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sábado, março 12, 2016

terça-feira, maio 13, 2014

o prédio


A primeira prancha apresenta-nos, em vinheta única, um edifício de esquina com 14 pisos, construído em finais do século XIX, inícios do seguinte. Um edifício em que, por algumas gerações, se viveu, nasceu e morreu, com tudo o que isso implica. Até que o prédio foi demolido, e com ele o lastro imaterial de aspirações humanas que acolheu.

Tratam disto as duas primeiras pranchas de um dos livros da minha biblioteca de BD que mais prezo: O Edifício, do enorme Will Eisner (1907-2005). No prefácio a esta sua obra, Eisner diz-se convicto de que não é impunemente que estes imóveis acolhem vidas durante vidas: «[...] estou certo de que essas estruturas marcadas por risos e manchadas por lágrimas são mais do que edifícios inertes»; e o livro é também uma insurgência contra a depredação dum património cultural, arquitectónico, artístico e imaterial a que se assiste numa cidade. Nada mais eloquente do que a epígrafe de John Ruskin: «Os edifícios antigos não nos pertencem. Em parte, são propriedade daqueles que os construíram; em parte das gerações que estão por vir. Os mortos ainda têm direitos sobre eles: aquilo por que se empenharam não cabe a nós tomar.»
Will Eisner, O Edifício [The Building, 1987], tradução anónima, São Paulo, Editora Abril, 1989, pranchas 1-2.

segunda-feira, agosto 26, 2013

Rorschach


fonte
13-VIII-2013

Acabei a madrugada a ler Watchmen (1986) de Alan Moore & Dave Gibbons. Não sou um indefectível dos comics, Batman (dos grandes autores) e The Spirit (do Eisner) à parte, entre poucos outros.
Tour de force que deu mais densidade às narrativas de super-heróis (apesar de Bruce Wayne ou Peter Parker...), touxe-nos também um fantasmagórico Rorschach. Walter Kovaks de seu nome civil, filho de prostituta e produto do que se julga poder ser o crescimento infantil, dos alcoices até à institucionalização, traumas de cuja existência se adivinha.
Chapéu, gabardine amarrotada, tanto quanto o gorro que exibe variáveis imagens de Rorschach, a cujo autor o anti-herói vai buscar o nome. Intuitivo, inteligente, Rorschach odeia os maus visceralmente, infligindo-lhe provações de violência e quase sádica, inflingindo terror aos delinquentes, como se fosse um Hannibal Lecter do bem, descontando-se a desordem canibal.
Capturado na sequência de uma cilada, cuja orquestração remete para o nó da narrativa, Rorschach é encarcerado numa prisão com mais de um recluso a querer ajustar contas passadas. Em anotações de trabalho, o psicoterapeuta da cadeia -- excelente momento do cap. VI -- resume um grave incidente ocorrido no refeitório, entre o mais fascinante watchman e outros companheiros de cárcere: "Vocês não estão a perceber. Eu não estou aqui fechado convosco, são vocês que estão aqui fechados comigo."

quinta-feira, agosto 24, 2006

uma capa de Will Eisner

Caracteres móveis - John Ruskin

Os edifícios antigos não nos pertencem. Em parte são propriedade daqueles que os construíram; em parte das gerações que estão por vir. Os mortos ainda têm direitos sobre eles: aquilo por que se empenharam não cabe a nós tomar.
Epígrafe em The Building, de Will Eisner

sexta-feira, agosto 18, 2006

Posted by Picasa
uma prancha de Will Eisner (fonte)