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terça-feira, abril 12, 2011

Pinóquio

cartaz original, 1940
um salto em frente na técnica de animação, relativamente a «Branca de Neve»
o filme é verdadeiramente assustador para as crianças (a minha filha teve medo)
«When You Wish Upon A Star», cantada pelo Grilo Falante, tornou-se um standard (eu tenho duas versões: uma pelo Louis Armstrong, a outra do Jimmy Scott)

domingo, abril 10, 2011

terça-feira, março 29, 2011

facebook

Para que conste, estou no Facebook. Não porque tivesse muita vontade, mas por razões de índole profissional. Não percebo nada daquilo, a bem dizer, senão que é um fórum de tagarelice. Mas há coisas giras: reencontros com familiares e amigos de outros tempos, ou insurgências no mundo árabe.  Enfim, sendo um blogger, faço daquilo uma extensão deste e doutros blogues que vou mantendo. E exercito-me na legendagem de algumas imagens ou músicas que aqui postei. Não me parece que dê para muito mais. Mas que sei eu?...

sexta-feira, março 11, 2011

genealogia (5)

há partículas do meu sangue vindas do outro lado do estreito de
                                                                                        [tariq
guerreiros de alfange à cinta tomaram muralhas
desbarataram o rei rodrigo
e guerrearam-se entre si

sangue quente em terra quente
useiro e vezeiro no trabalho violento do gado
manadas conduzidas por léguas e léguas além tejo oeste e volta
noites dormidas onde calhava
ao relento e ao luar
noites transfiguradas pela geometria fractal dos corpos celestes

este meu sangue da barbaria
alento de macho cobridor sem maldade ou pudor
de fácil turvação à vertigem de uns olhos rasgados em tez morena
sangue berbere espalhado sem ida nem volta pelas margens
                                                               [de aquém tejo

terça-feira, março 08, 2011

Zé Colmeia

O Zé Colmeia é talvez a personagem mais antiga dos quadradinhos e da tv de que me recordo. Guardo ainda um livrinho, entretanto sem capa, duma colecção que trazia "desenhos animados" no canto superior direito. Hoje fui ver o filme em 3D com a minha filha mais nova. Adormeci nas duas partes, mas deu para ver que funciona para o público infantil. O meu Zé Colmeia, porém, será sempre o das curtas metragens da dupla Hanna-Barbera.


terça-feira, fevereiro 08, 2011

genealogia (4)

o medo e a transgressão
o disfarce e a submissão
correm no meu sangue
confinado à beira baixa

no retrato duma trisavó
na terra
no nome da família
inscreve-se ao baixo o rasto milenar da judeia na cara do meu
                                                                                   [sangue

passei a exigir-me judeu
vestígio da nobreza do meu sangue
berbere celta negróide

e há segredos de roda
tradição familiar fantasiosa de aristocracia presuntiva
sem um pingo da nobreza do meu sangue

a verdade é que no meu sangue há criadas de servir
criadas em locais remotos duma baixa beira
terra de contrabando e crime
terra de ninguém

terça-feira, fevereiro 01, 2011

genealogia (3)

no meu sangue há homens do mar
celtas de olho azul vindos em balsas
da verde erin

tiveram poiso por séculos na costa norte 
mas logo se lançaram a esse mar
para cima do árctico
e desceram a sul
à aventura e à rapina

celtas de olho azul
branco o loiro da barba
neve da terra nova

celtas de olho azul
roupa colada ao visco do corpo
calor húmido dos trópicos

homens e mulheres da pesca e do peixe
da costa nova à capital do império
onde assentaram arraiais os filhos dos arrais

em lisboa se fixam
trazem despojos vivos
dos restos d'além-mar
e com eles se misturam

no meu sangue
tudo isto e ainda mais

sábado, janeiro 29, 2011

genealogia (2)

o meu sangue correu pelo atlântico
entre barcos negreiros de costa a costa
e companhias de navegação entre o norte e o sul
e do sul para o norte

há no meu sangue alguém subtraído
aos pais aos filhos ao amor da terra
capturado por tribo inimiga
prisioneiro de guerra
ou de cilada armada

um negro
robusto que bastasse para sobreviver à travessia do atlântico
grilhetas nos pulsos nos tornozelos no pescoço e na alma
ou uma negra
da costa dos escravos ao mercado da baía
ou de qualquer parte do brasil onde se vendesse gente como
                                                                           [mercadoria

o meu sangue negro perde-se numa noite secular
até um português do meu sangue branco (branco?)
trazer uma bisavó mulata com sua mãe liberta
a bisavó que hasteava a ordem&progresso à varanda
quando se pilhava e matava na lisboa republicana

áfrica américa europa américa europa
o meu sangue fez o triângulo do mar

terça-feira, janeiro 25, 2011

genealogia (1)

no meu sangue há
comerciantes austeros de suíças brancas e longas
relógios de cordão de ouro e ar respeitável
(talvez o fossem)
um ar que se permitia pendurar-se
nas paredes de pé direito muito alto
em casas do século dezoito

trataram na ribeira das naus do que chegava do brasil da índia e
                                                                               [das partes de áfrica
alguns deixaram as mulheres e descobriram no regresso filhos
                                                                    [com treze meses de gestação
alguns deixaram as mulheres e descobriram-se pais de outros
                                                                        [filhos em paragens distantes
perdoai-lhes senhor
que todos sabiam o que faziam

foram vizinhos do bernardo soares
sem que o notassem
estiveram cercados à fome pelos castelhanos em mil trezentos e
                                                                                    [oitenta e quatro
circularam em contágio de curiosidade entre o carmo e o arsenal
                                                                                    [no vinte e cinco de abril
sem espalhafato que a sua política era o trabalho
vaguearam doidos varridos quando o grande terramoto lhes
                                                                                    [ruiu bens e família
sobreviveram como puderam aos exércitos de bonaparte e à
                                                                                    [tropa de beresford

em lisboa há séculos
pergunto(-me) o que são e de onde vieram

prosperaram e caíram
o triunfo não era da sua natureza
acertavam quando calhava para tudo se desconjuntar na geração
                                                                                      [seguinte
cabeças no ar e mau vinho
importação de fruta exótica e lugares na praça da figueira
prédios no bairro alto e campo de ourique habitação ao rossio
cruzaram-se com o eça quando ia visitar os pais chegado de paris
mas também não deram por isso.
já ninguém mora nas casas pombalinas e o soalho deixou de
                                                                                      [ranger

desde então a família circula dispersa-se e desfaz-se

domingo, julho 09, 2006

Para a Avó Zé

Lembro-me de como gostava de estar
debruçado sobre a mesa da cozinha,
vendo a Avó a ferver as seringas
numa velha panela redonda de esmalte.
A mesa era grande, de mármore,
e ali fazia os deveres da escola,
num caderno quadriculado, sujo de enganos
da aritmética, com um n.º 2 mal aparado.
Hoje a Avó já não ferve as seringas,
mas desfaz os morangos em compota,
cujo aroma nos anuncia
as escuras tardes de Outono.

Estoril, 23-VI-1985
Seis Composições Outonais

sexta-feira, junho 09, 2006

Gotha Posted by Picasa

Só espero que não se esqueçam dos gatos...
Charlie Posted by Picasa

sábado, abril 29, 2006

Diálogo

EU-- Vamos ver o Bambe?
FILHA + NOVA (desdenhosa) -- Não é Bambe!
EU -- Então?
FILHA + NOVA (assertiva) -- ...é o Baaami!!

quarta-feira, abril 26, 2006

Quem não faz bem a uma pessoa, faz-lhe mal...
Gorki
Que ficará duma vida tão plenamente cumprida, prolongada nos filhos e nos netos, da bondade para além das vazias palavras de circunstância, praticada cada dia sem olhar a quem? Que ficará, senão a memória do terno riso sofrido da minha Mãe? Bondade e eternidade, imperfeitíssima rima.

quinta-feira, abril 20, 2006

Fiat 850 Coupé









Tanto a dizer sobre o Fiat Coupé, que seria virtualmente impossível e certamente fastidioso eu estar para aqui a desfiar as minhas memórias deste carro, o modelo que a minha Avó Zé teve entre 1967 e 1974... Lembro apenas que as linhas desportivas deste pequeno Fiat resultavam num tormento para os adultos que tinham o azar de ir no banco de trás: o design coupé fazia com que as suas cabeças ficassem literalmente encostadas ao vidro... Eu, miudíssimo ainda, pouco me importava com as reclamações dos crescidos e divertia-me a gozar aquelas linhas modernas verde-garrafa -- e a observar a prodigiosa falta de jeito da minha Avó Zé para estacionar...

segunda-feira, abril 10, 2006

Dos meus mortos não fica a memória senão em mim e que em mim morrerá. Justiça do Tempo para os que alegadamente viram a vida passar? Alguns não deixaram rasto -- e toda a sua vida fez sentido.

quarta-feira, março 22, 2006

Tal como Gramsci e a sua mãe, o único paraíso que concebo situa-se no coração dos meus.

domingo, março 19, 2006

Posted by Picasa

Ontem fomos todos ver esta boa sequela do clássico dos anos quarenta do passado século, com actualização ideológica (reforço da mensagem ecológica, valorização da paternidade) e técnica (há momentos de animação que, não sendo especialista, me parecem superiormente conseguidos). Tempo bem empregue -- até porque se tratou da primeira ida ao cinema da minha filha mais nova...

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Ford Anglia


Conhecido entre nós, em tempos idos, pelo sugestivo nick de Orabolas, hoje está popularizado como o carro do Harry Potter. Para mim foi e será o carro do meu Avô João, o primeiro dele de que me lembro. Tenho ideia de vê-lo lá dentro, de cigarro na boca, talvez de boquilha (fumava muito, tinha uma voz grossa de fumador), com os seus cabelos claros penteados para trás e com um casaco aos quadrados em tons acastanhados, olhando em frente, atento à condução. Morreu cedo, tinha eu oito anos, por isso recordo certos pormenores de indumentária que se esbateriam tivéssemos os dois fruído uma relação mais prolongada.
O Orabolas ostentava aquela cor cinzenta baça e um característico sorriso de peixe de águas frias. O estilo, apesar de banal para a época em que foi concebido, faz hoje as minhas delícias e a de muitos apreciadores.

segunda-feira, dezembro 19, 2005