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quarta-feira, janeiro 09, 2019

a prepotência com falinhas mansas

A história, verdadeira, dos 50 anos para decidir da construção de um novo aeroporto dá imenso jeito para justificar uma solução mal amanhada, isto é, de recurso. Esperar meio século por um remendo é demasiado mau. Mais valia esperar 52, e fazer o que nunca se fez: estudar, primeiro; decidir depois. Deixo de lado todas as questões em torno da solução Montijo, nem volto a falar de Beja, embora gostasse de ter sabido da sua ponderação, e nem sequer percebo como se põe de lado um aeroporto às moscas, a quarenta minutos de Lisboa, se tanto, em comboio de alta velocidade. Nem a continuação, e alargamento, do aeroporto no centro da cidade, quando o que se devia fazer era tirá-lo de lá.
O que me aborrece, desgosta e enfurece é o desrespeito pelas populações, de que falou João Joanaz de Melo, ao celebrar-se um protocolo para um aeroporto no Montijo sem a conclusão do estudo de impacto ambiental: é uma prepotência com falinhas mansas, e no fundo antidemocrática.
Um filme, aliás, que já vimos: eu tinha uma razoável opinião sobre António Costa, até ao lamentável caso do Infarmed. (Quer dizer, ela já tinha vindo a mudar, com seu comportamento toca-e-foge em relação a António José Seguro ou o calculismo um bocado impudico na questão Sócrates.)
O filme é portanto o mesmo: ideias generosas, desenvolvimento sustentável, descentralização  e outras patranhas que se lêem aos meninos para dormir, mas no fim o que é preciso é facturar politicamente. Um artista, como dizia o outro, que Deus tem -- e que, por acaso, das poucas decisões decentes que tomou durante os seus dois penosos mandatos foi a liquidação do aeroporto na Ota, já decidido pelo governo de então e potencialmente catastrófico, como explicou na altura um piloto da TAP no «Prós & Contras» a um país atónito -- atónito por descobrir-se governado por irresponsáveis, chega-se à conclusão. Para mim, Costa politicamente, e em condições normais, já está há muito que está riscado: se é assim, sem maioria, como seria (ou será) com ela?

segunda-feira, setembro 29, 2014

a propósito das primárias do PS

Deixa-me cá ver o que ficou da noite de ontem:

* Uma vitória esmagadora de António Costa, muito para além do que eu esperava;
* O entusiasmo de Ferro Rodrigues (já disse aqui que foi o melhor s-g do PS? Já, e digo outra vez);
* A dignidade de Seguro na hora da derrota, que não apaga a péssima campanha que fez;
* O brilho de Ana Catarina Mendes (ACM para líder parlamentar, já: tem o estofo e a solidez);
* O ar bonacheirão de Jorge Coelho; o trabalho da Comissão Eleitoral;
* Os adesivos do costume, que apareceram a saudar a "grande vitória do camarada António Costa", e os habituais compagnons a fazerem-se notados. Cáfila.
* O descaramento de Jerónimo de Sousa e a "farsa" eleitoral. Não está mal, para um partido que tenta manipular eleitorado (de forma muito canhestra, é verdade) com uma vigarice política chamada PEV; s-g do partido que enviou condolências ao povo norte-coreano pelo passamento da camarada ditador anterior (como se sabe, na Coreia do Norte as eleições não são uma farsa).

quarta-feira, setembro 24, 2014

onde, a propósito do frente-a-frente Costa-Seguro, se prefere falar da miséria política

Não vou gastar grande latim com o debate de ontem, até porque não sou eleitor. É claro que prefiro Costa, por óbvias razões, e não apenas pela inanidade de Seguro.
Costa tem o melhor e o pior do PS a acompanhá-lo. É o preço que pagam os potencialmente vencedores, transportarem consigo as lapas, os parasitas, os carreiristas, o que não acrescenta ou retira um átimo às suas qualidades e aos seus defeitos. Não tenho grandes ilusões, mas alimento alguma esperança, apesar de tudo.
Registo apenas, como toda a gente, um óptimo sinal: a barragem de críticas a Costa por parte dos comentadores esportulados,  e os ataquezinhos dos outros partidos: do CDS, tornado uma excrescência do seu líder, logo risível, patético e perigosa; ao PSD, o partido mais português de Portugal, manhoso, boçal e desenrascado (muito parecido, aliás, com o PS segurista); e ao PC, uma revivescência do Portugal salazarista -- a contrario, é claro, mas para pior (a Coreia do Norte, meu deus...). Quanto ao BE, nem sei; mas o BE não serve para nada, como já há bastante tempo dissera o próprio Costa.
Todos gostariam que Seguro ganhasse, e querem-no tanto que nem conseguem disfarçar. Mais uma boa razão para votarem em António Costa no domingo.