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sexta-feira, outubro 30, 2015

a possibilidade de viver

Há uns bons anos, em resposta a um comentário que a Maria Noronha (quando voltará ela a blogar?) fez a este excerto de Stig Dagerman:  «Sem fé, ouso pensar a vida como uma errância absurda a caminho da morte, certa. Não me coube em herança um qualquer deus, nem ponto fixo sobre a terra de onde algum pudesse ver-me. Tão pouco me legaram o disfarçado furor do céptico, a astúcia do racionalista ou a ardente candura do ateu. Não ouso por isso acusar os que só acreditam naquilo que duvido, nem os que fazem o culto da própria dúvida, como se não estivesse, também esta, rodeada de trevas. Seria eu, também, o acusado, pois de uma coisa estou certo: o ser humano tem uma necessidade de consolo impossível de satisfazer.»
escrevi a minha via pessoal para tentar iludir o absurdo da existência, via que continuo a trilhar, tentando iludir-me
 
«É o nada que nos espera que torna a vida absurda. O Vergílio Ferreira diz num dos seus diários qualquer coisa como isto: uma hora de eternidade é igual a mil anos de eternidade; isto é: uma hora de nada é igual a mil anos de nada. Há para mim algo que pode dar um sentido à vida, e tal é a minha descendência, a única coisa perene que me vai sobreviver, pois não sou Miguel Ângelo, Beethoven, Camões ou sequer Napoleão. E mesmo esses... Por isso, também ouço muitas vezes o «Blackbird» & outras músicas; tornam a vida possível de ser vivida.»

*«Blackbird», música de Paul McCartney, nos Beatles.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Tarzan dos Macacos


Foi com o Russ Manning que comecei a seguir as aventuras do Tarzan. As historinhas saíam aqui nas publicações toscas da Agência Portuguesa de Revistas, enquanto que a brasileira EBAL anunciava as edições de Burne Hogartn, «tudo em cor», artista que o Vasco Granja me ensinaria ser «o Miguel Ângelo das histórias em quadrinhos». Lamento, mas eu gostava muito mais de ler o Russ Manning, com todas aquelas inverosimilhanças -- parece que muito fiel ao Burroughs --, do que o perfeccionista Hogarth, com os seus correctíssimos estudos anatómicos para atingir uma BD plena de euritmia.