"Tous les yeux s’étaient levés vers le haut de l’église. Ce qu’ils voyaient était extraordinaire. Sur le sommet de la galerie la plus élevée, plus haut que la rosace centrale, il y avait une grande flamme qui montait entre les deux clochers avec des tourbillonsd’étincelles, une grande flamme désordonnée et furieuse dont le vent emportait par moments un lambeau dans la fumée."
Victor Hugo, in Notre Dame de Paris, 1831
O drama a que assistimos, comovidos, em directo pela televisão e nos media, levou-me a reler este excerto da obra de Victor Hugo. O simbolismo que em Notre Dame se quiser encontrar, leva-nos sempre a Victor Hugo. E o excerto então! Premonição?
A acreditar no seu biógrafo Graham Robb, o que entusiasmava a maior parte dos turistas, era o costume de um guia que, apontando para uma janela junto à torre do lado do Sena, dizia a quem o seguia, que Victor Hugo ali havia escrito Notre-Dame de Paris.
Os homens, quando querem, fazem nascer lendas. Ou renascer das cinzas um novo amanhecer. Contudo, nada será igual ao que antes estava erguido.
Ficam as memórias das visitas, ao local sagrado. A Pietà que me levava sempre a emudecer perante tal cruel dor, espelhada na expressão.
E pelo filme que meus pais me referiram, quando muito mais tarde visitei pela primeira vez a catedral. Notre Dame de Paris, do realizador francês Jean Delannoy (1956). Embora os especialistas considerem que a melhor adaptação de Notre Dame de Paris date de 1939, com realização do alemão William Dieterle, radicado nos Estados Unidos
As Gárgulas resistiram ao fogo. Que sejam elas a manter a magia desta catedral na sua reconstrução.
E a meditação de Páscoa seja mais doce, para que a serenidade do tempo se refugie na alma, com encantamento, ao som do canto fresco dos pássaros. A Primavera adentra-se.
Não desças os degraus do sonho Para não despertar os monstros. Não subas aos sótãos – onde Os deuses, por trás das suas máscaras, Ocultam o próprio enigma. Não desças, não subas, fica. O mistério está é na tua vida! E é um sonho louco este nosso mundo…
E chegámos à noite dos Oscars. A noite de todas (quase) as estrelas. E de muitos sonhos.
Fomos surpreendidos pelo facto da cerimónia não ter sido difundida em directo pelas televisões nacionais. Mas sim pela FOX.
A cerimónia dos Oscars é sempre algo que seduz. Sobretudo, os apreciadores de cinema. Eu gosto.
Decepção? Sim, a ausência de grandes actores e actrizes, nas sua maioria. Não, a ausência de um apresentador propiamente dito. Fluiu melhor a noite e acabou mais cedo.
Green Book,Oscar de Melhor Filme. Muito merecido! Gostei imenso do filme, história bem contada (baseada em factos verídicos), excelente interpretação dos actores Viggo Mortensen (nomeado para Melhor Actor), e Mahershala Ali(Oscar Melhor Actor Secundário). E banda sonora linda de Kris Bowers.
Vi uma parte dos filmes nomeados. Alguns ainda não exibidos nas salas de cinema, ou então disponíveis em vésperas da cerimónia. Mas vi alguns outros com ou sem nomeações.
Premiaram-se filmes discutíveis? Não posso falar de alguns, dado que não os vi. Refiro-me a Roma, Cold War, The Favourite.
Vi A Star is Born. Bom! Sem nada a acrescentar. Não saí maravilhada, como vi muitos. Banda sonora muito boa. Lady Gaga é genial como cantora e compositora.
E The Mule traduzindo, Correio da Droga de Clint Eastwood. Quase um testamento cinematográfico. Uma falha imensa. Clint Eastwood, 88 anos, realizador e intérprete, num drama perturbante, em tom de jovial ligeireza. Somos levados a sorrir, tantas vezes, pela personificação subtil de um homem que efectivamente existiu. Mais uma história baseada em factos verídicos. Banda sonora óptima. Jazz e country music. Uma característica dos filmes Eastwood. Boa música.
Numa outra perspectiva,Ben is Back, O Ben Está de Volta (2018) com Julia Robert e Lucas Hedges (19 anos). Interpretações intensas, autênticas. Inesquecíveis. Um jovem actor muito prometedor que fez jus ao brutal desempenho de Julia Roberts. Sem nenhuma nomeação. Imperdoável.
Julia Roberts
Oscars 2019
créditos: AFP
via The Telegraph
Julia Roberts esteve presente, sim. Apenas para entregar o Oscar de Melhor Filme a Green Book. Linda! Merecia mais.
Bohemian Rhapsodyvenceu muitas das nomeações, se não todas. Mas brutal foi a performance dos Queen com Adam Lambert! Levantou a sala toda! Magnífica!
Quanto à Melhor Actriz, Olivia Colman. Não sei, ainda não vi o filme. Não me posso pronunciar. Embora não considere que Lady Gaga devesse ser a galardoada.
Romavenceu em Fotografia, Filme Estrangeiro e Realizador. Alfonso Cuarón, um dos melhores realizadores da actualidade. Lá acabámos felizes. Todos os nomeados para Melhor Filme venceram, pelo menos, um Óscar. O que não apontou para a diversidade de filmes aqui presente.
Perdeu-se algum encantamento, mas mesmo assim, gostei. Cinema é sempre magia.
(Re)começar .... a vontade de mudar alguma coisa. Adoro a sensação do sentimento positivo que me envolve. Os (re)começos.
Encerrar ciclos anteriores. Saber que houve muita reflexão, e algum desapego.
Muitas vezes a vida nos leva a (re)começar. Repensar.
E voltar a sonhos escondidos, não esquecidos. Luminosos. O dia de hoje? Irresistível. (Re)começar é quase inevitável. Este céu azul-claro, inspirador. Tão suave!
Todos os (re)começos provocam uma certa ansiedade. Receio. Será que vou mesmo (re)começar?Respiro. Profundamente!
Abraçar a paixão de (re)começar, mesmo que me pareça desconfortável. A vida dá-nos esses (re)começos...
"There are only a few artists who get to have maybe one song they are remembered by. Dolores has so many."
Rolling Stones, David Brownie
Sem dúvida! Dolores O'Riordan, a vocalista de uma das minhas bandas de referência desde os anos 90, The Cranberries, a banda indie irlandesa tinha esse carisma que punha em cada canção que interpretava. Sem deixar nunca a sua pronúncia irlandesa.
Dolores O'Riordanvai a enterrar esta terça-feira. Tinha46 anos. Centenas de pessoas de todas as idades, reúnem-se junto à igreja St Joseph, em Limerick para prestar a sua homenagem à voz que deu vida a The Cranberries. A cantora, morreu de repente em Londres, na última segunda-feira, 15 Janeiro.
Foi em 1990 queO’Riordan se tornou a voz de The Cranberries. E com que garra ela interpretava as músicas da banda indie.
O'Riordan, de Friarstown, County Limerick, era conhecida por sua voz bem distinta de The Cranberries que foi uma das mais bandes de maior sucesso na década de 90, com temas como Zombie e Linger.
"Earlier this week, the body of Cranberries singer Dolores O’Riordan was found in a London hotel room. While police have yet to establish a cause of death for the 46-year-old musician, her bandmates and family have been absorbing it all and requesting privacy. "My friend, partner, and the love of my life is gone," O'Riordan's partner Olé Koretsky said in a statement. "My heart is broken and it is beyond repair."
Rolling Stones, David Brownie
O’Riordan with the Cranberries at the Festival Jardins de Pedralbes Barcelona, 2016
Lembro ter escrito algures, neste espaço, em laia de desabafo, o quanto The Cranberries, pela voz de Dolores O'Riordanme embalou nas noites frias, distantes, de uma Holanda inóspita, em viagem de estudo. O tema que não lembro mais o nome, tinha algo de parecido com 'I'm going home' (não consegui encontrar a canção). Tinha o CD que levei comigo, mas não sei onde o deixei.
Pessoas distantes, noites solitárias numa família que se entregava à bebida, talvez para se sentir mais quente. Não havia diálogo. Péssimo acolhimento. Prefiro esquecer. Subia então para o quarto que me fora dispensado, e ouvia, incessantemente, até adormecer, ao estilo lullabay, a voz de Dolores O'Riordan nessa canção que permanece na minha memória afectiva.
Foi um choque saber da sua morte. Ouvia o seu último video, Ordinary Day, nestes últimos tempos, um trabalho a solo. Continuava a prender-me a alma.
This is just an ordinary day Wipe the insecurities away I can see that the darkness will erode Looking out the corner of my eye I can see that the sunshine will explode Far across the desert in the sky (...) Dolores O'Riordan, Ordinary Day
A cantora irlandesa atingiu a fama na década de 90 com The Cranberries, que vendeu milhões de álbuns em todo o mundo, devido em grande parte, ao seu estilo vocal apaixonado e quase assustador.
Noel Hogan, Mike Hogan, O’Riordan and Fergal Lawler após concerto The Meteor Ireland music awards, Dublin, 2002
A honestidade que punha nas suas interpretações fazia com que se conectasse connosco. Era tímida, dizem, e até cantou de costas para o público no início da carreira. Mas interpretava músicas com as quais nos identificávamos e isso era novo, para a época.
Dolores O'Riordan em palco na 23a edição do Cognac Blues Passion festival
Talvez Dolores nunca tivesse lidado bem a fama. Começou a cantar na igreja de Limerick. Era profundamente católica.
O pai de um jovem morto num bombardeamento, no tempo do IRA, elogiou a cantora, depois da gravação de Zombie (1994) em homenagem a seu filho, Tim, 12 anos, morto em 1993, quando duas bombas explodiram em Warrington, Cheshire. Suponho que a última fotografia de Dolores. Postada na sua conta pessoal, Twitter, no dia 4 Janeiro 2018, onde se pode ler: bye bye Gio. We're off to Ireland
Fez um ano no dia 15 Janeiro que Dolores O'Riordan, vocalista de The Cranberries morreu.
A data foi marcada pelo lançamento de All Over Now, primeiro single do álbum In the End, o último do grupo - que os colegas de Dolores consideram como uma homenagem ao trabalho que fizeram juntos.
"O álbum celebra o trabalho que Dolores fez e retribui todo o apoio que os fãs deram à banda ao longo dos anos", (...) "É como um pequeno presente que ela deixou para trás".
Fergal Lawler, baterista The Cranberries
Bonita e sensível homenagem da banda que fez as delícias dos anos 80 de muitos de nós.