Mostrar mensagens com a etiqueta Martin Scorsese. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Martin Scorsese. Mostrar todas as mensagens

domingo, janeiro 22, 2017

"The price of your glory is their suffering"



Silêncio, o último de Scorsese -- desde sempre o meu realizador preferido --, é um filme muito inteligente na forma como aborda o choque cultural decorrente do proselitismo religioso, neste caso católico e cristão. Não li o  livro de Shusako Endo, daí que não saiba em que medida esse mérito será mais ou menos repartido por romancista e cineasta. 
Filme cheio de piedade pelos crentes na nova fé, perseguidos pelo Estado, mostra bem como o espalhar da fé  nas terras de missão podendo ter um ímpeto individual de altruísmo, rapidamente degenerara em lutas com o poder, e pelo poder. Daí que a frase-chave do filme, para mim seja a que o inquisidor lança ao jesuíta Rodrigues: «O preço da vossa [dos missionários] glória é o seu [dos cristãos japoneses] sofrimento.» E o diálogo tenso entre o padre que apostatou e aquele que quisera ir ao Japão para o salvar, física e/ou espiritualmente, é o grande momento do filme.
Claro que, mesmo numa perspectiva histórica, não podemos esquecer que nessa mesma altura, deste lado do globo, os cristãos infligiam tormentos semelhantes aos cristãos-novos, sempre suspeitos de judaizarem secretamente. 

quinta-feira, janeiro 23, 2014

do obsceno

E o curioso é que, num filme em que tanto se fode, em que em cada duas palavras proferidas pelos actores, três estão no grupo vocabular das caralhadas, e em que as mulheres, em geral, são carne (literalmente) para canhão, no mesmo patamar do Ferrari ou do Lamborghini -- o curioso é que a obscenidade não está aí, mas, naturalmente, na ganância que a personagem real interpretada por Di Caprio protagoniza, conseguindo ainda a proeza de não ser um tipo completamente repelente (este senhor até tem família, pai (Rob Reiner) que se preocupa, e mãezinha que chora quando o seu menino é caçado...).
Obscenidade, portanto, que seria simplista radicar num determinado elemento desprovido de carácter; o que Scorsese, grande mestre, mostra (e, apesar de tudo, O Lobo de Wall Street nem é um dos seus finest moments), o que se exibe em todo o horror de indigência ética é o sistema financeiro, como é consabido.

segunda-feira, novembro 18, 2013

O meu LEFFest #8 -- «We Own The Night»


We Own The Night [Nós Controlamos a Noite], James Gray (EUA, 2007). «Homenagem -- James Gray».
Grande cinema. O melhor Coppola e o melhor Scorsese estão aqui. Uma história comum de lealdade e homenagem filiais, exercidas pelo lado mais difícil. Tudo neste filme é bom e intenso, milimetricamente planeado para que fiquemos numa espécie de letargia na cadeira da sala de cinema, profundamente embebidos do que, no grande ecrã, se desenrola diante dos nossos olhos.

terça-feira, outubro 24, 2006

Dylan rock & folk




















Dylan electrificado deu a polémica que se conhece, há pouco revisitada por Martin Scorsese no excelente «No direction home». Muito contestado pelos militantes do folclore, o músico pretendeu, nessa altura, agradar a gregos & troianos nos seus espectáculos: uma primeira parte mais folk e acústica, a outra mais rock e eléctrica. É o que se vê neste «George Jackson», tema nunca editado em álbum de originais: só que aqui -- imposições do mercado... --, a «Big band version» vinha no lado A e o Bob Dylan dos puristas, no outro.