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terça-feira, novembro 11, 2014

o meu LEFFEST 2014 (5)

Abel Ferrara, Pasolini, França, Bélgica e Itália, 2014 ("Selecção Oficial -- Fora de competição").
O último dia de Pier Paolo Pasolini, com magnífica intepretação de Willem Dafoe. Pasolini, assassinado pelo prostituto dessa noite de 2 de Novembro de 1975, após agressão dum bando de sicários em fúria homofóbica, como era então bem visto e as sociedades latinas então (se) permitiam. (Há também uma tese conspirativa, que, tal como em Welcome To New York,  não é tida em conta por Ferrara.)
Mas o filme é muito mais do que a reconstituição dessas últimas horas de vida desta bête noire do conformismo burguês: é a própria visão desalentada de Pasolini acerca do caminho que a sociedade ocidental levava, bem expressa na entrevista que dá nessa jornada derradeira, em que, premonitório, detectava e antecipava o desafio que hoje se põe às sociedades democráticas, cada vez mais caricaturas delas próprias, doença que agora nos entra pelos olhos dentro: os cidadãos são-no cada vez menos, e cada vez mais consumidores -- e, como tal, sujeitos e títeres de organizações que paulatinamente os vão escravizando.

domingo, novembro 09, 2014

o meu LEFFEST 2014 (1)

Welcome To New York, de Abel Ferrara (EUA, 2014) -- "Selecção Oficial -- Fora de Competição".
O "Caso Dominique Strauss-Kahn", na versão que prevaleceu (há também a da conspiração). Além dos desempenhos de Depardieu e Bisset (extraordinária), saliento a inusitada "entrevista", prévia ao filme, de Depardieu ele-próprio, em que explica a razão pela qual aceitou este papel: a incompreensão pelo indivíduo ("Não sei como se consegue ter prazer em seis minutos..."), a antipatia pela personagem e tudo o que ela representa: "Sou um individualista, um anarquista. Não confio nos políticos -- odeio-os."
Achei interessante a opção inicial de Ferrara por planos de símbolos  dos Founding Fathers  e outras grandes referências éticas, morais e políticas americanas, quer na monumentalidade da estatuária urbana, quer nas notas de dólar, como que a mostrar a ambivalência: simultaneamente pátria da revolução e da liberdade, e do dinheiro, que tudo paga e corrompe. É na terra que dos direitos individuais e das liberdades que o poderoso Devereaux é detido (e humilhado) por suspeita de abuso sexual de uma criada de hotel imigrante; mas é também aquela em que a fortuna pessoal garante o recurso a bons advogados que o retiram da prisão.
Um filme sobre um caso de actualidade palpitante, em que o protagonista Devereaux / DSK aparece como personagem contraditória: um doente sexualmente compulsivo mas também um abusador sexual, quando não um violador.