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quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Para um Dicionário de Ferreira de Castro: D de «O Diabo»

«Semanário de Crítica Literária e Artística», resultado da convergência entre anarquistas e republicanos, publicando-se entre 1934 e 1940, encerrado compulsivamente pelo regime do Estado Novo. Ferreira de Castro é um dos fundadores, colabora logo no 'número espécime' (ou n.º zero), e chega a dirigir o jornal por dois breves meses, em 1935, uma solução de recurso que assegurou a saída do hebdomadário. Descontente com o jornal, José Régio augurava, nas páginas dapresença, uma melhoria com a direcção de Ferreira de Castro, que nele imprimiu nitidamente a sua marca, apesar do tempo curtíssimo como director. A seu convite, substitui-o na direcção o filólogo e professor Rodrigues Lapa, figura insigne da Oposição, com afinidades também à ideologia libertária. O jornal evoluiria para posições mais próximas do PCP, com a colaboração de jovens intelectuais comunistas, entre os quais Álvaro Cunhal. Castro e O Diabo mantiveram boas relações, tendo aquele concedido um extensa e importante entrevista, em 1940, estando à frente da publicação aquele que seria o último director, Manuel Campos Lima.

(a desenvolver)

bib: o meu artigo na Castriana #5, os livros de Clara Rocha, Daniel Pires e Luís Trindade.

(também aqui)

terça-feira, setembro 03, 2013

Antologia Improvável -- Júlio Evangelista

ARRÁBIDA

O vento bate na face
De quem sobe àquela serra.
Vento que por ali erra
Bate na face a quem passe
Perto do cimo da serra.

Bate forte, o vento forte,
Chicoteando com força,
Ao vir das bandas do norte,
Chicoteando com força,
Dono da serra e da morte.

Consente, vento, que eu passe
Pelo alto desta serra
E não me batas na face
Porque, se mais não bastasse,
Basta eu ser da tua terra.

Não grites assim tão forte
Nem te exaltes contra mim,
Porque eu também sou do norte:
Donde tu vens, também vim,
Vento que ventas do norte.

Venho ver frei Agostinho;
Trazer ao Frade saudades
Das verdes terras do Minho:
Venho falar de saudades
Com o Poeta Agostinho.

Morreu o Sebastião
Que lhe falava, falava,
Das coisas do coração.
E o frade está desolado
Era quase como um irmão!...

Ele mora ali em cima
E a conversa não demora.
Venho falar-lhe do Lima,
Venho falar-lhe de Ponte,
E outras coisas que ele ignora.

Regresso depois ao Minho,
Vento que sopras do norte
E guardas Frei Agostinho.
Se um dia quiser recados,
Traze-los tu, vento norte?


Arrábida, 8/3/53


António Mateus Vilhena e Daniel Pires,
A Serra da Arrábida na Poesia Portuguesa

domingo, abril 23, 2006

Correspondências #42 - Raul Proença a Fidelino de Figueiredo

Vamos enviar para os jornais portugueses a resposta às suas miseráveis calúnias. Se a publicarem, intimamo-lo a que nos responda! Se a não publicarem, devo adverti-lo de que não há maior ilusão do que pensar que sempre se negará em Portugal aos acusados o direito de defesa. Um dia há-de chegar em que a minha pena possa infligir-lhe nos principais jornais do país o castigo que merece. Serei implacável. Terá o direito de se defender por sua vez. Isso não impedirá que fique desfeito em lama.
O sr. (tão insignificante, mas ao mesmo tempo tão inconsciente) não faz a menor ideia das responsabilidades trágicas que acaba de assumir. Não é só pela calúnia que terá a responder. Será também pela destruição sistemática da nossa obra, já iniciada pela liquidação da tipografia. O seu ódio pessoal levou-o a tratar como inimigo a Biblioteca. Pagá-lo-á! Um dia saberá como a minha pena e as minhas mãos são duras quando têm a zurzir miseráveis da sua laia.
6 Março 1927
Raul Proença
In Raul Proença, O Caso da Biblioteca
(edição de Daniel Pires e José Carlos González)
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