Em 1990, depois do nascimento da nossa primeira filha, deixámos temporariamente o minúsculo apartamento e assentámos arraiais em casa da minha avó, para que ela e a minha mãe (que hoje faria 82 anos) nos dessem competências puericulturais. Num dia em que tive de ir a casa, provavelmente buscar roupa limpa, dei com o canhão da porta arrombado e esperei o pior. Felizmente, não se confirmaram os meus receios de vandalismo: os larápios haviam aberto gavetas, mas deixaram tudo impecável. Em falta, apenas uma velha televisão, o leitor de vídeo e dois filmes que os ditos foram escolher criteriosamente à pequena videoteca: ambos do Bertolucci, La Luna e O Último Imperador, o primeiro em gravação manhosa feita em casa, a partir duma emissão da RTP, o outro, comprado na loja, bastante mais apresentável. Poderiam ter levado mais, gravados por mim ou em edição de mercado, mas não, negligenciaram o Howard Hawks, o John Ford, o Lawrence Kasdan ou o Woody Allen, só quiseram o Bertolucci. Critérios de ladrões cinéfilos e civilizados...
2 versos de José Agostinho Baptista
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*«eram belas as túnicas de argel e as velhas botas espanholas que te / dera
o último amante.» *
*Deste Lado Onde *(1976)**
Há 4 horas




















































