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terça-feira, maio 09, 2017

começar

Fica-se mais fatigado a ler o incipit  de Abel Botelho (aliás, um romance importante) do que o de António Lobo Antunes, uns furos abaixo do livro de estreia. António Alçada Baptista com um livro interessante, por uma vez (comparar este início com os anteriores). O vento de Filomena Marona Beja tresanda a Antiguidade.
O título: O Eléctrico 16.

1901: «-- Essa ceia está pronta? -- perguntou enfastiado o Serafim, cuja figura esgalgada e curva, tendo vencido o último degrau da escada, assomava oscilando à porta da cozinha.» Abel Botelho, Amanhã

1979: «O Hospital em que trabalhava era o mesmo a que muitas vezes na infância acompanhara o pai: antigo convento de relógio de junta de freguesia na fachada, pátio de plátanos oxidados, doentes de uniforme vagabundeando ao acaso tontos de calmantes, o sorriso gordo do porteiro a arrebitar os beiços para cima como se fosse voar: de tempos a tempos, metamorfoseado em cobrador, aquele Júpiter de sucessivas faces surgia-lhe à esquina da enfermaria de pasta de plástico no sovaco a estender um papelucho imperativo e suplicante:» António Lobo Antunes, Memória de Elefante

1989: «Quando, há muitos anos, o Sr. Trocato me contou as razões por que não acreditava na história que corria sobre a morte do Dr. Júlio Fernandes da Silva e da mulher, eu não tive dúvida de que aquilo foi um crime porque me lembrei logo da minha tia Suzana.» António Alçada Baptista, Tia Suzana, Meu Amor

2013: «Ali, o vento emprenhava as éguas.» Filomena Marona Beja, O Eléctrico 16

sexta-feira, fevereiro 26, 2016

microleituras

Um clássico da literatura tradicional trabalhada por vários autores, de Ana de Castro Osório (a única que, até agora, lera) a António Sérgio, passando pela grande escritora brasileira para a infância Lúcia Pimentel Góes. Neste livrinho, é Filomena Marona Beja quem decide recontá-la, retirando-lhe o peso machista da época, que hoje seria inaceitável e acintoso: os misteriosos dez anõezinhos vieram ajudar  a dona de casa cujo desmazelo transtornara o marido, e esse auxílio pretado pelas dez criaturinhas acabaram por restabelecer a paz no lar. Donas donos  de casa, nos nossos dias, só por opção ou desemprego. Assim, nova moral da história: «o trabalho de cada um valoriza-se por si e pelo dos outros.»
Trata-se de uma edição artesanal, com imagens produzidas pela oficina de ilustração da Casa da Achada, que publicou a obra.

Incipit: «Eram novos e viviam juntos havia pouco tempo.»

ficha:
Autora: Filomena Marona Beja
título: Os Dez Anõezinhos da Tia Verde-Água
ilustrações: Marta Caldas, Felisbela Fonseca e elementos da oficina de ilustraçao da CA
edição: Casa da Achada - Centro Mário Dionísio
local: Lisboa
ano: 2014
capa: Eduarda Dionísio + oficina de paginação
impressão: Casa da Achada-Centro Mário Dionísio
págs.: 36  

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