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quarta-feira, maio 16, 2018

«Perfeito o horizonte se descerra / tecnicamente pela mão de Deus» António Barahona, Noite do Meu Inverno (2001)

«Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo... / E o meu corpo ondulante de sereia / Dorme em teus braços másculos de vândalo... » Florbela Espanca, Juvenília (1931, póst.)

«Um sentido clamor, como suspiro / De amargurado tom, vem da amurada / Do alteroso galeão.» Almeida Garrett, Camões (1825)

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Figuras de estilo #22 - António Barahona

Só me resta a pobreza extrema de beber à ganância / o meu próprio sangue à falta de vinho bom

Pátria Minha

sexta-feira, setembro 16, 2005

Antologia Improvável #52 - António Barahona (2)

Posted by Picasa

Os dentes sujos em pleno sol
já longínquo o sorriso da virgindade lunar
vestido negro que iluminava o branco
pescoço delinquente de corça que não via
desde a infância beber no alguidar enquanto
o coração acelerava ao lume e eu cristalizava
um pingo de vitral no café perante a bica

Rizoma

quinta-feira, junho 16, 2005

Antologia Improvável #19 - António Barahona

NÚRIA

A lentamente bela bruxa cisne magro
A lentamente mate cor do pão de trigo
A lentamente Núria de navalha e ligas

Ah lentamente o corpo se compara ao cubo
e muda as asas quentes em arestas frias!
Mãos vestidas de roxo a festejar tristeza
em Sexta-feira Santa d'oração medonha!

Ah lentamente a Espanha em procissão nas ruas,
cabelos desgrenhados mais guitarras nuas!
Ah Núria, rosa-névoa, lâmina de pétalas
a recortar raízes dos meus olhos d'húmus!

Ah lentamente lentamente aponto e estico
o arco: assobia a flecha no teu flanco
e, de repente, no meu sangue flui um barco

Paço d'Arcos, 13.X.72
Noite do Meu Inverno