sexta-feira, 17 de maio de 2019

António Alçada Baptista, TIA SUZANA, MEU AMOR (1989)

«Quando, há muitos anos, o Sr. Trocato me contou as razões por que não acreditava na história que corria sobre a morte do Dr. Júlio Fernandes da Silva e da mulher, eu não tive dúvida de que aquilo foi um crime porque me lembrei logo da minha tia Suzana.»

segunda-feira, 13 de maio de 2019

domingo, 12 de maio de 2019

Alves Redol, FANGA (1943)

«Até hoje, e já lá vão muitos anos, nunca vi o mar, embora dele tenha ouvido contar muitas histórias, e, não sei porquê, parece-me que o conheço todo só por causa daquela fotografia.» 

domingo, 5 de maio de 2019

Abel Botelho, O BARÃO DE LAVOS (1891)

«À porta dois contratadores apenas, um polícia, e, sentada no último degrau sobre a rua, uma velhota, de tabuleiro à frente, coalhado de quanto há de mais pelintramente indigesto em matéria de doçura, com uma vela protegida por um cartucho de papel cor-de-rosa.» 

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Jorge Reis, MATAI-VOS UNS AOS OUTROS (1961)

«Afeito à nudez sebosa das repartições, o recém-chegado abafou uma voz de espanto ao passar a uma saleta cujo requinte no arranjo descondizia com tudo o que vira em tão ingracioso edifício: era uma dependência fofa, não grande, toda de veludos vermelhos, lambris dourados, cristais e móveis reluzentes, onde, pelos reposteiros entreabertos, a luz, que do céu azul ferrete se derramava a jorros sobre a vila, vinha molemente esparrinhar-se num tapete de Arraiolos...»

quinta-feira, 2 de maio de 2019

José Lins do Rego, CANGACEIROS (1953)

«Léguas e léguas andaram, como se fossem retirantes, de fazenda em fazenda, a pedir a um e a outro uma tigela de farinha que lhes matasse a fome, e pés roídos pelos espinhos e olhos fundos de sofrimento.» 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Joaquim Paço d'Arcos, ANA PAULA (1938)

«Ana Paula refugiara-se num súbito mutismo, como que receosa de se ter expandido em demasia naquela espontânea declaração que nenhum mau pensar inspirara e que só reproduzira a singeleza do seu sentimento, recto como a luz rectilínea dos seus olhos, leais e profundos.» 

Graciliano Ramos, CAETÉS (1933)

«Adrião, arrastando a perna, tinha-se recolhido ao quarto, queixando-se de uma forte dor de cabeça.» 

terça-feira, 2 de abril de 2019

confrontações com George Orwell, OS DIAS DA BIRMÂNIA (1934)

«Era um homem dos seus cinquenta anos, tão avantajado que há alguns anos lhe era impossível levantar-se da cadeira sem ajuda e no entanto, conservava a harmonia das formas, chegava mesmo a ser belo na sua corpulência; porque os Birmaneses, ao invés dos homens brancos, que ganham rotundidade e protuberâncias, engordam simetricamente, lembram frutos suculentos.» (trad. Maria da Graça Lima Gomes)

sexta-feira, 29 de março de 2019

Manuel Ribeiro, A CATEDRAL (1920)

«Vista do ramo transversal do claustro e no prolongamento do eixo da igreja, a ábside desenrolava em frente do espectador a sua elegante redondeza, e o frémito alado dos arcobotantes, com a ossatura frágil em pleno equilíbrio aéreo, dava-lhe tal ar de vida palpitante, que era de recear que a uma carícia mais quente do sol filtrando-se nos poros da pedra, a catedral abrisse as asas e erguesse o largo voo nessa lúcida manhã de tempo claro.» 

Camilo Castelo Branco, AMOR DE PERDIÇÃO (1862)

«Para fazer-se amar da formosa dama de D. Maria I minguavam-lhe dotes físicos: Domingos Botelho era extremamente feio.» 

quarta-feira, 27 de março de 2019

Eça de Queirós, A CAPITAL! (póst., 1925)

«Na estação havia apenas um passageiro, esperando o comboio: era um mocetão do campo, que não se movia, encostado à parede, com as mãos nos bolsos, os olhos inchados de ter chorado duramente cravados no chão e ao lado sentadas sobre uma arca de pinho nova, estavam duas mulheres, uma velha, e uma rapariga grossa e sardenta, ambas muito desconsoladas, tendo aos pés entre si, um saco de chita e um pequeno farnel de onde saía o gargalo negro duma garrafa.»