Mostrar mensagens com a etiqueta Iconografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Iconografia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 13 de novembro de 2018

MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA ENCERRA EM PEDRÓGÃO GRANDE



MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA ENCERRA EM PEDRÓGÃO GRANDE, por A.B.H.
Depois de há praticamente duas décadas desempenhar uma relevante função turística e cultural na unidade de turismo rural “Villa Isaura”, na aldeia dos Troviscais, no concelho de Pedrógão Grande, em pleno Centro do país, o MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA encerra definitivamente as suas portas ao público no próximo dia 31 de Dezembro.

Trata-se de um dos três raros museus no seu género existentes em Portugal e Espanha, sendo os outros dois em Lisboa e Salamanca. O MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA ganhou notoriedade a partir de 13 de Outubro de 2012, quando formalizou com a Maçonaria Portuguesa/Grande Oriente Lusitano (GOL) um protocolo de colaboração, o qual contou em Pedrógão Grande com a presença do Poderoso Grão-Mestre do GOL, Dr. Fernando Lima.
Mas a sua actividade e colaboração com diversas outras instituições nacionais é muito anterior, designadamente através da cedência de peças e documentação, e reporta-se às comemorações dos 200 anos da Maçonaria em Portugal em 2002 (CM de Lisboa), 1º Centenário da República (em 2010-2011, no Palácio de Belém / Presidência da República e Casino da Figueira da Foz), Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), Câmaras Municipais de Miranda do Corvo, Ansião, Condeixa-a-Nova, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Oliveira do Bairro. Nos últimos anos beneficiaram ainda do seu apoio e acervos o Museu do Aljube em Lisboa (2015) e o Panteão Nacional / Direcção Geral do Património Cultural (2017).
Contudo, apesar da sua manifesta importância nos domínios histórico e cultural, o MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA tem vindo sistematicamente a ser ignorado em termos de apoios financeiros e institucionais por parte dos poderes públicos, designadamente por parte do Ministério da Cultura que, desprezando a qualidade e real importância dos seus acervos, acentua o seu carácter particular e a sua pequena dimensão para negar os apoios de que carece para se manter aberto ao público.
Não compreendem os proprietários do MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA tal desinteresse público quando:
 1 - ele é actualmente o Museu mais significativo a nível nacional no seu género, a avaliar pelas sucessivas visitas de técnicos e requisições de materiais para documentarem exposições organizadas inclusive pela RPM (Rede Portuguesa de Museus);
2 - o Estado Português se dispõe a despender em Peniche – no Litoral português - quase quatro milhões de euros na instalação do Museu da Resistência e Liberdade, sabendo que idênticos princípios e objectivos são defendidos – no Interior / na Região Centro – pelo MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA, a um custo (autárquico) que certamente não chegaria aos 5% daquele dispêndio público.
Contra esta disparidade de poderes, que beneficia sobretudo o Litoral rico em desfavor do Interior pobre, bem assim como os Museus da RPM contra os Museus particulares, não nos resta outra hipótese que não seja rendermo-nos nesta luta desproporcionada, assumindo a nossa relativa pouca importância, na guarda de um património próprio que amamos, mas que lamentamos não poder pôr ao serviço das gerações futuras, a quem gostaríamos de proporcionar uma outra história de amor e luta pelos sagrados princípios da liberdade, igualdade, fraternidade, justiça e tolerância.
Pedrógão Grande, em 12 de Novembro de 2018
Aires B. Henriques [AQUI - sublinhados nossos]
 
J.M.M

domingo, 9 de agosto de 2015

O PANTEÃO NACIONAL – POR LUÍS REIS TORGAL (PARTE II)


Como surgiu afinal o Panteão ou o Pantheon? Podemos obviamente recordar o santuário de todos os deuses, na Grécia ou na Roma antigas. Mas os túmulos da memória, os memoriais ou os cenotáfios (placas que recordam os que morreram com “fama de heróis”) aparecem desde a Antiguidade e são retomados ao longo da história. Foi, porém, a Revolução Francesa que criou o Panteão como lugar oficial de culto nacional dos “notáveis”. Mirabeau e Voltaire terão sido os primeiros a ocupar a igreja de Sainte Geneviève, laicizada com a Revolução e transformada em Panthéon National. E continuaram a entrar nela figuras ilustres até porque o movimento republicano foi ali — como veio a ser em Portugal — animado pelo Positivismo de Comte, que criou uma “religião da Humanidade”, na qual se apresentavam como exemplos os mortos ilustres, quer no Panteão, quer no Calendário positivista, quer nos Centenários, quer mesmo em templos construídos para o efeito. Mas panteões, oficiais ou não, existem de uma forma ou de outra em muitos países e em diversos lugares, com personalidades que se crê terem feito parte fundamental das suas histórias nacionais, sejam reis, governantes (mesmo que viessem a ser considerados ditadores), cientistas, artistas ou escritores. A Basilica di Santa Croce, em Florença, é disso um peculiar exemplo.

Portugal não deixou de seguir o mesmo rumo. É claro que se quis panteonizar os mosteiros da Batalha (onde estão alguns dos reis da dinastia de Avis, mas também os dois túmulos dos “soldados desconhecidos” da Grande Guerra, numa forma de a República eternizar o povo combatente e sacrificado, anónimo, que se repetiu em todas as vilas e cidades em múltiplos monumentos, por vezes com a identificação dos “heróis”) e dos Jerónimos (onde foram sepultados membros da Casa Real — que teve o seu Panteão da dinastia de Bragança em S. Vicente de Fora — mas onde também se celebram Camões, Vasco da Gama e Alexandre Herculano). E é verdade que em Coimbra houve a prática, já mais recente, de conceder à igreja de Santa Cruz o sentido de “Panteão Nacional”, pois ali estão sepultados, em ricos túmulos do século XVI, os dois primeiros reis de Portugal (D. Afonso Henriques e D. Sancho I). Todavia, o liberalismo quis criar, como na França, o seu próprio “Panteão Nacional”, que surgiu por decreto de Passos Manuel de 1836 sem lugar definido, assim como a I República em 1916 (em tempo de governo de guerra da “Aliança Sagrada”, de António José de Almeida e de Afonso Costa) deliberou, por lei, instituir o Panteão Nacional na igreja sempre inacabada de Santa Engrácia, obras eternas, iniciadas no século XVIII e cuja imagem foi sintetizada no provérbio popular de “obras de Santa Engrácia”.

Mas o certo é que, na prática, o Panteão Nacional é uma obra do Estado Novo, pois só em 1 de Dezembro  — dia da Restauração — do ano de 1966 foi inaugurado, com a presença do Cardeal Cerejeira, do presidente da República Américo Tomás e do presidente do Conselho Oliveira Salazar. Recordemos que estávamos então em plena “Guerra do Ultramar”, em que “heróis” eram celebrados todos os anos pelo 10 de Junho e em que Eusébio representava então o “ultramarino” negro — tão português como outros — que deslumbrava o mundo na “equipa das quinas”. Para ali foram então trasladados os corpos dos escritores Almeida Garrett, Guerra Junqueiro e João de Deus, liberais e republicanos, que, devido ao seu sentir nacionalista e popular, não deixaram de sensibilizar o salazarismo. E vieram também Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona. Ou seja, o Estado Novo manteve-se respeitoso em relação ao regime republicano, sepultando ali Teófilo, o primeiro presidente da República, que o foi na qualidade de presidente do Governo Provisório de 1910-1911; o presidente Sidónio, que, de alguma forma, e sem dúvida de modo indevido, era em certos meios considerado o precursor do Estado Novo e até do fascismo; e o seu próprio presidente mais carismático, Carmona, que o fora desde 1926 (ainda na Ditadura Militar, considerada “Nacional”) até 1951, ano da sua morte. Afinal era o naipe dos políticos “imortais” que se poderia esperar.

Depois de 1974, verificou-se um novo rumo, com algumas contradições, como têm sido ambíguos e contraditórios os caminhos depois de Abril, onde um ideal socialista ou, pelo menos, social se mistura, altera ou é negado pela força avassaladora do neoliberalismo, que se vai afirmando e consolidando nesta “Europa” dominada por uma nova onda capitalista. Assim, afirma-se também um verniz nacional ou mesmo nacionalista, ao lado de uma prática anti-social, com uma demagogia que, espantosamente, vem de todo o lado, abalando uma coerência que ainda se vislumbra em alguns movimentos políticos.

Para o Panteão vieram Humberto Delgado que, além de ter sido o mais combativo candidato à presidência pela oposição, fora morto pela PIDE em Villanueva del Fresno. Para ali foi num carismático 5 de Outubro de 1990, como o poderia ter acompanhado Norton de Matos. Em 2004 veio Manuel de Arriaga, de facto e de direito o primeiro presidente da República eleito, embora — como a Constituição de 1911 mandava — em Congresso da República e não por sufrágio universal. Aquilino Ribeiro, um dos mais significativos escritores da Respublica, que melhor assimilou e divulgou de uma forma universal o falar popular das suas terras da Beira, para ali foi em 2007, como poderia ter ido Torga e a sua alma de independente e de duro trasmontano, ou o nosso único Nobel da literatura, Saramago, cujas cinzas preferiu que repousassem pacatamente junto da oliveira da sua terra-natal trasladada para junto da Casa dos Bicos. E, finalmente, veio Sophia de Mello Breyner, em 2014, a poeta de Abril e de todos os Abris do Mundo e dos Tempos. Amália veio, antes, em 2001, e Eusébio fechou o ciclo numa trasladação apoteótica e de expressão popular própria deste tempo que vivemos. Nenhum cientista, nenhum escultor, pintor, músico ou arquitecto lá está, nenhum herói do 25 de Abril e da Liberdade conquistada nos quartéis e na rua em 1974. Seria difícil a escolha e, quando tal ideia foi ventilada, acabou por não vir Salgueiro Maia.

Quem vem a seguir? É esse o problema, para que queria dar a minha opinião, com uma resposta ao mesmo tempo simples e complexa: “Ninguém”, como a do “Romeiro” do Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett. Assim simbolizaríamos, em duas palavras, “Todos” e “Nenhuns” — afinal a “Alma Universal da Pátria”, sem debates que não houve, neste país dominado pelas elites do Poder, que se dizem representativas e que, nestes tempos pragmáticos, se têm afastado de uma cultura crítica. O Panteão Nacional ficaria como uma Memória da História, com as afirmações, as contradições e os silêncios que ela nos coloca quotidianamente, a ponto de nos interrogarmos sempre: Que História? Seria apenas, e era muito, um Museu vivo das suas representações, com as dúvidas e as ambiguidades que lhe são próprias. Já o é afinal. Apenas seria assim e de forma assumida para todo o Sempre.

Coimbra, 30 de Julho de 2015, no dia da Jubilação de Fernando Catroga, um dos historiadores que melhor estudou a Memória

O Panteão Nacional” – por Luís Reis Torgal [Professor catedrático aposentado da Faculdade e Letras da Universidade de Coimbra, historiador], jornal Público, 9 de Agosto de 2015, pp. 54-55 – com sublinhados nossos

J.M.M.

O PANTEÃO NACIONAL – POR LUÍS REIS TORGAL (PARTE I)


O Panteão Nacional” – por Luís Reis Torgal, in jornal Público

Como é evidente, falar hoje do Panteão Nacional é falar de Eusébio, como, há alguns anos, teria sido falar de Amália. A Assembleia da República assim quis que as duas grandes figuras do futebol e do fado fossem panteonizadas.

Por pouco, voltaríamos aos três FFFFutebol, Fado e Fátima — que foram considerados como símbolos do Estado Novo e que, afinal, talvez não fossem tanto, como um dia tentei explicar num artigo do jornal Le Monde Diplomatique. De resto, hoje, mais do que nunca, vivemos esta trilogia: com a febre do Futebol (que há muito, na sua versão profissional, deixou de ser um desporto para ser um espectáculo dos estádios, mas, sobretudo, um espectáculo televisivo, que move milhões); com a homenagem ao Fado que se tornou 'Património da Humanidade', tendo excelentes executantes que seguiram o exemplo de Amália (e de Carlos do Carmo) de transformar o fado marialva e fatídico (fatum significa, como se sabe, 'fado' ou 'destino') numa canção com outro tipo de valores, sem perder a toada fadista; e com a importância nacional e ecuménica atribuída a Fátima, dado que o 'milagre' é particularmente sensível em tempos de doença, de austeridade e de fome (assim sucedeu em 1917 e anos seguintes e acontece agora), e em que a fé impera sobre a razão. Ou seja, são três fenómenos sociais que nenhum argumento lógico ou ético parece poder abater. Por isso, os deputados votaram — da direita à esquerda — na trasladação de Amália e de Eusébio para o Panteão (no mais recente caso, apesar das despesas que daí advinham em momento de crise financeira) e quase nenhuma voz lançou a tão simples questão de discutir se era correcta a transformação destes ilustres mortais em 'imortais'.  Que eu visse (não sou consultor de blogues, nem participo em redes sociais), fê-lo o meu colega João Medina no seu blogue e escreveu António Valdemar neste jornal sobre os 'vizinhos da sala 3' (onde Eusébio passou a estar no Panteão) que, por certo, teriam estranhado a presença de mais um companheiro de viagem e de culto cívico.

Mas não vou romper com o estranho silêncio da crítica, pondo em causa a recente panteonização, aliás pouco inesperada de Eusébio (estamos ou não numa “civilização do espectáculo”?), pelo qual tenho a admiração de quem o viu jogar e a simpatia humana que naturalmente infundia. O que quero aqui discutir é sim, neste ano de 2015, a existência do Panteão como organismo vivo que recebe afinal algumas personalidades consideradas “imortais”: o lugar destinado “a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa de valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”, como reza (afinal de forma genérica e ambígua) a Lei n.º 28/2000, de 29 de Novembro.

É difícil, com efeito, definir esses eleitos. É verdade que, de forma idêntica, é difícil saber quem merece entrar numa Academia — o nome de “imortais” surgiu na Académie Française e nela entraram também, por certo, figuras duvidosas, em função dos valores de cada circunstância — ou quem merece ser condecorado pelo Presidente da República com as ordens honoríficas ou quem merece um prémio, mesmo o Prémio Nobel, que todos os anos se discute se foi justo, ou não, ser atribuído a alguém, nas suas diversas modalidades. Veja-se a lista dos indevidamente chamados “prémios Nobel da Economia” e talvez se fique um pouco espantado com a sua atribuição a certas personalidades. O mesmo, de resto, se passava no tempo de outras oligarquias — “outras” porque vivemos (não tenhamos ilusões) numa oligarquia, à sombra do Poder do Capital, muito mais do que numa democracia, que supõe valores que foram relegados para segundo plano. Recorde-se o que se passava na Monarquia Constitucional com a atribuição de títulos, que tornou popular o ditado: “Foge cão que te fazem barão! Mas para onde se me fazem visconde?”. Pois é, mas o Panteão ou, como prefiro, o Pantheon, dado que a palavra assim escrita está mais próxima da sua origem grega — Pan-Theon, “todos os deuses” — é o lugar de eleição da Pátria, o lugar da Memória das memórias, dos Memoráveis mais memoráveis”.

[CONTINUA]

J.M.M.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

VISITA GUIADA À ESTAÇÃO DO ROSSIO - PAINÉIS DE LIMA DE FREITAS


VISITA GUIADA AOS PAINÉIS DE AZULEJOS DE LIMA DE FREITAS, NA ESTAÇÃO DO ROSSIO.  

DIA: 4 de Julho 2014 (9,30 horas);
GUIA: Arq. João Cruz Alves;

LOCAL DO ENCONTRO: Átrio de acesso às plataformas de embarque da Estação do Rossio (último piso)
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Viagens entre o Esquadro e o Compasso”]

“No dia 4 de Julho de 2015, sábado, pelas 10.00H, Museu Maçónico Português leva a efeito, no âmbito do ciclo Viagens Entre o Esquadro e o Compasso, a visita aos Painéis de Azulejos da Estação do Rossio, alusiva aos Mitos e Figuras Lendárias de Lisboa, da autoria do Mestre Lima de Freitas, a conduzir pelo Arq. João Cruz Alves”.
[Mitos e Figuras Lendárias de Lisboa]

“Os painéis de azulejos, da autoria do Mestre Lima de Freitas, que ornam, desde 1996, a Estação de Caminhos de Ferro do Rossio, ‘ilustram’ a “outra” história de Lisboa, menos conhecida porventura, esclarecendo e iluminando os mitos da cidade de Ulisses».

 
Estes painéis procuram traduzir e identificar a essência e o ”espírito do lugar” de Lisboa, como cidade e capital da universalidade lusa, num momento em que a «vida moderna quase faz perder a alma das cidades e das gentes».

Como refere o Mestre Lima de Freitas, ‘importará tentar desvendar e revelar os tesouros do imaginário de Lisboa’, desse tecido de fábulas, tradições e mitos que se foi tecendo entre a sua vocação e a sua história, visível nas lendas e narrativa do passado e guardadas na memória e no fundo do inconsciente colectivo’ e que caracterizam a sua identidade. Estas ‘representações míticas projectam-se no presente e no futuro, definindo alguns dos grandes arquétipos da vivência de um povo ou de uma cidade’.

 
Refere igualmente Lima de Freitas, que, ‘segundo Nietzsche’, ‘o que a história ensina é na realidade o contrário daquilo que o espírito ‘histórico’ nela projecta, não uma progressão cada vez mais consciente do homem, mas o regresso ininterrupto das mesmas disposições, que jamais se esgotam ao longo das sucessivas gerações’. Na verdade, o regresso cíclico dos mesmos motivos universais, longe de ser o produto de um estreitamento do imaginário que se vai esvaziando no repetitivo e perdendo actualidade, gera uma riqueza sempre renovada de configurações fascinantes, à maneira das iterações fractais que desabrocham numa infinidade inesgotável de formas e se revelam, todas elas, de elevada intensidade estética».

Como lembra, ‘o inconsciente lusitano e lisboeta guarda ainda, oculto nos estratos profundos da memória ancestral, os vestígios de um saber antiquíssimo (um saber que abre sobre o ser), sementes de novas e cíclicas ressurreições. Nesse fundo subsistem, mineralizados, os tótemes primordiais do luso e humano imaginar; falo não do “manto diáfano da fantasia’, mas da magia da imagem, das encarnações sucessivas da imago intemporal. De lá nos chegam visões misteriosas e, quando escutamos atentamente, velhas palavras cheias de um estranho poder, que amamos rememorar porque, como disse um poeta, ‘hão-de volver a soar’.
Com estes painéis pretendeu, ‘antes de tudo, definir um temário do imaginário urbano, ou, melhor dizendo, decidir quais os temas universais e as constantes míticas que mais se iluminam e reverberam no ‘espaço’ que é o da alma, da saudade e dos sonhos de Lisboa e da sua memória colectiva, subliminal e arquetípica’.

As inscrições deverão ser feitas de preferência através do e-mail do Museu Maçónico Português.
Contando com a vossa participação, apresento os meus cumprimentos.”
[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director doMuseu Maçónico Português]

J.M.M.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

COMEMORAR A REPÚBLICA | OLIVEIRA DO BAIRRO - 5 DE OUTUBRO 2014 | OS BUSTOS DA REPÚBLICA

 
 
 

Realizou-se no Domingo [5 de Outubro] em Oliveira do Bairro, no belíssimo auditório do Quartel das Artes, Dr. Alípio Sol, o lançamento do livro de António Pedro Vicente [Prof. Catedrático aposentado de História Contemporânea da UNL, Académico de Número da Academia Portuguesa de História e sócio correspondente de várias instituições, com valiosos trabalhos publicados sobre história portuguesa do século XIX, a que junta estimados contributos para a História da Fotografia e na História da 1ª República], “Os Bustos da 1ª República”.
 
Sob o patrocínio da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro - que na pessoa do seu presidente João Oliveira apadrinhou esta preciosa obra – o lançamento do livro, que coincidiu com a Comemoração da República, foi ornamentada com a participação, de incontestável virtude, dos professores Amadeu Carvalho Homem e de Luís Bigotte Chorão, que cumpriram com acrisolado saber, competência e distinção a apresentação da Obra e assim dilataram a fé e o ideário republicano.
 
Entre uma assistência dedicada, que soube tributar os aplausos merecidos, estiveram presentes alguns dos proprietários da valiosa colecção de bustos da República, representados na obra de António Pedro Vicente, como os drs. Emílio Rincon Peres e Aires Henriques e que sob os melhores auspícios colaboraram para a sua realização. 
          
Os Bustos da 1ª República” remete-nos para o interessante conhecimento, leitura e entendimento da iconografia e simbologia republicana, numa apologética e didáctica virtuosa, porque contextualizado, acompanhando o “surto da propaganda republicana”. Dividindo-se em diversas partes, desde o Tricentenário de Camões, ao 31 de Janeiro de 1891 e à Implantação da República, toda uma iconografia ligada ao regime republicano emerge, marcando desde logo presença o “busto da República”, ícone e símbolo da “nova era”, dum novo mundo que “resolveria as injustiças e transportaria, para o futuro, a justiça social, a liberdade, a igualdade e que iria acrisolar o amor fraterno entre os seres humanos” [p. 43].     
 
Os Bustos da 1ª República” (177 p.) é uma obra copiosa, profusamente ilustrada e em excelente papel, que reúne reproduções de peças de alguns dos nossos mais luminosos coleccionadores do período da 1ª República – António Pedro Vicente (ver Fundação Mário Soares), Emílio Rincon Peres, Aires Henriques e Luís Bigotte Chorão – e, decerto, será uma incontornável peça da rica bibliografia republicana.    
 
Os Professores Luís Bigotte Chorão e o Amadeu Carvalho Homem abrilhantaram a sessão de lançamento do livro com peças oratórias ilustradas e que deixaram viva impressão no vasto público presente.
 
Como curiosidade registe-se o debate, à margem ou talvez não, sobre o enigmático “bicho” [sic] ou “insecto” presente no busto [e conhece-se 3 versões diferentes], abaixo do pescoço da peça, pertença de Emílio Rincon Peres, e que é capa da obra, que marca uma sã e fraterna controvérsia que se estende no Facebook [AQUI e AQUI] e mesmo fora dele. Trata-se de saber quebicho” é aquele, qual a razão de estar lá colocado e, evidentemente, que simbólica (a ter uma) representa. Várias hipóteses foram entretanto levantadas: centopeia [hipótese Emílio Rincon Peres], joaninha (simbolizando a Boa Nova, da República), escorpião. Da simbologia registe-se a da já citada “República da Boa Nova” [joaninha, hipótese Aires Henriques], passando pela identificação de uma “facção” ou partido [reorganização do PRP, facção Afonso Costa: vidé o caso citado de António Martins e a reorganização do PRP em Castro Daire, 1917, referido por Abílio Pereira de Carvalho] e, até mesmo, uma outra que faz referência à alegoria simbólica [no caso de ser um escorpião] presente no grau 22.º ao 24.º do REAA. De facto, o “bicho” que adorna alguns bustos da República é uma controvérsia bem curiosa.
  
O Almanaque Republicano marcou presença e agradece, a todos, a magnifica recepção e a excelente sessão.
 
J.M.M.      

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

OS BUSTOS DA 1.ª REPÚBLICA


LIVRO: “Os Bustos da 1.ª República";
AUTOR: António Pedro Vicente;
 
LANÇAMENTO EM OLIVEIRA DO BAIRRO:
 
DIA: 5 de Outubro 2014 (17,00 horas)
LOCAL: Quartel das Artes, Dr. Alípio Sol (Oliveira do Bairro)
 
ORADORES: Prof.º Amadeu Carvalho Homem e Prof.º Luís Bigotte Chorão
 
 
J.M.M.
 

 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

OS PAINÉIS DE S. VICENTE DE FORA: A ICONOGRAFIA EM QUESTÃO

 
CICLO DE CONFERÊNCIAS DO MONTE DA LUA - Os Painéis de S. Vicente de Fora: a iconografia em questão,  por João David Zink (historiador de arte).
 
DIA: 27 de Novembro (19,30 horas);
LOCAL: Biblioteca-Museu República e Resistência – GRANDELLA (Estrada de Benfica, 419 – LISBOA);
ORGANIZAÇÃO: Biblioteca-Museu República Resistência | VITRIOL
 
DIA: 30 de Novembro (VISITA);
LOCAL: Museu Nacional de Arte Antiga (guia: João David Zink)
 
Os 'Painéis de S. Vicente de Fora' que hoje se encontram no Museu Nacional de Arte Antiga, ainda que não suscitem grandes divergências no que respeita a considerações de ordem estética, sendo consensual o fascínio que exercem, são, no entanto, o objecto da maior controvérsia na historiografia do património artístico português, aquela que já fez correr mais tinta e despertou maiores paixões, e que apesar disso, volvido mais de um século da sua redescoberta, se encontra longe de estar definitivamente solucionado.
 
A presente abordagem, incidirá sobre os grandes pontos de divergência: a disposição dos painéis e o destino iniciais, o seu significado, a identificação da personagem central e demais figuras, as diferentes teses («vicentina», «catarinista», «fernandina», «cardinalícia», «crispiniana», «carlista» e dualistas destas), a autoria, o(s) patrocinador(es), e a data de execução. Serão demonstrados os resultados da própria investigação do conferencista, e à luz desta apontados novos caminhos a percorrer
 
J.M.M.

domingo, 29 de setembro de 2013

ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 19 DE AGOSTO DE 1906


PAINEL DE AZULEJOS de Pereira da Silva (Vidraria Progresso, R. do Amparo, 108, Lisboa) alusivo ao resultado das eleições municipais de 19 de Agosto de 1906 [Autor: Pereira da Silva (Vidraria Progresso)]

► “Figuram os retratos dos republicanos eleitos para a Câmara Municipal de Lisboa (Afonso Costa, António José de Almeida, João de Menezes e Alexandre Braga); a figura da República segurando um facho e o brasão de armas do município (versão da época); um panorama da Torre de Belém; um galo saudando o sol nascente; os jornais ‘A Lucta’, ‘O Paiz’, ‘O Mundo’ e ‘A Vanguarda’; ramagens de acácia e oliveira; e diversos instrumentos profissionais usados na época; 1906

Via Casa Comum, com a devida vénia.
J.M.M.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

PELA REPÚBLICA!


PELA REPÚBLICA! PELA JUSTIÇA! PELA VERDADE! PELA HONRA! PELO PROGRESSO! PELA FRATERNIDADE!

Saúde, Paz, Prosperidades

FOTO: via Aires Barata Henriques Facebook

J.M.M.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

ARLINDO VICENTE - ALBUM DOS QUARTANISTAS DE MEDICINA UNIV. COIMBRA (1931)


Curiosa capa do ALBUM DOS QUARTANISTAS DE MEDICINA da Universidade de Coimbra (1931), com desenho de Arlindo Vicente, que aliás fez algumas caricaturas. Interessante, também, os textos que acompanham os desenhos de alguns dos quartanistas desse ano.

J.M.M.

FERNANDO NAMORA - LIVRO DE FINALISTAS, FAC. CIÊNCIAS UNIV. COIMBRA (1938)


"Já aqui referi a importância dos livros de finalistas pela iconografia que reunem - caricaturas de estudantes que, por vezes, se convertem em figuras de relevo nos mais diversos campos. Por vezes também aparecem caricaturas de professores. As tiragens eram pequenas porque se destinavam quase exclusivamente aos finalistas desse ano.

Tenho um número muito razoável de livros de finalistas das Universidades de Lisboa, Porto e Coinmbra, desde o início do século XX. E por vezes surgem surpresas, como esta capa do livro de dos finalistas da Faculdade de Ciências de Coimbra, de 1938, desenhada pelo jovem Fernando Namora, que também assina diversas caricaturas. De facto, Namora, então com 19 anos, começara a desenhar muito cedo, tendo participado, ainda estudante do liceu, no VI Salão Académico, por ocasião da Queima das Fitas de 1935. Embora tenha sempre cultivado as artes plásticas, ficou conhecido como escritor, sendo aquela sua actividade quase desconhecida do grande público
" [via ANTÓNIO VENTURA Facebook]

J.M.M.

terça-feira, 25 de maio de 2010

FÁBRICA PROGRESSO - JOAQUIM MIRANDA & FILHO (COIMBRA)



"HOMENAGEM AOS DEPUTADOS DO POVO. HONRA À CIDADE DE DE LISBOA" - Fábrica PROGRESSO, de Joaquim Miranda & Filho, Coimbra

- Deputados: Afonso Costa, António José de Almeida, Alexandre Braga e João de Menezes.

NOTA: Há referência a uma Moagem Miranda, de Coimbra [onde antes se situava o Colégio de Santo António da Estrela]. Curioso é que desapareceu (do local onde estava?) nos finais do século XIX, "consumida por um incêndio". Possivelmente continuou noutro local, porque a referência feita aos deputados republicanos eleitos pelo Circulo de Lisboa (Oriental e Ocidental) - a que se presta homenagem - resulta das Eleições de 19 de Agosto de 1906, portanto muito depois do referido "incêndio". Nada se conseguiu apurar (até ao momento) sobre a empresa Joaquim Miranda & Filho.

A propósito do trabalho desempenhado por esses quatro ilustres representantes do PRP, consultar os "DISCURSOS dos illustres deputados republicanos ... Affonso Augusto da Costa, Alexandre de Braga, António José de Almeida e João de Meneses proferidos no Parlamento, Lisboa, Typ. Pereira, Vendinho & Ca, 1906.

FOTO via blog Bernardino Machado, com a devida vénia.

[em actualização]

J.M.M.

domingo, 7 de março de 2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OS BARÕES ASSINALADOS



Os Barões Assinalados: os carbonários Luz de Almeida, Machado Santos e António Maria da Silva.

Desenho: Francisco Valença

Origem: espólio da Fundação Mário Soares/ Colecção António Pedro Vicente

ver AQUI.

J.M.M.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

POSTAIS DA PRIMEIRA REPÚBLICA



Entrevista ao Professor António Ventura: "A Primeira República vista através dos Postais", na ocasião da publicação do seu livro "Os Postais na Primeira República" e que AQUI referimos.

via Sapo Videos, com a devida vénia.

J.M.M.