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quinta-feira, 18 de abril de 2019

DIA 20 ABRIL - HOMENAGEM A EDUARDO GAGEIRO


Homenagem a Eduardo Gageiro em Côja


DIA: 20 de Abril de 2019 (15,00 horas);
LOCAL: Editorial Moura Pinto, Côja;

PROGRAMA:

15,00 HORAS: Casa Santa Clara (casa do Dr. Fernando Valle) – Recepção a Eduardo Gageiro;

15,15 HORAS: sede da Editorial Moura Pinto – Percurso a pé até ao Espaço Fernando Valle (sede da Editorial Moura Pinto);

15,30 HORAS: Sessão Solene e Inauguração da Exposição de Fotografia de Eduardo Gageiro.

No próximo dia 20 de Abril, num evento promovido pela Editorial Moura Pinto, vamos evocar a Revolução dos Cravos de 1974 com uma homenagem ao fotógrafo Eduardo Gageiro.

Para tal convocamos os arganilenses e outros antigos a estarem nesse dia, por volta das 15h00, em Santa Clara, Côja, junto à casa que foi de Fernando Valle para assim evocarmos também esta lídima figura da democracia portuguesa que Eduardo Gageiro já igualmente homenageou num belíssimo retrato que está na sede da, Editorial Moura Pinto.

Aí, nesse sítio de forte simbologia, esperamos a chegada do fotógrafo de Abril. E de lá seguiremos a pé até ao Espaço Fernando Valle, sede da Editorial, onde se inaugurará uma belíssima exposição deste mestre da fotografia portuguesa.

Nesse local, decorrerá uma sessão solene de homenagem com uma intervenção do presidente da Editorial Moura Pinto, Carlos Teixeira, que fará o elogio do fotógrafo já há muito reconhecido e laureado.

Após esta cerimónia haverá uma merenda no parque de Côja. Desde já, a direcção da Editorial Moura Pinto agradece a disponibilidade da Câmara Municipal de Tábua e da Tuna Mouronhense, de Mouronho. Agradece também à Câmara Municipal de Arganil e à União das Freguesias de Cója e Barril de Alva e ao seu presidente João Tavares pelo empenho e ajuda na concretização desta jornada de cultura e de agradecimento.
 
 
Nesse mesmo dia será distribuído gratuitamente um jornal celebrativo de Eduardo Gageiro, que nasceu em Sacavém, a 16 de Fevereiro de 1935, e é autor, entre outros trabalhos em jornais, livros e exposições, do magnífico volume "Revelações", livro que tem uma mensagem de Mário Soares, um dos ilustres retratados, em que afirma que "Gageiro bem merecia - ele próprio - figurar no álbum que, com tanta mestria, ofereceu à Arte Portuguesa".

Figura agora nesse jornal da Editorial Moura Pinto lançado numa região a que o artista está ligado por fortes laços familiares. Esse jornal conta com contribuições de diversos artistas e escritores nacionais e constituirá no futuro um objecto interessantíssimo para qualquer bibliófilo atento, ao mesmo tempo que será uma referência para a biografia de Eduardo Gageiro e para o estudo e a história da fotografia em Portugal […]”

[Carlos da Capela - com sublinhados nossos].

J.M.M.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

COIMBRA – VITORINO NEMÉSIO! 40 ANOS DE SAUDADE (20 FEVEREIRO 2019)



VITORINO NEMÉSIO! 40 ANOS DE SAUDADE

DIA: 20 de Fevereiro 2019 (17,30 horas);
LOCAL: Coimbra (Penedo da Saudade);

Vitorino Nemésio nasceu na Praia da Vitória nos Açores a 19 de dezembro de 1901, tendo falecido em Lisboa no dia 20 de fevereiro de 1978. Foi um poeta, romancista, cronista, académico e intelectual, cuja alma mater foi Coimbra!

2018 assinalou a efeméride dos 40 anos do falecimento de Vitorino Nemésio. Coimbra, cidade de cultura e conhecimento, com forte tradição literária, não pode deixar de celebrar e recordar este conimbricense numa data especialmente importante e simbólica.

Justifica esta pretensão a forte ligação de Nemésio a Coimbra, onde chegou em 1921, terminou os estudos secundários e iniciou os universitários, publicou o seu primeiro romance, onde casou, viveu e nasceram os seus filhos, integrou o Orfeão Académico de Coimbra e a ACE (actual ACM), dirigiu o Centro  Republicano, disputou as eleições académicas, fundou e colaborou em revistas culturais decisivas no panorama português, conviveu com grandes figuras e referências intelectuais daquele tempo - Joaquim de Carvalho, José Régio, Sílvio Lima, Paulo Quintela, Fernando Vale, Miguel Torga e mais -, e mesmo quando lecionava já em Lisboa como professor catedrático, manteve residência em Coimbra. E, como se não bastasse, fez questão de aqui ficar definitivamente em repouso, estando sepultado no cemitério dos Olivais em Coimbra.

Por ser um dos mais importantes escritores e comunicadores do século XX português e por tudo o que foi descrito referente à sua relação com Coimbra, o GAAC - Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, decidiu promover uma série de iniciativas que marquem esta efeméride de uma forma honrosa e adequada, reavivando a memória de Vitorino Nemésio na nossa cidade com o objetivo de celebrar e homenagear a sua obra. Deste modo, o GAAC tomou a iniciativa de congregar esforços e vontades para a mesma se realizar no próximo dia 20 de fevereiro com o seguinte programa:

PROGRAMA

COIMBRA, 20 de Fevereiro de 2019

17h30:PENEDO DA SAUDADE

- Ponto de encontro, seguido de momento evocativo com a instalação de uma escultura simbólica de Vitorino Nemésio.

- Distribuição do jornal “Viva Nemésio!.

- Declamação de poesia!”.

A não perder.

J.M.M.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

MÁRIO SOARES – HOMENAGEM NA FIGUEIRA DA FOZ – DIA 8 DE DEZEMBRO



Soares é Fixe” – Homenagem da Figueira da Foz a Mário Soares;

DIA: 8 de Dezembro de 2018 (a partir das 11,00 horas);
LOCAIS: Biblioteca Municipal Da Figueira da Foz | Buarcos (Rotunda do Farol) | Restaurante Teimoso (Buarcos);

ORGANIZAÇÃO: Núcleo de Amigos de Mário Soares | Câmara Municipal da Figueira da Foz

PROGRAMA – HOMENAGEM AO DR. MÁRIO SOARES

11.00 Horas – Exposição “Mário Soares”. Mostra Documental e Fotográfica (Biblioteca Municipal da Figueira da Foz);

12.00 Horas – Descerramento de placa toponímica na Av. Mário Soares (Rotunda do Farol, Buarcos);

12.30 Horas – Almoço no restaurante “Teimoso” (Buarcos) e descerramento de placa alusiva.



► "Por ocasião do 94º Aniversário do seu nascimento, um núcleo de amigos, socialistas e independentes, ligados à vida cívica e política de Mário Soares e com a colaboração da Câmara Municipal da Figueira da Foz, organiza, no próximo dia 8 de dezembro, pelas 13 horas, no restaurante Teimoso, em Buarcos, Figueira da Foz, um almoço de homenagem “Soares É Fixe”, com o descerramento de uma placa alusiva ao evento, e outros atos importantes que constam do programa, que imortaliza o local e uma cidade que lhe dizia muito.

Segundo a organização, “o local onde se irá realizar a homenagem tem uma simbologia histórica, desde os anos 40, pois foi neste sítio, que Mário Soares teve um encontro com Álvaro Cunhal, ambos na clandestinidade".

Soares sentiu-se “incentivado” pelas palavras do líder comunista e decidiu ficar em Portugal, e assim fez uma escolha decisiva, tanto para a sua vida pessoal e política, como para Portugal e para os portugueses”, acrescentam os promotores do encontro.

O programa da homenagem promovida, entre outros,  por Lucas Santos, Carlos Beja e Rosa Pita  inclui: 11 horas – Biblioteca Municipal- Exposição“Mário Soares na Figueira da Foz” – mostra documental e fotográfica; 12 horas – Buarcos – Rotunda do Farol- Descerramento de placa toponímica na Avenida Dr. Mário Soares; 12.30 horas – Almoço no Restaurante Teimoso com família e amigos de Mário Soares e descerramento de placa alusiva.

No entender de Carlos Beja, elemento do núcleo organizador, foi no período em que Mário Soares foi Primeiro-ministro e até enquanto Presidente da República “que o concelho teve vários obras de grande vulto, tais como a regularização do Baixo Mondego e a Ponte Edgar Cardoso, inaugurada em 1982”.

“Também foi numa Presidência Aberta, sobre o Ambiente, que Mário Soares fez a melhor divulgação da mais importante “biblioteca” do mundo sobre a época jurássica do Cabo Mondego. Mário Soares lembrou, em 2010, quando recebeu a Chave de Honra da cidade, “o grande apoio que sempre granjeou no seio das peixeiras e pescadores. Aqui, sempre se sentiu muito acarinhado, fazendo parte do percurso das suas memórias de infância descer o rio num “gasolino”, que era uma das grandes recordações da sua vida”, lembra Carlos Beja.

O evento deverá contar com a presença de familiares de Mário Soares, que faleceu em 7 de janeiro de 2017.

INFORMAÇÕES/CONCTATOS: Lucas Santos | Carlos Beja | Carlos Monteiro | Rosa Pita " [AQUI]

J.M.M.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

JOSÉ FERREIRA PINTO BASTO – HOMENAGEM EM ÍLHAVO, 22 SETEMBRO



A Comissão Liberato vai amanhã – dia 22 de Setembro de 2018 – na Vista Alegre (Ílhavo) fazer a justa Homenagem a José Ferreira Pinto Basto, um devoto liberal, destacado empresário e capitalista social do período vintista e que foi uma árvore frondosa do liberalismo pátrio. Este respeitável cidadão manteve fortes laços com José Liberato Freire de Carvalho, de quem foi amigo, auxiliando os exilados liberais em fuga ao despotismo miguelista. Manteve-se firme em território nacional, foi perseguido e preso, mas soube consolidar a sua obra comercial e industrial – de que foi disso exemplo o sucesso da sua fábrica da Vista Alegre - com sincera fraternidade social e inquebrantável justiça e progresso aos seus trabalhadores.     

PROGRAMA – HOMENAGEM A JOSÉ FERREIRA PINTO BASTO

DIA: 22 de Setembro de 2018

11.00 Horas – Descerramento de placa alusiva e deposição de uma coroa de flores junto ao seu busto, na Vista Alegre (Ílhavo);

11.30 Horas – Visita ao Museu da Vista Alegre:

Conferência pela professora doutora Isabel Nobre Vargues

13.00 Horas - Almoço

15.00 Horas – Visita guiada ao Museu Marítimo de Ílhavo.

ORGANIZAÇÃO: Comissão Liberato
 
JOSÉ FERREIRA PINTO BASTO [1744-1839] - NOTA BREVE

José Ferreira Pinto Basto nasceu no Porto [a 16 de Setembro de 1744]. Era o filho primogénito de Domingos José Ferreira Pinto Basto [proprietário e grande comerciante, com casa comercial estabelecida no Porto; o seu pai, Manuel Ferreira Pinto, era natural de S. Jorge de Abadim, Cabeceiras de Basto, pelo que Domingos José Ferreira Pinto acrescentou ao nome o de “Basto” – cf. Enciclopédia Luso-Brasileira; ver, ainda e principalmente, Carlos Bobone, “História da Família Ferreira Pinto Basto”, Livraria Bizantina, 1997, II vols, obra que seguimos de muito perto] e de Maria do Amor Divino da Costa [filha de um importante comerciante do Porto, António José da Costa] e teve como irmãos, entre outros, António Ferreira Pinto Basto [1775-1860] e João Ferreira Pinto Basto [1788-1854 ?], originando uma curiosa, próspera e influente família burguesa [com brasão de armas, Alvará de D. João VI, 12 de Setembro de 1818, justamente a José Ferreira Pinto de Basto – ver “Resenhas das Famílias Titulares e Grandes de Portugal”, 1883, tomo I, p. 164], uma verdadeira dinastia comercial  e industrial, e uma nova classe política, como outras mais surgidas durante e após o processo da implantação, triunfo e consolidação do liberalismo português.

José Ferreira Pinto Basto, juntamente com o seu pai e seus irmãos, António e João, e o seu primo Custodio José Teixeira Pinto Basto [1774-1849], fundou a casa comercial “Domingos Ferreira Pinto, Filhos & Ferreira”, na cidade do Porto, núcleo original da sua própria caminhada financeira. Os negócios da família Pinto Basto prosperavam, o génio empreendedor do seu filho mais velho estava individualmente lançado (em especial depois da morte, em 1820, do seu pai).

 


Entre 1809 e 1837, o grupo Pinto Basto disputa e toma o lugar de contratador-geral dos Tabacos e das Saboarias e, para essa função, José Ferreira Pinto Basto vai residir em Lisboa [1817; mandou construir a Casa dos Arcos, na Boavista, para sede dos seus negócios, comprando o vasto terreno conhecido pelos “Prazos da Marinha da Boavista”, de onde partiam os seus navios para o Brasil e o Oriente] para dirigir esse lucrativo negócio do monopólio dos tabacos [enquanto o seu irmão António e o seu primo Custódio ficam á frente do contrato no Porto, e o seu irmão João se instalava em Inglaterra – cf. Carlos Bobone, ibidem]. De 1817 a 1828 o monopólio dos tabacos é dominado pela família Pinto Basto [diga-se que para renovar o contrato dos tabacos oferecia a família á volta de 1.700 contos ao governo, o que dá conta do volume e importância do negócio], até à sua perda com a contra-revolução absolutista. O miguelismo não lhe perdoaria o seu liberalismo militante e afasta a família Pinto Basto da poderosa administração dos Tabacos. Não deixa de ser curioso que, tendo perdido o contrato dos tabacos (fraudulentamente, diga-se, pois ofereceu melhores condições) a favor do negociante João Paulo Cordeiro, de boas graças governamentais, José Ferreira Pinto Basto tenha recorrido ao temível panfletário e publicista corcundático José Agostinho de Macedo, untando-lhe as mãos para esgrimir argumentos a favor das suas pretensões. Como seria de esperar, o padre “Lagosta” rapidamente muda de “amo” e torna-se fiel defensor do vitorioso arrematante governamental, tendo dele recebido uma “confortável pensão vitalícia” [Carlos Bobone, ibidem].

Não esmoreceu, no entanto, José Ferreira Pinto Basto durante o período do miguelismo apesar do rude golpe sofrido no seu império pela perda do contrato dos tabacos ou até quando era ferozmente atacado pelo panfletismo corcundático [em sua defesa surge o “Paquete de Portugal”, escrito por Rodrigo Fonseca Magalhães]. Continuou a desenvolver e modernizar os seus negócios no comércio e indústria, em especial alavancando o negócio da Vista Alegre. Nova situação, porém, o põe em aberto conflito com o governo. Este, face ao descalabro financeiro do país, impôs um empréstimo obrigatório aos principais homens de negócios, tendo, por isso, a família de José Ferreira Pinto Basto sido “taxada” com 16 contos. Recusou, de imediato, pelo que lhe foi dada ordem de prisão e consequente pena de desterro em Mirandela. Sabedor do que o esperava, refugiou-se a bordo duma fragata francesa, ancorada no Tejo, regressando dias depois. Refira-se que, durante a Abrilada, já tinha sido preso por ordem do intendente da polícia, o barão de Randufe, com a acusação de ter facilitado a fuga a José da Silva Carvalho para Londres. Estava, portanto, precavido.

 


Isto é, na verdade José Ferreira Pinto Basto teve, ao longo da sua vida, uma frenética e modernizadora actividade empresarial: grande proprietário [herdou do pai importantes terras em cabeceiras de Basto, em Miramar (quinta do Espírito Santo); comprou depois, a quinta do paço da Ermida, da Vista Alegre, do Silveiro (Oiã), do Rol (Ançâ), a de Foja (Montemor-o-Velho), o convento da Costa e sua tapada (Guimarães), a quinta das Grades Verdes (Granja), a quinta do Malvedo (no Douro), a quinta de Nogueira (Mogadouro; tinha pertencido aos Távoras), a quinta de Queluz (Lisboa), as herdades da Defesa de Barros e do Montinho (Avis), outras herdades em Fronteira, bem como numerosos prédios em Lisboa e no Porto; destacado industrial, dirige a indústria do tabaco, de sabão, de moagem (Aveiro), de soda (Ílhavo), toma posição no comércio marítimo, é encarregado de companhias de seguros, dirige a venda de papel selado em todo o país, é sócio da Companhia das Vinhas do Alto Douro, torna-se um activo e prospero industrial, sendo de realçar a sua magnum opus, a fábrica de porcelana da Vista Alegre (1824), em Ílhavo. Na verdade, o singular modo como esta fábrica era gerida profissionalmente e humanamente, torna-a objecto de estudo, quer no avançado conceito de “centro de produção”, quer no envolvimento associativo e recreativo [e já agora, político; partiu daqui uma brigada liberal – o temido batalhão da Vista Alegre, comandando por Alberto Ferreira Pinto Basto e o diretor fabril João Maria Rissoto - que combateu militarmente o cabralismo, em 1846, na Maria da Fonte; ficou a fábrica 9 meses sem os seus trabalhadores e administradores] dos seus trabalhadores, que ia desde a habitação operária [o bairro operário da Vista Alegre é o primeiro do género no país], um Colégio com internato, a oficina de música, teatro ou capela. A organização social desta empresa diz muito do espirito modernizador, avançado e progressista de José Ferreira Pinto Basto. Funda a Associação Mercantil [de que foi seu presidente], depois denominada Associação Comercial de Lisboa, promove a fundação da Companhia de Pescarias Lisbonenses, integra a Sociétè General des Naufrages et de L’Union des Nations, foi sócio fundador da Sociedade Promotora da Industria Nacional (1822) 

José Ferreira Pinto Basto foi um entusiasta e intransigente liberal [curiosamente o seu irmão António, com quem se incompatibilizaria – até á sua morte – politicamente e comercialmente, colocando mesmo fim aos negócios empresariais conjuntos, era defensor das ambições de D. Miguel – consultar Carlos Bobone, ibidem, p. 29], mantendo um relacionamento constante e intenso com os grandes vultos do liberalismo vintista [como Palmela, José Ferreira Borges, Silva Carvalho, Rodrigo da Fonseca Magalhães, Duarte Guilherme Ferreri, Almeida Garrett, José Liberato, os Irmãos Passos, José Estevão]. Pertenceu (1822) à influente e poderosa Sociedade Literária Patriótica de Lisboa [ver a importância das Sociedades Patrióticas, AQUI]. Refira-se que o seu filho, José Ferreira Pinto Basto Júnior integrou a, também, poderosa e “revolucionária” Sociedade Patriótica Lisbonense (ou clube dos Camilos; 1836), que, além de outros propósitos, debateu questões ligadas á indústria e exportação, tendo sido extinta oficialmente pelo Conselho de Ministros, na eclosão da revolta de Setembro, desse ano.

Foi deputado, quer às Cortes Constituintes de 1837 (por Aveiro), quer em 1838 (pelo Porto) e senador pela cidade de Aveiro. Combateu os cartistas, militando (como seu filho) ao lado dos setembristas, sendo um dos seus mais destacados obreiros – sobre este assunto consultar Carlos Bobone, op.cit., p. 39 e ss.

 


A sua fortuna permitiu-lhe apoiar os exilados liberais portugueses, fugidos ao despotismo miguelista, como José da Silva Carvalho, José Liberato Freire de Carvalho, José Ferreira Borges ou Almeida Garrett. Registe-se que, após ter recusado a proposta de adiantamento do pagamento de 115 contos em troca da futura adjudicação do contrato de tabaco, que lhe foi colocada pelo governo liberal de D. Maria II no exílio, perante a assinatura do barão de Quintela [que aceitou a proposta] não ter sida reconhecida internacionalmente, foi unicamente pelo seu aval que foi garantido o bom pagamento e o acesso aos fundos necessários para se dar inicio à expedição vitoriosa contra o usurpador D. Miguelcf. Carlos Bobone, ibidem.  

Era cavaleiro e comendador da Ordem de Cristo (1803) e da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Por alvará de 8 de Fevereiro de 1826 foi nomeado fidalgo-cavaleiro. Prestou valiosos serviços públicos, em especial o seu contributo para o estabelecimento do porto franco de Lisboa, a sua notável acção á frente da provedoria da Casa Pia, foi secretário do Conservatório Real de Lisboa.

Morre a 23 de Setembro de 1839, na sua casa junto a Santo Amaro, à Junqueira.     

J.M.M.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

FIGUEIRA DA FOZ - [ASSOCIAÇÃO MANUEL FERNANDES TOMÁS] NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS



DISCURSO PROFERIDO NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS NO DIA 24 DE AGOSTO DE 2018, NA FIGUEIRA DA FOZ, pela Associação Manuel Fernandes Tomás
Em nome da Associação Manuel Fernandes Tomás, cabe-nos a honra e o solene dever, 198 anos após o claro dia da revolução de 24 de Agosto de 1820 na cidade do Porto, evocar essa memorável data que esculpiu uma página mais à “história das idades” e rememorar Manuel Fernandes Tomás, a “alma e o cérebro” desse auspicioso levantamento, certo que o seu legado estará sempre presente para todos e cada um de nós.

É, portanto, com muita alegria que a Associação Manuel Fernandes Tomás tem o grato prazer de se associar à Homenagem aos Heróis de 1820 e honrar a figura do ilustre regenerador da Pátria, Manuel Fernandes Tomás, o filho mais querido, ilustre e venerado da Figueira da Foz.

Minhas Senhoras e Meus Senhores:

Gostaria de vos deixar, nesta sublime ocasião, 30 anos passados da fundação desta Associação e a dois anos da Comemoração do Bicentenário da Revolução Liberal de 1820, 2 notas de aide-mémoire 
1. A primeira nota é para reafirmar que a Associação Manuel Fernandes Tomás - constituída a 12 de Janeiro de 1988 sob os auspícios da CMFF, da família de Manuel Fernandes Tomás (com incansável ânimo do professor Henrique Fernandes Tomás Veiga, que aqui saudamos calorosamente), entidades locais e cidadãos figueirenses – continuará a tomar todas as iniciativas para que se perpetue o espírito e a memória do seu patrono e pretende cooperar para que a celebração do Bicentenário da Revolução de 1820 tenha, também aqui nesta luminosa cidade, a solenidade e a inspiração cívica que o empreendimento exige e o dever de consciência reconhece.   
 
2. A segunda nota é para recordar que se comemorou no dia 22 de Janeiro último o Bicentenário da Fundação do Sinédrio, associação liberal e patriótica que em boa hora um grupo de homens livres fundou na cidade do Porto, sob o olhar vigilante e infatigável de Manuel Fernandes Tomás, e que soube conduzir o levantamento auspicioso de 24 de Agosto de 1820. A dívida que nos cumpre salvar para com esse grupo de varões ilustres que soltaram no Porto o grito da nossa emancipação política - contra o terror do despotismo e em defesa da “Augusta Liberdade” -, essa ideia de regeneração e liberdade da Pátria, é enorme e virtuosa. Não devemos poupar aplausos aos seus festejos e à sua glorificação, pagando assim uma divida de gratidão a todos aqueles que semearam a palavra “Liberdade” e deixaram o seu nome gravado a ouro na memória colectiva da Nação.
No percurso biográfico de Manuel Fernandes Tomás registemos três períodos que ornamentam o itinerário do emérito figueirense. Nascido em 31 de Julho de 1771 na Figueira da Foz, logo após os estudos iniciais ingressa na Universidade de Coimbra, tomando o grau de bacharel em Leis ou Cânones (1791), retornando posteriormente à sua terra natal.
Esta fase da sua vida, o aprendizado universitário, fê-lo discípulo de eruditos e ilustrados juristas (Pascoal José de Melo Freire dos Reis; João Pedro Ribeiro) enquanto a sua formação cívica e humana se forja no convívio com a moderna geração iluminista e racionalista, que então desponta. As funções que depois exerce entre 1792 a 1798, Síndico e Procurador Fiscal do Município e Vereador da Câmara, cargos que cumpriu com elevado zelo, vincaram-lhe a determinação e a coragem, robusteceram-lhe a dedicação e o assomo à causa pública, honra e “desejo cívico de servir”.
Um segundo momento, que vai de 1801 a 1816, com o seu ingresso na carreira da magistratura, fê-lo estar à frente do município de Arganil e depois no exercício de Superintendente das Alfândegas e dos Tabacos das Comarcas de Aveiro, Coimbra e Leiria. Curioso período esse em que Manuel Fernandes Tomás, depois de se “refugiar” (1808) na Figueira da Foz após o cumprimento das suas funções, e decerto reflectindo no sofrimento do seu povo e nas desgraças que a pátria amargava com a invasão francesa, nos surge - após a expulsão da tropa francesa do Forte de Santa Catarina pelo Corpo Académico de Coimbra - como um dos cinco membros da eleita Junta de Segurança Pública local. O reconhecimento do seu valor, patriotismo e competências estavam lançados. Com o desembarque da tropa inglesa, sob comando de futuro duque de Wellington, Fernandes Tomás é nomeado Comissário em Chefe do Exército no Distrito, mais tarde Provedor de Coimbra e, a instâncias do general do exército inglês, tem a responsabilidade da Intendência Geral dos Abastecimentos do Exército anglo-português (1811) e é nomeado Juiz Conservador da Nação Britânica em Coimbra (1812). Este particular período, em que é bem visível a estreita colaboração com os ingleses, ao mesmo tempo torna-o consciente do azedume e animosidade contra a tutela britânica e leva-o a compreender as revindicações e aspirações modernizadoras e liberais de sectores socias com pouca representação económica e política. Não por acaso a sua residência em Coimbra era o ponto de reunião de audaciosos patriotas, lugar onde os debates vivificavam.
Por outro lado, data neste período, possivelmente em 1803, a sua iniciação na maçonaria em Coimbra. Ora, conhecendo-se as denúncias e a sanha persecutória que a Inquisição - por intermédio de Álvaro José Botelho, levou a cabo a partir de 1791, com apoio do intendente geral da polícia Pina Manique - contra os pedreiros-livres e a “libertinagem” em todo o país, entender-se-á tão grande era a importância e a exigência de uma total discrição e segredo. Deste modo, a sua intensa vida social e política despertam nele a prudência, a firmeza e a exigência conspirativa, ajustando a sua conduta posterior aos trabalhos proveitosos da associação secreta que fundou na cidade do Porto em 1818 - o Sinédrio.
No último período a considerar, e que vai de 1816 a 1820, Manuel Fernandes Tomás está provido como Desembargador da Relação do Porto. Tempo fecundo esse, que revela o jurista estudioso, o homem empenhado e interessado pelos problemas do país, o activista e o organizador brilhante, aquele que ousou plantar uma semente do edifico do primeiro liberalismo pátrio. Na cidade do Porto encontrou Fernandes Tomás um grupo de amigos da verdade e da liberdade à volta de uma associação patriótica, denominada Sinédrio.
 
Vale a pena - vale sempre a pena -, rememorar os seus membros: a 22 de Janeiro de 1818 teve lugar em casa de José Ferreira Borges a primeira reunião regular do Sinédrio, onde estiveram presentes os seus quatro elementos fundadores - além do dono da casa, Manuel Fernandes Tomás, José da Silva Carvalho e João Ferreira Viana; nessa mesma noite há lugar a uma sessão em casa de Fernandes Tomás; em 10 de Fevereiro entra para a Associação, em casa de Fernandes Tomás, Duarte Lessa; a 3 de Maio, na mesma residência, ingressam José Maria Lopes Carneiro e José Gonçalves dos Santos Silva; a 6 de Julho, ainda desse ano de 1818, filiou-se José Pereira de Meneses, em casa de Ferreira Borges; a 26 de Maio de 1820, em casa de Fernandes Tomás, ingressam Francisco Gomes da Silva e João da Cunha Souto Mayor; a 5 de Junho de 1820, na mesma casa, entra José de Mello de Castro e Abreu; a 22 de Junho, desse ano, em casa de Duarte Lessa, filia-se José Maria Xavier de Araújo; e o 13.º e último elemento do Sinédrio, Bernardo Correia de Castro Sepúlveda, entra a 19 de Agosto de 1820, em sessão em casa de Fernandes Tomás. Cinco dias depois “rebentava a revolução”.
Estes patriotas, unidos pela lealdade e o segredo jurado, formaram um corpo compacto e esperaram a hora mais oportuna de intervenção, para dirigir o movimento insurrecional em prol do País e da sua Liberdade, com esperado realismo, confiança e sensatez. As funções levadas a cabo pelo Sinédrio, em sessões realizadas no maior sigilo, redobraram de energia logo após a revolução liberal de Março em Espanha e que deu origem ao chamado Triénio Liberal (1820-23). A animosidade antibritânica por diversas vezes manifestada contra o braço férreo e despótico de Beresford (na memória soava ainda a desdita dos revolucionário de 1817 - a execução de Gomes Freire e dos Mártires da Liberdade) e o descontentamento (civil e militar) agitava-se, pelo que o incitamento revolucionário à acção tinha de ser rapidamente declarado. Deste modo, a propaganda aumentou, o aliciamento de oficiais militares foi incrementado e, não sem algumas desinteligências entre civis e militares, a revolução rebentou na manhã luminosa de 24 de Agosto de 1820, no Porto. A revolução tinha-se realizado sem resistência e derramamento de sangue. Fora ouvido (A. Garrett) o apelo do primeiro dos regeneradores, o cidadão extremado, homem único, o benemérito da Pátria, Manuel Fernandes Tomás.
Glória, pois, aos Heróis de 1820.
Honra a Manuel Fernandes Tomás.
[Associação Manuel Fernandes Tomás] – sublinhados nossos
J.M.M.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

FIGUEIRA DA FOZ - [ASSOCIAÇÃO CULTURAL 24 DE AGOSTO] NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS



DISCURSO PROFERIDO NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS NO DIA 24 DE AGOSTO DE 2018, NA FIGUEIRA DA FOZ, pela Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto

O Patrono da Figueira da Foz, Manuel Fernandes Tomás, foi um Homem ímpar na história de Portugal. Único. Como apenas os que dedicam a sua vida à causa pública – no fundo dedicam a sua vida ao serviço de outros Seres Humanos – podem ser.

Mas em vida encontraríamos eventualmente apenas um homem simples. Como muitos dos presentes com a boa sorte de ter nascido Figueirense, com contradições, dúvidas, impulsos, vontade de ser um simples magistrado sem particulares responsabilidades, despojado de ambições maiores ou sonhos de qualquer mudança radical da sociedade.

Ora no momento em que poderia acomodar-se no seio da sua família, vivendo de forma relativamente confortável e segura, com um rendimento substancial e já respeitado pelos seus pares, Fernandes Tomás foi pela História chamado a desempenhar um papel de liderança. Liderança pelo exemplo. Liderança pelo carisma. Liderança pela intervenção política. Liderança pela inabalável vontade de levantar um Povo abatido e derrotado por séculos de preconceitos, de tirania, de iniquidades e profundas desigualdades, algumas das quais perduraram até há poucas décadas. Algumas das quais perduram até mesmo nos nossos dias.

Tendo grandes simpatias pelos ideais subjacentes à Revolução Francesa e da França Napoleónica, ao dar-se a invasão de 1808 de imediato se colocou porém ao serviço daquela que acreditava ser a legítima autoridade de Portugal, reagindo contra a violência, destruição e iniquidade da Invasão. Precisamente no momento em que a Figueira da Foz desempenha na história da Europa um papel sem precedentes com o desembarque em Lavos, do outro lado do nosso Mondego, das tropas de Arthur Wellington.

Nada deve ir contra a dignidade de um país. Tal como nada pode ir contra a consciência e dignidade da Pessoa Humana.

E esse é o grande legado do nosso Patrono. Legado que Portugal não esquece. Legado que Nós, Figueirenses do Século XXI, não esquecemos.

A Humanidade consegue hoje vencer no Espaço distâncias que se medem em anos-luz – muito para além do que poderíamos há poucos anos atrás sequer sonhar – mas não consegue vencer a iniquidade da distância de rendimentos e de oportunidades que continua – ainda hoje – a separar Homens e Mulheres de distintas crenças, nacionalidades e religiões.

Mas no dia 24 de Agosto de Agosto a Figueira da Foz não homenageia apenas o seu Patrono e Cidadão Emérito maior, não é a apenas a memória de MFT que junto da sua estátua lembramos hoje, mas também a tradição liberal e republicana de permanente e nunca esmorecido empenho cívico pela Liberdade.

Por isso lanço ao nosso Presidente da Câmara Municipal, Dr. João Ataíde, o desafio de que a nossa Figueira da Foz assuma, conjuntamente com a Cidade do Porto, a comemoração nacional do Bi-Centenário da Revolução de 24 de Agosto em 2020. Para tal contará com o nosso apoio.

MFT legou-nos o dever, a obrigação moral e de consciência de uma intervenção cívica empenhada, frontal, responsável, desinteressada e livre como apenas Homens e Mulheres Livres – como ele próprio foi em vida e na morte um incontornável exemplo – podem assumir ter. Perante a sua enorme figura curvamo-nos hoje Nós, Figueirenses do Século XXI.
 
Um bem-haja a todos!
 
[Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto] - sublinhados nossos

J.M.M.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

[FIGUEIRA DA FOZ] 24 DE AGOSTO (18,00 H) – CELEBRAÇÃO EVOCATIVA DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS



[FIGUEIRA DA FOZ] 24 DE AGOSTO (18,00 H)CELEBRAÇÃO EVOCATIVA DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS

DIA: 24 de Agosto de 2018 (18,00 horas);
LOCAL: Praça 8 de Maio, Figueira da Foz;
ORGANIZAÇÃO: CMFF | Ass. Manuel Fernandes Tomás | Associação 24 de Agosto

INTERVENÇÕES:
  • Representante da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto;
  • Representante da Associação Manuel Fernandes Thomaz;
  • Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.


 
“… As virtudes cívicas que lhe eram particulares avultam em todo o acto a que ficou ligado o seu nome. Transferido do recato do seu lar para a exigência da vida pública, da pesquisa de feição pessoal para as páginas de volumes, permanece o mesmo: íntegro na observância do seu evangelho cívico, patriota sem jaça, regenerador voltado para o futuro e sem olvidar ou menosprezar, sequer, o rumo definido no passado

Estremadas qualidades o distinguiam entre os seus pares. Esse o fundamento, essa a razão bastante para afirmar que Manuel Fernandes Tomás foi, de verdade, no seu tempo e na elevação do seu pensamento, o primeiro dos Regeneradores” 

[António Cruz, No Bicentenário do nascimento de Manuel Fernandes Tomás, Porto, FLUP, 1973]

"... E quem choramos nós: quem lamentam os Portugueses? Um cidadão extremado; um homem único; um benemérito da pátria; um libertador de um povo escravo: Manuel Fernandes Thomaz. Que nome, Senhores, que nome nos fastos da liberdade! Que pregão às idades futuras! Que brado às gerações que hão-de vir! Este nome será só por si a história de muitos séculos; este nome encerra em compêndio milhões de males arredados de um grande povo;..."

[Almeida Garrett, in Oração Fúnebre de Manoel Fernandes Tomaz]


J.M.M.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

[18 DE NOVEMBRO * CENTRO CULTURAL DE BELÉM] – RAUL BRANDÃO REVISITADO – NOS 150 ANOS DO SEU NASCIMENTO E NO CENTENÁRIO DO LIVRO “HÚMUS”


Nos 150 Anos do Nascimento de Raul Brandão e no Centenário da publicação do livro “Húmus” – DIA LITERÁRIO RAUL BRANDÃO

DIA: 18 de Outubro (15,00 horas);
LOCAL: Centro de Congressos e Reuniões do Centro Cultural de Belém [Piso 1], Lisboa;
CONFERÊNCIA: Raul Brandão Revisitado;
ORADOR: António Valdemar (Academia das Ciências);

INTERVENIENTES: Leitura de Interpretação de Textos da obra “Húmus” por José Fanha; Ilustrações de Álvaro Carrilho.  

ORGANIZAÇÃO: António Valdemar / Centro Cultural de Belém.

“A personalidade e a obra de Raul Brandão estão associadas, em 2017, a dois acontecimentos relevantes: a comemoração dos 150 anos do nascimento do escritor e o centenário da publicação do livro Húmus.
 
 

As duas efemérides vão ser assinaladas com uma intervenção de António Valdemar sobre a criação do escritor, as figuras da época, os movimentos políticos, militares, sociais e culturais e ainda os locais do Porto, de Guimarães, de Lisboa, dos Açores e da Madeira, mencionados nos seus livros. Haverá, ainda, a leitura de textos de Húmus, por José Fanha.

A sessão será ilustrada com uma apresentação concebida pelo designer Álvaro Carrilho, autor de outros trabalhos  que tem efetuado, na última década, para a Academia das Ciências,  para o Grémio Literário, para a Biblioteca Museu da Resistência e da República e outras instituições culturais e cívicas.

Raul Brandão nasceu a 12 de março de 1867, na Foz do Douro, estudou no Colégio São Carlos e no liceu do Porto, frequentou o Curso Superior de Letras (1888) e matriculou-se na Escola do Exército, em 1891. Concluiu o curso, em 1894, tendo sido colega dos futuros Presidentes da República Sidónio Pais e Óscar Carmona.

Exerceu funções em Lisboa, no Porto e em Guimarães. Quando se encontrava nesta cidade, casou, em 1897, com Maria Angelina. Reformou- se do posto de capitão em junho de 1911.

Adquiriu, em 1912, a casa do Alto da Nespereira, na periferia de Guimarães, onde passava parte do ano (dedicando-se à agricultura) e a outra parte em Lisboa, primeiro na York House, depois em casa própria na Rua de São Domingos à Lapa, onde faleceu a 5 de dezembro de 1930.

Desde 1902, ao radicar-se em Lisboa, teve intensa atividade no jornalismo, no Correio da Manhã, no Dia e no República, dirigido por António José de Almeida.

Muitos dos textos das suas memórias foram redigidos, em forma definitiva, a partir de notícias, reportagens e crónicas publicadas naqueles e noutros jornais e revistas.
 
 

A sua relação com Teixeira de Pascoais data de 1914, colaborando na revista Águia e no movimento Renascença Portuguesa. Publicou Húmus, a sua obra principal, em novembro de 1917. Fez parte do Grupo da Biblioteca, quando Jaime Cortesão era diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa. Pertenceu ao núcleo dos fundadores da Seara Nova. Frequentou o ateliê de Columbano, que lhe fez vários retratos, e as tertúlias da Brasileira do Chiado e da Bertrand.

Atualmente, a Relógio d’Água tem estado a reeditar Raul Brandão – em edições críticas e prefaciadas por especialistas na matéria – na série Obras Clássicas da Literatura Portuguesa, iniciativa da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, com o patrocínio do Ministério da Cultura” [AQUI].
 
 

A não perder.

J.M.M.