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terça-feira, maio 08, 2018

«Esta pressa, esta correria e, talvez, também, os solavancos, o cheiro da gasolina, a luminosidade da estrada e do céu, tudo isto contribuiu para que eu adormecesse no caminho.» Albert Camus, O Estrangeiro (1942) - (tradução de António Quadros)

«Então a máquina lançou uma esplêndida pluma de vapor e afastou-se devagar, com uma fila de caras olhando-me inexpressivamente.» J. L. Carr, Um Mês no Campo (1980) - (tradução de Isabel Neves)

«Ele leccionava numa escola tão nojenta como o apartamento onde vivíamos, e eu era tarefeiro numa editora de negreiros, revendo traduções, corrigindo provas, mas como os nossos salários de miséria nem chegavam para pagar o aluguer do apartamento e garantir o nosso sustento, aceitávamos aqui e ali todos os trabalhos suplementares a que conseguíamos deitar mão, por mais estranhos que fossem, desde propor nomes a uma agência de publicidade para que esta escolhesse de entre eles o de uma nova companhia aérea, até ordenar os arquivos do Hospital de la Vall d'Hebron, passando por escrever letras de canções, que nunca nos foram pagas, para um músico que agonizava sem inspiração.» Javier Cercas, A Velocidade da Luz (2005) - (tradução de Helena Pitta)

sexta-feira, setembro 05, 2014

sem fazer batota

«Russell, com a sua prosa esbelta, voltaireana e saudavelmente impertinente, lavava-me dos contorcionismos característicos do pior que se fazia nas universidades e desnudava, sem pudor, uma inteligência destemida, que não precisava de uma toilette pedante e, afinal, pirosa, para se impor. Por essa altura também desencantei numa estante não muito ostensiva da "Minerva Central", que voltei a visitar com regularidade, um exemplar, de poche, que ainda conservo, do romance La Peste, de Camus. A beleza descascada do seu estilo solar (mas que não evitava a sombra), a honestidade nua e sedutora daquela linguagem e daquelas emoções -- tudo, mas tudo ia direito ao alvo, sem fazer batota.»

Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula -- Memórias-III-Lourenço Marques Revisited (1955-1976) (2013)

segunda-feira, dezembro 09, 2013

bem escrito


«[Camus] Defendia a liberdade de consciência e a "boa-fé", convicções fatais para quem está em política, domínio dos dogmatismos e da má-fé organizada.»
Pedro Mexia, «Camus, a testemunha», Expresso / Actual #2145, 7.XII.2013.