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sábado, setembro 16, 2017

abençoado o turismo, que nos inferniza a vida mas põe o pão na mesa

Sempre vivi com o turismo. Com dias, fui para casa dos meus avós maternos, no centro do Estoril. Há 53 anos no concelho de Cascais, estou habituado e gosto. 
Em 1964, o Estoril não tinha nada que ver com o resto do país; era, como escrevera Jaime Cortesão oito anos antes, um mundo fora do mundo num país parado no tempo. No entanto, nada que ver com esta avalancha infernal que muito contribuiu para nos tirar da lixeira da Standard & Poor's, uma das muitas organizações mafiosas da finança que jogam com a vida das pessoas, com a cumplicidade de agentes políticos, a cobardia de outros e uma certa determinação combinada com uma finura cágada, como a do nosso Primeiro.
Bom,  mas quanto tempo vai durar esta vida quasi petrolífera? Um ano?, uma década? (sabemos lá o que vai ser do mundo daqui a dez anos); um século? Aguenta-se a civilização mais um século? Aqui ou na Lua?, em Marte?...
É bom, como muitos têm alertado, que saibamos preparar-nos para o pós-turismo de multidões, para depois não ficarmos com cidades-fantasma nos braços nem de mãos nos bolsos, sem saber o que fazer e por onde começar, como quando, no outro dia, acabaram as especiarias do Oriente e o ouro do Brasil, especados a olhar para um país a fazer.

segunda-feira, dezembro 12, 2016

contra este tempo

Há dias li, não sei onde e a propósito não sei de quê, que um conceito como o de honra não tem grande significado no ambiente que se respira. Pudera; quando tudo tem um preço, quando em tudo há relação custo-benefício, que lugar para a dignidade individual? Nenhum. 
Creio que só há duas possibilidades de se manter a decência: ser contra este tempo ou desaparecer deste tempo. Se fosse místico, refugiava-me num mosteiro; porém, demasiado céptico e palpável, resta-me ir vomitando à vista de todos.

Em tempo (resposta aos comentários): Não quero defender que o antigamente é que era bom, porque não era nada. E nem estou a falar de tiranos e tiranetes, mas daqueles que, tendo espírito e alma de lacaios, passam a vida à babugem, capatazes de toda a sorte, criadalhos. É a cáfila triunfante, sem a puta da vergonha no focinho. Vejo-os, cruzo-me com eles, diariamente. Foi sempre assim, e eu já tinha idade para não me indignar. Mas vi há dias um desses moluscos na televisão, e pergunto-me o que pensará essa criatura quando se vê ao espelho, a meia dúzia de anos do cemitério. Deverá pensar mal, mas está na sua natureza.
E o pior é que não se pode exterminá-los.

segunda-feira, junho 09, 2014

ocasional

O espanto pela dádiva rotineira de cada dia

O inesperado que me faz viver habitualmente
A surpresa do habitual quotidiano.

quinta-feira, junho 05, 2014

asfalto

Seca-te a garganta
A poeira que não sabes de onde vem
É o pó do deserto a entranhar-se
Nos teus canais   tu que passas
A vida a inspirar fumo dos escapes
Pois o asfalto foi a tua única aspiração.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

selectivo

És selectivo. Não vais ao cheiro da cadela com cio, nem integras a matilha. Não necessariamente pela cadela, a quem possivelmente cobririas de bom grado, mas pela repugnância da matilha descomposta, impudica, desbragada e parola, cuja incompostura, impudicícia, desbragamento e falta de maneiras se oferece ao asco de certos transeuntes, como tu, adepto dos vícios privados e das privadas virtudes.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

lírico...

És um lírico (para não dizer ingénuo, ou pateta). Nunca chegarás a compreender como alguém que se deu ao estudo da medicina e à especialização nesta ou naquela patalogia, se suja por mais uns cobres ou com o aceno de viagenzitas pagas a destinos exóticos. É preciso ser-se muito pobre de espírito e moralmente muito miserável.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

antiquado

És antiquado. Tens saudades dos dois canais da RTP, e, quase, da televisão a preto e branco.

fino

És fino. Leste a entrevista de João de Melo ao Sol, e concluíste que há peças que valem por um jornal inteiro. 

quarta-feira, janeiro 09, 2013

DOS RESTOS DE HUMANIDADE


Como sobreviver
À merda que nos sai
Ao peido nauseante?

Beethoven traquejava
Eu sei isso alivia-me
Misericórdia porém

Como esquecê-lo quando
O mesmo chanel passa
Uma e outra vez e entumece?

Como não rir do patriarca
Em massagem de natal
Do pr nos votos de ano bom?

É fodido.
23-XII-2012