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domingo, outubro 07, 2018

18 anos depois

Em 2000, saí a correr do trabalho a meio da tarde, em Sintra, para tentar chegar casa,  na Areia, a primeira aldeia depois do Guincho, ameaçada pelo fogo. A polícia parou-me na rotunda do McDonald's de Birre, e tive de fazer o resto do caminho a pé, para resgatar o meu cão. Tivemos sorte, faúlhas entraram pelas janelas semiabertas, mas já extintas.
Esta tarde fui até à igreja da Ulgueira, assistir a um extraordinário concerto pelo Alis Ubbo Ensemble, com leitura de passagens da obra do Ferreira de Castro, nos 120 anos do seu nascimento, no âmbito do Festival de Música de Sintra. Fui e vim pela área que está agora a arder. Nessa altura, umas quatro da tarde, um pequeno fogo surgia numa zona que calculei se situasse entre o Zambujeiro e o Pendão. Na Malveira da Serra, um carro dos bombeiro de Almoçageme voava na direcção de Janes; a seguir, um outro de Colares. Fogo posto?, perguntei-me. Vento, calor e terreno seco, ideal para estas malfeitorias. À noite, aí vinha ele, a sério. Fogo posto, sem grandes dúvidas. 
Por volta da meia-noite, andei a fazer o reconhecimento do fogo pelo Guincho (intenso cheiro a queimado e cinzas pelo ar, mas o fogo ainda relativamente distante), Areia, Aldeia de Juzo, Murches e Zambujeiro, e percebi, pela direcção do vento que ele iria fazer um caminho muito parecido, neste lado do sopé da serra de Sintra. Passados dezoito anos, antevejo uma desolação semelhante. Já não vivo no mesmo sítio, a família cresceu, estou numa casa maior, noutra em tempos aldeia, o Cobre, já pegada a Cascais. À partida, apesar de zona de pinhal outrora abundante, não me parece que haja perigo. 
Há uma hora, a sirene dos bombeiros soava com insistência, o fogo entrara em força no concelho de Cascais. As aldeias da Biscaia, Figueira do Guincho, Almoinhas Velhas e Charneca e o parque de campismo junto à praia do Guincho foram evacuados por precaução.  O vento mantém-se instável e traiçoeiro, as sirenes dos bombeiros continuam a fazer-se ouvir.
São três e cinquenta e quatro da manhã, e isto está para durar.

sábado, setembro 16, 2017

abençoado o turismo, que nos inferniza a vida mas põe o pão na mesa

Sempre vivi com o turismo. Com dias, fui para casa dos meus avós maternos, no centro do Estoril. Há 53 anos no concelho de Cascais, estou habituado e gosto. 
Em 1964, o Estoril não tinha nada que ver com o resto do país; era, como escrevera Jaime Cortesão oito anos antes, um mundo fora do mundo num país parado no tempo. No entanto, nada que ver com esta avalancha infernal que muito contribuiu para nos tirar da lixeira da Standard & Poor's, uma das muitas organizações mafiosas da finança que jogam com a vida das pessoas, com a cumplicidade de agentes políticos, a cobardia de outros e uma certa determinação combinada com uma finura cágada, como a do nosso Primeiro.
Bom,  mas quanto tempo vai durar esta vida quasi petrolífera? Um ano?, uma década? (sabemos lá o que vai ser do mundo daqui a dez anos); um século? Aguenta-se a civilização mais um século? Aqui ou na Lua?, em Marte?...
É bom, como muitos têm alertado, que saibamos preparar-nos para o pós-turismo de multidões, para depois não ficarmos com cidades-fantasma nos braços nem de mãos nos bolsos, sem saber o que fazer e por onde começar, como quando, no outro dia, acabaram as especiarias do Oriente e o ouro do Brasil, especados a olhar para um país a fazer.

terça-feira, fevereiro 23, 2016

microleituras

Um manifesto escrito no final do século passado, fruto de vários anos de meditação e maturação pelo seu autor. Cascais, como se sabe é uma vila (teve carta de D.Pedro I em 1364, autonomizando-se de Sintra). Mas é também um contínuo urbano, da Quinta da Marinha a Carcavelos. Quando o texto foi publicado, a situação urbanístca e suburbana (a chamada "Costa da Sombra"...) era ainda muito má, mas começava então a civilizar-se, com equipamentos desportivos e culturais e infraestruturas básicas. 
O que a «Cidade Global» de Cascais tem de inovador, ainda hoje, é que não se trata de uma mera elevação administrativa duma povoação de vila a cidade; mas, pelo contrário, a sua compreensão enquanto um  todo urbano, com racionalidade de gestão, delimitada pelo Parque Natural de Sintra-Cascais -- cidade que contemplaria no seu seio diversas vilas, a começar pela própria vila de Cascais, mas também a da Parede e outras que fossem ganhando dimensão. A cidadania está na cidade.

incipit: «Todas as cidades tiveram um princípio, uma evolução e terão um dia certamente um fim.»

ficha:
aitor: José Vieira Santos
título: Cascais -- A Cidade Global
subtítulo: 10 Pontos para Reflexão
editora: Fundação D. Luís I
local: Cascais
ano: 1999
capa: foto de Fotografia César, Cascais
impressão: Grafilinha
págs.: 29
tiragem: 2000

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domingo, abril 26, 2015

a Casa do Dragão, de João Gaspar Simões

É de manhã e não faço ideia que tempo faz, pois estou a escrever isto de madrugada.
Não sei se a chuva dará para falar nele e na casa, mais daqui a um bocado, em Cascais.
A verdade é que da última vez que passei por ela, o novo proprietário (desconheço quem seja) arrancou este catavento único, que simbolizava a morada do dragão da crítica.
Parte-se-me o coração, só de olhar e não o ver lá.
(as fotos são de Guilherme Cardoso) 



Vencidos da Vida (vencido pelo tempo?)

Será que ainda irei falar deles mais logo, em Cascais?