Mostrar mensagens com a etiqueta Américo Thomaz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Américo Thomaz. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Aeroporto Humberto Delgado

Dizem que Humberto Delgado não era flor que se cheirasse. Autoritário, quezilento, quiçá megalómano. Parece, também, que era duma coragem a toda a prova.
Vem isto a propósito da justíssima homenagem, que só peca por tardia, de atribuir-se o seu nome ao Aeroporto "da Portela" (que raio, ainda ninguém pensara nisso? Eu confesso que não, pois evito andar de avião...)
Não faltará quem venha contestar este baptismo, alegando todos esses defeitos e mais alguns. A verdade é que Delgado foi um homem incomum; mas a questão nem é essa: "Humberto Delgado" passou a ser mais do que o homem que encarnou esse nome; tornou-se mito e símbolo do indivíduo que se levanta contra o poder ilegítimo e opressor, levando a nação com ele.
Está provado, pela amostragem que escapou à destruição dos boletins de voto, que Delgado ganhou essas eleições, e que foi portanto um Presidente da República que um governo ilegítimo e usurpador impediu que ascendesse à magistratura que o povo lhe confiara. E de tal maneira Salazar e o regime interiorizaram a derrota que trataram de fazer um revisão constitucional em que o Presidente da República deixou de ser eleito por sufrágio universal para passar a sê-lo por colégio eleitoral. Admissão mais límpida do embuste, não há.
Por justiça poética da História, o usurpador Américo Thomaz, o tal que fora "eleito" em 1958, virá a ser derrubado dezasseis anos mais tarde, a 25 de Abril de 1974.
Delgado foi assassinado cobardemente pelos hominídeos da Pide. Salazar, que pelo menos quis capturá-lo nessa cilada, decidiu pronunciar-se publicamente, encobrindo os sicários que o sustentavam no poder, pudera.
Portanto, Aeroporto Humberto Delgado!

quinta-feira, outubro 02, 2014

os presidentes usurpadores e o antifascismo pateta

Parece que o Parlamento vai homenagear a República com uma exposição de bustos de todos os presidentes das ditas (I, II e III Repúblicas). A II República, mais conhecida por Estado Novo, deu três para o ramalhete. Três usurpadores, diga-se, pois a participação em simulacros eleitorais que mais não foram do que acções políticas fraudulentas, retirou a Carmona, Craveiro Lopes e Thomaz qualquer legitimidade para o exercício da chefia do Estado.
O caso de Américo Thomaz é especialmente gritante e criminoso. Felipe II (I de Portugal) teve mais legitimidade como chefe do Estado do que Thomaz, que não teve nenhuma. De tal forma, que o cagaço de Salazar com o Humberto Delgado suscitou(-lhe) uma revisão constitucional, em que o PR deixou de ser eleito por sufrágio universal para passar a sê-lo por colégio eleitoral.
Dito isto: expõem-se cem anos de República. O que se faz com presidentes usurpadores e ilegítimos? Varrem-se para debaixo do tapete da História? Não conheço o teor da exposição, mas duvido que seja glorificadora, caso contrário não é uma exposição mas uma acção (canhestra) de propaganda.

Uma ressalva, em tempo: é claro que não me refiro aos resistentes, quando falo em patetice, gente que me merece o maior respeito, mas a certos pinto-calçudos, quase de calções ainda hoje, bradando...

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Escrever na areia - Com o pé direito



Acabou-se. Manuel Alegre não foi eleito. Mobilizou mais de um milhão de eleitores, por razões várias. Quanto a mim, votei num homem com um passado honroso e num cidadão que soube estar nos momentos essenciais do lado certo da História. E votei no escritor. A meu ver, Manuel Alegre poderá continuar a prestar bons serviços ao país na acção política, no PS e na Assembleia da República, sabendo fazer valer o peso granjeado nesta eleição. Portugal também precisa dele, não em movimentos residuais de protesto, mas no centro do poder.
Uma palavra para o presidente eleito, Aníbal Cavaco Silva, referindo o bom discurso de vitória que proferiu no CCB, dirigindo-se à imprensa e, por seu intermédio, aos portugueses. Uma intervenção limpa, sem adversativas, lembrando os estrangeiros que cá vivem e os portugueses mais desfavorecidos, falando na liberdade, sem precisar de fazê-lo, mas dando com ela outra forma à sua proclamação vitoriosa. Gostei. Espero que lhe, e nos, seja auspicioso.
Uma notícula para os comentadeiros de serviço, para os pivôs e plumitivos agenciados: sem ilusões quanto à sua desvergonha, conformo-me com vê-los pululando, sempre disponíveis e de boca aberta à espera que lhes atirem amendoins...
Outra notícula para vomitar na dita extrema-esquerda (não falo na desdita extrema-direita, que está cadaverosa): os Louçãs, os Tomés, os Rosas, os Vales de Almeida, as Dragos, mais os aliados do candidato a Américo Thomaz, que na sua insignificância política não hesitaram em insultar alguém cujo passado de resistente deveria merecer alguma estima e talvez solenidade, pelo menos a essa confraria beata que quando fala em esquerda, fá-lo com a voz cava...