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quinta-feira, janeiro 19, 2017

Barack Obama

Quando Obama ganhou as primeiras eleições, escrevi isto. No fim do segundo mandato, escreveria praticamente o mesmo. Na política interna, tanto quanto me é dado ver, foi um extraordinário presidente, pois recebeu o país nas lonas, conseguindo recuperar a economia e o emprego. O que seria se o recebesse numa situação de normalidade... No entanto, os problemas 'raciais' (não há raças humanas...) agravaram-se e o mal-estar de que os analistas têm falado deixa este amargor na véspera de deixar o cargo.
Nunca fui muito optimista, mas estava longe de imaginar que o mundo estaria como está hoje, em grande parte por responsabilidade dos antecessores de Obama, uma vez que não se pode recriminar o presidente cessante por ter querido retirar as tropas americanas do lodaçal iraquiano, crime da administração anterior, contra a qual esteve. Se o acordo com o Irão ou o restabelecimento das relações diplomáticas com Cuba, para além da execução do bin Laden, são feitos assinaláveis, não escondo que me desapontou a sua moleza diante do governo radical israelita, no que respeita à política de colonatos; e a forma pouco hábil com que lidou com a Rússia, saindo, aliás, a perder em toda a linha no confronto que alimentou -- ou deixou alimentar -- com Putin, sem benefício para o Ocidente, mas certamente regalando alguns falcões e a indústria de armamento.

sexta-feira, dezembro 30, 2016

o enigma Obama

Ainda não descortinei a estratégia de Obama, a dias de abandonar a Casa Branca: o arrufo com Netanyahu, depois de dois mandatos de passividade e até de humilhação; o coroar das tensões com a Rússia, com a expulsão de diplomatas, já respondido na mesma moeda. Quer condicionar Trump?  Mas não está em condições de o fazer.Há uma coisa que confrange: este lento e dir-se-ia inglório agonizar de uma administração liderada por um homem superior, que parece capturado por outros poderes. Guantanamo aí está para levantar as maiores dúvidas acerca do raio de acção do ainda presidente americano: o mesmo que tendo assistido em directo ao abate de Bin Laden, se mostra incapaz de cumprir uma promessa eleitoral, repetida na segunda campanha, de mandar encerrar aquela prisão.