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Mato e silvas subindo árvores acima, caniçais em redor. Limpeza, viste-la; pouca pra lá da promulgada administrativamente por Lisboa. Passei a grade ainda naquela tarde, a atrasar a erva. Trabalhos inúteis, roupa rasgada, mãos encardidas, desperdício de óleo e gasolina, de tempo, de gasóleo. Honrar talvez a memória do meu pai, mas nem isso tem utilidade prática que é morto, de nada lhe serve.
Deveria escrever redondilhas à natureza, sonetos e aforismos à paisagem, ir a manifestações e colóquios de especialista convenientemente vestido, assinar manifestos. Burro, a missão espinhosa, continuará, previsivelmente, as próximas férias. Conseguirei, na melhor das hipóteses ser fonte de embaraço social para qualquer mulher. Desgostos. Olhando à volta, ouvindo e vendo a duplicidade e hipocrisia da natureza humana, a cada dia que passa melhor compreender e aceitar o conceito de morte como alívio. Libertação.
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