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terça-feira, abril 23, 2019

LIVRE - fica aí ao lado, até ao dia das eleições


Nota: não sou militante nem candidato a nada, apenas apoio com o meu voto.

quarta-feira, janeiro 16, 2019

Quadratura do Círculo

Nunca percebi por que razão a Quadratura do Círculo se configurou para não passar das meias-tintas, no que respeita à amplitude de visões políticas do seus intervenientes. Recordo-me que o «Flashback», da TSF, e de onde provém a QdoC, começou com Pacheco Pereira, nessa altura uma das figuras mais proeminente do cavaquismo, José Magalhães, então aguerrido deputado do PCP, e Vasco Pulido Valente, tão instável quanto estimulante. A saída de Pulido Valente foi remediada por Miguel Sousa Tavares, durante pouco tempo, depois Nogueira de Brito, e, finalmente, com Lobo Xavier. É já com essa composição, e Magalhães passado para o PS, que o programa se reinventa na televisão, com o nome que o conhecemos.
Estranhei na altura o convite a Jorge Coelho, um homem de aparelho, muito inteligente e eficaz, porém sem grande bagagem intelectual; achei que aquilo se tinha tornado numa coisa institucional e de meias-tintas -- não fosse a progressiva e salutar radicalização  de Pacheco Pereira --, que o convite a António Costa para substituir Coelho mais não fez do que confirmar. Do ponto de vista da troca dos pontos de vista, seria, à partida, mais interessante o "Prova dos 9", da TVI, com Rosas, Silva Pereira e o inefável Rangel, ou o outro lado, na RTP 3, com Rui Tavares, Pedro Adão e Siva, normalmente com grande solidez, e José Eduardo Martins. 
A QdoC mantinha-se, porém, como o meu programa preferido de debate político: o contraste entre um Pacheco Pereira muito incisivo, geralmente indo ao nó dos problemas, fazia um bom contraste com o conservadorismo respeitável de Lobo Xavier, e era em ambos que muitas vezes se polarizava o debate. Jorge Coelho, muitos furos abaixo, em especial de Pacheco Pereira, colmatava essa diferença com performances muito vivas, bulldozer em acção, que nem o atabalhoamento do discurso e os pontapés na garmática detinham.
Desfecho lógico no processo de animalização das televisões privadas, que vão esticando a corda tanto quanto as deixarem. A alternativa deve ser linda, estou curioso por continuar a acompanhar o processo de degradação da baiuca. Divertidas foram as justificações sonsas do director: parece que o programa acaba, aproveitando a mudança de instalações. Brilhante, como tudo o que dali sai. Já agora, podiam acabar com o normalmente pífio «Expresso da meia-noite». Desse sim, ninguém iria sentir-lhe a falta, a começar pela música épica do genérico, tão desajustada que só não vê quem não se enxerga; e os tweets palermas do público em rodapé, que não passa de irritante visual.
Em resumo, mais um passo na poluição comunicacional do espaço público, com todas as consequências que daí advêm.
em tempo: provavelmente, o programa político da nova grelha será esta coisa em forma de assim

terça-feira, novembro 04, 2014

o regresso da Censura

Não sei se o acto de censura na Análise Social terá como causa a inclusão daquela imagem em que os nossos governantes aparecem como marionetas da chancelerina alemã ou se por uma outra imagem ostentar a bonita palavra "caralho". Enfim, preferiria que fosse por esta última razão, pois entre um pé-de-salsa e um subserviente, prefiro o primeiro.
Em Coimbra, o caso é ainda mais grave. Leio no que os alunos da Faculdade de Direito em vez de se portarem como os anormais das praxes (e praxes, apesar de tudo, só em Coimbra...), resolveram organizar um debate cujo título era esta obscenidade: "Haverá espaço para a ideologia no mundo actual?", discussão com Pedro Mexia e Rui Tavares, duas das pessoas que melhor e mais articuladamente escrevem no espaço público. Pois a criatura que está director daquela Faculdade diz que a mesma "não pode ser um palco para "este tipo de debates" (sic).  
Como é que uma nulidade destas pode ser professor e director duma Faculdade de Direito? Até na Faculdade de Veterinária um debate destes teria sentido. Uma universidade, todas as suas faculdades, devem ser locais de aprendizagem, debate e reflexão. Haver um indivíduo que se arroga o direito (!) de exercer censura utilizando um argumento imbecil, diz muito da nossa degradção cívica e cultural.