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segunda-feira, março 28, 2016

só uma música

Apesar de ser todo bom, o Sempre de Mim (2008), o dramatismo do canto de Camané, a grande produção de José Mário Branco (o melhor produtor português de todos os tempos, cuja marca é muito nítida...), as ricas colaborações & a recriação de fados tradicionais -- posso lá escolher outro senão este «Sei de um Rio», do revolucionário Alain Oulman sobre poema de Pedro Homem de Melo, a dupla de «Povo que Lavas no Rio»?...


sábado, janeiro 16, 2016

só uma música

Um disco histórico, uma daquelas obras que nos define como comunidade cultural. O resto é conversa fiada. Gravado no exílio em Paris, saído em 1971, na agonia do salazarismo sem Salazar, proibido no país (ah ah ah!, a pré-história...), aparece às escusas com olho camoniano. A emigração, a Guerra Colonial, a pobreza endémica, o marialvismo polltrão, a charlatanice social e política, o sebastianismo imobilista,  a censura castradora e ofensiva, a repressão policial a um povo ignaro, o desafio final num verso do Trinca Fortes, por isso rajada de metralha naquela apagada e vil bisonhice -- oh, plano de ajustamento & metas do défice mais a puta que os pariu.
Difícil a escolha de uma música neste Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades? Para mim, em por isso. Tomar balanço em toada quase medieval para o Angola (e o resto) não é nossa, com  a «Cantiga do Fogo e da Guerra». A letra, o poema -- pois les beaux esprits -- é de Sérgio Godinho.

sábado, setembro 26, 2015

se tivesse de escolher só uma música

Há dias ouvi o José Cid dizer que Cantigas do Maio é o melhor disco de sempre da música portuguesa. Para mim, continua a ser o Por Este Rio Acima, do Fausto, mas este não pode deixar de estar nos lugares cimeiros. José Afonso, também para mim, o maior compositor da nossa música popular urbana. O seu legado já faz parte do cancioneiro português. Escolher uma música apenas é, portanto, tarefa muito difícil. A sublimidade deste «Maio Maduro Maio» é tal, que acabou por se me impor. E não só pela melodia caracteristicamente afonsina e a profundidade da letra, mas também e muito pelos geniais arranjos de José Mário Branco, o produtor deste disco a todos os títulos histórico (é o de «Grândola, Vila Morena») de 1971.

domingo, maio 25, 2014

valsa triste


«Abertura (Gare d'Austerlitz)», de Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades. Valsinha triste com os sons da estação de comboios em Paris, cidade de emigrantes portugueses fugidos à pobreza do país, dos desertores da Guerra Colonial, dos exilados políticos perseguidos pelo Estado Novo. Também desertor e exilado político (fora preso pela PIDE em 1962, e preparavam-se para lhe dar o castigo de combater no conflito criminoso de Portugal em África, em entrevista a Adelino Gomes, nesse ano de 1971, dizia José Mário Branco: "Eu, como os 700 mil portugueses que estão aqui em França, nunca abandono a ideia de que Austerlitz se transforme um dia numa estação de regresso ao meu país" (livreto do CD, 1995)







sábado, agosto 03, 2013

acordes nocturnos

José Mário Branco, Resistir É Vencer (2004)
capa: Resistência (1946), de Júlio Pomar

segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril

Nesse dia não fui à escola, houve azáfama de supermercado, passei a tarde a ouvir rádio, encerrei a noite a ver o Spínola na televisão. Tinha quase dez anos. Para trás, recordava-me que havia uma prisão em Caxias, onde estavam uns coitadinhos duns presos que não tinham feito mal a ninguém; e vira, poucos anos antes, da janela da minha sala, uma carga policial, com cães e tudo, sobre uns guedelhudos que iam assistir a uma sessão de «canto livre» no Estoril. A música do 25 de Abril de 1974 será sempre, para mim, o Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, do José Mário Branco.