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quarta-feira, junho 11, 2014

a curva da estrada

Chegar aos 50 será
Boa surpresa   sem
Que fizesse grande
Coisa por isso   o desleixo
Apazigua mas que pague
   Duvido.

sábado, novembro 02, 2013

O meu ateísmo simples acredita em milagres

Encarar como possibilidade a ocorrência primordial duma entidade que paira sobre nós, operosa, intervindo nas nossas vidas, dotada de vontade, e à qual nós devemos a ventura da existência, eis algo que para mim não só é inconcebível, como resulta da tão humana fragilidade carente de sentido e de amparo. 
O grande milagre é termos chegado aqui, sem sabermos ler nem escrever, à real mas não menos presunçosa condição de sapiens, fruto de acasos que se combinaram, desenvolveram e evoluíram necessariamente, até tomarmos consciência de nós: em relação ao universo, primeiro; do nosso próprio mundo interior enquanto indivíduos, depois.
Que esta minha verificação não exclua uma dimensão metafísica, mas não sobrenatural, é uma evidência que seria dispensável enunciar.

(a propósito de um debate, ontem, no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro)

sábado, setembro 14, 2013

RE: ilhas desertas

Ainda não estou em idade só de re-ler, re-ver, re-ouvir, felizmente. Mas não prescindo do conforto de re-visitar todos os livros, discos, filmes que me marcam e me dão um supremo gozo estético e intelectual. Dão, porque em arte detesto a nostalgia. Decidi, então, celebrar-me (!) os 50 anos -- que só se completam a 12 de Junho de 2014 -- a escrever sobre 50 livros, bd's e discos (os filmes e os quadros virão mais tarde, se vierem). Não são OS 50, mas os primeiros 50 de muitos outros que poderiam aqui figurar e que levaria para a sempre desejada ilha deserta. Só impus uma restrição nos livros: a de serem narrativas em português -- talvez porque, de todas as artes que por aqui passam, a escrita foi única que me deu uma ilusão de acolhimento. E criei um blogue, o 50, só para guardar os textos que me possam suscitar cada página, cada faixa, cada prancha. 

quinta-feira, janeiro 10, 2013

O QUE PASSA


Um sol morno que perfura as nuvens e te aquece
Uns seios que apetece trincar
O cheiro molhado da terra
O cão que te abana a cauda
O encontro no chegar a casa
A ilusão de óptica nas jantes dum carro inglês
Aquela frase que te saltou do livro
O verso que veio ter contigo
Um looping de avioneta no céu de cascais
Um vestido curto de fêmea
Uma bica com café do nabeiro
Um sax que não se sabe de onde vem.

5 NOVEMBRO 2012