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quinta-feira, fevereiro 22, 2018

o Massacre de Batepá e as culpas de Portugal

O Presidente da República esteve bem quando abominou o Massacre de Batepá, mas não teria ficado mal um pedido de desculpas aos sãotomenses. Não especificamente pela actuação de um escroque que era governador da então colónia, chamado Carlos Gorgulho, cujo nome só deve ser referido para se acompanhar da abjecção que merece. Este indivíduo exorbitou criminosamente  as suas funções, tentando, inclusivamente, enganar o poder de Lisboa, inventando uma intentona revolucionária quando a população se revoltava apenas contra a arbitrariedade mais chula e reles. Foi, curiosamente, a pide que, chamada à ilha, percebeu que a insurreição não tinha que ver com motivações políticas independentistas, como lhe havia sido vendido, mas com a simples autodefesa de quem era capturado para trabalhar forçadamente em obras públicas, para glória do Gorgulho. As desculpas são devidas pela actuação do nosso Salazar, que alertado pela dita pide para as reais motivações dos insurgentes, manda recambiar o vigarista; e creio, com o cinismo e filhadaputice que eram seu apanágio, chega a dar-lhe um louvor ou a condecorá-lo, já não me recordo com exactidão. E fê-lo, não por simpatizar com o homúnculo Gorgulho, mas para que o Estado não perdesse a face, no seu entender. É por isso que  teria ficado bem a Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto presidente de Portugal um pedido de desculpas, já que um bandido é um bandido, e se enodoa o país, como sucedeu, o Estado tem de o sancionar. Como vimos, a penalização, bastante edulcorada, nem merece esse nome.

Ao contrário do que possam pensar alguns obtusos, um país e o seu povo só se honra se reconhecer e manifestar pesar pelos crimes que tenha cometido. Foi o que Soares fez, quando era PR, em Belmonte, pedindo desculpa aos judeus portugueses pelos crimes que o país cometera quinhentos anos atrás. Foi um gesto que nos enobreceu enquanto comunidade.

quarta-feira, outubro 18, 2017

O discurso do PR e outras coisas acessórias

Marcelo Rebelo de Sousa proferiu uma declaração política sem mácula para o momento que se vivia, justificando plenamente as funções que exerce e a existência do próprio cargo na forma como é moldado pela constituição. Talvez tenha de recuar ao mandato de Ramalho Eanes para encontrar momentos tão substantivos da actuação presidencial. Nem Soares nem Sampaio, que me recorde, tiveram um momento com estes contornos, pelo menos em público. (Nem vale apena falar de Cavaco, um indivíduo que nunca teria dimensão para ir além de secretário-de-estado, e cuja investidura como chefe de governo e do estado exibe a indigência das elites políticas.).

O governo de António Costa merece censura? Merece-a toda, neste particular. São dois anos de executivo, é inútil argumentar com a pesada herança de Passos, que, tendo governado contra os portugueses, não se lhe podem ser assacadas responsabilidades pela balbúrdia na Protecção Civil.

Merecendo ser censurado, a reprovação já foi feita pela opinião pública, que felizmente tem cada vez menos pachorra para deixar-se iludir. Daí que seja também com justificado asco que as pessoas olhem para o oportunismo político de uma Assunção Cristas, anterior ministra da Agricultura -- a tal que recorria à 'fé' para enfrentar a seca, fé certamente emponderada (para usar uma palavra horrível) com muitas orações e genuflexões. Portanto, não será por aqui que o governo cairá, só se o PCP e o BE não tiverem também eles pudor.

Finalmente, sem ter pretensões a conselheiros político, será bom que a escolha do próximo MAI recaia em alguém com arcaboiço político suficiente para enfrentar a matilha da direita parlamentar. Esta faz lembrar aqueles documentários do David Attenborough: os chacais rodeando a manada de búfalos, à espera que uma mãe se distraia com a cria ou que um indivíduo velho ou doente fique para trás, esgotando-o pela fadiga. Tentaram-no com os ministros das Finanças, da Economia e da Educação, que chegaram bem para eles, cada um com o seu estilo; estão-no a fazer com o da Defesa, que tem também cabedal, mas que talvez não consiga resistir à enxurrada. Isto não é para ministros sem experiência política (lembremo-nos do desastre da ministra de Passos, que, sabe-se lá porquê, foi buscá-la à Universidade de Coimbra e, apesar da fachada de màzona, saiu trucidada), não é para carne tenra, é para ursos como, por exemplo, Carlos César ou outros do mesmo tipo, com experiência e peso político. Aliás, se há coisa que me dá gosto ver é quando o líder parlamentar do PS, com a brutalidade, sempre necessária mas nunca vulgar, para os que não têm vergonha, deixa knockout a direita parlamentar. 

terça-feira, janeiro 10, 2017

Mário Soares e as bandeiras do PAIGC

Nada me dá mais prazer e estimula tanto -- a mim, que nunca fui soarista -- vir enaltecer o que Soares representou hoje, nas suas exéquias.
o 25 de Abril, no cravo vermelho que o filho, João Soares, trazia orgulhosamente à lapela;
a libertação dos povos africanos e, consequentemente, do povo português, carne para canhão dum regime criminoso, que Soares ajudou a derrubar, na presença dos presidentes de Cabo Verde e Guiné-Bissau;
o europeismo cosmopolita, com a evocação da cerimónia da adesão à CEE, no dia 12 de Junho de 1985 (por acaso, o dia dos meus 21 anos);
a atitude do PCP, que soube curvar-se perante a memória daquele que, corajosamente, defendeu comunistas e outros opositores nos tribunais plenários, diante dos homúnculos do regime;
a literatura, com a dicção impecável por Maria Barroso dum poeta do Novo Cancioneiro, Álvaro Feijó, morto muito jovem, creio que tuberculoso.
o beijo de Isabel Soares na bandeira nacional, que a leprosaria mental papagueia ter sido insultada por ele.
Ficou bem a Marcelo Rebelo de Sousa tentar ser pedagógico para com estes indigentes, mas eu prefiro a secura bruta de Ferro Rodrigues, ao referir-se-lhes como aquilo que são: fanáticos do ódio, que hoje tiveram de gramar mais uma manifestação de Abril. E foi bem feito.
E para ilustrar aquilo em que Soares foi grande, aqui vai mais uma foto, só para chatear: ele com Aristides Pereira, digníssimo sucessor do insigne Amílcar Cabral à frente do PAIGC, cujas insígnias marcaram comovidamente presença nas cerimónia fúnebres.

fonte

segunda-feira, janeiro 09, 2017

é só para chatear a canalha ressabiada

Samora Machel e Mário Soares, com Kenneth Kaunda, Lusaka, Junho de 1974

Dizem-me que o Facebook é o vomitório dos atrasos de vida do costume. Ora aqui vai o Soares com Samora, o tal de quem os racistas analfabetos de cá contavam anedotas, julgando ver-se ao espelho.
A foto é do DN, ilustrando uma entrevista cujo título é «"Tenho muita honra em ter participado na descolonização, diz Mário Soares"».

sábado, janeiro 07, 2017

sempre do lado certo da História - depoimento de um não-soarista

Quem ande por aqui saberá que nunca simpatizei com Soares. Sempre me pareceu um homem de corte e demasiado sensível à lisonja. Também nenhum político em Portugal, depois do 25 de Abril, foi tão adulado quanto ele, na política e no jornalismo, por essa categorial assaz desprezível de criaturas a que os brasileiros dão o bem apanhado nome de puxa-saco.
Voltando a Soares, com quem estive pessoalmente algumas vezes, a primeira das quais era eu um adolescente parecido com o homem de meia-idade que sou hoje. Soares candidatava-se de novo a governante, à frente do PS, e queria ouvir os jovens, Lá fui a Nafarros, com o meu amigo e colega do Liceu de S. João do Estoril Paulo Campos, que por essa altura já transpirava política por todos os poros, Éramos cerca de dez, e eu fui fazer o papel do extremista da esquerda (pelo menos foi assim que fui entendido por uma jornalista presente, sabe-se lá porquê...). Soares e Maria Barroso, impecáveis, de enorme afabilidade e bonomia. Podia falar também das restantes três ou quatro vezes em que o encontrei, já no meu âmbito profissional, mas não tem grande interesse. 
O que me importa escrever, neste dia da sua morte, é que Soares, nas grandes linhas que definem a acção dum político, esteve sempre do lado certo da História, desde a juventude:
1. - na segunda metade da década de quarenta, jovem comunista, contra Salazar no MUD Juvenil e na candidatura de Norton de Matos;
2, - na luta contra o colonialismo português -- criminoso, como todos os colonialismos -- liderando, de resto, o processo de descolonização. A extrema-direita e os ressentidos do costume, que o vituperaram por causa da descolonização a que ironicamente chamaram exemplar, não tiveram nem têm a honestidade intelectual e/ou os dedos de testa suficientes para analisarem o momento histórico particular, interna e externamente, que o país e as colónias atravessavam. Isto para dizer que ninguém, poderia ter feito melhor do que ele e outros fizeram;
3. - no enfrentamento do sovietismo 'comunista' da miséria moral, dos candidatos a apparatchiks ou a polícia ou bufo, que sempre os houve em todos os regimes, e também a uns tipos cheios de acne revolucionário, que quarenta anos depois não passam de -- usando a boa linguagem da época -- serventuários do capital;
4. . finalmente, e já não é pouco: a liderança no processo de adesão à CEE, fundamental para a nossa liberdade política (ameaçada pelos sovietizantes, e inevitáveis oportunistas e idiotas úteis), e também para recuperarmos do atraso que quarenta anos de salazarismo nos deixou, cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir na sociedade, com o seu baixíssimo nivel médio de instrução e sentido crítico, a começar pelas chamadas élites, políticas, académicas & outras.

sexta-feira, janeiro 23, 2015

do revanchismo sobre Sócrates

As pessoas não são estúpidas, e percebem que o caso de Sócrates vai muito para além de uma configuração criminal. Não digo, como Soares, que ele seja um preso político. A política é outra coisa e não é para aqui chamada. O que se passa com Sócrates é estar ele a ser alvo de um nítido revanchismo. Só assim se percebe que funcionários superiores, directores-gerais & outras insignificâncias, se prestem a protagonizar episódios grotescos como o cachecol do Benfica, o edredão, ou as botas de cano alto, alegando o cumprimento dos regulamentos, a merda dos regulamentozinhos, os filhosdaputa dos regulamentozinhos -- quando é mentira que nas prisões os presos não possam vestir roupa sua. Eu já dirigi um clube de leitura numa prisão (uma experiência inesquecível, diga-se) e sei muito bem que os detidos envergavam vestuário seu para se protegerem do frio -- o que me parece justíssimo, se os serviços prisionais não fornecerem a indumentária suficiente. Quem achar o contrário é uma besta.
Outro episódio curioso foi o da solicitude do Sindicato dos Guardas Prisionais em denunciar os alegados privilégios de Sócrates na prisão. Mas alguém lhes encomendou o sermão? Antecipando justificações, se é que as houve: a instabillidade na população prisional. Está-se mesmo a ver o perigo que seria um motim envolvendo a meia dúzia de reclusos daquele estabelecimento, revoltados pelo pretendido tratamento de favor a um ex-PM, tratado como um manel palito qualquer... (É bem feito, pá!; pois, pá!, aqui é tudo igual, pá!...) A ralé que é ralé refocila e rebandalha-se com as humilhações infligidas aos poderosos.
Finalmente, o episódio da semana: a admiração, o escândalo até!, por um amigo jornalista -- parece que uma amizade de quarenta anos -- o actual director do JN, Afonso Camões, ter avisado Sócrates de que estaria a ser escutado, e inclusive que poderia haver lugar à sua detenção. Enorme escândalo, na verdade. Então as pessoas preocupam-se assim com os amigos, pá?!... Mas não tenho visto grande debate por essa informação ter sido transmitida a Camões por um seu colega de profissão do grupo Cofina, recolhida junto do juiz ou do procurador, como o próprio denunciou...
No meio disto tudo, a Justiça na lama, as pessoas a sentirem o cheiro a esturro. A culpa também deve ser de Sócrates.

sábado, outubro 11, 2014

das vítimas da História

O Retorno, Dulce Maria Cardoso (2012). Um bom romance sobre o drama dos chamados retornados -- episódio central do pós-revolução de Abril, em que sobressai o choque cultural e consequente rejeição da "Metrópole", que responde em conformidade. Rejeição sentida principalmente por parte dos jovens, que nunca a haviam conhecido ou dela tinham uma ideia distorcida, porque mitificada, nomeadamente nos programas escolares. Decepção que acarreta um sentimento de impotência e revolta. Todos os que não fomos retornados conhecemos e tivemos parentes que o foram. Eu tenho a idade de Dulce Maria Cardoso, e lembro-me.
Esta é, pois, uma história sobre as vítimas da História, as que foram apanhadas no turbilhão em que, por um lado, se intersectaram as contingências da política interna (Guerra Colonial, Revolução e estado de pré-guerra civil, Descolonização) e, por outro, as dinâmicas geopolíticas decorrentes da Guerra Fria. Demasiado para simples pessoas que a pobreza da "Metrópole" ou o espírito de iniciativa fizeram com que fossem atraídas por essas terras de oportunidade. Daí que o mainstream político retornado espelhe uma enorme hostilidade ao 25 de Abril e àqueles que o protagonizaram, militares e políticos. Os doestos com que mimoseavam Soares e Rosa Coutinho, por exemplo, são expressão patética dessa impotência.
Dulce Maria Cardoso trata o tema, não apenas com mestria literária (a chegada ao Aeroporto da Portela é um dos grandes momentos do livro), mas igualmente com sabedoria autoral, pois O Retorno é um livro que se esforça por não tomar posição. Embora se perceba a inelutabilidade histórica -- e, desse ponto de vista, não há um mínimo de justificação do colonialismo, bem pelo contrário --, o romance é feliz ao dar-nos um perfil perfeitamente normal daqueles que vieram de África: na maioria, gente comum apanhada pelo vórtice da História.
A forma como a autora o veicula é inteligentemente dada através do discurso do protagonista, Rui, um adolescente a quem, nós leitores, permitimos e compreendemos todos os desabafos, todas as invectivas, todas as perplexidades. 

quarta-feira, janeiro 08, 2014

Soares, Eusébio e as prostiputas das agências de comunicação

É óbvio que Soares está fisicamente diminuído, e que a expressão nem sempre lhe sai bem, para ser benevolente. "Isto" que foram arranjar sobre a "cultura" do grande futebolista e o seu alegado gosto pelo uísque, de que Soares falou num contexto de grande simpatia pelo jogador, foi arrancado, baralhado e dado de novo por esses putéfias das agências comunicação que trabalham para o governo, e que o foram plantar na imprensa, onde existe uma percentagem de papagaios e imbecis acima do permitido pelas normas Comunitárias.

domingo, novembro 24, 2013

Os CTT -- para não esquecer mais uma traição aos portugueses

Quando o governo anterior foi levado a negociar com a troika, na sequência do chumbo do PEC IV, previu-se o recurso a privatizações de activos do Estado português no valor de 5.000.000.000 € (cinco mil milhões euros). 
Até agora, o Estado encaixou mais de seis mil milhões, tornando dispensável a alienação dos Correios de Portugal, empresa lucrativa, fundamental para a coesão do território (como ainda há pouco era lembrado n'"O Eixo do Mal") e, como a RTP (Rádio e Televisão de Portugal) ou a TAP (Transportes Aéreos Portugueses) são instrumentos de soberania (tal como o era, por exemplo a REN, Rede Eléctrica Nacional).
Isto demonstra que este governo é atentatório da dignidade e da soberania nacionais. Recorde-se que o serviço de correios foi instituído em 1521 por D. Manuel I, e que pouquíssimos países no mundo conhecem uma originalidade destas (nos EUA, por exemplo, os correios são públicos).
O insuportável vice-primeiro-ministro disse estarmos à beira do 1.º de Dezembro (feriado, aliás, que foi ignominiosamente suprimido, por gente sem vergonha); a conclusão óbvia é a de que a direcção política do governo encarna o perfil do traidor Miguel de Vasconcelos. Como dizia Mário Soares, seria bom que eles se apeassem por si próprios, para não serem defenestrados, como sucedeu com o dito Vasconcelos colaboracionista.

quarta-feira, junho 01, 2011

porque não voto no PCP / CDU

Não vale a pena, francamente, gastar muito latim com o PCP. Ideologicamente firme, com a firmeza de uma seita,  a sua perversão doutrinária, para quem tivesse dúvidas quanto à teoria, já foi demonstrada na prática, através de todas as uniões soviéticas, chinas, albânias, cubas e coreias do norte deste mundo. O marxismo-leninismo faz-me lembrar a santa madre igreja e a sua inquisição, quando impunha a fogueira como penitência; neste caso, em nome de um horizonte social beatífico, foram impostos os regimes mais repressivos e tirânicos que o século XX conheceu, com excepção do nazismo (nada se compara com o nazismo). Como disse o Júlio Pomar quando acompanhou Soares em visita à URSS: "ver para descrer". Mas nem é necessário ir ver: basta ler, do pensamento e prática intolerantes de Marx, ao Avante! do mês passado, a propósito da questão síria; ou, se quiserem, ler o Orwell, o Koestler, o Soljenitsine... Não mudaram, não querem mudar. Estão no seu direito; mas numa sociedade livre serão sempre residuais.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Escrever na areia - Com o pé direito



Acabou-se. Manuel Alegre não foi eleito. Mobilizou mais de um milhão de eleitores, por razões várias. Quanto a mim, votei num homem com um passado honroso e num cidadão que soube estar nos momentos essenciais do lado certo da História. E votei no escritor. A meu ver, Manuel Alegre poderá continuar a prestar bons serviços ao país na acção política, no PS e na Assembleia da República, sabendo fazer valer o peso granjeado nesta eleição. Portugal também precisa dele, não em movimentos residuais de protesto, mas no centro do poder.
Uma palavra para o presidente eleito, Aníbal Cavaco Silva, referindo o bom discurso de vitória que proferiu no CCB, dirigindo-se à imprensa e, por seu intermédio, aos portugueses. Uma intervenção limpa, sem adversativas, lembrando os estrangeiros que cá vivem e os portugueses mais desfavorecidos, falando na liberdade, sem precisar de fazê-lo, mas dando com ela outra forma à sua proclamação vitoriosa. Gostei. Espero que lhe, e nos, seja auspicioso.
Uma notícula para os comentadeiros de serviço, para os pivôs e plumitivos agenciados: sem ilusões quanto à sua desvergonha, conformo-me com vê-los pululando, sempre disponíveis e de boca aberta à espera que lhes atirem amendoins...
Outra notícula para vomitar na dita extrema-esquerda (não falo na desdita extrema-direita, que está cadaverosa): os Louçãs, os Tomés, os Rosas, os Vales de Almeida, as Dragos, mais os aliados do candidato a Américo Thomaz, que na sua insignificância política não hesitaram em insultar alguém cujo passado de resistente deveria merecer alguma estima e talvez solenidade, pelo menos a essa confraria beata que quando fala em esquerda, fá-lo com a voz cava...

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Escrever na areia - Alegre vs. Cavaco (ou ontem o blogger devia estar entupido)

Posted by Picasa*tvi
É só para dizer que o debate ontem correu muito bem, a ambos. Sereno e elegante para com Cavaco, político na acepção mais elevada, Alegre tem à esquerda os seus reais adversários. Terá de arrumar com Soares, evidenciando como a candidatura deste é politicamente aberrante num estado moderno e europeu; provavelmente, até ao dia do debate o próprio Soares já terá percebido que o país há muito perdeu a pachorra para gramar outra vez a sua magistratura de influência. Chega. Alegre terá também que pôr Jerónimo no sítio e, se for preciso, perguntar-lhe onde estava antes do 25 de Abril, para ver se o diligente secretário-geral, que anda há um ano a pastorear o rebanho, encaixa; e finalmente mostrar que Louçã é um produto marginal e suburbano, uma espécie de irritação cutânea, por enquanto nada de muito sério que não passe com uma pomada bem aplicada. Uma palavra para Cavaco: terá sempre as suas insuficiências, como todos nós, mas em dez anos ganhou um estofo visível de estadista. Eu também dormirei tranquilo se Cavaco for eleito. Mas, para já, estou com o Manuel Alegre.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Escrever na areia - A palavra

A palavra de Manuel Alegre contra a palavra de José Sócrates. Por mim, podem juntar à de Sócrates a palavra de Mário Soares, o palavrão de Jorge Coelho ou a palavrinha de José Vitorino. Qual a palavra que pesa? Nenhuma dúvida a esse respeito.

(Alterado)

sexta-feira, julho 15, 2005

Aznar, Bush e Blair...

As palavras-de-ordem nas manifestações, da esquerda, pelo menos, são muito prosódicas e devedoras da poesia popular. Foi o que me ocorreu naquela célebre manif contra a guerra no Iraque, que tem andado deveras irritante neste blogue que se pretende pacífico (mas não pacifista). A palavra-de-ordem do momento era: «Aznar, Bush e Blair / esta guerra ninguém quer!»:

Quando eu era jovem, as massas industriaram-me na poesia popular.
SOARES LADRÃO / ROUBA O PÃO
alertavam-me as paredes
com a força das convicções
e dos erros ortográficos.
Por vezes os versos eram brancos
embora vermelhos
por vezes eram brancos.
Assim o muro da recta do Dafundo
SOARES LADRÃO AMDA A ROUBAR O DINHEIRO DO POVO GATUNO VAI PARA A RUA JÁ!
podíamos ler nos idos de 70
e até algum 80.
Ainda hoje a poesia popular me persegue.

3-VII-2003

quinta-feira, julho 14, 2005

Ou nós ou eles,

escreve Pacheco Pereira na edição de hoje do «Público», a propósito dos acontecimentos de Londres. E eu, eu concordo... Com pena, pois, se ainda me lembro, o articulista foi um dos apoiantes da investida contra o Iraque, com lindos resultados, o que, aceitemos, não lhe retira o acerto da análise, ao contrário de Soares, que esteve do lado correcto, mas espalhando-se ao comprido nos últimos comentários, sobre umas famigeradas causas, que como já aqui escrevi, só lateralmente têm que ver com o que se passou. Defendamo-nos, pois, com tudo o que temos à mão, como diz Pacheco Pereira: «tropas, polícias, agentes de informações, à dentada (...)», se for preciso. É brutalmente simples, reconhece, mas não deixa de ser realista. Ao contrário, Helder Macedo, pessoa, escritor e intelectual respeitabilíssimo, também hoje na «Visão», http://www.visaoonline.pt/, parece-me que incorre nos erros de apreciação do costume, ao avisar-nos, com legítima preocupação, em relação aos excessos, em particular dos demagogos e duma tropa fandanga que lhes está adjacente. Tolerância, democracia, está tudo muito bem, creio que os ingleses serão os últimos a cair em tentações estranhas. Não lhes peçam, porém, que se deixem imolar. Ou somos intolerantes com a intolerância ou, aí sim, capitularemos.