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terça-feira, maio 15, 2018

«Era o pino do inverno / e a cidade atravessava uma idade glacial // do coração.» Rui Pires Cabral, «"Em algumas das fotos aparecíamos juntos."», Oráculos de Cabeceira (2009)

«E quando páro e faço a propaganda / dos lugares mais comuns da poesia / há um terror quase obsceno / nos seus olhos maternais» Alexandre O'Neill,, «Em pleno azul», Tempo de Fantasmas (1951)

«Na noite da consciência / versos só podem ser pragas.» José Fernandes Fafe, «Sonetilho velho e actual», A Vigília e o Sonho (1951)

quinta-feira, maio 12, 2005

Antologia Improvável - José Fernandes Fafe

VISITAÇÃO

Quando morreste, voltei-me para o silêncio
(riam-se os deuses, de mofa, com certeza)
e prometi-te que nunca mais pecava...

Silêncio: claustro de distâncias infinitas,
por onde um monge vai, em penitência,
curvado, mas levantando um círio ardente
que lhe desvenda a noite:
chão de pedra,
nas margens dos capitéis, mortos nas ervas,
e dos votos, rasgados, entre as sombras.

Oh minha mãe, falhei, mas amanhã
eu partirei de novo para a tarefa...
É tua, ao menos, essa ingenuidade.

O Anjo Tutelar / Poesia (Quase Toda e Até Agora)