sexta-feira, 24 de abril de 2015
domingo, 19 de abril de 2015
João nunca voltará para casa
Leio suas antigas cartas
e parece que nunca nos perdemos
Sinto o peso de suas firmes mãos
em cada letra tremida
desse papel agora carcomido pelas traças
Faz alto inverno no meu corpo
ao recordar do seu olhar quente
Você leitor, perceba bem a controvérsia
que ele me fez ser
Eu lhe escrevi durante toda a guerra
Nos lemos
na fome
no frio
na dor
no medo
na esperança
de vida, após mais um novo bombardeio
A última carta,
eu não sabia que era a última
Numa passagem, disse-me: A vida tem sempre uma desculpa.
Meu João, dize-me então
em um outro tempo,
noutro espaço de vida...
a desculpa para nos perder assim?
Hoje, ingenuamente o espero
com chuva e suco de maçã.
domingo, 12 de abril de 2015
Falhando até nos cansar
Eu não escrevo para afagar
Escrevo para fuçar a ferida,
higienizar o que a podridão
não deixa cicatrizar
Escrevo pelo sangue
que fica mais bonito coagulado
Escrevo porque
não me deram outra alternativa
Escrevo pra ler mais tarde
e achar alguma mudança em mim
Escrevo porque a dor
é mais atraente no papel
Escrevo porque cansei de falar,
agora eu só falho.
Escrevo para fuçar a ferida,
higienizar o que a podridão
não deixa cicatrizar
Escrevo pelo sangue
que fica mais bonito coagulado
Escrevo porque
não me deram outra alternativa
Escrevo pra ler mais tarde
e achar alguma mudança em mim
Escrevo porque a dor
é mais atraente no papel
Escrevo porque cansei de falar,
agora eu só falho.
17/02/2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Soneto para te querer sempre
Se eu não te ver mais,
vou lembrar de tudo o que não inventei
Porque você gostar de mim,
vai além da minha imaginação
Essa paixão pendurada
nas linhas da minha poesia triste
me faz mais realidade
E se não nos encontrarmos
em nenhum outro lugar,
você pode aparecer aqui
para lembrar de como eu sou
Sou só um borrão na minha própria vida
Sou também este retrato das nossas pernas amontoadas
Repousando nosso medo de não sermos mais ''nós''.
vou lembrar de tudo o que não inventei
Porque você gostar de mim,
vai além da minha imaginação
Essa paixão pendurada
nas linhas da minha poesia triste
me faz mais realidade
E se não nos encontrarmos
em nenhum outro lugar,
você pode aparecer aqui
para lembrar de como eu sou
Sou só um borrão na minha própria vida
Sou também este retrato das nossas pernas amontoadas
Repousando nosso medo de não sermos mais ''nós''.
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