forma tão dinâmica e visualmente interessante que é impossível o leitor não se embrenhar nas ideias expostas.
"Ah, é mais um daqueles autores hipsters (que tu tanto adoras) que não conseguem contar uma história normal!"
Até pode ser verdade, mas de histórias normais e, diria até, banais, está a bd cheia e Huizenga é uma lufada de ar fresco, principalmente pela forma como faz bd. 
Mas não se preocupem, ainda tenho mais dois autores hipsters sobre quem escrever esta semana para confirmação das vossas teorias. E daí, talvez não.

7 de Agosto de 2016

"Keep up, new kid."
PAPER GIRLS, VOL.1
Brian K. Vaughan & Cliff Chiang
Image Comics, 2016
144 págs., tetracromia, capa mole


A onda de nostalgia pelos anos 80 está em alta (ver abaixo) e tem permitido revisitar conceitos interessantes.
Já ouviram falar de Brian K. Vaughan (Saga, The Private Eye)? Já? Ok. 
E de Cliff Chiang (Wonder Woman)? Também?
Então têm mais ou menos noção do que esperar de Paper Girls.
Stony Stream é a epítome dos subúrbios americanos, vivendas com  sebes brancas, onde nada se passa e de onde todos os jovens querem escapar.
Portanto, quando Erin Tieng se levanta de madrugada para começar o seu dia (1 de Novembro de 1988) a distribuir jornais e se depara com ninjas disformes, naves espaciais e o fim do mundo, entramos no departamento do parasubúrbio.
E a partir daqui as coisas só começam a ficar mais complexas, sem querer estragar leituras, nomeadamente, viagem no tempo e guerras intergeracionais transtemporais.
Este primeiro volume (colecciona os números 1 a 5 dos fascículos mensais) não acaba por explicar grande coisa, serve para introduzir e para cativar, deixando a resolução das questões levantadas para números posteriores. Faz bem. É precisamente o mistério e o acumular de dúvidas que dá charme à leitura de Paper Girls.
Cliff Chiang ajuda bastante ao encanto do livro, o seu traço angular e pop! (sim, pop!, se depender de mim, passa a ser termo técnico a partir de agora) é perfeito para a história contada e é magnificamente complementado pelas cores de Matt Wilson (mais um prodigioso colorista à laia de Jordie Belaire - certo, também já ouviram falar dela...).
Se querem um retorno ao passado longínquo de há 30 anos, misturado com ficção fantástica, personagens interessantes e arte linda, este é o livro para vós.



"Should I stay or should I go"
STRANGER THINGS (2016)
De Duffer Brothers
Com Wynona Ryder, David Harbour  et al.
8 episódios de 55 min

Melhor Tarantino que o próprio Tarantino, Strangers Things é um regresso nostálgico aos temas e estética dos anos 80 de uma forma tão completa e tão bem sucedida que consegue que o espectador se esqueça de que se trata de uma série de 2016.
O elenco é extraordinário, particularmente o juvenil, que é absolutamente credível.
Uma ode a uma era do fantástico que está marcada a ferros no subconsciente da maioria dos adultos da actualidade.