Mostrar mensagens com a etiqueta Miguel de Unamuno. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Miguel de Unamuno. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, abril 18, 2011

A UE gostaria de nos ver pelas costas, mas para desgraça dos finlandeses e outros alemães, a Europa sem nós não existe. Por muitas malfeitorias que nos façam, vão ter que nos gramar e pagar jantaradas a Passos Coelho e ao Alberto João. Eles, coitados, que se fartam de bulir naqueles climas de merda, pensam que estes dotes de saber receber, servir à mesa em inguelês fluente e comer-lhes as mulheres caiu do céu. Não!, são gerações e gerações de malandrice, de mandriice, de manha. Como dizia o Unamuno, eles que trabalhem, que nós, ibéricos, temos mais com que nos ocupar.

domingo, setembro 24, 2006

Correspondências #60 - José Maria d'Alpoim a Miguel de Unamuno

Lisbôa
Rua do Passadiço -- 1
Ex.mo Senhor
E meu prezado amigo
Perdôe-me V. Ex.ª não lhe ter escripto apenas cheguei a Lisboa. Mas se soubesse o que tem sido a minha vida! Quasi não tenho descansado um instante. Os meus trabalhos jornalisticos, as canseiras politicas, a troca de cumprimentos com tantos que me mostraram a sua sympathia e dedicação, não me deixaram um momento do meu. E com tudo era profundamente grato ao meu coração o testemunhar-lhe o meu reconhecimento pelas suas amabilidades affectuosissimas, e d'outros amigos que deixei em Salamanca, onde, apesar dos desgostos que me opprimiram, passei alguns dias que não me esquecerão.
Conheci hoje, não sei com que verdade, que no seu apis se descobriu uma conspiração contra o Rei Affonso. Será verdade? Aqui, as pessoas mais chegadas ao Paço, vivem n'um terrôr de agressões e desacatos ao jovem reisinho, que é pessoalmente encantador, com um grande desêjo de acertar, possuido da melhor bôa-vontade de sêr querido do pôvo, mas que não sei se possuirá talentos para o difficilimo mister de rei nestes tempos de democracia. Se elle conseguir subtraer-se ás nefastas influencias que assediaram seu pai, se o seu espirito tiver energia para comprehendêr a [?] dos tempos d'hoje e a necessidade de conciliar a liberdade com a tradicção monarchica, póde fazér esquecer os erros do rei D. Carlos e reabrir uma nobre missão de chefe d'Estado. D'outra fórma, agoiro-lhe tormentosas tempestades, porque o meu paiz, de condição branda e dôce, não consente a repetição dos atentados politicos que o ensaguentaram e convertêram esta terra, digna de todas as prosperidades pelas affectivas e trabalhadoras qualidades do seu pôvo, n'uma nação convulsionada por fortes odios politicos. O funesto dictador que desencadeou a tempestade espia longe, em Verona, a sua loucura criminosa.
Releve-me, meu Amigo, esta longa carta. Sei quanto se interessaria por esta boa terra portuguêsa e por isso fiquei a conversar demoradamente consigo, tendo uma grande alegria em lhe dizer que floresce aqui a antiga liberdade e tolerancia, que vai melhorando a núa situação economica e financeira, e que, se o Rei tiver tino e os homens publicos possuirem talento e patriotismo, bellos dias estão destinados ao querido Portugal. Desejo-os tão bem á sua bella e querida Hespanha!
Espero, este anno, se haverei d'uma visita sua á minha casa de Parede.
Sou
De V. Ex.ª
m.to ob.do Am.º e ad.m
José M. d'Alpoim
Epistolario Portugués de Unamuno
(edição de Ángel Marcos de Dios)

Unamuno

quarta-feira, novembro 09, 2005

Antologia Improvável #72 - João Paulo Monteiro (Ângelo Novo)

A TERRÍVEL MANHÃ

«Que terrível manhã, que trágico descobrimento de
morte e de ódio se está preparando nessa infância...»
Miguel de Unamuno
«Visiones y Comentarios»
o crepúsculo desce
nesses hábitos de viagens infindas
a noite afaga os mitos
de que a revolta é sentido e abrigo
pão negro vinho fugaz para a memória dos vivos
ávida e inconclusiva
vem então o vento trazer
esse nu amanhecer dos corpos na praia deserta
expostos enfim à doce volúpia dos cães
e do esquecimento.
Exílio de Caim