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domingo, agosto 10, 2014

Thijs van Leer: Bach, o maior herói

Filho de um flautista apaixonado por Bach, Thijs van Leer (teclas, flauta e voz dos Focus), tem o mestre alemão como o maior dos seus heróis (continuo com o #200 da Classic Rock, Agosto 2014). Mas as referências do progger holandês estendem-se de Béla Bartók aos Earth Wind & Fire, de Miles Davis e John Coltrane aos Weather Report, entre muitos outros, sendo que na flauta jazz o ídolo é Roland Kirk: «The flute become an instrument that could be played alongside louder ones like guitar, bass and drums.»  Fora da música, van Leer menciona os existencialistas Kirkegaard e Sartre (rock progressivo é outra coisa) e Marcel Marceau.


sexta-feira, maio 27, 2011

revisitação - Emerson, Lake & Palmer

Emerson, Lake & Palmer, «Knife Edge». Os ELP nunca foram o meu prato do prog rock. O Keith Emerson é um histérico dos sintetizadores, não tem, por exemplo, a englishness do Tony Banks, talvez o principal responsável pelo som dos Genesis dos anos de ouro (1970-78); e torço também o nariz às citações eruditas, de Bach a Copland. Mas cresci com o prog, e há coisas piores de se ouvir.

sexta-feira, abril 15, 2011

Fantasia

cartaz original, 1940
Prossigo com as longas-metragens produzidas por Walt Disney. 
Com «Fantasia», os estúdios atingiram os píncaros da animação, provavelmente porque não se trata propriamente um filme para crianças, mas antes um produto com uma boa dose de vanguardismo técnico e conceptual.  Do fragmento inicial, «Tocata e fuga» de Bach, prestando-se à coloração das grandes massas sonoras trazidas por Stokowski, ao segmento final, representando a oposição entre as trevas e a luz, a «Noite no Monte Calvo», de Mussorgski, e o «Ave Maria», de Schubert. Pelo meio, algumas coisas a reter, desde logo a aprição do próprio Mickey no «Aprendiz de Feiticeiro», de Paul Dukas. Disney continuava a ousar. E, em Portugal, por ocasião da sua estreia, pouco depois, Roberto Nobre e Fernando Lopes-Graça assinavam uma maravilhada crítica conjunta nas páginas da Seara Nova...

domingo, agosto 20, 2006

Correspondências #56 - José Rodrigues Miguéis a Irene Lisboa

Bruxelas, 9 -- Novº 1929

Minha querida Amiga

A sua carta, recebida hoje, não me surpreendeu. Contava que o seu estado de espírito fosse justamente o que ela me revelou. Perdoe-me esta audácia de me supor perspicaz. De certo, era tão fácil pressupor que você iria sofrer com a sua nova etapa! O que é inadmissível é que você fale da morte. Bonito tema para a filosofia e para a literatura. Mas não para se tomar a sério, como problema pessoal. O que você sofre em Genebra estou eu sofrendo em Bruxelas. É o mal da solidão que o esforço para nos adaptarmos agrava. Isso há-de passar-lhe, -- mal de nós se não passasse -- e a mim também. O que é preciso agora é conformarmo-nos ao meio o mais possível. Eu tenho sofrido. Perdi o apetite. Ao fim de um dia de courses a pé, de autobus e de eléctrico, estava doente. Caí em perfeito estado de indecisão e de anarquia de intenções. Mas vou contar-lhe o que fiz. Cheguei aqui anteontem ao meio-dia. (Antes que me esqueça: o seu guarda-chuva não estava no hotel; procurei-o por toda a parte, perguntei à criada, indaguei no restaurante, ninguém o tinha visto. Em todo o caso, para se tranquilizar, convém talvez que escreva ao gerente do café onde almoçávamos, para que lhe guarde o objecto, se ele aparecer; isso mesmo mo tinham já prometido. Mas convém insistir.) Fui imediatamente a um hotel, onde por 22 ou 25 fr. belgas de diária (não sei ao certo) me instalaram num quarto razoável, au sixième. Água corrente, chauffage, panorama sobre a cidade (que é extremamente animada e curiosa, sem o encombrement de Paris, nem o provincianismo duma Lisboa), e junto da praça da Bolsa, que é, num país capitalista, o coração do burgo. Mas isto não me alegra. Depois de instalado pus-me a procurar os Decrolys e outros bichos. Só almocei às 3 h. da tarde (talvez daí venha o meu malestar) e só às 4 1/2 (já noite cerrada, meu Deus de Portugal!), apanhei Decroly, num grupo de sábios, com a filha (que é médica), numa policlínica infantil. Apresentou-me logo a um médico de Estrasburgo, novo e musiqueiro, que aqui veio para ver pedagogias. Foi uma corvée. Ao almoço comera potée ardennaise, uma coisa imensa, boa e monstruosa que só acabei de digerir nessa noite. Passeei Bruxelas de automóvel com o Decroly, e depois só com o francês, a filha do Decroly e uma linda espanhola loira, de Barcelona, que está aqui muito bem há dois anos, como jardineira de infância, creio. Fomos para casa do Decroly, funcionou o gramofone (Bach, Albeniz etc.) e jantar. Eu estava arrazado e durante o jantar, que durou 3 horas, não abri quasi o bico para falar e mal para comer. Etc. Como vê, ainda não comecei a pensar... Logo que comece lhe escreverei. Tenho lido jornais. Já escrevi. Tenho saudades de muitas coisas e de si. Não espere o meu endereço para escrever. Eu lho darei na devida altura. É preciso dominar esses nervos e aceitar tudo com indiferença, mesmo a pedagogia e a falta de água no quarto. Não pense no meu dinheiro; governar-me-ei bem e a si os francos podem faltar-lhe. Não tenha saudades de quem é mau, e creia-me amigo e admirador devotado
Miguéis
In Irene Lisboa -- 1892-1958
(edição de Paula Morão)