22.5.19

Sem título (67)

porque nem chove sempre
tanto,
nem sempre é a mesma hora para
chorar,
e as coisas ditas da mesma forma,
só servem para escurecer os segundos
do que não restas ao final de cada dia,...

acho-me a amarar assim
as expetativas,
o tempo passado a esperar
que voltes de pele
suja de orvalho,
olhos enublados
com a chuva independente
dos dias

21.5.19

Hesitante

não sei dizer,
talvez se nunca tivesse dito,
discorrer sobre a ilusão fosse mais fácil,
e nunca deixaria de haver a manhã
depois da noite ensaguentada,...

assim com o mutismo,
a recusa de abraçar-te com
qualquer coisa vã,
em vez de me fundir com a
disfunção imperfeita de ti,
e as tardes assoberbadas de chuva
que me deste,
esquecidas ao fim de tanto tempo enleado,
tudo se torne menos projetável no espaço,
mais previsível,...

até lá,
como de ti até me esvair em nada


20.5.19

Deu a conhecer o sol

deu a conhecer  o sol,
abria-o assim
como uma carícia,
escondido no
áspero das mãos,
acariciava-o para não fugir,
e dava-o de beber
às pessoas tristes,
e deprimidas,
e azaradas,....

que sorviam golos de claridade,
 e de vida nos
reflexos curtos
das sombras, e
dos desenhos que no chão
se fazia toda e qualquer vez,...

talvez tivesse sido eu,
talvez de mim nada haja mais a dizer
que normalidades aflitivas como esta,
no entretanto,
dou a conhecer o sol
a todos os que já me perceberam


19.5.19

José mais José que todos os Josés

ele vai poucas vezes ao café,
passa o tempo em casa, a pintar os rebordos
das mesas com diversos tipos de tinta,
e depois crava as unhas nos salpicos que,
expelidos pelo chão,
dão à sala um ar desmazelado,
sombrio até,...

chama-se José mais José que todos os
Josés,
fala sem que ninguém entenda,
de especial só mesmo a sombra que projeta
em redor dos pés,
enquanto lhe saltam as unhas de tanto raspar,....

bebe água como se sol fosse,
e transpira sol como projeto de
ódio à água,
e como tudo se finaliza num beijo,
adormece só,
a pensar na mãe,
a embalar-lhe a solidão




18.5.19

De escrito

agora já me recuso a escrever
com capitulares,
tudo em mim grita por frases a esvair-se com o peso do tempo,
e palavras desnecessárias em contextos que ferem,...

foi como se reaprendesse a ser feliz em cima de estar sozinho,
de anulações em cima de dias de vento,
e mais não sei dizer  por agora


17.5.19

iluminado a dois, e só

estou farto dos mesmos poemas de decalcado,
limitar a seguir o tracejado do real,
e acabar com as horas certas para umas palmadinhas nas costas,
um escreves muito bem,
e depois seguir para o próximo,
quase como se imerso na rotina dos dias,
perdesse sempre o mesmo autocarro,
com erros agarrados aos pés,
e numa roda viva corresse atrás do meu próprio rabo,...

para acabar iluminado a dois,
e só


15.5.19

Envelhecido

algumas luzes,
diferença no trato,
nos sons inaudíveis da fome dos
dias,
do envelhecer longe dos afetos,
com cardos nos beijos,
e fazer qualquer coisa antes
que o tempo esgote

Herman de Vries by Matthias Ziegler


Tirado daqui

14.5.19

(te) ssoar

...afinal Já muita coisa soava diferente,
parecia-me o teu choro,
o mesmo que me rasgava
a pele de cada vez que
tinha de ser o adeus,
sem que eu soubesse
que voltava,
agora ouvia-o ao longe,
revestido de
correr de água,
o mesmo que
ninguém sabe ao que soa,
porque ninguém
está lá para ouvir,...

submetia-me ao perdão,
porque as coisas
soavam mesmo
de forma diferente,
às vezes,
quando perdia a
 luta com a noite,
ouvia-me a dizer mãe tenho medo,
recordando o mais inocente que já fui,...

percebia agora como dói
ficar sem coração no silêncio





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