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quarta-feira, novembro 23, 2005

JornaL

1) Li apressadamente na livraria duas páginas do último de António Lobo Antunes, D'este viver neste papel aqui descripto -- as cartas enviadas a sua mulher. Soberbas. Não tenho dúvida de que se trata de um grande acontecimento cultural no sentido mais lato: a correspondência dum jovem alferes médico saudoso e apaixonado, atolado numa guerra tão estúpida que foi criminosa -- desde logo pela sua desnecessária estupidez. Um livro para a História. Tenho a certeza disso.
2) As cartas hoje publicadas pelo JL, de Fernando Assis Pacheco, Manuel Beça Múrias e Afonso Praça, mostram isso mesmo. Como há tanto material humano de primeira qualidade ainda a conhecer...
3) Miguel Real lança dois livros duma assentada: o ensaio O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa e um romance, a suceder ao excelente Memórias de Branca Dias: A Voz da Terra. Diz ele em micro-entrevista: «O romance histórico não deve reproduzir ficcionalmente a História, mas iluminá-la, abrindo-a a outras interpretações.»
4) A ler: Andrade Corvo, Perigos (Fronteira do Caos); Frederico Lourenço, A Odisseia de Homero adaptada para jovens; Graciliano Ramos, S. Bernardo (Cotovia); Miguel Real, A Voz da Terra e O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa (Quidnovi); Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Malva 62 (Quasi); Pedro Rodrigues, António Victorino d'Almeida Conta 50 Anos de Música (Quimera); Urbano Tavares Rodrigues, O Mito de D. Juan e Outros Ensaios de Escreviver (Imprensa Nacional); Paul Teyssier, A Língua de Gil Vicente (Imprensa Nacional); Miguel de Unamuno, A Vida de D. Quixote e Sancho (Assírio & Alvim).
5) A ouvir: Bach, Cantatas Profanas pelo Collegium Vocale de Gent, dirigido por Philippe Herreweghe (Harmonia Mundi); Mafalda Arnauth, Diário (Universal); António Chainho e Marta Dias, Ao Vivo no CCB (Movieplay); Clã, Gordo Segredo ((EMI-VC).

quarta-feira, novembro 02, 2005

Antologia Improvável #70 - Daniel Maia-Pinto Rodrigues

Amanhece
e no espreguiçar dos olhos
absorvo a tontura do novo dia

Ao sair do quarto
atravesso o branco sujo da manhã
tropeço na claridade da primavera
e vou tomar café com muito açúcar

Levo um pastel de Tentúgal para a varanda
e mastigo-o ouvindo as harpas da cidade

E quando tu chegas de roupão
bebendo o teu cacau
explico-te num gesto amplo de incertezas
o horizonte com barcos

O Afastamento Está Ali Sentado

Daniel Maia-Pinto Rodrigues