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quinta-feira, julho 04, 2013

da dignidade, e da falta dela

Além desta coreografia mimosa com que Portas & Coelho brindam o país, o MNE ainda conseguiu tornar-se protagonista dum grave incidente diplomático com a Bolívia e, por extensão, com a América do Sul, pela postura acocorada do governo. (E atenção que eu não sou antiamericano. Nada me irrita mais do que o antiamericanismo primário e bacoco. Para ser antiamericano, teria de ser, antes disso e ainda mais, anti-russo, antichinês ou antialemão...). 
Morales, que parece ter mais dignidade que os governantes portugueses, não vai deixar passar o caso em claro.

quinta-feira, maio 04, 2006

Escrever na areia - A falar fininho

O índio Morales resolveu, como presidente democraticamente eleito da Bolívia, ter uma palavra a dizer sobre a exploração dos recursos naturais do seu país. Os governos dos estados a que pertencem as empresas visadas mostraram uma natural preocupação pelo ditame do Cocalero. Mas, como é óbvio, estão a dialogar, no que são acompanhados -- de acordo com as últimas notícias -- pela Petrobras e pela Repsol, que já fizeram saber da sua aceitação de princípio das reivindicações bolivianas.
Decisão politicamente legítima, embora controversa, foi acolhida entre nós com aquela histeria a que nos habituaram alguns plumitivos esportulados. Cheguei a ler que era uma medida que retirava «credibilidade» ao país, dificultando a atracção do investimento estrangeiro... Ora a Bolívia, que não é propriamente o Canadá, ou sequer a Argentina, nunca até agora foi particularmente conhecida pela credibilidade... Mas para os escreventes amestrados, que não sabem ver para além da sua carteira de títulos, todos os particularismos -- como a circunstância de grande parte daquela população viver em extrema pobreza, independentemente dos governos credíveis e amigos das empresas que tem conhecido ao longo das décadas -- são irrelevantes. Há que debitar pela cartilha, com autoridade e voz grossa.
As multinacionais, como não podem deslocalizar o subsolo boliviano, contemporizam, que remédio!, pelo menos até o índio Morales ser apeado ou comprado. Mas, para já, comove vê-las a falar tão fininho...