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quarta-feira, maio 15, 2019

vozes da biblioteca

«O corpo a corpo do espaço e da escultura» Sophia de Mello Breyner Andresen, «Roma», Musa (1994)

«Tombo de joelhos no ruído da madeira, espero a boca acossada mordendo a minha nuca.» Ana Marques Gastão, «nuca», Lápis Mínimo (2008) / Leya Poemas (2009)

«E a vida vai tecendo laços / Quase impossíveis de romper: / Tudo o que amamos são pedaços / Vivos do próprio ser.» Manuel Bandeira, A Cinza das Horas (1917) / Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (1984)

segunda-feira, outubro 15, 2018

segunda-feira, julho 02, 2018

«As coisas são a sua morada / e há entre mim e mim um escuro limbo / mas é nessa disjunção o istmo da poesia / com suas grutas sinfónicas / no mar.»     Sebastião Alba, «Como os outros», A Noite Dividida (1996)

«A tarde cai, por demais / Erma, úmida e silente...»     Manuel Bandeira, «Cartas de meu avô», A Cinza das Horas (1917) / Os Mehores Poemas de Manuel Bandeira (1984)

«Na suave trepidação das ruas / mansamente tocado pelo vento de Janeiro / penso que tudo vale mais do que qualquer palavra.»     Fernando Cabrita, «Na suave trepidação das ruas», O Portão das Colinas do Nada (Poemas da Cidade de Londres) (1988)

quarta-feira, junho 27, 2018

«Um fio de mar, parece-me, inclinava a terra / num poço de luz silenciosa.» José Emílio-Nelson, O Anjo Relicário (1999)

«Vou cair e ficar no chão horas e horas / até que o frio da noite -- esse pássaro sonâmbulo -- / venha, com suas asas metálicas, acordar-me / ou roçar-me de morte...»  Saul Dias, ...Mais e Mais... (1932)

«Paixão puríssima ou devassa, / Triste ou feliz, pena ou prazer, / Amor -- chama, e, depois, fumaça...» Manuel Bandeira, A Cinza das Horas (1917) / Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (1984)

sábado, junho 23, 2018

«Ao entrar na sala / cumprimentei-o com três palavras / boa tarde senhor» Francisco Alvim, «Muito obrigado», 26 Poetas Hoje (edição de Heloisa Buarque de Hollanda, 1975)

«A paisagem de grandes árvores dormentes.» Manuel Bandeira,  «Paisagem noturna», A Cinza das Horas (1987) / Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (1984)

«Morrer é desaparecer / do nome» Sebastião Alba, «Na morte de Picasso», A Noite Dividida (1996)

domingo, junho 10, 2018

cabaz da feira

50 Milhões de Fãs não Podem Estar Enganados; Stephen Pastis (Bizâncio)
A Amazona Portuguesa, Mário Silva Carvalho (Saída de Emergência)
Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, Luís Filipe Silva (Saída de Emergência)
A Belle Époque, Ana Maria Daou (Jorge Zahar Editor)
Berimbau e Outros Poemas, Manuel Bandeira (José Olympio Editora)
A Corja, Camilo Castelo Branco (Lello & Irmão)
Insanus, Carlos Querido (Abysmo) 
A Modernidade: Um Projecto Inacabado, Jürgen Habermas (Vega)
Noites de S. Peterburgo, Nikolai Gógol (Saída de Emergência)
Os Passos Perdidos, Alejo Carpentier (Saída de Emergência)
Os Putos, Altino do Tojal (Europress)
A Velha Casa -- I - Uma Gota de Sangue; José Régio (Círculo de Leitores)
Vulcões de Lama, Camilo Castelo Branco (Lello & Irmão)

terça-feira, maio 22, 2018

«Seu colo tem do lírio a rígida firmeza, / Seu amor é um céu católico e distante...» Gomes Leal, «O visionário ou Som e cor», Claridades do Sul (1875) *

«A filha do usineiro de Campos / Olha com repugnância / Para a crioula imoral.» Manuel Bandeira, «Não sei dançar» Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (1984)**


* Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (ed. Herberto Hélder, 1985)
** Poezz -- Jazz na Poesia em Língua Portuguesa (ed. José Duarte e Ricardo António Alves, 2004)

sábado, maio 19, 2018

«Entre feridas brumas, um muro branco branco escorre do sol.» Vergílio Alberto Vieira, Coágulos (2002)

«Sem esta terra funda e fundo rio, / Que ergue as asas e sobe, em claro voo; / Sem estes ermos montes e arvoredos, / Eu não era o que sou.» Teixeira de Pascoais, As Sombras (1907)*

«-- Eu faço versos como quem morre.» Manuel Bandeira, «Desencanto», A Cinza das Horas (1917)**

* Antologia Poética, ed. Ilídio Sardoeira [1977]
** Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira, ed. Francisco de Assis Barbosa (1984; 4.ª ed, 1986)


domingo, outubro 13, 2013

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros / Vinha da boca do povo na língua errada do povo / Língua certa do povo

Manuel Bandeira

sábado, janeiro 19, 2013

rondas da noite & do dia

Uma capa de John Byrne, aqui.
Livros da Anita, aqui.
Manuel Bandeira, como o adoro! Aqui.
E reencontro o Alan Parsosn projecto, aqui.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

"A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO D'ÁGUA", Vinicius de Moraes


Em dois tentos simples, Jorge Amado acaba de escrever o que para mim é o melhor romance e a melhor novela da literatura brasileira: Gabriela, Cravo e Canela e A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água, publicada, esta, no número de junho da revista Senhor. Para tirar teima, ainda andei pegando êsses últimos dias Dom Casmurro e Quincas Borba e uma série de contos do velho Machado; um mais fino estilista, sem dúvida, o escritor carioca, com a graça da sua silogística cinzenta e a sua paciente ordenação das personagens no tempo e no espaço. O baiano, apesar do apuro que, pouco a pouco, está também atingindo, ainda se espoja no sumo de sua linguagem, ainda brinca em serviço, como se diz. E felizmente o faz! Pois se é verdadeiro dizer que o estilo é o homem, temos que Machado é mais estilo que homem, e Jorge Amado mais homem que estilo. E esta é, em última instância, pelo menos a meu ver, a classe de escritores que realmente fecundam a língua que realmente libertam as personagens da sua própria teia psicológica e as fazem saltar, vivas e ardentes, para o lado de cá do livro. 
Não somos um país de grandes prosadores. Alguns dos melhores são, a meu ver, poetas como Bandeira e Drummond, ou poetas a ser, como Rubem Braga, que é para mim, neste momento -- em que pese a freqüente displicência que a obrigação da crônica diária lhe traz -- o melhor prosador do idioma. Digo prosa, entenda-se bem. Grandes romancistas nós os temos, alguns aliando à vocação qualidades ímpares de estilo; e, infelizmente, nesta linha, o maior dêles, na minha opinião, morreu: Graciliano Ramos. Mas a maioria dos que procuraram narrar com estilo, nas pegadas do velho Machado, ou por imperativo de sua própria condição de escritor, secaram a língua, fizeram dela não um saboroso pão, cheiroso e de sustância; produziram finos biscoitos quebradiços que se prova uma vez com delícia, mas cuja repetição resulta enjoativa. A êsses prefiro francamente a incúria estilística de um José Lins, de um Jorge Amado da primeira fase, de um Otávio de Faria, que se prejudica o prazer sibarita da leitura de sandálias, em nada lhes subtrai a capacidade de criar mundos de romance onde as personagens "vivem".
Eu acho francamente belo o crescimento de um escritor como Jorge Amado, que vem desde um livro cheio de defeitos como O País do Carnaval até essa obra-prima que é A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água. Um crescimento verdadeiro como a vida, que vem de baixo para cima e sem se recusar às torpitudes; não um crescimento decorativo de araucária, mas de árvore que dá fronde e que dá frutos de polpa, que dá parasitas e dá passarinhos: uma gorda e resinosa mangueira. E que melhor comparação, para o deleite da leitura dêsse baiano da peste, que o de comer mangas, os dentes mordendo fundo a carne da fruta, a terebentina escorrendo pelo queixo no seu amarelo pungente, a gulodice de enxugar o caroço até o fim...
Saí da leitura dessa extraordinária novela, eu que andava no maior fastio de literatura, com a mesma sensação que tive, e que nunca mais se repetiu, ao ler os grandes romances e novelas dos mestres russos do século 19, Pushkin, Dostoievski, Tolstoi, Gogol especialmente. Uma sensação de bem-estar físico e espiritual como só dão os prazeres do copo e da mesa, quando se está com sêde ou fome, e os da cama, quando se ama. Ela representa dentro da novelística brasileira, onde já há cimos consideráveis, um cume máximo. Um cume que todos os escritores jovens devem ter em mira, numa sadia inveja e num saudável desejo de ultrapassá-lo. E tanto pior se o não fizerem.



(Publicado inicialmente em Última Hora, Rio de Janeiro, 1959)

Jorge Amado Povo e Terra -- 40 Anos de Literatura, prefácio de José de Barros Martins, São Paulo, Livraria Martins Editora,
1971