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quarta-feira, fevereiro 27, 2013

PEDIR DESCULPA À REPÚBLICA DE ANGOLA, E JÁ! (com citação de Álvaro de Campos)

     A situação interna de Angola, interessa-me tanto como a do Brasil ou Timor-Leste; isto é: atendendo ao laços históricos e às dependências mútuas, económicas, culturais, afectivas, um pouco mais do que saber da Noruega, do Burundi ou do Nepal.
     São-me, por isso, relativamente indiferentes as lutas pelo poder em Angola -- já me basta o lixo doméstico. O que não me é indiferente é ver um organismo do Estado português ocupado por prostitutos indecorosos,  transaccionando com os jornais material que passa por informação --, sendo que o Expresso aqui é, lastimavelmente, parte ou instrumento dessa luta de interesses.
     Quando em editoriais, escritos em português decente, o Jornal de Angola, com maior ou menor exagero, mas justificadamente, se insurge contra o tratamento que é dado ao seu PGR -- isto é com notícias de jornal veiculadas por rameiras  disfarçadas de magistrados do Ministério Público--, enquanto cidadão sinto uma enorme vergonha pelas instituições de Justiça (de Justiça...) do nosso país. 
     Eu quero lá saber dos governantes angolanos, ou do mensalão brasileiro! Já prenderam alguém do BPN?; do ferro-velho?; das traficâncias feitas por cá? Somos exemplo para alguém?... Não somos. Pelo contrário, somos, como país, uma vergonha de inoperância e impunidade. Mas somos bons em esquemas; deve ter sido esse o nosso grande legado às colónias, além da língua (mal tratada, é claro, pois universidades, em 500 anos de colonização, nem vê-las...)
     Eu nunca estive em Angola, nem a minha família próxima; nem tenho ninguém a trabalhar lá. Não tenho interesses. Mas sei que Portugal precisa de Angola e Angola de Portugal; como precisamos, países da CPLP, todos uns dos outros. E não se trata só de necessidade: os países amigos, os países-irmãos, que é o que são todos os que constituem a CPLP, devem tratar-se em conformidade, respeitando-se e dando-se ao respeito -- coisa que os portugueses têm dificuldade em fazer...
     Quando funcionários do Estado português, funcionários superiores (!), mas, na verdade, a mais reles escória da nação, se vende a jornais e jornalistas sem escrúpulos, pondo em causa os interesses portugueses -- porque é isso que eles estão a fazer, e não a pugnar por maior democracia e transparência em Angola, não me lixem! --; quando o Estado português permite que bandidos que são seus funcionários se comportem assim, não lhe resta outra alternativa senão pedir desculpa ao Estado angolano. E agir depressa, que é o que eu espero faça da dr.ª Joana Marques Vidal, encontrando-os, julgando-os e metendo-os na choça, que é o lugar dos corruptos.

P.S.E, já agora, seria bom que a merda da imprensa portuguesa -- como diria o Álvaro de Campos -- respeitasse os leitores, o que é pedir de mais, eu sei, pois são feitos da mesma massa informe.  

P.P.S.- vi ontem a reacção de Paulo Portas. Boa, mas não chega.

terça-feira, novembro 22, 2005

Antologia Improvável #77 - Fernando Pessoa / Álvaro de Campos

Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias illuminadas
E cada um sabendo do outro só que ha vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.

Livro de Versos

(edição crítica de Teresa Rita Lopes)

segunda-feira, julho 18, 2005

In quintessence

Ao ouvir o quarto álbum dos Squeeze, East Side Story, datado do já distante ano de 1981, recordei o pop mais pop da new wave britânica. Os Squeeze tiveram na sua formação inicial o pianista Jools Holland, autor do meu programa preferido, o «Later with J. H.», da nunca por demais louvada B.B.C. Rock da melhor tradição beatle, muito cantarolável. Fez-me recordar uns versos da variante m de A Passagem das Horas, de Álvaro de Campos, extraídos da também nunca por demais exaltada edição crítica de Teresa Rita Lopes, o Livro de Versos: «Faz tocar a banda de bordo -- / Musicas alegres, banaes, humanas, como a vida --».