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terça-feira, maio 21, 2019

em quem vou votar

Só ontem, com pena, vi um debate por inteiro, mas espreitei os outros e tenho apreciado a postura correcta e segura de Pedro Marques, ao contrário das chinelices do Rangel que provocam vergonha alheia. Se fosse de direita, votaria em Paulo de Almeida Sande, apesar daquela ficção partidária que o apoia; e gostei do Vasco Santos, o tipo sensacional do MAS, apesar de mas. Há outros candidatos interessantes, em vários partidos, mas eu quero mesmo é votar em Joacine Katar Moreira, com quem aliás, devo estar em desacordo em várias coisas, mas creio que não no essencial.

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

os candidatos às eleições europeias

A sério -- o PS não arranja melhor do que Pedro Marques?... Deve ser um rapaz muito esperto, mas pensamento sobre a Europa foi coisa que nunca ouvi vindo dali. Até posso perceber que em tempos cristínicos e cretinos não seja, digamos, mobilizador avançar com alguém com substância como cabeça de lista, como, por exemplo Maria João Rodrigues; ou, mudando de partido, que o PSD continue a apostar num demagogo bem falante, em vez, por exemplo, de José Manuel Fernandes, que parece ser um grande deputado europeu. É por estas e por outras que os partidos progressivamente se alienam da cidadania
Os tempos não estão fáceis. O CDS, completamente desinteressante e irrelevante, joga pelo seguro; Bloco e CDU, idem, mas estes não são europeístas: BE, numa inconsistência de nem-carne-nem-peixe; PCP, em isolacionismo tipo albanês, apesar de os deputados (BE e PCP) serem muito bons; porém, não interessam: se votar em Marques, Rangel ou Melo é um voto deitado para o lixo, que não serve para nada, Matias ou Ferreira representam partidos que são puros impasses em política europeia -- e um dos problemas da UE é o impasse, o imobilismo, a estagnação, a letargia.
Ou seja: a União Europeia, e estas eleições, que são talvez as mais importantes de sempre, passam à margem dos cinco partidos parlamentares; quem quiser discutir e pensar a União Europeia nestes tempos críticos, e não apenas crestínicos, de forma estruturada, só terá duas hipóteses a atender: o Livre, qualquer que venha a ser o candidato, que pensa a Europa desde que foi fundado (aliás, a Europa e a União que integramos está nos fundamentos do próprio partido), veremos como se vai comportar; e, curiosamente, um partido anedótico, o Aliança, que surpreende com Paulo Almeida Sande, o único cabeça de lista dos anunciados com músculo europeu.

quarta-feira, janeiro 16, 2019

Quadratura do Círculo

Nunca percebi por que razão a Quadratura do Círculo se configurou para não passar das meias-tintas, no que respeita à amplitude de visões políticas do seus intervenientes. Recordo-me que o «Flashback», da TSF, e de onde provém a QdoC, começou com Pacheco Pereira, nessa altura uma das figuras mais proeminente do cavaquismo, José Magalhães, então aguerrido deputado do PCP, e Vasco Pulido Valente, tão instável quanto estimulante. A saída de Pulido Valente foi remediada por Miguel Sousa Tavares, durante pouco tempo, depois Nogueira de Brito, e, finalmente, com Lobo Xavier. É já com essa composição, e Magalhães passado para o PS, que o programa se reinventa na televisão, com o nome que o conhecemos.
Estranhei na altura o convite a Jorge Coelho, um homem de aparelho, muito inteligente e eficaz, porém sem grande bagagem intelectual; achei que aquilo se tinha tornado numa coisa institucional e de meias-tintas -- não fosse a progressiva e salutar radicalização  de Pacheco Pereira --, que o convite a António Costa para substituir Coelho mais não fez do que confirmar. Do ponto de vista da troca dos pontos de vista, seria, à partida, mais interessante o "Prova dos 9", da TVI, com Rosas, Silva Pereira e o inefável Rangel, ou o outro lado, na RTP 3, com Rui Tavares, Pedro Adão e Siva, normalmente com grande solidez, e José Eduardo Martins. 
A QdoC mantinha-se, porém, como o meu programa preferido de debate político: o contraste entre um Pacheco Pereira muito incisivo, geralmente indo ao nó dos problemas, fazia um bom contraste com o conservadorismo respeitável de Lobo Xavier, e era em ambos que muitas vezes se polarizava o debate. Jorge Coelho, muitos furos abaixo, em especial de Pacheco Pereira, colmatava essa diferença com performances muito vivas, bulldozer em acção, que nem o atabalhoamento do discurso e os pontapés na garmática detinham.
Desfecho lógico no processo de animalização das televisões privadas, que vão esticando a corda tanto quanto as deixarem. A alternativa deve ser linda, estou curioso por continuar a acompanhar o processo de degradação da baiuca. Divertidas foram as justificações sonsas do director: parece que o programa acaba, aproveitando a mudança de instalações. Brilhante, como tudo o que dali sai. Já agora, podiam acabar com o normalmente pífio «Expresso da meia-noite». Desse sim, ninguém iria sentir-lhe a falta, a começar pela música épica do genérico, tão desajustada que só não vê quem não se enxerga; e os tweets palermas do público em rodapé, que não passa de irritante visual.
Em resumo, mais um passo na poluição comunicacional do espaço público, com todas as consequências que daí advêm.
em tempo: provavelmente, o programa político da nova grelha será esta coisa em forma de assim