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sábado, março 05, 2016

ui, devo ser mesmo um radical...

Não tenho paciência para falar da Senhora D. Maria Luís Albuquerque, uma nulidade política que não percebe que a honra de ser deputada da nação é incompatível com ser criada duma organização de fundos abutre. Se calhar, sou radical, mas a conta em que tenho estes é exactamente a mesma com que encaro qualquer máfia ou cartel de tráfico de droga, armas ou seres humanos.
Teria imensa pena se algum dos meus quatro filhos ganhasse a vida na especulação financeira. Há muito mais honra e utilidade em ser-se varredor ou empregado de mesa. Já mais de uma vez citei aqui o título de uma fotografia de Alberto García-Alix, que é das frases mais certeiras e lapidares que descrevem, entre outros, estes traficantes de dinheiro: «Um homem de camisa demasiado limpa não é um homem honrado.» E que bem que cheiram, mesmo se ainda estejam a aprender a comer de boca fechada.

sexta-feira, outubro 17, 2014

a quadrilha da TDT -- "Então, ninguém vai preso?!..."

A minha ingenuidade, a minha boa-fé, a minha burrice continua a ser posta à prova com as sucessivas revelações da gatunagem que toma conta deste país. 
A reportagem do «Sexta às 9» de hoje, sobre a vigarice obscena da TDT perpetrada pela PT/MEO, com a incompetência e/ou a cumplicidade da Anacom, mostra que, ao contrário do que se passa na cosmopolita Lisboa, centro e periferia dos esquemas manhosos da Banca e das trapalhadas do Banco de Portugal e da CMVM, na província -- desertificada, pobre, idosa e com pouca instrução --, os vigaristas nem sequer se dão ao trabalho de disfarçar. 
Os aparelhos da TDT não funcionam, as pessoas são levadas a contratar serviços da tv por cabo, quem não o fez ou não tem televisão ou recebe as emissões com muitas deficiências. O programa mostra também o quanto as televisões portuguesas, em especial a RTP, pagam mais do que as suas congéneres estrangeiras. Mais ainda, o cúmulo da trafulhice neste caso de polícia: em Portugal, os utentes da TDT só têm acesso a quatro canais RTP 1 e 2, SIC e TVI; basta ir a Espanha e ver que a oferta é o dobro ou o triplo. Porque será?
Portugal continua a ser gerido, a vários níveis, por indivíduos pouco recomendáveis. O abuso, o roubo, a extorsão são tão grosseiros, a falta de respeito pelas pessoas é de tal forma dolosa que a tutela (o Governo, este e o que se lhe seguir) ficará gravemente comprometida se não investigar o esquema a pente fino, abrir inquéritos com vista a processos disciplinares e participação criminal dos quadros dirigentes da Anacom e da PT que duma forma inqualificavelmente reles ludibriaram uma parte da população. Não é só no caso dos submarinos, das ppp's, do BPN, dos BES que temos de perguntar: "Então ninguém vai preso?!..."
Bem podem falar do ditador da Guiné-Equatorial e do filho com tiques de proxeneta; ou da corrupção em Angola e dos generais mafiosos. É em episódios como este que se vê como Portugal está a saque, e que na classe dos gestores, públicos e privados, por muito engravatada que se apresente, prevalece o tipo sebento e mal acabado do burlão.
Nunca como hoje as palavras incisivas do fotógrafo espanhol García-Alix me pareceram tão bem ajustadas à elite (de pacotilha) que dirige país. 
E não se pode exterminá-los?