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sexta-feira, maio 04, 2018

«Servidor incorruptível da verdade e da memória, / escrevo sentado e obscuro palavras terríveis / de ignomínia e acusação.» Rui Knopfli, «Proposição», O Escriba Acocorado (1978)

«e agora ao chegar à fechadura / arranco estes botões de velha agrura / e grito -- é doce amar-te na berma dos cinquenta.» Cristóvão de Aguiar, «Na orla dum soneto», Sonetos de Amor Ilhéu (1992) 

«E tudo arde o ar que queima é obscuro é luminoso / O real anda num furor da tarde cai a luz difusa / O real queima o ar que arde a vaga forte a luz intensa» Luís de Miranda Rocha, Os Arredores do Mar, os Subúrbios da Noite (1993)

terça-feira, março 22, 2016

microleituras

O amor das ilhas e o amor de algo e de alguém, nas ilhas.

Cristóvão de Aguiar, Sonetos de Amor Ilhéu (1992)








1 poema

 NA ESQUINA DO VENTO

minha casa plantaste na esquina do vento
onde as marés afinam suas melodias
desde então te respiro e ganho meu sustento
caiando de palavras os muros dos dias

entre o meu e o teu corpo um intervalo lento
que a baixa-mar escolta bem de penedias
redobra o meu querer-te quanto mais te invento
e só depois me vejo de órbitas vazias.

velha pecha esta minha de mergulhar
nos confins do teu nome para te procurar
e a mim também por rumos que eu já nem sabia.

à minha conta trouxe o mar dentro em mim
vazei-o no meu búzio no dia em que vim
-- ouço o marulhar não lhe cheiro a maresia.

(também aqui)