Mostrar mensagens com a etiqueta Andrée Rocha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Andrée Rocha. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

uma carta do Padre António Vieira

Carta publicada por Andrée Rocha, A Epistolografia em Portugal (2.ª ed., 1951), recolhida na edição Sá da Costa da Cartas (1951), por António Sérgio e Hernâni Cidade.
Dirigida a Duarte Ribeiro de Macedo, então enviado em França, excelente sobre o ambiente persecutório e o o poder da Inquisição, cuja chaga purulenta ainda hoje se escarva e se escarra na tristíssima sociedade portuguesa. 
O retrato do fascinante Frei António das Chagas é esplêndido, bem como a arguta noção de Vieira dos perigos do prègador iluminado e alucinado -- qual pastor tele-evangelista --, o receio pelo que, às mãos da turba poderiam sofrer os cristãos-novos; evocando o massacre dos judeus ocorrido em Lisboa no reinado de D. Manuel I, cujo memorial há uma década foi erigido nesse Largo de São Domingos de nefanda memória, e que hoje, ironia da História, é local de cruzamento étnico das mais desvairadas religiões e dos que não têm religião nenhuma.

ler aqui

sábado, junho 04, 2005

Correspondências #3 - D. Francisco de Portugal a D. Rodrigo da Cunha, bispo do Porto

V. Senhoria sempre me faz mercês: eu as tenho por tão infalíveis como quem conhece o ânimo de V. S. e como quem lho não desmerece com o seu ânimo. Por cá, tudo são desastres: Francisco Rodrigues Lobo morreu afogado no Tejo, que até nas águas há ingratidões! Na desgraça foi poeta. E enfim era entre nós só o que imprimia. Mortes de fogo também não faltarão. De dar e tirar a vida servem os elementos. A D. Rodrigo Caldeirão não faltam versos castelhanos nem portugueses, inda que maus. Eu também atirei ao alvo mas errei, como costumo. V. S. o verá neste soneto, porque vai de outra letra para que se leia bem. Fico ao serviço de V. S. como sempre. A quem Deus guarde e toda esta casa pede benção.
Lisboa, a 6 de Dezembro de 1621.
Andrée Rocha, A Epistolografia em Portugal