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quinta-feira, julho 28, 2016

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«[...] cada palavra que desaparece é um pouco de nós mesmos que vai também morrendo.» Rebelo de Bettencourt, O Mundo das Imagens (1928)


segunda-feira, julho 17, 2006

Antologia Improvável #147 - Rebelo de Bettencourt (2)

VOZ DE OIRO

A minha filha

Minh'alma é cheia do canto
Da tua voz, a falar.
-- Nunca te possas calar,
Voz de oiro, que eu amo tanto!

Com ela, enfim, pude achar
Da vida todo o encanto.
-- Marejam em doce pranto
Meus olhos, só de o lembrar!

Deus queira que eu tenha a sorte
De ouvi-la, à hora da morte,
A pedir por mim, rezando,

Para eu morrer sem sentir,
Como se morre a dormir,
Como se morre sonhando!

Oceano Atlântico

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Antologia Improvável #100 - Rebelo de Bettencourt

ANSIEDADE

A Rui Galvão de Carvalho

Escrevo e sofro... Em cada verso inteiro
Fica-me a alma entre um soluço e um ai...
-- Eu molho a pena, sim, no meu tinteiro,
Mas é do coração que a tinta sai!

Na carne dos meus versos, reparai,
É que eu me vejo e sinto verdadeiro.
-- Neles prendesse a vida que se esvai
E o meu fim não viria tão ligeiro!

Ah, nunca mais morrer! Ambição louca!
Ser imortal, andar de boca em boca,
Nos versos que componho -- anseio atroz!

Desse às palavras o meu sangue quente:
-- Já que viver não posso eternamente,
Eterna, ao menos, ficaria a voz!

Vozes do Mar e do Vento