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quarta-feira, maio 02, 2018

«Levanto-me de manhã amarrotado / pelo peso inclemente das mentiras / e vazo no real outro real / das letras que ninguém vislumbrará.» Pero Tamen, «Herzog», Analogia e Dedos (2006)

«Conforme / Tu vibras os cristais da boca musical, / Vai-nos minando o tempo, o tempo -- o cancro enorme / Que te há-de corromper o corpo de vestal.» Cesário Verde, «Ironias do desgosto», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

«Mas não seria, até um crime, / preferível ao betão raso deste dias?» Manuel de Freitas, «Avanti Marinaio», Walkmen (2007)

quarta-feira, março 21, 2018

«Eu ontem encontrei-a, quando vinha, / Britânica, e fazendo-me assombrar; / Grande dama fatal, sempre sòzinha, / E com firmeza e música no andar!» Cesário Verde, «Deslumbramentos», O Livro de Cesário Verde (póstumo, 1887)

«O meu íntimo é uma catedral / que ninguém viu.» Alexandre Dáskalos, Poesia (póstumo, 1961)

«é inacreditável como há dezassete anos / comecei a geração contigo / num ferry-boat sobre o moliço» Fernando Assis Pacheco, Memórias do Contencioso (1976) 

terça-feira, março 20, 2018

«Se não fora eu ter-te assim, / A toda a hora, / Sempre à beirinha de mim, / (Sei agora / Que isto de a gente ser grande / Não é como se nos pinta...) / Mãe!, já teria morrido, / Ou já teria fugido, / Ou já teria bebido / Algum tinteiro de tinta!» José Régio, «Colegial», As Encruzilhadas de Deus (1936)

«Oh, sentir sempre no peito / o tumulto do mundo / da vida e de mim.» Alexandre Dáskalos, Poesia (póstumo, 1961)

«Milady, é perigoso contemplá-la, / Quando passa aromática e normal, / Com seu tipo tão nobre e tão de sala, / Com seus gestos de neve e de metal.» Cesário Verde, «Deslumbramentos», O Livro de Cesário Verde ( póstumo, 1887)

domingo, junho 19, 2016

uma carta de Cesário Verde

Carta emocionante do enorme e pobre Cesário (1855-1886) sobre um dos seus grandes poemas. Emocionante, porque vê-loouvi-lo falar da sua obra, resgatada por Silva Pinto à dispersão, é, de algum modo, trazê-lo de além-túmulo ao nosso convívio. Bendito Mariano Pina, autor menor, porém influente do universo literário português de oitocentos.

(ler)

segunda-feira, setembro 09, 2013

Cesário Évora & Frank Marluce

Eu sei que no melhor pano cai a nódoa; e também sei que o jornalismo é feito sempre a correr. Mas, que diabo!, não podia o Expresso ter uma revisão mais cuidada e esclarecida? É que na última Revista, a propósito da (inevitavelmente) discutível lista dos "100 Portugueses -- Figuras que moldaram o século XX", no texto sobre Carlos Paredes, citando-se o poeta de Lisboa, Cesário Verde aparece como "Cesário Évora"; e na evocação de Melo Antunes, Frank Carlucci, embaixador americano durante o PREC, ganha o inusitado apelido "Marluce". Não sei se José Pedro Castanheira -- de resto, um dos melhores jornalistas portugueses -- estaria a estranhar que na segunda divisão dessa lista de 100 portugueses notáveis surgisse, como surgiu (e isto nada tem que ver com o caso Casa Pia), o nome de Carlos Cruz... 

quinta-feira, agosto 25, 2011

Fim de semana! Que miséria em bando! / O povo folga, estúpido e grisalho!
Cesário Verde

domingo, janeiro 15, 2006

Cesário

Correspondências #29 - Cesário Verde a Mariano Pina

Dia de S. Pedro 29/Junho/84
Mariano Pina, meu caro Director,
A sua «Ilustração» impressa neste tumultuoso Paris, em grande formato, composta por tipógrafos franceses que devem achar muito drôle a abundância do «til» e a falta do «acento grave», anunciada com réclames estonteantes e um taraze ensurdecedor nesta pacífica Lisboa tão morna e tão dorminhoca, a sua «Ilustração» duma tiragem muitíssimo reparável, fez-me nascer o desejo de lhe oferecer a Você a minha colaboração. Conquanto V. não me enviasse o seu cartão de convite, o meu ideal de luxo e a minha pretensão de ver os meus versos numa elegante toilette parisiense, instigam-me a recomendar-lhe um pequeno poema que fiz com todo o esmero de que sou capaz, e cujas provas eu quereria ver pessoalmente no caso de ser publicado. Compõe-se de heróicos e alexandrinos, numas 130 quadras que no tipo miúdo (como é mais distinto e mais discreto para a poesia) encherão essas colunas de Hércules durante pouco mais de 2 páginas.
Mas a direcção literária ou administrativa duma publicação como a sua tem dificuldades. Você tem de consultar os grossos apetites dos seus leitores e os fastios nevrálgicos das suas leitoras, e realmente eu não sei se o devia embaraçar com esta exigência.
Em todo o caso sempre lhe direi que é um trabalho réussi, correcto, honesto e dum sentimento simples e bom. Chama-se «Nós», e é talvez a minha produção última, final. Trato de mim, dos meus, descrevo a propriedade no campo em que nos criámos, a fartura na vida de província, as alegrias do labor de todos os dias, as mortes que tem havido na nossa família e enfim os contratempos da existência. Para animar tudo isso, para dar a tudo isso a vibração vital, eu empreguei todo o colorido, todo o pitoresco, todo o amor que senti, que me foi possível acumular.
Ora como esta obra começa com a descrição da Febre-amarela e do Cholera-morbus quando nós fugimos em crianças, lá para fora, e depois continua com as descrições do nosso verão adusto e forte; e como nós agora estamos com a ameaça da epidemia e Julho e Agosto vão começar, eu pretendia que estas coincidências convergissem, publicando imediatamente.
É uma paixão pela arte que me faz pensar assim, não julgue V. crueldade. A famosa ciência de Pasteur e dos outros há-de atalhar o mal e o pavor será a maior dor que se sentirá.
Outra coisa: Sabe V. que tenho saudades desse aborrecido mês que vivi em Paris tão contrariado e esmagado, e que hoje fiz volte-face, e agora digo constantemente bem dessa França, desses Franceses e dessas Francesas, como um doido ou um apaixonado?
Bem, escreva-me Você sem demora com a sua decisão.
Seu confrade amigo e obrigado
Cesário Verde
Rua dos Fanqueiros, 2 -- Lisboa
In Elza Miné, Mariano Pina, a Gazeta de Notícias e a Ilustração: Histórias de Bastidores Contadas por Seu Espólio, separata da Revista da Biblioteca Nacional, s.2, vol. 7 (2)